sábado, 30 de junho de 2012

Capítulo 5 - Ela é especial!

Acordei e não estava ninguém em casa, o Tomás ainda andava em fase de exames e os pais deles estavam a trabalhar.
Fui tomar um demorado e relaxante banho para depois me ir vestir e tomar o pequeno-almoço.
Já era 12:50 e o Sílvio ainda não tinha chegado, aborrecida de estar dentro de casa à sua espera fui até à rua ver se o via chegar. Ai eu a passar a porta da entrada quando vejo o carro do Sílvio abrandar mesmo à minha frente. Entro no carro e sento-me no lugar do pendura.
- Bom dia princesa – saúda-me alegremente
- Bom dia Sílvio! Gosto quando me chamas princesa – confessei-lhe
- Ainda bem princesa – sorriu-me e deu-me um beijo na minha bochecha esquerda. Eu sorri-lhe e retribui o beijinho – Ah e desculpa o atraso mas apanhei um acidente – desculpou-se
- Não faz mal! Bem onde vai ser o nosso almoço? – perguntei pondo o cinto
- Sinceramente ainda não sei, tens alguma sugestão?
- Tanto faz, por mim até podíamos ir ao Mc Donald’s – disse-lhe pois para mim era irrelevante onde íamos o importante era com quem íamos, e nesse aspeto eu ia muito bem acompanhada
- A sério? – perguntou-me surpreendido
- Sim! – Sorri-lhe
- É que por acaso ando com umas saudades de comer hambúrgueres!
Rime com a declaração dele.
- Então está decidido, hoje vamos ao Mc! – anunciei
- Bora lá! – seguimos caminho até a um Mc Donald’s algures por Madrid
Almoçamos entre muita boa disposição e calmamente apesar de algumas pessoas nos olharem com alguma admiração, deveriam ser adeptos que conheciam o Sílvio.
- Só tu para me fazeres ir ao Mc! – disse assim que saiamos do restaurante e nos encaminhávamo-nos para o seu carro
- Não gostaste? – perguntei-lhe receosa
- Claro que gostei! Sabes há quanto tempo eu não ia ao Mc? À cerca de 2 anos!
- 2 anos? Há 2 anos que não enjerias quantidades quase infinitas de calorias e gorduras? Ahahah – gargalhei – É mesmo à jogador da bola! – Brinquei com ele o que nos levou a soltar umas boas gargalhadas
Como ainda era cedo para o seu treino, acabámos por ir dar um passeio e parar num café. Quando ainda faltava 1 hora para o treino fomos até à Ciudad Deportiva del Atletico de Madrid, como dizem os espanhóis. Sílvio mostrou-me os cantos da casa e já muito perto da hora do treino foi-me levar à bancada.
- Bem princesa tenho que ir, ficas aqui que no final do treino venho ter contigo aqui, pode ser?
- Claro. Bom treino! - Sílvio deu-me um beijinho e encaminhou-se ao balneário e eu à bancada. 
A bancada estava cheia de adeptos, o treino era aberto ao público, escolhi um lugar mais recatado no extremo da bancada, para não ouvir com tanta intensidade os gritos dos aficionados.
O Treino começou e jogadores começaram com corrida à volta do campo, trabalho de pré-época!
Via Sílvio a olhar afincadamente para a bancada, ele ainda não me tinha visto, assim que me avistou sorriu-me e eu retribui-lhe o sorriso.
Estavam umas espanholas ao meu lado e eu sem querer ouvi a conversa delas, mas sempre de olhos postos no relvado.
- El nuevo jugador portugués, Silvio, es mucho hermoso, la verdad es que los portugueses son muy bonitos! – dizia uma
- Sí, sí, pero Ronaldo es más, Ronaldo es el mejor! – respondeu outra
Não me pude deixar de rir, mas discretamente, estás espanholas realmente!
 
Sílvio
Tentava avistar a Diana enquanto corria ao lado dos meus companheiros. Assim que a vi sorri-lhe.
- Você tá procurando alguém? Ui com esse sorriso bobo deve ser uma menina, néé? -  o meu colega de equipa Diego “meteu-se” comigo
- Eu acho que é hoje que vamos conhecer a namorada dele! – Tiago ajudou à festa
- Que velhas cuscas que vocês me saíram! – disse-lhes eu
- Mas conta lá Sílvocas, é hoje que nós conhecemos a tua namorada? – insistiu o Tiago
- Ela não é minha namorada! É uma amiga! – acabei por lhes satisfazer a curiosidade
- E você faz esse sorriso babado para uma simples amiga? – perguntou-me o Diego
- E eu não fiz nenhum sorriso babado! – defendi-me – E ela não é uma simples amiga, ela é especial para mim!
- Ui é especial? Eu acho que tu gostas dela!
- Concordo consigo cara! Eu também tou achando que ele está apaixonado!
Primeiro o Tiago, depois o Diego ambos insistirem que eu gostava da Didi.
- Apaixonado? Vocês realmente! Eu só a conheço à dias! – contei-lhes
- E que é que isso tem? Nunca ouviu falar no amor à primeira vista? – perguntou o Diego
Eu não acreditava propriamente no amor à primeira vista, o amor desenvolve-se quando conhecemos uma pessoa e não quando simplesmente a vemos! Era uma convicção minha.
- Não, a sério pessoal, não estou apaixonado por ela, apaixonado é uma palavra muito forte, mas admito que sinto um carinho especial por ela! – Eu adorava a Didi, ela em poucos dias tronou-se numa pessoa muito especial para mim, mas por enquanto era só isso: uma pessoa especial.
- Não tá apaixonado por enquanto, porque mais dia, menos dia vai tar caidinho por ela, olha que eu não me engano, não! – Vaticinou o Diego
- Então pronto! Daqui a uns dias veremos quem tem razão!
- Vai ver que nos vai dar razão! – disse o Diego
Acabámos com a conversa e continuamos a correr.
O treino até correu bem, apesar de quando eu olhava para a Didi ou quando lhe sorria e ela retribuía os rapazes caíssem logo em cima de mim, gozando comigo, enfim nada que não se suportasse.
O treino acabou e eu, já no balneário, tentava despachar-me o mais rapidamente possível para não deixar a Didi à seca na bancada. O que não era nada comum em mim, pois costumo ser um bocadinho molengo a vestir-me, este facto não passou despercebido diante dos meus companheiros, que aproveitaram logo para meterem-se de novo comigo.
- Essa menina deve ser mesmo especial, para você se estar despachando tão depressa!
- É o amor, é o amor! – suspirou Tiago
- Que chatos! – resmunguei com eles
- Pronto! Nós paramos porque percebemos que é chato deixar uma menina à espera!
- Opá, adeus! – despedi-me deles, já farto de ouvir as brincadeiras deles
- Vai lá ter com a menina! – ainda ouvi enquanto já atravessava a porta do balneário e ia em direção às bancadas
Avistei a Didi sentada na bancada, já vazia, onde só aquela bela miúda figurava. Fui ter com ela, ela não reparou na minha presença pois estava pensativa a olhar para o relvado.
- O que eu dava para saber em que estás a pensar! – disse-lhe sentando-me ao seu lado

