quarta-feira, 27 de março de 2013

Capítulo 29 (I) - O Passado vem Atormentar o Presente e Comprometer o Futuro



- Não! Não! Não! – gritei acordando do horrível pesadelo, a minha respiração era ofegante acompanhada por lágrimas desesperadas
- Princesa! – ouvi rapidamente o Sílvio a chamar-me para depois me abraçar fortemente – Calma era só um sonho!
Sentir os braços dele a envolverem-me, aqueles braços onde tantas vezes me senti protegida e amada, hoje não me sentia assim, ao sentir os braços dele a envolverem-me sentia-me ainda mais desesperada. Rapidamente me libertei deles e levantei-me da cama, começando a percorrer o quarto de um lado para o outro.
- Não era um sonho, era um pesadelo! Foi horrível! – dizia desesperada, só de me relembrar e de pensar na possibilidade e um dia os pesadelos tornarem-se verdade
- Clama, amor! Anda cá, como me pediste hoje, deixa-me cuidar de mim… - disse-me de braços abertos
Olhei-o intensamente, não sabia o que fazer, ir ou não ir. Deixei-me levar e dei o primeiro passo na sua direção, pé ante pé, fui dando pequenos passos até si, quando faltava apenas pouco centímetros para que as nossas peles sentissem o toque uma da outra, não fui capaz… paralisei. Aterrorizada.
- Princesa, que se passa? Tu estás tão estranha… - quebrou o gelo, existente entre nós, agarrando-me na mão. O seu toque, fez-me arrepiar, sentia medo, muito medo, medo esse que me fazia afastar dele, tinha medo de o magoar e consequentemente magoar-me a mim.
- Desculpa… mas não consigo – disse recuando os passos que dera
- Não consegues o quê? Fala comigo, amor – pediu-me calmo, tentando aproximar-se de novo de mim – Conta-me o teu sonho, o que é que te deixa assim tão assustada? – tentava quebrar as barreiras existentes entre nós, mas ao mesmo tempo que ele avançava eu recuava, mantendo assim sempre as barreiras no meio da nossa relação
- Não consigo… - confessei chorando – Tenho medo de te perder… - acabei por confessar também, com o meu olhar preso ao chão
- E tens medo do meu toque também? Do meu abraço? Dos meus beijos? – perguntou, aproximando-se fisicamente de mim. Já com o seu corpo a milímetros do meu, a sua mão acariciou a minha bochecha. Um misto de sensações instalou-se em mim.
- Não…
- Então posso beijar-te? – tremi da cabeça aos pés como uma criança. Era estranho. Não sei explicar. Eu estava estranha. Parecia que não era eu, na verdade era bem possível que não fosse, mas sim uma versão de mim comandada pelo receio.
- Se eu te pedir um pouco de espaço para pensar tu ficavas muito chateado? – perguntei-lhe a medo
- Princesa eu não percebo muito bem o que se passa, mas se for preciso eu dar-te espaço para tu ficares bem e conseguires resolver esses problemas, eu dar-te-ei todo o espaço que tu quiseres desde que depois tu e nós fiquemos bem, mas é claro que me custa estar longe de ti…
- Obrigada, amor… - cheguei-me perto dele e dei-lhe um demorado beijo no rosto
- Princesa, será pedir muito um beijo? – vi o receito nos olhos deles, mas também conseguia ver nos olhos dele a vontade e necessidade que ele tinha que eu o beijasse
- Pede…
- Princesa, dás-me um beijo? – pediu super fofinho
Respirei fundo e beijei-o. Conseguia sentir o seu sabor, um turbilhão de sentimentos surgiam desde um aperto no coração, as ditas borboletas no estômago. Parecia o nosso primeiro beijo. Sem dúvida um beijo muito especial. Sílvio era meigo com os seus lábios quentes e doces num beijo apaixonado, calmo e carinhoso. Inconscientemente, era disto mesmo que eu precisa.
- Obrigada, amor! – agradeci-lhe pelo beijo, tinha ajudado a perceber certas coisas – Agora se não te importas vou para casa – dei-lhe um beijo no rosto
- Adeus, princesa. Ah espera – chamou-me – Tu nunca me vais perder! – assegurou sorrindo, inevitavelmente sorri de volta

***
Assim que sai da casa do Sílvio, fui para o meu quarto e por mais incrível que pareça adormeci, na minha cama. Embora não tivesse dormido lá muito bem, deu para descansar e ficar com a cabeça “fresca”. Levantei-me quando me apeteceu e fui até à varanda, apanhar ar. Até lá ainda sorri, quando vi que tinha vestida uma t-shirt do Sílvio, inevitavelmente, levei um pedaço de tecido ao meu nariz e cheirei, aquelo cheiro era inigualável, era cheiro a Sílvio. Perfeito!
