- Sílvio… - chamei-o mas ele nem mexeu um
único músculo, ignorando-me completamente. Sentei-me ao seu lado e comecei com
o meu discurso – Sabes as crianças são o
melhor do mundo, então quando são rapazinhos de quarto aninhos, são adoráveis,
por isso tratamo-los por nomes queridos, tipo um diminutivo, ou pequenino,
campeão ou meu amor… é isso que eu faço quando falo com o meu sobrinho Simão…
- esclareci o mal entendido mas mesmo assim o Sílvio continuava impávido e
sereno a olhar o horizonte completamente alheio do que eu lhe dizia - ouviste o que eu te disse? – ele
continuou sem me responder, ignorava-me completamente – Ok, já percebi – disse já um pouco irritada face à sua falta de
resposta – Desculpa se te magoei, não
era essa a minha intenção – Sílvio continuou sem me responder, fartei-me de
estar ali a falar para as flores e fui embora
- Não me magoaste mais do que tens magoado
estando longe mim! – ouvi-o dizer não muito alto. Virei-me para ele, ele
continuava olhando o horizonte – Conta-me
a verdade, Didi! – pediu não tirando o olhar do horizonte
- Importas-te de olhar para mim quando falas
comigo!? – pedi elevando um pouco o meu tom de voz pois a sua atitude
estava a inervar-me
- Quando me contares a verdade! – atirou,
novamente não me olhando
- Mas eu contei-te a verdade, eu estava a
falar com o meu sobrinho Simão ao telefone! – contei-lhe, mas eu sabia
perfeitamente que não era a “esta verdade” que ele se referia.
- Sabes perfeitamente que não é isso! –
acusou-me – anda cá – pediu-me
finalmente olhando para mim. Sorriu-me e cedeu um espaço entre as pernas deles
para eu me sentar. Mas eu mantive-me no meu lugar – Vês era disto que eu me referia!
Acabei
por ceder e sentei-me entre as suas pernas, Sílvio acabou por abraçar-me.
Neste
momento não pensava em nada, desfrutava apenas do momento, de estar de novo no
quentinho dos seus braças, de sentir de novo o cheiro do seu perfume, de sentir
a sua respiração embater no meu pescoço…
– Porque é que não podemos ficar assim,
simplesmente assim, juntinhos e sem problemas? – perguntou meloso bem junto
da minha orelha direita
E
pronto! Tinha de vir a realidade estragar o momento!
- Porque não! – evidenciei o obvio para
mim, mas que para ele era desconhecido
- Não te percebo! Didi, por favor explica-me
o porquê de te teres afastado de mim, é que eu sinceramente já dei mil voltas à
cabeça e ainda não percebi. Ah e não me venhas com aquelas tretas de queres
espaço para pensar que eu não sou estupido e burro, sei perfeitamente que não
foi por causa disso que te afastaste de mim – implorou-me
Tive
vai, não vai, para lhe contar a verdade, mas algo me fez recuar e continuar com
a minha mentira.
- Se não acreditas isso é lá contigo! –
disse friamente saindo do seu colo e indo em direção à casa do Tomás. Havia uma
lasanha à minha espera. Oh Didi, não me venhas com tretas! Qual lasanha qual
quê, quem é que prefere uma lasanha ao colo do Sílvio, ao abraço confortante?
Sou tão estupida. Porque é que eu não podia ficar no seu colo para sempre, como
ele disse!? Porque se calhar as nossas vidas estão separadas por 600 km de distância!?
Porque é que eu gosto dele!? Porque é que eu não o consigo esquecer!? Ai, que
raiva! Sou tão otária! Martirizava-me mentalmente quando reparei que já tinha
chegado à sala de jantar do meu melhor amigo.
- Bem com essa cara já percebi que não correu
lá muito bem a conversa… - comentou o Tomás enquanto eu me sentava de novo
no meu lugar
- Sim, não correu! – confirmei agressivamente
sem paciência para conversas
Sílvio
Se
uma parte de mim tinha ficado aliviado por a Didi não ter um namorado, a outra
parte já nem se lembrava disso, pois estava mais preocupada em pensar porque é
que a Didi fugia de mim e não me contava a verdade.
Toda
esta situação me deixava revoltado. Será que ela não percebe que assim me faz
sofrer?! Será que ela ainda não percebeu que eu gosto dela!? Será que ela não
gosta minimamente de mim!? Então porque me beijou!? Porque treme ou cora quando
estou ao pé dela!?