Diana
Sílvio interrompe os meus pensamentos.
- Em nada de especial, coisas sem importância! – na verdade estava a lembrar-me das espanholas que passaram o treino todo a babarem-se para os jogadores
- Tá bem! – diz conformado
- Quer dizer… Não achas que os jogadores são assim um bocado assediados? – perguntei-lhe mantendo o olhar no relvado pensando na pergunta que fiz a Sílvio
- Que conversa é esta? – perguntou-me um pouco surpreendido
Desviei o meu olhar do campo e olhei-o nos olhos.
- Enquanto assistia ao treino estavam duas espanholas ao meu lado que passaram todo a treino a comentarem a beleza dos jogadores e a dizerem se eram bons! Disseram que tu eras muito bonito! – disse num tom de voz algo reprovador do ato delas
- E isso incomodou-te foi? – perguntou-me com um sorriso na cara
- Não é nada disso que estás a pensar! – disse-lhe muito rapidamente assim que me surgiu na cabeça que ele poderia estar a pensar que eu estava com ciúmes, o que não era de todo verdade
- E em que é que eu estou a pensar?! – perguntou-me novamente com um sorriso na cara
Esta conversa estava a deixar-me envergonhada e algo embaraçada. A minha salvação foi dois jogadores que vieram ter connosco.
Ufa, já me safei! Pensei pr’a comigo.
- Agora é que eu o percebo! – disse o Diego ao Tiago (para quem não sabe quem é está aqui um link de uma foto dele: http://www.pickoneman.com/diego-ribas/diego-ribas-10-de-12/)
- Hã? – Sílvio não percebeu a sua afirmação
- A tua pressa em despachares-te tão rápido, com uma menina tão bonita à espera eu também me despacharia num segundo! – notei que Sílvio ficou envergonhado com a brincadeira do Diego
- Obrigado – agradeci o seu elogio também eu um pouco envergonhada
- Olá… - Diego queria saber o meu nome
- Diana – disse-lhe
- Olá Diana, eu sou o Diego – chegou-se ao pé de mim de deu-me dois beijinhos, ao qual eu retribui
- Bem Diego acho melhor irmos porque senão o Sílvio hoje ainda no mata! – aconselhou Tiago
- É melhor! Adeus Diana. Adeus Sílvocas! – Diego seguiu o conselho de Tiago e ambos nos deixaram de novo sozinhos
- Adeus – disse eu e Sílvio em uníssono
- Bem Didi vamos indo?
- Claro! – sorri-lhe
Fomos num silêncio constrangedor até ao carro dele.
Já quando nos encaminhávamos para casa, Sílvio interrompe o silêncio.
- Sim acho que os jogadores são um bocado assediados, assim como os atores, as cantores, as pessoas famosas no geral!
- Hã? – não percebi o propósito de Sílvio me dizer isto
- Tou a responder à tua pergunta de à bocadinho! – esclareceu-me
- Pois! – não sabia o que lhe dizer – quanto a isso eu queria esclarecer uma coisa! – embora estivesse envergonhada, não poderia deixar Sílvio a pensar que eu estava com ciúmes
- Não precisas…
- Mas eu quero. Tu ficaste a pensar qu… – Sílvio interrompe-me
- Não fiquei a pensar em nada!
- Eu só não quero mal entendidos!
- Está tudo claro como a água! Podemos falar de outra coisa, princesa? – perguntou-me com um sorriso irresistível na cara
- Claro!
Não voltámos mais a falar neste assunto. E no restante caminho voltámos à boa disposição das nossas conversas.

Olá Meninas! :p
Desculpem e demora e espero que gostem! :)
E não se esqueçam de visitar a nova fic da Ana! 
Beijinhos
Didi Martins

sábado, 23 de junho de 2012

Capítulo 4 – Tiraste o dia para me Envergonhar!

Acordei por volta das dez e meia e a primeira coisa de que me lembrei foi de verificar a caixa de entrada do telemóvel. Quando o nome de Sílvio apareceu no ecrã do meu telemóvel um sorriso surgiu na minha cara.

De: Sílvio
Bom dia!          
Ainda deves estar a dormir, férias né? Mas há quem trabalhe e tenha de treinar! Quando acordares liga-me, se não atender estou no treino!
Beijinhos

