Diana
O voo foi
relativamente rápido e uma hora depois já estava em Lisboa. Cá era, cerca de
19:30, por causa de diferença horária. Apanhei um táxi e fui para casa. Durante
o caminho fui a pensar no sorriso mais amarelo que tinha de pôr para parecer
que estava tudo bem.
Tinha chegado,
este lugar dava-me uma tranquilidade extrema.
Era bom estar
de novo em casa. Respirar aquele ar a maresia acalmava-me. Ainda fiquei a olhar
o mar uns minutos para depois ir para casa.
Peguei nas
minhas chaves e entrei.
- Mãe, Pai, voltei! – gritei enquanto
punha as malas a um canto
- Titi! – vejo o meu pequenino sobrinho a
vir a correr desalmadamente da cozinha na minha direção
- Simãozinho! – pego nele ao colo e ele
abraça-me
- Eu tinha tantas saudades tuas! –
dizia-me o meu pequenino
- Diana?! – perguntavam os meus pais
muito espantados a olharem para mim
- Sim! Já tinha saudades da minha família
linda, então vim fazer-lhes uma visita! – ocultei o meu verdadeiro motivo
com um sorriso um pouco forçado
Pus o meu
Simãozinho no chão e fui cumprimentar os meus pais e o meu irmão que também
estava presente juntamente com a minha cunhada Margarida.
- Então filha como correu as coisas lá por
Madrid? Voltas-te tão cedo, pensei que ficasses lá mais umas semanas. Como
estava o Tomás? – pergunta-me a minha mãe, com a sua habitual preocupação
Durante o
jantar respondi-lhe a todas as perguntas, umas com mais veracidade que outras
mas respondi, sem nunca falar no Sílvio. Mas eles perceberam que eu não estava
lá muito bem-disposta.
Assim que
acabámos de jantar o Simão veio sentar-se ao meu colo. Tinha sentido saudades
do meu pequenino.
- Titi, achas que agora que já jantámos,
podemos ir jogar à bola? – perguntou carinhosamente
- Hummm não me apetece lá muito!
- Ohhh vá lá! – pediu fazendo beicinho
- Filho a tia está cansada, não sejas chato!
– dizia o meu irmão
- Eu queria jogar à bola com ela, queria
mostrar a minha nova finta! – dizia o Simão tristinho
- Pronto, eu jogo contigo um bocadinho! Mas
só um bocadinho… - acabei por ceder pois dizer que “não” ao Simão era quase
impossível, embora não tivesse com a mínima disposição
- Boa!!! – dizia todo contente
Simão salta do
meu colo e puxa-me até ao jardim. Pega na bola e começa a mostrar-me a sua
finta, todo contente. Mas confesso que nem vi, pois lembrei-me imediatamente do
Sílvio, o que é que ele estaria a pensar de mim neste momento? Provavelmente já
saberia que eu me tinha vindo embora… umas lágrimas caíram pelo meu rosto e
arrojaram-se na relva.
- Estás a chorar? – perguntou-me
- Não pequenino! – tentei disfarçar
passando-lhe a minha mão no seu cabelo repleto de pequenos caracóis
- A mamã diz que mentir é feio! E que nunca
devemos mentir!
Sorri com a sua
observação.
- A titi não estava a chorar! – disse
limpando as lágrimas
- Estavas sim que eu vi! Estás triste? Já no
jantar também estavas um pouco calada… - reparou com perspicácia
- São coisas complicadas dos adultos! –
acabei por lhe explicar
- Sim eu também acho que os adultos são
complicados! Deviam brincar mais… - aconselhava parecendo um pequeno sábio
- Oh pequenino e deste quando é que tu tens
idade para saber essas coisas? – perguntei-lhe sorrindo e puxando-o para o
meu colo, acabando por me sentar na relva do jardim
- Tenho sim, os adultos é que pensam que as
crianças não percebem nada, mas eu percebo tudo! – dizia muito autoritário
- Ai é? Então diz-me lá o que é que tu
percebes?
- Percebo que tu estás triste desde que
voltas-te lá de Madi e que não queres que os vovós percebam! – fiquei
chocada, as crianças realmente!