Apreciava a vista da minha varanda, enquanto pensava. Pensava sobre o passado, sobre o meu ex, sobre os problemas e receios que me atormentavam, lembrava-me do meu pesadelo, pensava no quanto gostava do Sílvio, se seria correto o que estava a fazer… perdi-me em pensamentos. Mas valeu a pena, pois consegui chegar a várias conclusões.
Agora precisava de ir falar com o meu amor, de estar com ele, de aproveitar o nosso amor e deixar o passado onde ele pertence, ao passado! Tinha tanta pressa em remediar as coisas e ficar bem com ele que fui mesmo só com a sua camisa vestida e descalça até à sua casa… corri a descer as escadas, e rapidamente estava à porta da casa do meu amor, toquei à campainha, uma vez, duas vezes, três vezes e ninguém abriu a porta.
- Vá lá, amor, abre a porta… - tentei uma quarta vez, mas ninguém abriu – oh és tão estupida! Ele deve estar no treino… - rapidamente voltei ao meu quarto e procurei o meu telemóvel, fui à lista de contactos e liguei ao meu amor.
Chamou, chamou, chamou, chamou e chamou mas ninguém atendeu.
- Fogo porque é que quando uma pessoa precisa realmente de falar com outra, parece que o mundo se vira contra nós! Porquê? – reclamava em voz alta
Decidi ligar outra vez, mas deparei-me com uma voz irritante a dizer que eu tinha chagado à caixa de correio.
Sim, confesso, estava impaciente para falar com ele, tinha milhões de coisas para lhe dizer, mas acima de tudo tinha uma coisa, mais importantes que as outras todas, que precisava de lhe dizer.
Fui petiscar algo, enquanto ia deixando o telemóvel do Sílvio cheio de chamadas minhas. Só quando ligava outra vez para o Sílvio, é que também me apercebi que não sabia onde estava o Tomás, era já quase hora de almoço, ele deveria estar em casa. Mudei o número de destino das minhas chamadas e, rapidamente, liguei para o Tomás, que também, rapidamente, me atendeu.
- Bom dia, Didi – saudou o meu melhor amigo
- Bom dia, Tomás! Olha onde andas?
- Vim ver o treino do Sílvio e fazer-lhe um pouco de companhia… - deixou escapar.
Senti-me culpada, eu é que devia estar ao seu lado, como ele sempre esteve ao meu.
- Ah ok, é que eu estou a tentar falar com ele mas não consigo
- Pois, o treino acabou agora, por isso mais uns minutos e ele já te liga. Olha estava a falar com o Sílvio e pensei que podíamos almoça os três ai em casa, que me dizes?
- Perfeito! Era mesmo isso que eu queria!
- Então conta com connosco para o almoço! Queres que traga algo da rua?
- Não deixa estar, eu vou comprar alguma coisa, não se preocupem, também chegam sempre em cima da hora de almoço por isso… ok eu trato do almoço – resumi - Olha dá só o recado ao Sílvio que eu preciso de falar com ele, pode ser?
- Claro, vá até já
- Beijinho
Desligamos a chamada e eu fui-me vestir para depois ir à rua comprar o almoço.
Enquanto me vestia recebo uma chamada do Sílvio.
- Então amor, estavas a tentar bater o record de chamadas? – brincou, consegui imaginar o seu sorriso ao dizer isto
- Olá amor! Não brinques, tenho uma conversa dependente contigo – expliquei
- Que conversa? Sobre ontem?
- Também mas não só, explico-te depois do almoço, pode ser?
- Claro princesa, estou agora a sair do treino, por isso não devo demorar muito
- Ok, bem vou comprar o nosso almoço. Gosto muito de ti
- Eu gosto mais, mas vai lá
- Beijo
Suspirei. O quanto eu gostava dele…
Sai de casa, e fui ao sítio do costume comprar o nosso almoço, era perto de casa e nós adorávamos a comida de lá. Já voltava a casa quando vejo no fundo da rua, uma silhueta que me parecia familiar, era um rapaz. Ainda estava longe e de costas para mim, mas de repente vira-se para mim, e mesmo a cerca de 100 metros de mim, assustei-me só de vê-lo. Não, não era possível! Devia estar a fazer confusão, mesmo assim acelerei o passo, e em 30 segundos estava em casa.
O Tomás e o meu amor já tinham chegado.