Por volta daquela hora ele ainda devia estar mesmo a treinar, por isso decidi ir tomar o pequeno-almoço. Enquanto arrumava a cozinha ouvi o meu telemóvel tocar, corri até ao telemóvel, na esperança que Sílvio se tivesse antecipado àquela que era a minha vontade desde que tinha acordado.
Agarrei no telemóvel e vejo “Mãe a Chamar”. Não era bem isto que eu queria ver mas atendi.
- Sim mãe – disse arrastando a voz e sentando-me
- Tanto entusiasmo para falares com a tua mãe
- Desculpe mas estava à espera de outro telefonema
- Quem é o menino? – a minha mãe realmente conhecia-me como ninguém
- Não é menino nenhum era só a Laura – menti, embora não gostasse nada mas tinha que ser pois não queria que ela começar-se com desconfianças
- Então está tudo bem por ai? – mudou de assunto, mas eu sabia perfeitamente que ela não tinha acreditado na minha resposta
- Sim mãe não é necessário preocupar-se, eu sei tomar conta de mim
- Mãe é mãe e irá sempre preocupar-se
- Sim
- Estás a alimentar-te bem? Tu vê lá eu não te quero mais magrinha!
- Não estou mais magrinha mãe, estou a alimentar-me em condições. Então está tudo bem por ai?
- Sim está tudo normal
- Como está o Pai? O Mano? O meu Simãozinho? – o Simão era o filho do meu irmão Dário, o meu único sobrinho que eu adorava
 - …
Continuei à conversa com a minha mãe a matar um pouco as saudades e a ouvir as suas 1000 recomendações e preocupações típicas de uma mãe.
Quando acabei de falar com ela olhei para o relógio que já marcava 11H e 43 minutos resolvi então telefonar ao Sílvio pois o seu treino já devia ter terminado
- Olá, tudo bem? – perguntei-lhe assim que este me atendeu o telemóvel
- Sim, saí agora do treino. E contigo?
- Também, então querias falar comigo?
- Sim tenho um convite a fazer-te
- Hummm um convite? Para quê? – perguntei-lhe curiosa
- Um jantar
- Quando? Onde?
- Hoje às 19:30 eu vou-te buscar, o sítio é surpresa se aceitares mais logo vês onde é!
- Surpresa? Oh eu devia saber onde é! Assim não sei se aceito – ri
- Aceita, que curiosa! Surpresa é surpresa!
- Oh não é curiosidade, eu tenho que saber porque… - tentava arranjar um argumento válido
- Porque???
- Porque… - fiz uma pausa para pensar - ora tenho que saber o que é que vou vestir! – Dei a desculpa mais esfarrapada que me veio á cabeça.
- Ahahaha só tu – gargalha – ficas linda de qualquer maneira!
- Sílvio! – repreendi-o
- O que foi? É verdade!
- Oh tá bem, mas responde lá - insisti
- Como te sintas mais á vontade
- Fogo, tu hoje não me és capaz de dar uma resposta decente! Ghrrrrrr
- Oh eu dei-te uma resposta decente! Disse que tu eras linda
- Para além de não me dares respostas decentes ainda me queres envergonhar! - gargalhei
- Oh a roupa não importa, o que importa é a companhia, e essa será mesmo agradável
- Tiraste o dia mesmo para me envergonhar! Obrigado! Eu também gosto da tua companhia
- Apenas digo a verdade!
- Ok. Vens me buscar já que horas? – mudei de assunto
- 19:30 estou á porta da casa do Tomás. Combinado?
- Combinado, até logo, beijinhos
- Adeus, beijo ó curiosa – sorri e desligamos a chamada

***

Eram 18:30 decidi ir tomar banho e começar a vestir-me para o jantar com o Sílvio.
Escolhi um vestido simples com umas sandálias rasas, o cabelo ao natural e um pouco de maquilhagem.
Peguei na mala e entrei na sala onde o Tomás estava.
- Estás linda! – elogiou
- Estou igual aos outros dias!
- Sim, mas a ti qualquer coisa fica bem, mas esse vestido fica-te magnifico!
- Obrigado – agradeci os elogios
A Campainha toca.
- Deve ser o Sílvio, Até logo – cheguei ao pé dele e dei-lhe um beijinho na cara
-Até logo, juízo – retribui o beijinho
-Olá - disse assim que abri a porta.
-Olá - disse dando-me um beijo na bochecha - estás...mesmo linda, vês como eu tinha razão?! – disse a sorrir, mas fazendo com que as minhas bochechas corassem
-Oh obrigada - disse envergonhada - tu também estás muito elegante!
-Obrigada. Vamos? - disse abrindo-me a porta do lado do pendura
-Sim - disse entrando
Breves segundos depois ele entrou no carro, ligou-o e perguntou-me:
- Como foi o teu dia?
- Foi bom, almocei com Tomás, fomos dar uma volta e piscina. E o teu?
- Normal! Treinar.
- É mais fixe jogar né?
- Claro tem outra emoção!
- Nem se compara!
- Gostas mesmo de futebol né? – perguntou-me
- Não – disse de forma irónica e sorrindo
- Sabes nunca tinha conhecido uma mulher que gostasse tanto de futebol e ainda por cima jogasse, e bem pelo que ouvi dizer, jogas muito bem
- Hum isso de jogar bem já não sei se é bem assim, o jogador aqui és tu, não eu
- Então um dia combinamos uma partidinha. Que achas?
- Acho muito bem, mas espero que não fiques desiludido quando me vires jogar
- Claro que não - disse tirando os olhos da estrada sorrindo-me - chegámos
Saímos do carro e estávamos num lugar lindo, à beira-rio. Que segundo os meus conhecimentos de Madrid devia ser o rio
Manzanares.
 