- De Madi, Simão? Isso é o quê? –
brinquei com ele
- É o sítio onde o Tomás está! – dizia
com cara de óbvio e fazer “daaa”
- O Tomás está em Madrid e não em Madi! –
corrigi sorrindo
- Ou isso! Madrid! Mas tu estás triste desde
que viste de lá e não queres que os vovós percebam! - insistiu
- Achas que te posso contar um segredo? –
perguntei-lhe uns decibéis mais abaixo que o normal
- Sim! Eu sei guardar segredos – prometeu
no mesmo tom
- Sim, eu tou triste mas não podes contar a
ninguém! Eu não quero que os vovós e o teu papá se preocupem comigo! –
confessava-lhe
- Ok eu não conto a ninguém! – prometeu
fazendo um “x” com os dedos e dando um beijo nos mesmos – Queres um beijinho para ficares mais feliz? – perguntou super
carinhoso
Emocionei-me com o Simão. Realmente
as crianças eram o melhor do mundo, davam tudo serem querer nada em troca, não
eram interesseiras, eram ingenuas, as suas preocupações eram apenas brincar,
não tinham problemas e faziam com que tudo parecesse fácil, sempre com um
sorriso. Ás vezes gostava de voltar a ser criança, a não ter responsabilidade,
a não desiludir as pessoas e pensar que tudo era super fácil e simples!
- Quero muitos! – Simão abraça-me e dá-me imensos beijinhos na cara.
Foi inevitável não sorrir. Fiquei bem mais feliz e depois lá fui eu jogar à
bola com ele, ou menos sempre estava destraida e ao pé dele era impossível não
ter um sorriso na cara.
Já depois do meu irmão ter ido
embora, juntamente com a sua mulher e o Simão, fui até à casa da minha melhor
amiga, dizer-lhe que voltei e desabafar um pouco com ela. Mas havia uma coisa
que me estava a incomodar imenso, por isso olhava de 5 em 5 segundos para o meu
telemóvel. O Sílvio tinha dito que me enviava mensagem e já devia ser perto da
meia-noite e ainda não tinha recebido nenhuma mensagem dele. Isto só quereria
dizer que ele deveria estar imenso zangado comigo, para nem sequer uma mensagem
me enviar.
Sílvio
Como hoje tinha folga de manhã,
fiquei a molengar na cama. Mas depois lá decidi ir tomar banho, para em seguida
ir falar com a Didi.
Fui até à casa do Tomás e bati à
porta, não demorou muito até ele me abrir a porta.
- Bom dia! – saudei bem-disposto
- Ah… Sílvio – disse um pouco atrapalhado – Bom dia! – retribui de uma forma seca
- Bem tu estás estranho! – comentei ao mesmo tempo que me dirigia
para a sala – Está tudo bem contigo?
- Sim comigo pode dizer-se que sim! Mas agora com a Didi… – dizia um
pouco a medo da minha reação
- O que é que se passou com ela? Ela está bem? – perguntei aflito
- Calma, eu explico-te tudo! – comprometeu-se – Mas senta-te – sugeriu
- Estou bem em pé! Mas conta lá o que é se passa com a Didi, estas-me a
deixar preocupado – dizia impaciente
- A Didi voltou para Portugal! – contou-me
Neste preciso momento o meu mundo
desabou! Sentei-me no sofá incrédulo! Baixei a minha cabeça, amparei-a com as
mãos, uma vez que os meus cotovelos estavam apoiadas nos meus joelhos. Ela
tinha ido embora… sem se despedir de mim… deixei escapar umas lágrimas de
desespero. Porquê é que ela se foi embora!? Porque não se despediu de mim ou
disse que se ia embora!?
- Porquê? – foi a única coisa que consegui dizer
- Por vários motivos, mas o mais forte foi mesmo por causa de ti!
- Esta súbita fuga tem as mesmas razões de quando ela se afastou de mim?
- associei
- Sim! - admitiu
- Mas que raio é que a faz a afastar de mim? – perguntei revoltado e
levantando-me – Que raio é que a faz
fugir se ela admitiu que gosta de mim, se quando estávamos juntos era tudo tão
magnifico, se ela me beija, se eu gosto dela… Porquê é ela se afasta de mim?!
Porquê!?– perguntei a gritar
- Calma my friend!
- Clama o quê! Tu não percebes que a mulher que eu amo foge de mim e eu
nem sei porquê! Tu não percebes que isso me faz sofrer? Fogo! Eu gosto dela a
sério! – confessava revoltado e com lágrimas no rosto
Percebi pela cara do Tomás que tinha
mesmo de me acalmar. Foi difícil e ainda demorei algum tempo, estava mesmo
revoltado, zangado, desiludido, magoado, mas o pior de tudo era pensar que ela
nem se quer se tinha despedido de mim ou simplesmente dito: eu vou-me embora!
