sábado, 23 de junho de 2012

Capítulo 4 – Tiraste o dia para me Envergonhar!

Acordei por volta das dez e meia e a primeira coisa de que me lembrei foi de verificar a caixa de entrada do telemóvel. Quando o nome de Sílvio apareceu no ecrã do meu telemóvel um sorriso surgiu na minha cara.

De: Sílvio
Bom dia!          
Ainda deves estar a dormir, férias né? Mas há quem trabalhe e tenha de treinar! Quando acordares liga-me, se não atender estou no treino!
Beijinhos

Por volta daquela hora ele ainda devia estar mesmo a treinar, por isso decidi ir tomar o pequeno-almoço. Enquanto arrumava a cozinha ouvi o meu telemóvel tocar, corri até ao telemóvel, na esperança que Sílvio se tivesse antecipado àquela que era a minha vontade desde que tinha acordado.
Agarrei no telemóvel e vejo “Mãe a Chamar”. Não era bem isto que eu queria ver mas atendi.
- Sim mãe – disse arrastando a voz e sentando-me
- Tanto entusiasmo para falares com a tua mãe
- Desculpe mas estava à espera de outro telefonema
- Quem é o menino? – a minha mãe realmente conhecia-me como ninguém
- Não é menino nenhum era só a Laura – menti, embora não gostasse nada mas tinha que ser pois não queria que ela começar-se com desconfianças
- Então está tudo bem por ai? – mudou de assunto, mas eu sabia perfeitamente que ela não tinha acreditado na minha resposta
- Sim mãe não é necessário preocupar-se, eu sei tomar conta de mim
- Mãe é mãe e irá sempre preocupar-se
- Sim
- Estás a alimentar-te bem? Tu vê lá eu não te quero mais magrinha!
- Não estou mais magrinha mãe, estou a alimentar-me em condições. Então está tudo bem por ai?
- Sim está tudo normal
- Como está o Pai? O Mano? O meu Simãozinho? – o Simão era o filho do meu irmão Dário, o meu único sobrinho que eu adorava
 - …
Continuei à conversa com a minha mãe a matar um pouco as saudades e a ouvir as suas 1000 recomendações e preocupações típicas de uma mãe.
Quando acabei de falar com ela olhei para o relógio que já marcava 11H e 43 minutos resolvi então telefonar ao Sílvio pois o seu treino já devia ter terminado
- Olá, tudo bem? – perguntei-lhe assim que este me atendeu o telemóvel
- Sim, saí agora do treino. E contigo?
- Também, então querias falar comigo?
- Sim tenho um convite a fazer-te
- Hummm um convite? Para quê? – perguntei-lhe curiosa
- Um jantar
- Quando? Onde?
- Hoje às 19:30 eu vou-te buscar, o sítio é surpresa se aceitares mais logo vês onde é!
- Surpresa? Oh eu devia saber onde é! Assim não sei se aceito – ri
- Aceita, que curiosa! Surpresa é surpresa!
- Oh não é curiosidade, eu tenho que saber porque… - tentava arranjar um argumento válido
- Porque???
- Porque… - fiz uma pausa para pensar - ora tenho que saber o que é que vou vestir! – Dei a desculpa mais esfarrapada que me veio á cabeça.
- Ahahaha só tu – gargalha – ficas linda de qualquer maneira!
- Sílvio! – repreendi-o
- O que foi? É verdade!
- Oh tá bem, mas responde lá - insisti
- Como te sintas mais á vontade
- Fogo, tu hoje não me és capaz de dar uma resposta decente! Ghrrrrrr
- Oh eu dei-te uma resposta decente! Disse que tu eras linda
- Para além de não me dares respostas decentes ainda me queres envergonhar! - gargalhei
- Oh a roupa não importa, o que importa é a companhia, e essa será mesmo agradável
- Tiraste o dia mesmo para me envergonhar! Obrigado! Eu também gosto da tua companhia
- Apenas digo a verdade!
- Ok. Vens me buscar já que horas? – mudei de assunto
- 19:30 estou á porta da casa do Tomás. Combinado?
- Combinado, até logo, beijinhos
- Adeus, beijo ó curiosa – sorri e desligamos a chamada