- Que tal?
- É lindo! – disse deslumbrada com a vista magnifica
- Ainda bem que gostas!
Sorri-lhe.
Entramos no restaurante e ficámos sentados numa mesa encostada à vidraça do restaurante, na qual se podia ver o rio e a cidade iluminada.
Tivemos um jantar cheio de conversa, risos e olhares cúmplices acompanhadas por um silêncio que por vezes nos deixava aos dois um pouco constrangidos.
No final ele não me deixou pagar, o que me levou a resmungar com ele.
- Eu convido, eu pago.
- Não gosto nada disso! Podíamos dividir a conta!
- Nem pensar! Eu faço gosto em pagar.
- Mas... – tentei ripostar
- Nada de mas, sim? Queres ir dar uma volta à beira-rio?
- Vamos. Está mesmo a apetecer.
- Então vamos - disse sorrindo.
Caminhamos os dois à beira-rio e enquanto o fazíamos parei ficando a observar os pequenos pontos luminosos da bonita cidade de Madrid.
- Esta cidade é linda – disse encantada com a beleza de Madrid
- Sim, ainda não a conheço toda mas do que já vi posso dizer-te que é espectacular - disse colocando-se do meu lado.
Sorri olhando-o. Os seus olhos castanhos-esverdiados brilhavam ainda mais com a iluminação da cidade e o meu coração ficou bem apertadinho quando os nossos olhares se cruzaram.
- Então estás a gostar de viver aqui? – perguntei-lhe
- É diferente, mas gosto. Não é aqui que eu tenho os meus, as minhas raízes, mas as vezes tens de abdicar disso para ires em busca dos teus sonhos. E aconselho-te pela experiencia a nunca desistires dos teus sonhos e do que queres, tu és o mais importante – diz-me olhando nos meus olhos
- Mas sabes eu admiro-te muito por isso. Há muito que sou tu admiradora, desde que jogavas no Rio Ave que acompanho a tua carreira e sempre tive um grande respeito e orgulho em ti, pois admiro a forma com lutas-te por aquilo que realmente querias na vida, como soubeste dar a volta quando sais-te do Benfica e cais-te na 2º divisão B e como ano após ano foste conquistando patamares na tua carreira. Primeiro chegaste à liga principal, depois chegaste a um grande clube, à seleção e agora estás na melhor liga do mundo! Admiro-te muito por isso, por nunca teres desistido e por teres sempre conseguido alcançar os teus objetivos – contei-lhe àquele que eu podia chamar de o meu Ídolo
- Obrigado! – agradece visivelmente emocionado com as minhas palavras – é por pessoas como tu que eu nunca desisti, pela minha família e principalmente para orgulhar o meu Pai que sempre acreditou em mim – ele estava mesmo emocionado, via-se o brilhinho nos seus olhos – mas nem sempre fui forte, houve alturas em que bati mesmo no fundo, quando saí do Benfica e fui parar ao banco do Cacém, ai sim pensei em desistir, fogo tinha estado no Benfica, no Chelsea e no Porstsmouth e nem meio ano depois estava no banco do Cacém, nem queria acreditar, foram tempos muito difíceis, mas felizmente sempre pensei que ia dar certo, pensei nos que gostavam de mim e por isso nunca desisti e fui buscar forças aonde não as havia – contou-me
- Tenho orgulho em conhecer-te – disse-lhe sinceramente o que me ia no coração
Notava que Sílvio estava algo embasbacado, mas também algo agradecido pelas minhas palavras. Sílvio chega-se ao pé de mim e dá-me um beijinho na testa e um abraço como forma de agradecimento.
- Obrigado, mas eu não me considero, um ídolo ou melhor que ninguém, apenas acho que fiz aquilo em que sempre acreditei – fogo eu admirava mesmo este Homem, além de lutador era humilde – Mas paremos lá de falar de mim, eu também estou a adorar conhecer-te Didi. Consegues ter a alegria de uma miúda mas ao mesmo tempo o encanto de uma mulher, és sem dúvida uma pessoa muito especial – corei com as suas palavras
Continuamos o nosso passeio até que senti uma brisa fresca a embater-me nos meus ombros desnudos, o que fez com que me arrepia-se.
Num gesto carinhoso vi-o tirar o casaco de malha que tinha sobre a camisa, pousando-o nos meus ombros.
- Assim vais ficar tu com frio.
- Eu estou bem, não te preocupes.
- Sílvio não quero que fiques doente! – preocupei-me com ele
- Mas eu estou bem.
- Tens a certeza?
Naquele momento vi um dos meus maiores medos a  vir na minha direção, um rottweiler. Em pequenina tinha sido mordida por um cão e desde então não consegui-a sequer vê-los. O meu primeiro impulso foi dar um berro e agarrar-me ao Sílvio.
- Que se passa Didi? – perguntou-me com um tom preocupado
- CÃO! – gritei com medo
Ele não disse mais nada, pegou em mim ao colo, envolvendo-me nos seus braços. Enterrei a minha cabeça no seu peito, sentindo o seu cheiro, o que levou o meu coração a disparar mais do que já se encontrava. Sentia-me protegida nos seus braços.
Ele soltou um pequeno riso o que me fez levantar a cabeça e encará-lo.
- Não te rias!!! – pedi-lhe ao mesmo tempo que reprovava o seu ato
- Só tu!
Devido à proximidade dos nossos rostos mal ele falou o seu hálito tocou nos meus lábios, o que me deixou ligeiramente atrapalhada.
- Jáá... fooiii? - disse gaguejando.
- Sim já. Tens medo de cães?
- Não. Tenho pavor. Quando era pequenina fui mordida e desde aí tenho-lhes muito medo, mesmo.
- Está bem. Sabes que me assustas-te?
- Desculpa, mas acredita que eu me assustei bem mais!
- Teve a sua piada!
- Goza, goza!
Ele soltou um sorriso e os nossos olhares cruzaram-se, ele voltou a sorrir-me e eu retribui-lhe. Continuava nos seus braços, sem que nenhum dos dois disse-se nada. Sentia-me muito bem ali.
- Acho que já me podes pôr no chão.
- Ah... pois... desculpa - disse pondo-me no chão.
Ajuntei o seu casaco que tinha caído assim que o Sílvio me pegou ao colo. Mas desta vez, em vez de ficar só em cima dos meus ombros, vesti-o, ficava-me muito grande, mas aquecia.
- Ehehe isto fica-me a boiar. Gordo – brinquei com ele, foi inevitável soltarmos umas gargalhadas
- Sim, mas ficas linda na mesma – fiquei de novo envergonhada
- Obrigada. Tiraste mesmo o dia para me envergonhares. Está provado!
Continuámos a caminhar entre conversas e sorrisos.
- Bem Sílvio está-se aqui muito bem, mas temos que ir que amanhã tens treino.
- Tem mesmo que ser né?
Fomos de novo até ao carro e ele levou-me a casa, quer dizer até à casa dele pois este estacionou logo o carro na sua garagem, mas acompanhou-me até à entrada da casa do Tomás.
- Bem adorei o jantar Sílvio, e a companhia.
- Eu também.
- Agora vai descansar que precisas
- Claro princesa – que querido que ele era - Vou indo.
- Vai lá.
Cheguei-me perto dele e dei-lhe um beijo na bochecha. Ele puxou-me contra si e abraçou-me o que fez com que o meu coração acelerasse.
Afastou-se ligeiramente e deu-me um beijo sobre a testa.
- Adeus princesa.
- Adeus! - disse ao abrir a porta
A encaminhar-me para o meu quarto pensava alto, falando comigo própria.
- Diana é que tu nem penses nisso! Mete na tua cabeça: Sílvio é mais velho. Apenas amigo. Vive em Madrid. Tu em Portugal. Mas o que estou prá'qui a dizer? Pareço maluquinha! A falar sozinha...Jasuuuss!
Entrei no meu quarto e só ai é que reparei que tinha ficado com o casaco de Sílvio. Tirei a roupa, vesti o pijama, escovei os dentes. Quando voltei da casa de banho, olho para o seu casaco, não resisto e pego nele e cheiro-o. Cheirava, inevitavelmente, ao Sílvio, cheira bem, aquele cheio, não sei explicar muito bem, mas preenchia-me o coração! Deitei-me e decidi mandar-lhe mensagem!