Por
mais que pensasse e repensasse nada fazia sentido, por voltas e voltas que
desse à cabeça não chegava a conclusão nenhuma. Aliás quanto mais pensava mais
perguntas sem resposta encontrava.
Os
meus pensamentos foram interrompidos pela chegada do meu mano mais velho.
- Puto, está tudo bem?
- Não, não está tudo bem! Aquela miúda está a
deixar-me doido!
- Queres desabafar? – perguntou sentando-se
ao pé de mim
- Não deixa lá, teria de estar aqui até
amanhã!
- Então queres ir acabar de jantar? Eles estão
à nossa espera…
- A Didi está lá?
- Sim, mas está claramente chateada –
informou-me Mauro
- Definitivamente eu não a percebo! Quer dizer nós estávamos assim por culpa
dela e ela depois ainda fica chateada!? Mas isto fazia sentido!?
- Mulheres! – concordou comigo Mauro
suspirando – Bem, mas bora lá?
- Sinceramente não me apetece muito… mas bora lá… - acabei por me conformar,
era o mais sensato a fazer.
O
jantar foi passado num silêncio profundo entre mim a Didi, não nos falamos mais
o resto da noite, não nos olhávamos, fazíamos de tudo para que não nos tivéssemos
de encarar.
Ela
evitava qualquer tipo de contacto entre nós e eu sinceramente, neste momento
agradecia, porque depois do que aconteceu não estava com cabeça para mais discussões
e problemas. Decidi distrair-me a jogar um pouco de playstation com os rapazes
e até ai a Didi fugiu de mim, primeiro sentou-se no lado oposto do meu, no
sofá, segundo fizemos um mini campeonato entre nós, ao qual ela se recusou a
jogar. O ambiente estava claramente tenso por isso ainda perto das 11 da noite
decidimos dar a noite por terminada e voltar para casa.
Os
meus irmãos ainda tentaram saber o que aconteceu entre mim e a Didi, mas não
estava com cabeça para lhes contar, por isso decidi ir direto para o meu
quarto. Já estava no meu quarto quando reparo que não tinha o telemóvel. Provavelmente
deveria ter ficado na casa do Tomás. Desci de novo até à sala e encontrei os
meus irmãos a ver televisão.
Ainda
os tentei convencer para ser um deles a ir lá me buscar o telemóvel, mas nenhum
deles me quis fazer esse favor. Tive mesmo de ir lá eu. Como a porta do jardim
ainda estava aberta entrei e fui até à sala buscar o meu telemóvel que
provavelmente me teria caído do bolso das calças enquanto estava no sofá. Mas antes
de chegar lá, fui obrigado a parar pois ouvi sem querer, uma conversa da Didi e
do Tomás, confesso que fiquei depois um pouco atrás da porta a ouvir a
conversa, sei que não é correto, mas o tema interessava-me, e muito!
Diana
Assim
que os convidados do jantar foram embora o Tomás caiu logo em cima de mim.
- Mas afinal, Diana, o que é que se passou
quando foste falar com o Sílvio à rua? Não conseguiste resolver o mal–entendido?
- Sim a parte do telefonema resolvi, mas ele começou
logo com a conversa do porquê é que eu me tinha afastado dele… - esclareci-lhe
- Ai estava a oportunidade perfeita, porque é
que não lhe contaste toda a verdade?
- Tomás, pára de me moer o juízo e mete-te na
tua vida – disse já caminhado para fora dali
- Isso foge da conversa como foges do Sílvio!
– acusou-me, voltei-me para ele e respondi-lhe
- Mas o que é que tu tens a ver com isso?
– perguntei-lhe rudemente
- O que é que eu tenho a ver com isso? – perguntou-me
indignado - Tu viste como é que estava o
ambiente no jantar? – perguntou elevando o seu tom de voz – Tu viste como tu e o Sílvio estão infelizes
só por causa de tu não lhe contares a verdade?
- Se eu lhe contasse a verdade continuávamos de
novo tristes, a verdade não resolveria o nosso estado de espirito –
defendi-me. Se eu lhe contasse que era por causa dos 600 km que nos separam,
isso não iria resolver nada, pois os 600 km continuavam a estar lá, pelo menos
era assim que eu pensava
- Isso não é verdade! Porque se tu lhe
contasses a verdade, isso implicaria que, finalmente, terias de admitir que
estar completamente apaixonada por ele! - contrapôs
- Ohohoh espera ai, e desde quando é que eu
estou completamente apaixonada por ele!?
