segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Capítulo 27 - "Amo-te"



Um dia repleto de sol nascera, o céu estava limpo e o sol mostrava todo o seu esplendor de verão. Como já começava a ser hábito fui ver o treino do Sílvio à tarde, para depois irmos para a casa dele, preparar o jantar, para os seus amigos, que chegavam às 8 da noite. Decidimos encomendar comida, com tudo já pronto, e como ainda faltava algum tempo para eles chegarem, fui a casa tomar um banho e arranjar-me.
- E agora o que vou vestir? – perguntava para mim mesma depois de ter tomado o meu banho e estava agora em frente ao armário, pronta para escolher algo – Um vestido? Uns calções? Algo mais formal? Talvez uma saia… jasuuuuus o que é que eu vou vestir? - no meio de tanta indecisão, lá acabei por me decidir por um simples vestido preto, o preto nunca compromete, não é verdade?!
Depois de me despachar, acabei por ir a voar para casa do meu amor, eu não estava atrasada, mas não queria correr o risco de as visitas chegassem antes de mim.
- Amor, a cada dia que passa tu estás mais linda! – confidenciou-me Sílvio enquanto aproveitávamos os últimos minutos sozinhos namorando no sofá
- Achas que estou bem? Gostas do vestido? Não é muito simples? Devia ser de outra cor? Ou talvez…
- Ei, ei, amor! – Sílvio interrompe o meu bombardeamento de perguntas e incertezas - Clama, tu estás linda assim, o vestido é lindo e adequado… mas porque estás tão indecisa? – inquire-me com uma voz calma, tranquilizante
- Porque são os teus amigos… - revelei
- Estás nervosa, princesa? – perguntou deixando escapar um sorriso por entre os seus lábios
- Mais ou menos, não sei como é que eles vão reagir à minha presença, se vão gostar de mim… já lhes cantaste que nós namoramos?
- Não, vai ser totalmente surpresa. Mas não estejas nervosa, não vale a pena, eu tenho a certeza que eles vão gostar de ti, mas se não gostarem também não me importa, porque quem tem de gostar sou eu! E isso tu já sabes que eu gosto e muito!
- Oh que fofinho – disse antes de juntar os meus lábios com os dele
- Tem calma, princesa – dito isto o Sílvio deixa escapar um mega sorriso
- Qual foi o motivo desse sorriso?
- Estava a imaginar, se estás nervosa para conhecer os meus amigos, imagino quando for a minha mãe… - sorriu novamente, devia estar a imaginar o momento
- Agora sou eu que te digo para teres calma! – disse de rompante, não querendo nem pensar nesse momento
- Não queres conhecer a minha família? – rebuscou logo de seguida
- Quero, mas ainda é cedo, temos tempo, amor – a nossa conversa foi interrompida pelo som da campainha
Som esse que me fez arrepiar, Sílvio notou pois estávamos coladinhos.
- Amor, clama! – aconselhou para depois me beijar
Fomos juntos até à porta, Sílvio já tinha a sua mão na maçaneta da porta, mas mesmo antes de exercer força para a virar e consequentemente abri-la segreda-me ao ouvido um “vai correr tudo bem” acompanhado por um beijo na testa. Respirei fundo e o Sílvio abriu a porta.
- Sílviocas! – os amigos dele surpreendem-no com um “moche” e com alguns calduços à mistura, ao qual eu não pude deixar de sorrir, via a cena uns ligeiros metros ao lado deles
Depois de esta receção calorosa, Sílvio cumprimenta um, a um uns seus amigos com um apertado abraço, que eram ao todo cinco belos rapazes, todos mais ou menos na casa dos vinte anos, ainda trocavam breves palavras ás quais eu não consegui ouvir.
- Bem pessoal, gostava de vos apresentar uma pessoa muito importante para mim – Sílvio puxa-me para o seu lado – Esta é a Diana, a minha namorada!
- Boa noite! – saudei e cumprimentei um a um os seus amigos ficando a saber o nome deles todos
- Silvocas foi preciso vires para Espanha para arranjares namorada e ainda por cima portuguesa? – perguntou se não me engando o Vítor
- É, as melhores coisas da vida acontecem quando menos esperamos e onde menos esperamos!