Para: Sílvio
Oh gordo fiquei com o teu casaco! :$

Pouco tempo depois recebo a sua resposta.

De: Sílvio
Não faz mal, eu lembrei-me de pedir de volta, mas como te ficava tão bem… ahahahah

Para: Sílvio
Sim sim, agora sei que estás a mentir, pois dentro do teu casaco cabiam duas Dianas! Ahahahah. Amanhã devolvo-te :D

De: Sílvio
Amanhã? Então quer dizer que amanhã vou ter de novo o privilégio da tua companhia? Ahah
Queres ir almoçar e depois ir ver o meu treino da tarde?

Para: Sílvio
Pelos vistos gostas da minha companhia!!!
Por mim é na boa! Sabes como é férias, não tenho nada para fazer! ;D

De: Sílvio
Claro q gosto! ;P
Tens preferência pelo lugar do almoço?

Para: Sílvio
Não! Escolhe tu! Eu confio no teu bom gosto…

De: Sílvio
Ao meio dia e meio vou buscar-te, pode ser?

Para: Sílvio
Combinado! :D
Bem vou dormir! Beijinhos até amanhã :P

De: Sílvio
Dorme bem princesa ;D

Pousei o telemóvel na mesa-de-cabeceira.
Esta noite parecia que tinha sido um sonho, ainda passei um pouco acordada na cama, a ponderar se realmente teria acontecido. Começava a sentir aquele friozinho na barriga cada vez que o via, até só de pensar nele, ora me deixava nervosíssima, ora minutos depois me deixava completamente descontraída. A sua figura teimava em aparecer nos meus pensamentos e o seu sorriso sugava de mim um longo suspiro.

Olá meninas! :D
Então gostaram do encontro da Didi e do Sílvio?
Por favor comentem, pois é muito importante para mim saber se estão a gostar!
Beijinhos
Didi Martins

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Capítulo 3 - Novos Vizinhos


Look at the stars, Look how they shine for you, And everything you do, Yeah, they were all yellow. I came along, I wrote a song for you, And all the things you do, And it was called Yellow. So then I took my turn, Oh what a thing to’ve done, And it was all Yellow…
O Som do meu telemóvel a tocar acordou-me. Ainda com os olhos fechados estiquei-me para chegar à mesa cabeceira onde estava o telemóvel.
- Quem é? – perguntei assim que atendi, pois não me dei ao trabalho de abrir os olhos para ver no ecrã quem me ligava
- Bom dia Didi – a voz do meu melhor amigo entrou-me pelos ouvidos a dentro
- Tomás? O que queres? – perguntei já sentada na cama e fazendo um esforço para abrir os olhos
- Quero ir buscar-te, já tas pronta? – nunca mais me lembrei que hoje de manhã  eu teria de me mudar para a casa do Tomás
- Não, não estou pronta! Estas a pensar a vir daqui a quanto tempo?
- Meia hora?
- Sim pode ser, estou pronta daqui a meia hora!
- Ok, então daqui a meia hora estou ai. Até já
- Até já!
Levantei-me e fui tomar um banho. Para logo depois ir vestir-me.
Optei por um look simples, bem meu, uns calções, uma T-shirt, um casaquinho e umas sandálias e já estava. Era uma pessoa bastante prática e gostava imenso de andar á vontade e descontraída. Fui então arrumar as minhas coisas e desci até á receção de malas aviadas para fazer o check-out. Tomás apareceu ao pé de mim.
- Bom dia Didi – cumprimentou-me alegremente com dois beijinhos
- Bom dia Tomás – retribui os beijinhos
 - Vamos? – perguntou-me
- Claro
Tomás pega nas minhas malas e leva-as para o seu carro, que estava estacionado à porta do hotel. Fomos então até á sua bonita casa.
- Eu adoro esta casa! – afirmei assim que entrei na sala – É simplesmente espetacular

(Sala de Estar)


(Sala de Jantar)

A sala de jantar era simples apesar de ter na parede duas fotos enormes, uma era do Tomás e outra era dos pais dele. Os pais do Tomás entram na sala.
- Olá Diana! – a mãe do Tomás chega-se ao pé de mim para me cumprimentar
- Olá tia Teresa e olá tio Francisco – cumprimentei igualmente o pai do Tomás – está tudo bem com os tios? – tratava-os por tios pois já tinha grande intimidade com eles, e eu já os considerava uns tios verdadeiros
- Sim Diana, apesar de estarmos cheios de trabalho, nada que já não seja habitual. E contigo minha querida? – respondeu-me a tia teresa, para longo depois me perguntar a mim o que eu lhe tinha perguntado
- Sim tia, estou ótima! – respondi-lhe com o meu habitual sorriso na boca – tios queria agradecer de me terem convidado para ficar cá em casa, obrigado
- Minha querida, nós temos todo o gosto que fique cá em casa, não faria sentido se não ficasse
- Bem Didi bora instalar-te e vou apresentar-te a casa – Tomás pegou nas minhas malas pousadas até então no chão do Hall e encaminhou-se para as escadas
- Vai lá mostrar a casa à Diana, filho – entreviu o tio Francisco
Eu e o Tomás fomos até ao 1º piso da casa.
- Este aqui é o meu quarto – informou-me quando passávamos pela porta do mesmo – o teu quarto fica no fundo do corredor.
Fomos até àquele que seria o meu quarto nos próximos tempos. Entrei e fiquei satisfeita com aquilo que vi.

(Quarto da Diana)

(Casa de Banho do quarto da Diana)

- Gosto! – manifestei o meu sentimento de agrado ao meu melhor amigo
- Ainda bem. Bem vamos conhecer o resto da casa!
Descemos de novo até ao rés-do-chão e pelo caminho Tomás dizia-me onde era cada divisão da casa.
- E aqui é a cozinha


 
- E aqui é a minha parte favorita da casa – Tomás abre uma das vidraças e vai até à parte exterior da casa.