***

Eram 18:30 decidi ir tomar banho e começar a vestir-me para o jantar com o Sílvio.
Escolhi um vestido simples com umas sandálias rasas, o cabelo ao natural e um pouco de maquilhagem.
Peguei na mala e entrei na sala onde o Tomás estava.
- Estás linda! – elogiou
- Estou igual aos outros dias!
- Sim, mas a ti qualquer coisa fica bem, mas esse vestido fica-te magnifico!
- Obrigado – agradeci os elogios
A Campainha toca.
- Deve ser o Sílvio, Até logo – cheguei ao pé dele e dei-lhe um beijinho na cara
-Até logo, juízo – retribui o beijinho
-Olá - disse assim que abri a porta.
-Olá - disse dando-me um beijo na bochecha - estás...mesmo linda, vês como eu tinha razão?! – disse a sorrir, mas fazendo com que as minhas bochechas corassem
-Oh obrigada - disse envergonhada - tu também estás muito elegante!
-Obrigada. Vamos? - disse abrindo-me a porta do lado do pendura
-Sim - disse entrando
Breves segundos depois ele entrou no carro, ligou-o e perguntou-me:
- Como foi o teu dia?
- Foi bom, almocei com Tomás, fomos dar uma volta e piscina. E o teu?
- Normal! Treinar.
- É mais fixe jogar né?
- Claro tem outra emoção!
- Nem se compara!
- Gostas mesmo de futebol né? – perguntou-me
- Não – disse de forma irónica e sorrindo
- Sabes nunca tinha conhecido uma mulher que gostasse tanto de futebol e ainda por cima jogasse, e bem pelo que ouvi dizer, jogas muito bem
- Hum isso de jogar bem já não sei se é bem assim, o jogador aqui és tu, não eu
- Então um dia combinamos uma partidinha. Que achas?
- Acho muito bem, mas espero que não fiques desiludido quando me vires jogar
- Claro que não - disse tirando os olhos da estrada sorrindo-me - chegámos
Saímos do carro e estávamos num lugar lindo, à beira-rio. Que segundo os meus conhecimentos de Madrid devia ser o rio
Manzanares.
 