- Ai que o nosso amigo está todo romântico! – comentou o João
- Há alturas na vida em que temos de crescer! – disse o Sílvio, ou melhor como os amigos o chamavam “Sílvocas”
- Pumba indireta para o João! – brincou o Vítor
- Ahahah tanta gracinha, e se fossemos jantar, que estou a morrer de fome!? – sugeriu o João
- Os tempos passam mas os velhos hábitos permanecem! – foi risada geral
Acabamos por seguir o conselho do João e fomos jantar.
- Mas contem-me lá coisas sobre o Sílvio, como o conheceram? – perguntei curiosa durante o jantar
- Ui conhecemo-nos há muitos anos! Eu pessoalmente era vizinho dele, então crescemos juntos, íamos para a rua jogar à bola, já nessa altura ele tinha a maninha que dava uns toques – brincou o Tiago
- Chi mano, bons velhos tempos… - recordava saudoso o Sílvio
- Depois mais tarde íamos de prancha às costas para a Caparica apanhar umas ondas…
O jantar correu bem, prova disso foi que ficamos a conversar pela noite a dentro, deu para conhecer mais do meu amor, da sua infância, dos seus antigos hábitos, dos seus amigos que eram todos muito bacanos e divertidos…

***


Os dias iam passando, estávamos agora quase em finais de agosto, posso dizer que a minha vida neste momento parecia tirada de um sonho. Se há uns meses atrás me dissessem que iria estar tão feliz como estou hoje não acreditaria e até respondia a essa pessoa para ir tomar qualquer coisa, pois de certeza que não estava lá muito bem da cabeça! A minha vida tinha mudado completamente, a pessoa que eu era nestes últimos meses contrastava totalmente na pessoa que eu me tinha tornado há cerca de um ano atrás. Passei de pessoa sem vontade de viver e de nem se quer se levantar da cama todas as manhãs, para mulher que se levanta todos os dias de manhã com o mais belo sorriso, o do amor, com uma mensagem do Sílvio, passei a ter uma vontade de viver louca, queria viver, sentir-me viva, realizada, desejada, amada… como me sentia há um ano atrás antes de ter acontecido… enfim nem me quero lembrar mais disso. Passado é passado e deve ficar no passado.
Mais uma vez já era de noite, e eu e o Sílvio estávamos no seu jardim, deitados na relva a conversar, a namorar, a brincar… já se tinha tornado um hábito, pois estas noites de agosto estavam quentes. Hoje fazia um mês que estávamos juntos, e não sei se foi por isso mas hoje o céu estava especialmente limpo e as estrelas mais brilhantes que o normal.
- Princesa, já reparaste que as estrelas hoje estão mais brilhantes que o normal? – comentou o Sílvio olhando o céu
- Look at the stars, Look how they shine for you. (Olha para as estrelas, olha como elas brilham por ti) – deixei escapar por entre os meus lábios umas frases da minha música preferida – Tu és a minha estrela, que dá cada vez mais brilho à minha vida!
- Ohhhh princesa! – deixou escapar derretido
Rapidamente os seus lábios se colaram aos meus, e saborearam por mais uma vez, e outra, e outra, o sabor dos meus lábios, o sabor da minha boca, diria até, o sabor do meu amor por ele. As mãos dele vagueavam pelo meu corpo, podíamos ficar horas e horas assim que nem nos importávamos, não nos cansávamos e ainda queríamos mais. No entanto, agora estávamos de olhos fechados, os nossos rostos estavam milimetricamente separados, conseguia sentir a sua respiração nos meus lábios entreabertos. Abri os olhos e percebi que Sílvio já me devia estar a observar há um bom par de minutos, olhava-me atentamente, reparando em cada traço do meu rosto, em cada recanto, em cada imperfeição… deixava-me envergonhada e sem jeito.