Mesmo ao lado da cozinha há uns sofás exteriores e uma mesa, juntos à zona de Churrasco. Mais a baixo havia uma piscina com umas espreguiçadeiras e um enorme relvado.
- É aqui que costumo passar grande parte do tempo. Com o Dino, o Sílvio, o Mauro ou pessoal da escola. Ou aqui ou ali mesmo ao lado – diz apontado para a casa vizinha – esta é a casa do Sílvio
- Sim já me tinhas dito, mas pelo que vejo vocês costumam passar muito tempo juntos! – ri-me, pois mesmo junto à piscina era suposto haver uma espécie de vedação com aquelas árvores que normalmente se costuma cortar à mesma altura. E haver havia, mas havia uma parte que não tinha, essa parte era uma zona de passagem de um jardim para o outro.
- Claro, já viste o trabalhão que era ir dar a volta?
- Realmente! – rimos em conjunto
Fomos almoçar e a meio da tarde fomos à casa dos meus novos vizinhos.
- Não devíamos bater à porta? – perguntei ao Tomás que entrava sem pedir autorização na casa de Sílvio
- O Sílvio não se importa! A porta está aberta e ainda por cima eles estão na cave por não nos ouviriam, vamos lá ter…
Fomos então até à cave da casa do Sílvio e lá estavam os três manos.
- Boa tarde pessoal – cumprimentou alegremente Tomás os presentes
- Ainda bem que chegaram, porque falta-nos aqui um elemento – disse Sílvio que estava em desvantagem no jogo de matraquilhos, uma vez que jogava sozinho, contra o Mauro e o Dino.
- Ya, joguem lá que a mim não me apetece mais – Mauro desiste do jogo e senta-se no sofá
- Ok então eu jogo aqui com o meu parceiro como é obvio! – Tomás posiciona-se ao lado de Dino – Didi joga ai com o Sílvocas!
- Dá-me só um minuto! – vou até ao sofá e tiro o meu casaco e o colar, para estar mais à vontade, e quando já me encaminhava de novo para a mesa de matraquilhos atava o meu longo cabelo para não me atrapalhar a visão
- Didi, sabes que com ou sem casaco vocês vão perder na mesma! – provocou Tomás
- Claro! Ninguém é tão bom a jogar matraquilhos com esta dupla imbatível! – rejubilou Dino
- Claro, claro! – iria dar luta a esta “dupla impartível” – Eu e o Sílvio somos bem melhores! – entrei no jogo deles
- Bora lá Didi, isto é para golear! – incentiva o meu parceiro de equipa – Jogas na defesa ou no ataque?
- Eu jogo no ataque e tu na defesa, ok?
- Como quiseres…
- Prontos? – Tomás já tinha a bola na mão para a pôr em jogo.
O Jogo começa da pior forma! Dino e Tomás marcam um golo.
- Ui eu não disse! Nem um minuto aguentaram! Nós somos mesmo bons! – Tomás já cantava vitória
- Sim, sim… o primeiro milho é para os pardais! – avisei-o
O jogo recomeçou de novo e eu marco um golo!
- Boa Didi! – incentiva Sílvio
O jogo era à melhor de 10 bolas, e eu e o Sílvio encontrávamo-nos a ganhar por 6-2. Assim que eu marquei o 7-2, foi o delírio.
- Pumba! Qual dupla imbatível qual quê! Eu e o Sílvio é que formamos uma dupla imbatível! – vangloriei-me olhando para Sílvio
- Mesmo!– Sílvio concordou comigo - já foram 7 seguidos, todos aqui da Didi! Que boa parceira que eu encontrei! - elogiou
- Obrigado mas tu não ficas nada atrás! O mérito é NOSSO! Então meninos agora não dizem nada? – perguntei à “equipa imbatível”
- Dizemos que vamos marcar o último golo do jogo e que vocês só têm é sorte, isso foi tudo sorte! – Dino não admitiu o nosso claro mérito
- Vamos lá ver quem é que marca o último golo do jogo! – desafia o Sílvio
E que golão, que foi o último golo do jogo! Sílvio com um remate de baliza a baliza marca um golo que faz calar ainda mais o nosso adversário e nos faz explodir de alegria. De repente sinto-o abraçar-me e levantar-me ligeiramente, comemorando assim a nossa vitória. Não sei descrever o abraço de Sílvio, sentia algo especial neste abraço, um conforto diferente dos abraços das outras pessoas, um conforto… não sei! Só sei que me sentia bem, muito bem com esse conforto.
Passámos o resto da tarde na casa de Sílvio, entre muita brincadeira, e já no final da noite despedimo-nos de Mauro e Dino, pois estes voltariam para Lisboa, mas regressariam no próximo fim-de-semana.

Boa Noite! :)
Gostaram? Quero opiniões...
Beijinhos
Didi Martins

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Capítulo 2 - Adorei Conhecer-te!