Porquê? Não entendia nada!
- Tu sabes porquê é que ela se tem afastado de mim e agora foi embora?
– perguntei já mais calmo
- Sei mas não te posso contar isso tem de ser mesmo ela a dizer-te!
- Se ela foi embora sem me dizer nada achas mesmo que ela me via dizer
porquê? Mas eu não percebo, ela não gosta de mim? – Tomás confirma abanando
a cabeça de cima para baixo – Então
porque se afasta?
- Ela tem uma razão muito forte! Mas não duvides que ela
gosta mesmo de ti! Gosta muito! Mas há certas coisas que a impedem de viver
aquilo que sente por ti!
- E quando ela
foi embora, como é que ia? Disse alguma coisa sobre mim? – perguntei ao
Tomás, pois queria pelo menos saber se ela se tinha preocupado comigo quando eu
soubesse que ela se tinha ido embora
- Disse! Ela
estava mesmo muito mal, ela abraçou-se a mim a chorar e disse algo como “sinto que é como se estivesse a trair o Sílvio, a abandona-lo, sei que o vou desiludir, e fazê-lo sofrer, mas não era isso que eu
queria. Achas que depois disto o Sílvio nunca mais vai querer olhar para a
minha cara? E vai odiar-me?” perguntava-me assustada – disse-me.
Foi inevitável não me virem novamente as lágrimas aos olhos. A minha princesa
devia estar a sofrer tanto quanto eu, e isso ainda me fazia ficar mais
desesperado, pois não sabia mesmo a causa de todo este sofrimento. Apesar de estar mesmo muito desiludido com a Diana e
de não a perceber, não deixava de gostar dela e muito menos a conseguia odiar!
Aliás, por gostar mesmo muito dela é que me sinto assim. Sinto-me magoado e
desiludido porque acho que mereço uma explicação para isto tudo, porque merecia
pelo menos saber porque é que ela se foi embora, porque as suas ações também me
afetam, e muito! Isto tudo fazia-me pensar e repensar sobre o porquê dela se
afastar de mim, mas não chegava a conclusão nenhuma, aliás eu nem tinha nenhuma
suspeita. O meu coração estava tão mirrado de tanta dor.
Sabem o que é sentir que a pessoa que mais amamos foi
embora e não nos disse nada, sentir que essa pessoa nos ama mas que se afasta
de nós? Pois, eu gostava de não sentir isso…
- Não sei mesmo
o que fazer! Custa-me tanto ela ter estas atitudes enquanto ela também sofre
com elas! – confessei. Se havia coisa que me ainda deixava pior e com o
coração mais apertadinho era saber que a minha princesa também está a sofrer.
- Pois mas tens
de ter calma! Eu percebo que seja difícil tudo isto. Mas até pode ser bom ela
estar uns tempos longe porque a Didi precisa de tempo para pensar, precisa de
pôr as ideias em ordem, precisa de perceber aquilo que sente – tentava
explicar-me
- Eu não
preciso de me afastar dela para saber que a amo!
Ainda tive mais um bocado a falar com o Tomás sobre a
Didi, a tentar perceber o porquê dela se ter ido embora, mas era uma tarefa em
vão. Já muito mais calmo e consciente da situação, queria ligar à Didi.
- Achas que se
ligar à Didi, ela atende? – perguntei ao Tomás
- Não sei é uma
questão de tentares. Mas não sejas bruto e não a julgues, por favor! –
pediu-me preocupando-se com a amiga
- Claro!
Peguei no telemóvel e procurei o nome da Didi na lista
de contatos, sentia o meu coração a mil quando carreguei no verde e comecei a
ouvir chamar.
Chamou, chamou, chamou, chamou e ela não atendeu.
Insisti e decidi ligar outra vez, desta vez ela rejeitou a chamada. Não insisti
mais. Mas fiquei desiludido por ela nem se quer se dignar a anteder a chamada.
Já era de tarde e tinha que ir para o treino, não
podia faltar às minhas responsabilidades. Fui até casa buscar as coisas e
depois meti-me no meu caro até ao centro de treinos. Pelo caminho ia,
obviamente, a pensar na Didi, quando uma música que passou no rádio me chamou a
atenção. Era um dos meus cantores preferidos, o vocalista da minha banda
predileta. Aquela música arrepiou-me, não só pela voz do Eddie Vedder que era
simplesmente única mas essencialmente porque esta música se encaixava com o que
eu estava a sentir. (Oiçam a música, vale mesmo a pena! http://www.youtube.com/watch?v=X_Ykbu0alAw). Aumentei o volume do rádio e ouvia atentamente a
música.