- Amor, para! – pedi, saindo de baixo dele, e tapando a minha cara com as minhas mãos
- Agora não posso admirar a perfeição da minha namorada? – pergunta chegando-se de novo ao pé de mim e agarrando-me nas minhas mãos para me poder olhar na cara
- Amor eu não sou perfeita…
- És sim! – ripostou
- Não, não sou, ninguém é perfeito. Tu deixas-me envergonhada quando me olhos assim tão fixamente!
- É incrível como ao fim de um mês ainda te deixo tão envergonhada… - sorriu
- Fogo, um mês! Nem sei como te aturo há tanto tempo! – pus-me com ele, como forma de desviar assunto
- Ai que engraçadinha que a menina está! Tu se pudesses aturavas-me mais mil anos! – disse convencido e lançando-me charme
- Mil anos? Credo! Deus me livre! – piquei-o ainda mais
- Pronto cinco mil anos! Sim acho que cinco mil era um número perfeito, tal como eu sou, por isso nunca te fartarias de mim! – brincou exibindo-se
- Feio! – insultei-o pondo-o a língua do lado de fora
- O que é que tu disseste? – perguntou aproximando-se ainda mais de mim, não me dando espaço para fugir
- Isso mesmo que tu ouviste! Mas eu posso repetir: F-E-I-O! – fiz questão de soletrar
- Retira já o que disseste porque se não vais sofrer penosas consequências! – avisou tentando fazer um ar ameaçador, mas que me deu ainda mais vontade de rir
- Feio! Feio! Feio! – repeti ainda mais alto
- Eu avisei! – Sílvio desata a fazer-me cócegas, eu tentava evitar, tentando fugir mas estava completamente presa a ele
- Amor, para! – pedi já com os abdominais a doerem-me de tanto me rir
- Só se retirares o que disseste! – exigiu
- Hummm e se eu pagasse em beijinhos e miminhos? – tentei seduzi-lo
- Deixa-me pensar! Acho que aceito! – disse chegando o seu rosto ao meu, acabando assim por baixar a retaguarda e dando-me espaço para fugir dele, foi o que fiz, fugi dele, correndo pelo jardim
- Feio, feio, feio! Tu és muito feio! – piquei-o ainda mais
- Tu agora vais pagar mais que a dobrar, por fugires, por me deixares pendurado e por dizeres mentiras! – dizia enquanto vinha atrás de mim
- Tu não me apanhas!
- Já vais ver!
Enquanto corria ao pé da piscina, lembrei-me de o molhar com uns salpicos de água, e foi o que fiz.
- Ui que alguém está a levar baile! E vai sair bem molhadinho daqui!
- Eu já te dou o baile!
Rapidamente, ele me apanhou, o seu porte atlético bem o ajudou nessa tarefa, eu estava em clara desvantagem. Pegou-me ao colo, tipo noiva.
- Amor, põe-me no chão! Que vais fazer? – refilava irrequieta no seu colo
- Já vês! – Sílvio ia caminhando na direção da piscina
- Não amor! Isso não!
- Isso sim! Vai ser a pequena vingança do feio! – ironizou - Eu posso ter levando com uns salpicos mas tu vais ficar todo encharcada!
- Amooooor – chamei-o melancolicamente – sabes que eu estava a brincar, eu gosto muito de ti, namorado mais bonito deste mundo!
- Desta vez não vou cair nessa! Tu vais mesmo ao banho!
- Príncipe, eu nem tenho bikini, nem nada, vou ficar toda molhada, depois fico com frio e posso ficar constipada! – tentava recorrer a todos as desculpas possíveis e imaginárias para tentar demove-lo de me mandar para a piscina
 - Não quero saber! – foram as suas últimas palavras antes de sentir cada gota da gelada água da piscina cobrir cada centímetro da minha pele
Já completamente molhada dentro da sua piscina, surgiu-me uma ideia.
- Faz-me companhia, como no nosso primeiro beijo – pedi-lhe encostada à berma da piscina, lembrando-me do nosso primeiro beijo, precisamente nesta piscina, mas só que em vez de ele me ter atirado para a piscina como aconteceu hoje, ele caiu juntamente comigo tentando evitar a minha queda - Vá lá, amor! – pedi novamente, surgindo efeito, ele mergulha para a piscina e vem agarrar-se a mim, beijando-me
- Lindão! Lindão! Lindão! O meu namorado é tão lindo! Gosto muito, muito, muito de ti!