- Quer dizer tu conhece-o perfeitamente! – Tomás sabia a admiração que eu tinha por Sílvio e por isso provoca-me com um sorriso na boca, fazendo de propósito para me envergonhar
- Pois, é jogador do Atlético de Madrid – digo aparentemente descontraída, mas na verdade eu estava muito envergonhada e ainda por cima Sílvio olhava para mim com um sorriso encantador, que me deixava ainda mais envergonhada e nervosa.
- Puto, vens para Espanha e és logo reconhecido – Brinca Mauro com o irmão
- Mauro não era preciso ele ter vindo para Espanha, que aqui a Didi já o conhecia antes... – Agora sim não conseguia esconder, estava a ficar com as minhas bochechas rosadinhas
- Sim eu e o Tomás já vimos vários jogos teus, mas eu não sabia que vocês eram amigos – tentava sair das situações constrangedoras em que Tomás teimava em meter-me
- Vês jogos de futebol com o Tomás? – perguntou-me com um sorriso encantador nos lábios Sílvio
- É, já viste até quando quero desfrutar um bocadinho de um bom jogo de futebol tenho que aturar o Tomás! - brinquei
- Que piadinha! – o meu melhor amigo finge-se de amuado
- Então isso quer dizer que gostas de futebol? – pergunta-me Sílvio um pouco admirado
- Sim, eu adoro ver um bom jogo de futebol mas gosto ainda mais de jogar – contei-lhes, o futebol fazia parte da minha vida à muitos anos
- Ui! Estamos rodeados de estrelas então! – brincou Dino
Foi inevitável não nos rirmos.
O jantar foi bastante agradável, deu para perceber que eles eram realmente boas pessoas e pessoal bem bacano. Gostei bastante, principalmente do ambiente super descontraído.
Acabámos de jantar e decidimos ir a um bar que eles conheciam. Mauro, Dino e Sílvio foram juntos no carro de Sílvio. Eu fui com o Tomás no seu carro.
- Tomás porque é que não me disseste que eras amigo do Sílvio e que era ele o irmão do Dino e do Mauro? – perguntei-lhe assim que entrei no seu carro e ficámos sozinhos
 - Esqueci-me - desculpou-se
- Ah-ah-ah – gargalhei sarcasticamente – deixa-me rir, que desculpa mais esfarrapada. Tu fizeste de propósito e ainda por cima passaste o jantar todo a envergonhar-me – acusei-o
- O Sílvio nem reparou nisso. Estava demasiado concentrado a olhar para ti... – provocou-me de novo
- Tomás para com isso, vou chatear-me contigo! - ameacei
- Tu não consegues ficar chateada comigo. Tu adoras-me! - vangloriou-se convencido
Rimo-nos. Era verdade, eu não conseguia ficar chateada com ele.
- Olha uma cena que me esqueci de te dizer. Que ideia parva foi essa de ficares num hotel?
Eu ia responder mas Tomás não me deixou e continuou com o seu discurso.
- Se vens para Madrid é obvio que tens de ficar lá em casa, ainda por cima viste por causa de mim, por isso não faz sentido nenhum ficares num hotel!
- Eu não quero incomodar...
- Didi por amor de Deus, os meus pais adoram-te de certeza que não se vão importar e tu sabes que eles trabalham imenso e quase nunca estão em casa, ficando eu muitas vezes sozinho, assim fazias-me companhia – tentou convencer-me
- Tens a certeza que não vou incomodar?
- Ficas lá em casa e não se fala mais nisso. Mudas-te amanhã de manha – informou-me sorrindo – Bem, chegámos.
Saímos do carro e entramos no bar juntamente com Sílvio, Mauro e Dino.
Não esperámos mais e fomos diretos à pista de dança. Já tínhamos curtido algumas músicas quando Tomás se lembra que tinha de ir às bebidas.
- Faltam aqui umas bebidas
- Ya puto bora lá – disse Mauro
- Didi queres o quê? – perguntou-me o Tomás
- Tanto faz - sorri-lhe atenciosamente
- Mano traz uma vodka preta para mim – pediu Sílvio a Mauro
 Mauro e Tomás já iam a caminho do balcão quando Dino olhou para mim e para o Sílvio e se riu para logo em seguida gritar para Mauro e Tomás:
- Esperem por mim – e foi também ele buscar bebidas
Eu e Sílvio ficámos assim “sozinhos” no meio da pista. Até que de repente o DJ põe uma música romântica e só se vê casais agarradinhos na pista a dança-la. Ficámos um bocadinho parados sem saber o que fazer, não éramos propriamente um casal de namorados para dançarmos muito agarradinhos uma música romântica, ainda nem se quer nos conhecíamos bem. Pude perceber pelo olhar receoso de Sílvio que hesitou em convidar-me para dançar por isso mesmo, mas acabou por fazê-lo.
- Posso? – estende-me a sua mão, convidando-me assim para dançar
- Claro – respondo-lhe com um sorriso nos lábios
Sílvio põe então as suas mãos na minha cintura e eu encosto a minha cabeça ao seu ombro direito. Dançamos assim agarradinhos e em silêncio absoluto a única coisa que se ouvia era letra da música “solamente tu” de Pablo Alborán.
Mas eu conseguia ouvir outra coisa, devido à proximidade dos nossos corpos era-me perfeitamente sensível o bater do coração do Sílvio, estava algo acelerado e descompensado. As nossas pernas movimentavam-se automaticamente ao som da música e seguindo os movimentos um do outro.
A música acabou os nossos corpos estavam agora afastados um do outro mas os nossos olhares estavam completamente penetrados um no outro. Eu olhava para os lindos olhos de Sílvio eram castanhos-esverdiados e com a luz do bar ficavam ainda mais brilhantes. Simplesmente lindos. Fomos interrompidos pela chegada dos rapazes.
- Obrigada – agradeci assim que Tomás passou o copo para a minha mão
- Anda comigo - fui surpreendida por Sílvio que me agarrou pela mão e me levou até ao exterior do bar. O bar tinha uma espécie de esplanada com uns puffs e com vista para a cidade de Madrid. Não estava muita gente ali, o ambiente era bastante calmo.
Sentei-me num puff e Sílvio sentou-se noutro ao meu lado.
- Já te disseram que tens uns olhos lindos? – perguntou-se Sílvio olhando-me nos olhos
- Algumas vezes – respondi-lhe um pouco envergonhada
- O teu namorado deve passar a vida a dize-lo! - gargalhei
- Hum, isso é uma forma para saberes se tenho namorado? – perguntei-lhe com um sorriso nos lábios
- Se tiveres ele também te deve dizer que tens um sorriso lindo – elogiou-me de novo
- Mas ele não diz, simplesmente porque não tenho – contei-lhe o que ele queria saber
- Os tugas devem estar a dormir, só pode – corei
- E as portuguesas ou espanholas em relação a ti também estão a dormir? – agora era eu que queria saber se ele tinha namorada