I'll
grow when you grow (Crescerei quando tu cresceres)
Let
me loosen up the blindfold (Deixa-me desamarrar a venda)
Eu precisava de saber a verdade.
I'll fly when you cry (Voarei quando tu chorares)
Lift us out of this landslide (Nos levantar para fora deste
desmoronamento)
Wherever you go (Onde quer que tu vás)
Whenever we part (Sempre que nos separarmos)
I'll
keep on healing all the scars (Eu continuarei curando todas as cicatrizes)
That
we've collected from the start (Que nós ganhamos desde o inicío)
I'd
rather this than live without you (Eu prefiro isso a viver sem ti)
For every wish upon a star
(Para todo pedido
em uma estrela)
That goes unanswered in the dark
(Que continua sem
resposta no escuro)
Tomaria conta dela para sempre,
apoiaria sempre que precisa-se, protegeria… só precisava que ela deixa-se.
Por muito que quisesse ela não me contava
a verdade, por muito que insistisse. Mas preferia tê-la ao pé de mim, vê-la
todos os dias, mesmo que não me falasse do que ela estar longe.
There is a dream I've dreamt about
you (Há um sonho que sonhei sobre ti)
And from afar I lie awake
(E de longe eu
deito acordado)
Close my eyes to find
(Fecho meus olhos
para encontrar)
I
wouldn't be the same... (Que eu não seria o mesmo...)
I'll shine when
you shine (Brilharei quando você brilhar)
Painted
pictures on a my mind (Pinturas pintadas em minha mente)
Sunsets on this
ocean (O sol se põe sobre este oceano)
Never once on
my devotion (Nunca antes em minha devoção)
However you are (Entretanto, tu és)
Or far that you
fall (Ou longe disso, tu cais)
Without you (Sem ti)
Without you (Sem ti)
Não conseguia
viver sem ela! Esta música deixou-me mesmo todo arrepiado. E fez-me ter uma ideia.
Como esta música expressava aquilo que sentia, enviar-lhe-ia partes da letra.
Era também uma maneira dela perceber que eu podia estar desiludido mas que não iria
desistir dela, que neste momento não a odiava e que queria acima de tudo
esclarecer as coisas. Escrevi partes da música e enviei-lhe por mensagem.
De: Sílvio
Para: Diana
Let me loosen up the blindfold, I'll fly when you cry,
Lift us out of this landslide, Wherever you go, Whenever we part, I'll keep on
healing all the scars, That we've collected from the start, I'd rather this
than live without you, For every wish upon a star, That goes unanswered in the
dark (…) I'll shine when you shine
Beijo
Irá Didi responder a esta mensagem?
Aguentaram eles longe um do outro?
Emoções e revelações fortes no próximo capítulo!
Boa Noite!
Apeteceu-me escrever e aqui fica um grande capitulo para as minhas leitoras! Até porque amanhã é um dia especial! Mas depois logo dou noticias :)
Espero que tenham gostado e que comentem, infelizmente os comentários tem vindo a ser menos :(
Beijinhos
Didi Martins


Adorei! Quero mais...
ResponderEliminarA música é linda! *.*
A Didi volta a Madrid ou o Sílvio vai ter com ela, né?
Rapidinho, quero mais...
Beijinhos*
Fantastico adorei.bjs
ResponderEliminarLindo
ResponderEliminarAiiii emoçoes fortes? Nao tem havido outra coisa!
ResponderEliminarVá lá! Eles merecem uma oportunidade, Didi!!!
O Silvio foi espetacular ao percebe-la e nao a julgar!
Fico a espera do proximo!
Beijo
Ana
P.S. A musica era fantastica! A letra é arrepiante!
Olá :D
ResponderEliminarAMEI, cada vez gosto mais da tua fic. Espero que a Didi pense melhor e que volte o mais rápido possível para o Sílvio só assim é que será feliz.
Quero rápido o próximo.
Beijinhos
Beatriz
Olá :D
ResponderEliminarAdorei o capítulo!
Espero que a Didi dê uma nova oportunidade ao Silvio!
Quero mais :p
Beijinhos
Ritááá xD