- Diana pára de fingir e de querer esquecer
aquilo que tu sentes pelo Sílvio! Por muito que queiras não vais conseguir, só
o teu estado de espirito denuncia-te. Tu estás a sofrer por estares longe dele,
por discutes com ele, achas que isso acontece, porquê? Achas que deste tanta importância
a ires esclarecer o “meu amor” à bocado, porquê? Achas que quando estavas com
ele, ficavas toda feliz, cantavas músicas brasileiras depois de se terem
beijado, tu estavas nas nuvens e andavas para ia a suspirar, porquê? Custa-te assim
tanto admitir? – este seu discurso fez-me as lágrimas virem aos olhos. Eu tinha
a plena noção que o meu melhor amigo tinha razão
- Mas tu queres o quê? – questionei a
gritar, e limpado algumas lágrimas
- Eu quero que tu admitas de uma vez por todas
aquilo que sentes pelo Sílvio! – respondeu-me a gritar também
- Sim eu admito, tou completamente
apaixonada! – confessei com as lágrimas a descerem pelo meu rosto a uma
velocidade vertiginosa – Era isto que
querias ouvir? Sim eu estou a sofrer por estar longe do Sílvio, por discutir
com ele, por o ver triste, por o magoar. Sim também admito que os dias que estive
com o Sílvio foram os melhores da minha vida, que andava nas nuvens por o ter
beijado, mas não só, o simples facto de estar com ele, de o ser sorrir, de
ficar embaraçada, envergonhada, corada e de tremer por ele, de ele me chamar
princesa, de o meu coração bater a uma velocidade estonteante quando ele estava
comigo ou quando pensava nele, de sentir as borboletas no meu estomago, de
sentir aquele friozinho a percorrer todo o meu corpo, tudo isto me fazia sentir
a mulher mais feliz do mundo! – contei-lhe, transparecendo tudo o que me ia
no coração - Sim estou completamente
apaixonada pelo Sílvio! – finalizei, ainda com as lágrimas nos olhos, pois
era por culpa desta paixão que eu estava a sofrer
- Princesa, estás completamente apaixonada
por mim!? – perguntou-me o Sílvio estupefacto,
encostado á ombreira da porta da sala
Boa noite meninas :)
Como sempre espero que tenham gostado e que comentem :D
Beijinhos
Didi Martins



Calma, é bom, muito bom que poste rapidinho porque é indecente acabar assim um capitulo deixando-nos com o coração nas maos ;o
ResponderEliminarEstá optimo como sempre mas tens de postar pfpfpf (;
Beijinhos
Nii'i
Adorei adorei adorei esta fantastico.bjs
ResponderEliminarEstá lindo, mas posta o próximo rápido, esta curiosidade sobre o que vem a seguir mata xD!
ResponderEliminarBeijinhos, Margarida.
Opa isto não se faz.... acabar assim o capítulo :D
ResponderEliminarOdiei! Aquela parte que começou em " Boa noite meninas :)". Tudo o que estava antes AMEI!
ResponderEliminarResumindo: como se acaba um capitulo assim! Eu é que estou a sofrer por causa disto! Isso nao se faz!
Cada vez adoro mais a forma como escreves e quero MUITO o proximo!
Beijo
Ana
Espero que seja desta que eles fiquem bem e que arranjem uma solução para a distância! gosto mesmo da tua fic :b
ResponderEliminarOlha, tenho uma espécie de prémio no meu blog para ti: http://eramumasmerasferias.blogspot.pt/2012/09/liebster-blogg-award.html
Beijinhos
Ju
http://eramumasmerasferias.blogspot.pt
Olá :D
ResponderEliminarAdorei!
Quero mais :p
Beijinhos
Ritááá xD
Oláa, primeiro, mais um capítulo LINDO *-* Quero muito o próximo :D
ResponderEliminarSegundo, obrigado pelo comentário e PODES CRER. Odeio estas 3 palavras "REGRESSO ÀS AULAS". E só de pensar que está quase a começar... brrr
E sim até tens razão, mas reencontrar os amigos que não vemos desde o inicio das férias acho que é a única coisa boa de voltar a escola. xD
Beijinhos