Sabes que palavras não chegam, mas se forrem atos… - sugeriu, segui o que ele disse e beijei-o como se não houvesse amanhã, as minhas pernas estavam em redor da sua cintura e sentia as suas mãos nas minhas costas, percorrendo no interior da minha camisola cada milímetro da minha pele, o que me fez arrepiar
- Estás com frio, princesa? – perguntou-me sentindo o meu arrepio
- Eu não lhe chamaria frio… - disse por entre os dentes
- O quê? – perguntou não percebendo o que eu acabara de dizer
- Nada, amor!
- Mas é melhor sairmos, não quero que fiques doente – foi inevitável não sorrir
Saímos e fomos até ao seu quarto, para nos secarmos e trocarmos de roupa.
- Princesa, queres tomar um banho quente? – perguntou amavelmente
- Não, não é necessário, arranja-me só uma toalha a uma troca de roupa, se faz favor… - Sílvio foi à casa de banho e eu rapidamente tirei a minha camisola e os meus calções que estavam completamente encharcados e que me estavam a por gelada, fiquei assim só em lingerie
- Aqui está uma toalha e umas roupas minhas, devem ficar-te grandes, m… - finalmente ele olha para mim, e fica petrificado – se quiseres ficar mais à vontade eu posso sair… - disse não me olhando mais e pondo a roupa em cima da cama, e seguindo a direção da porta. Rapidamente o agarrei pelo braço, puxando-o e fazendo-o olhar para mim
- Amor, podes ficar, eu estou à vontade quando estou contigo – tranquilizei-o
- Mas se qui…
- Beija-me! – ordenei, enquanto ele me olhava intensamente
- O quê?
- Beija-me! – repeti. Ele assim o fez e beijou-me, um beijo tão intenso, cheio de amor, mas também com alguma luxuria e desejo. Estão a ver aqueles beijos que por mais anos que passem vocês nunca irão esquecer? Este beijo foi assim, foi tão especial, tão sentido, tão único, que me faltam palavras para descreve-lo e explica-lo. Quando terminámos o beijo, simplesmente lhe sorri, com o meu sorrio traquinas de quem tinha amado este momento, ele respondeu-me igualmente, já nem precisávamos de palavras para falar, por vezes um olhar ou um sorriso bastava.
- Amo-te! – proferiu Sílvio de uma forma tão espontânea e natural, que vi através do seu olhar, fixo no meu, que era sentido, que era verdade, que era mesmo amor que ele sentia por mim, conseguia ver a sinceridade e o amor nos seus olhos, foi toda essa sinceridade que me deixou apavorada, voltar ao ouvir a palavra “amo-te” e sentir que tinha sido dita com tanta verdade, tanto sentimento, tanto carinho, tanta intensidade, tanto amor… deixou-me em pânico. Rapidamente as lágrimas preencheram os meus olhos e escorregaram pelo meu rosto. O desespero tomou conta de mim, e fugi dali a correr, a palavra “amo-te” ecoava na minha cabeça vezes e vezes sem conta, e trazia memórias que queria que tivessem sido enterradas no passado e que não atormentassem a minha felicidade.
- Diana! Diana! – ainda ouvi o Sílvio a chamar-me mas as minhas pernas corriam a um ritmo alucinante, tão alucinante como a velocidade a que o meu coração batia e tão alucinante como os flashes do passando que passavam pela minha cabeça, que só me permitiram parar quando cheguei a casa, já trancada no meu quarto, completamente sozinha, eu e as minhas malditas recordações acompanhadas pelo meu choro compulsivo.

Olá minhas meninas lindas :)
Depois de quase 2 meses de ausência aqui estou eu com um capítulo, desculpem a demora, mas foi completamente impossível publicar antes, prometo ser mais breve a publicar o próximo capítulo. Agora espero que tenham gostado deste e que comentem pois para mim é muito importante a vossa opinião, mais ainda ao fim deste tempo todo, por isso deixem a vossa opinião, se faz favor :)
Beijinhos e Bom Carnaval
Didi Martins