- Que tal?
- É lindo! – disse deslumbrada com a vista magnifica
- Ainda bem que gostas!
Sorri-lhe.
Entramos no restaurante e ficámos sentados numa mesa encostada à vidraça do restaurante, na qual se podia ver o rio e a cidade iluminada.
Tivemos um jantar cheio de conversa, risos e olhares cúmplices acompanhadas por um silêncio que por vezes nos deixava aos dois um pouco constrangidos.
No final ele não me deixou pagar, o que me levou a resmungar com ele.
- Eu convido, eu pago.
- Não gosto nada disso! Podíamos dividir a conta!
- Nem pensar! Eu faço gosto em pagar.
- Mas... – tentei ripostar
- Nada de mas, sim? Queres ir dar uma volta à beira-rio?
- Vamos. Está mesmo a apetecer.
- Então vamos - disse sorrindo.
Caminhamos os dois à beira-rio e enquanto o fazíamos parei ficando a observar os pequenos pontos luminosos da bonita cidade de Madrid.
- Esta cidade é linda – disse encantada com a beleza de Madrid
- Sim, ainda não a conheço toda mas do que já vi posso dizer-te que é espectacular - disse colocando-se do meu lado.
Sorri olhando-o. Os seus olhos castanhos-esverdiados brilhavam ainda mais com a iluminação da cidade e o meu coração ficou bem apertadinho quando os nossos olhares se cruzaram.
- Então estás a gostar de viver aqui? – perguntei-lhe
- É diferente, mas gosto. Não é aqui que eu tenho os meus, as minhas raízes, mas as vezes tens de abdicar disso para ires em busca dos teus sonhos. E aconselho-te pela experiencia a nunca desistires dos teus sonhos e do que queres, tu és o mais importante – diz-me olhando nos meus olhos
- Mas sabes eu admiro-te muito por isso. Há muito que sou tu admiradora, desde que jogavas no Rio Ave que acompanho a tua carreira e sempre tive um grande respeito e orgulho em ti, pois admiro a forma com lutas-te por aquilo que realmente querias na vida, como soubeste dar a volta quando sais-te do Benfica e cais-te na 2º divisão B e como ano após ano foste conquistando patamares na tua carreira. Primeiro chegaste à liga principal, depois chegaste a um grande clube, à seleção e agora estás na melhor liga do mundo! Admiro-te muito por isso, por nunca teres desistido e por teres sempre conseguido alcançar os teus objetivos – contei-lhe àquele que eu podia chamar de o meu Ídolo
- Obrigado! – agradece visivelmente emocionado com as minhas palavras – é por pessoas como tu que eu nunca desisti, pela minha família e principalmente para orgulhar o meu Pai que sempre acreditou em mim – ele estava mesmo emocionado, via-se o brilhinho nos seus olhos – mas nem sempre fui forte, houve alturas em que bati mesmo no fundo, quando saí do Benfica e fui parar ao banco do Cacém, ai sim pensei em desistir, fogo tinha estado no Benfica, no Chelsea e no Porstsmouth e nem meio ano depois estava no banco do Cacém, nem queria acreditar, foram tempos muito difíceis, mas felizmente sempre pensei que ia dar certo, pensei nos que gostavam de mim e por isso nunca desisti e fui buscar forças aonde não as havia – contou-me
- Tenho orgulho em conhecer-te – disse-lhe sinceramente o que me ia no coração
Notava que Sílvio estava algo embasbacado, mas também algo agradecido pelas minhas palavras. Sílvio chega-se ao pé de mim e dá-me um beijinho na testa e um abraço como forma de agradecimento.
- Obrigado, mas eu não me considero, um ídolo ou melhor que ninguém, apenas acho que fiz aquilo em que sempre acreditei – fogo eu admirava mesmo este Homem, além de lutador era humilde – Mas paremos lá de falar de mim, eu também estou a adorar conhecer-te Didi. Consegues ter a alegria de uma miúda mas ao mesmo tempo o encanto de uma mulher, és sem dúvida uma pessoa muito especial – corei com as suas palavras
Continuamos o nosso passeio até que senti uma brisa fresca a embater-me nos meus ombros desnudos, o que fez com que me arrepia-se.
Num gesto carinhoso vi-o tirar o casaco de malha que tinha sobre a camisa, pousando-o nos meus ombros.
- Assim vais ficar tu com frio.
- Eu estou bem, não te preocupes.
- Sílvio não quero que fiques doente! – preocupei-me com ele
- Mas eu estou bem.
- Tens a certeza?
Naquele momento vi um dos meus maiores medos a  vir na minha direção, um rottweiler. Em pequenina tinha sido mordida por um cão e desde então não consegui-a sequer vê-los. O meu primeiro impulso foi dar um berro e agarrar-me ao Sílvio.
- Que se passa Didi? – perguntou-me com um tom preocupado
- CÃO! – gritei com medo
Ele não disse mais nada, pegou em mim ao colo, envolvendo-me nos seus braços. Enterrei a minha cabeça no seu peito, sentindo o seu cheiro, o que levou o meu coração a disparar mais do que já se encontrava. Sentia-me protegida nos seus braços.
Ele soltou um pequeno riso o que me fez levantar a cabeça e encará-lo.
- Não te rias!!! – pedi-lhe ao mesmo tempo que reprovava o seu ato
- Só tu!
Devido à proximidade dos nossos rostos mal ele falou o seu hálito tocou nos meus lábios, o que me deixou ligeiramente atrapalhada.
- Jáá... fooiii? - disse gaguejando.
- Sim já. Tens medo de cães?
- Não. Tenho pavor. Quando era pequenina fui mordida e desde aí tenho-lhes muito medo, mesmo.
- Está bem. Sabes que me assustas-te?
- Desculpa, mas acredita que eu me assustei bem mais!
- Teve a sua piada!
- Goza, goza!
Ele soltou um sorriso e os nossos olhares cruzaram-se, ele voltou a sorrir-me e eu retribui-lhe. Continuava nos seus braços, sem que nenhum dos dois disse-se nada. Sentia-me muito bem ali.
- Acho que já me podes pôr no chão.
- Ah... pois... desculpa - disse pondo-me no chão.
Ajuntei o seu casaco que tinha caído assim que o Sílvio me pegou ao colo. Mas desta vez, em vez de ficar só em cima dos meus ombros, vesti-o, ficava-me muito grande, mas aquecia.
- Ehehe isto fica-me a boiar. Gordo – brinquei com ele, foi inevitável soltarmos umas gargalhadas
- Sim, mas ficas linda na mesma – fiquei de novo envergonhada
- Obrigada. Tiraste mesmo o dia para me envergonhares. Está provado!
Continuámos a caminhar entre conversas e sorrisos.
- Bem Sílvio está-se aqui muito bem, mas temos que ir que amanhã tens treino.
- Tem mesmo que ser né?
Fomos de novo até ao carro e ele levou-me a casa, quer dizer até à casa dele pois este estacionou logo o carro na sua garagem, mas acompanhou-me até à entrada da casa do Tomás.
- Bem adorei o jantar Sílvio, e a companhia.
- Eu também.
- Agora vai descansar que precisas
- Claro princesa – que querido que ele era - Vou indo.
- Vai lá.
Cheguei-me perto dele e dei-lhe um beijo na bochecha. Ele puxou-me contra si e abraçou-me o que fez com que o meu coração acelerasse.
Afastou-se ligeiramente e deu-me um beijo sobre a testa.
- Adeus princesa.
- Adeus! - disse ao abrir a porta
A encaminhar-me para o meu quarto pensava alto, falando comigo própria.
- Diana é que tu nem penses nisso! Mete na tua cabeça: Sílvio é mais velho. Apenas amigo. Vive em Madrid. Tu em Portugal. Mas o que estou prá'qui a dizer? Pareço maluquinha! A falar sozinha...Jasuuuss!
Entrei no meu quarto e só ai é que reparei que tinha ficado com o casaco de Sílvio. Tirei a roupa, vesti o pijama, escovei os dentes. Quando voltei da casa de banho, olho para o seu casaco, não resisto e pego nele e cheiro-o. Cheirava, inevitavelmente, ao Sílvio, cheira bem, aquele cheio, não sei explicar muito bem, mas preenchia-me o coração! Deitei-me e decidi mandar-lhe mensagem!