- Talvez estejam a dormir ou talvez eu seja demasiado seletivo - respondeu-me Sílvio
- Seletivo?
- Sabes quando és conhecido tens sempre montes de gente atrás de ti, por isso existem sempre pretendentes, mas nem sempre gostam de ti pela pessoa que és ou pelo jogador, simplesmente gostam do teu dinheiro ou da fama. E digamos que não é esse tipo de mulher que me interessa – explicou-me – Mas mudando de assunto, fala-me sobre ti – pediu-me voltando a pôr o seu sorriso encantador nos seus lábios
- O que é que queres saber?
- Sei lá, quero conhecer-te – diz de forma espontânea e sorrindo
- Então sou a Diana mas o pessoal mais chegado trata-me por Didi, tenho 17 anos, est…
- 17 anos? - Sílvio interrompe a minha fala estupefacto
- Sim, porquê?
- Pensei que fosses mais velha, dava-te pra ai uns 20/21
- Mas não tenho mesmo 17, embora que esteja quase a fazer os 18 – disse-lhe entusiasmada – Continuando acabei o 12º ano de ciências socioeconómicas, o meu sonho é entrar na melhor universidade de economia do país
- Temos economista então
- Esperemos que sim
- E tu o que gostavas de ser, se não fosses futebolista?
- Adorava ser professor primário de português
- A sério?
- Sim adoro crianças. E tu gostas do quê?
- Para além do futebol não é, gosto de desporto no geral, de surf, sabes eu vivo à beira-mar por isso o mar faz parte da minha vida, adoro acordar cedo e apanhar umas ondas com o sol a nascer e a praia deserta
- Eu também gosto de praticar surf mas confesso que agora estou mais numa de wakeboard
- Nunca fiz
- É brutal, tens de experimentar – aconselhou-me
- Sabes o que é que eu gostava de experimentar? Amava saltar de um avião, só ainda não saltei porque como sou menor não posso ir sozinha, mas quando fizer os 18 anos vou logo.
- Tou a ver que gostas de adrenalina! Não sei se tinha coragem para saltar
- Gosto de adrenalina, ter o sangue a fervilhar nas veias, o coração a bater mais forte. Ter coragem para saltar tenho, eu sou um bocado assim tipo se é para ir mando-me de cabeça, mas sei que lá pelo meio ia ter medo mas que quando aterrasse tenho a certeza que queria repetir
Sílvio apenas se ri com a minha declaração.
- Admiro a tua coragem
- Sabes acho que não é coragem é um bocado de maluquice misturado de inconsciência...
Continuámos a nossa conversa sempre bem-humorada, que serviu para Sílvio me conhecer um pouquinho e eu a ele, estava a gostar de o conhecer. Já era tarde e o sono começava-se a apoderar de mim, estava cansada, estava a ser um dia longo, uma viagem de avião, no dia anterior não tinha dormido pois fui com os meus amigos comemorar o fim das aulas, resumindo estava sob uma direta e o meu corpo começava a dar sinais disso.
- Queres ir embora? – perguntou-me Sílvio
- Por mim já ia, mas se quiseres ficar…
- Não também já me apetece ir, estou cansado - acabou por confessar-me
- Então vamos lá ver dos rapazes!
Levantámo-nos e fomos até ao interior da discoteca. Avistámo-los e fomos ter com eles.
- Tomás Bora?
- Já? A noite ainda é uma criança - disse-me Tomás, claramente entusiasmado para aproveitar mais umas horas da noite
- Mesmo! – entreviu Mauro
- Mas sabes a minha noite de ontem foi uma velhinha por isso estou cansada por isso vou, mas se quiseres ficar, fica - sorri-lhe, não queria que ele não se divertisse por minha causa
- Também vais Sílvio? – perguntou Tomás a Sílvio
- Sim – respondeu-lhe positivamente
- Então faz-me só um favor leva a Didi ao hotel e eu depois levo os teus irmãos – pediu ao Sílvio
- Claro que levo - assentiu Sílvio ao pedido de Tomás
- Eu não preciso que ninguém me leve! – ripostei já não era nenhuma criança para me levarem a casa
- Didi é melhor não é seguro andares por ai sozinha – conseguia denotar preocupação no olhar do meu melhor amigo
- Vá, vamos lá, Diana não me custa nada levar-te
- Didi, vai lá com o Sílvio – insistiu Tomás
- Tá bem - não insisti mais - Então adeus e juízo – dei-lhe dois beijinhos – Boa noite rapazes!despedi-me de Dino e Mauro
- Não te preocupes que chegamos inteiros a casa – disse Tomás a Sílvio referindo-se a ele, a Mauro e a Dino
Saímos do bar e entramos no carro dele.
- Não era preciso ires pôr-me – insisti assim que me sentei no banco do pendura
- Faço questão - Sílvio sorriu-me mais uma vez nesta noite - Já agora onde em que hotel é que a menina ficou?
- No AC La Finca, sabes onde é ou queres que te diga o caminho?
- Não é preciso – ao mesmo tempo que diz isto ri-se
- O que foi? – não percebi o porquê de ele se estar a rir
- Foi nesse hotel que eu fiquei quando cheguei a Madrid – explicou-me
- Coincidências…
Chegámos ao hotel e Sílvio saiu do carro para se despedir de mim.
- Estás entregue
- Obrigada
- De nada, eu é que agradeço a noite que me proporcionaste
- Foi bastante agradável! – concordei com ele
- Diana, achas que me podias dar o teu número? – perguntou-me um pouco a medo
- Claro – peguei no telemóvel dele e guardei o meu número – guardei como Diana – disse-lhe devolvendo-lhe o seu telemóvel
- Ok então acho que vou – cheguei perto de Sílvio e dei-lhe dois beijinhos - adeus
- Até amanhã
Ia a encaminhar-me para o hotel quando me lembro que me esqueci de lhe dizer uma coisa por isso vou de novo ao encontro de Sílvio.
- Quando chegares a casa manda-me mensagem, para eu saber se chegaste bem – pedi-lhe
- Claro, Didi – sorri ao ouvir ele a chamar-me “Didi”
- Até amanhã
Agora sim encaminhei-me em definitivo até ao hotel, subi no elevador até ao piso 3 e dirigi-me ao meu quarto.
Fui até à casa de banho fazer a minha higiene pessoal, vesti o meu pijama e deitei-me na cama à espera da mensagem do Sílvio, que não demorou.

De: 9********
Olá! Cheguei inteirinho a casa! Adorei conhecer-te :D
Beijinhos
Sílvio

Sorri com a sua mensagem e soltei um breve suspiro. Antes de lhe responder guardei o número.

Para: Sílvio
Olá! Ainda bem! Eu também gostei conhecer-te! E acho melhor despedir-me porque se não deixo-te a falar sozinho, tou a morrer de sono :$
Beijinhos e até amanhã

De: Sílvio
Dorme bem! Beijinhos

Assim que li a sua mensagem fechei os olhos e adormeci com um sorriso nos lábios.

Queria agradecer a todas as pessoas que comentaram com palavras elogiosas o capítulo anterior! Obrigado! Espero que gostem deste e que também deixem a vossa opinião...
Beijinhos
Didi Martins