Para: Sílvio
Oh gordo fiquei com o teu casaco! :$

Pouco tempo depois recebo a sua resposta.

De: Sílvio
Não faz mal, eu lembrei-me de pedir de volta, mas como te ficava tão bem… ahahahah

Para: Sílvio
Sim sim, agora sei que estás a mentir, pois dentro do teu casaco cabiam duas Dianas! Ahahahah. Amanhã devolvo-te :D

De: Sílvio
Amanhã? Então quer dizer que amanhã vou ter de novo o privilégio da tua companhia? Ahah
Queres ir almoçar e depois ir ver o meu treino da tarde?

Para: Sílvio
Pelos vistos gostas da minha companhia!!!
Por mim é na boa! Sabes como é férias, não tenho nada para fazer! ;D

De: Sílvio
Claro q gosto! ;P
Tens preferência pelo lugar do almoço?

Para: Sílvio
Não! Escolhe tu! Eu confio no teu bom gosto…

De: Sílvio
Ao meio dia e meio vou buscar-te, pode ser?

Para: Sílvio
Combinado! :D
Bem vou dormir! Beijinhos até amanhã :P

De: Sílvio
Dorme bem princesa ;D

Pousei o telemóvel na mesa-de-cabeceira.
Esta noite parecia que tinha sido um sonho, ainda passei um pouco acordada na cama, a ponderar se realmente teria acontecido. Começava a sentir aquele friozinho na barriga cada vez que o via, até só de pensar nele, ora me deixava nervosíssima, ora minutos depois me deixava completamente descontraída. A sua figura teimava em aparecer nos meus pensamentos e o seu sorriso sugava de mim um longo suspiro.

Olá meninas! :D
Então gostaram do encontro da Didi e do Sílvio?
Por favor comentem, pois é muito importante para mim saber se estão a gostar!
Beijinhos
Didi Martins

2 comentários:

  1. Olá!
    Adorei!!!
    A história está sobre rodas e estes dois são tão fofos!
    Espero pelo próximo!

    Beijo
    Ana

    ResponderEliminar
  2. Fantastico adorei continua.bjs

    ResponderEliminar