- Credo Didi, estás tão pálida! Pareces que viste um fantasma! – comentou o Tomás assim que me viu a atravessar a porta da sua casa
- Não, eu ando é a alucinar… - vi o Sílvio no sofá e rapidamente pousei a comida na mesa e fui ter com ele
- Olá amor – cumprimentei-o dando-lhe um beijo
- Olá minha princesa linda
Sentei-me no sofá ao pé dele, e abracei-o. Estava nervosa e precisava do conforto dos seus braços para me acalmar e para me sentir protegida.
- Estás gelada, amor – constatou, aquela pessoa que eu acabara de ver na rua deixou-me assim mas eu só podia estar a alucinar, não era possível ele estar aqui, só a ideia de o ver novamente assustava-me, seria reviver o passado, que tanto me fez sofrer e que tanto me custou a esquecer, se é que está esquecido.
Um arrepio percorreu o meu corpo de alta a baixo quando ouvi o som da campainha.
- Estás bem Didi? – era visível no rosto de Sílvio a sua preocupação comigo, pois na realidade eu estava no mínimo “estranha”.
Vejo Tomás em ir direção à porta, parecia que me ia saltar o coração pela boca.
- Tomás! – ouvi quem tocou à campainha pronunciar com saudade
De onde eu estava não se via a porta, mas eu tinha percebido perfeitamente quem era, aquela voz, seguida de um abraço ao seu melhor amigo desde a infância…
O meu coração parou, toda eu estava completamente gélida. Eu não acreditava que ele estava aqui.
- Borges! – ainda não o tinha visto, mas estava agora confirmado que era mesmo ele que estava ali, a escassos metros de mim, o passado estava agora a poucos metros de mim. Eu não estava preparada para o ver, muito menos para falar com ele. Tentei fugir dali, mas quando me ia levantar, Sílvio segura-me pelo braço.
- Que se passa? – pergunta-me com  uma expressão facial confusa
- Olá Didi – cumprimentou-me, com um sorriso na cara, Miguel assim que entra na sala e me vê
Tava completamente bloqueada. Não conseguia pronunciar uma palavra, nem se quer ao Sílvio. Estava estática. Naquele momento eu era o centro das atenções naquela sala. Tomás olhava para mim, Miguel esperava uma resposta minha e Sílvio tentava perceber o que se passava.
- Mi… Migue…l?  - gaguejava, ele estava ali, ali, ali tão perto, ao fim de tanto tempo. Pronunciar o seu nome era como que espetar um punhal no meu coração, e crava-lo outra e outra vez – não me faças isto… - foi a única coisa que consegui dizer - não agora… - pedi-lhe a minha vida neste momento, era quase que perfeita, tinha encontrado o Sílvio e estava bem com ele, tinha esquecido o passado, ou pelo menos parte dele… sorria todos os dias por me sentir amada e amar, por me sentir viva, realizada, feliz… e ele aparecia agora, pondo em risco tudo o que construi depois dele? Não, não, não!
- Isto o quê? – aproximou-se de mim, mas eu recuei
- Apareceres assim na minha vida! – gritei! Não aguentei e gritei. Continuei com o mesmo tom de voz – Fazeres-me relembrar cada lágrima que derramei por ti! Cada noite em claro que passei por ti! – gritava-lhe enquanto caprichosas lágrimas, como nos velhos tempos dispersavam dos meus vermelhos olhos – Cada dia desperdiçado a pensar em ti! Todo o sofrimento! – sentei-me e respirei fundo, estava um silêncio constrangedor na sala, tinha todos os olhares presos em mim, mas apenas um me preocupava, o do Sílvio. Ergui-me de novo e voltei expressar – Vai embora!
- Não! Eu vim cá falar contigo e não me vou embora enquanto não falar contigo! – insistiu o Miguel. Miguel, apenas eu lhe chamava de Miguel, os demais todos lhe chamavam de Borges, mas para mim sempre foi Miguel, o meu Miguel…
- Vai embora! – gritei ainda mais alto
- Eu só saiu daqui enquanto conversares comigo!
- Eu não tenho nada para te dizer – expressei plenamente convicta
- Mas eu tenho – insistiu
- Mas eu não – ripostei
- Mas eu preciso de falar contigo!
Conhecendo Miguel como eu conheço só teria uma solução: conversar com ele. Conhecia bem a sua personalidade, da qual fazia parte uma forte teimosia, ele não iria sair dali enquanto não me dissesse o que tinha para me dizer. E eu sabia que não arrumaria o passado numa caixa trancada a sete chaves se não fosse falar com ele, este passado, por muito que me custasse falar nele e ainda mais falar dele com o principal protagonista, tinha de ser resolvido, eu tinha de ir falar com o Miguel.
- Espera só 5 minutos – acabei por ceder. Virei-lhe costas e fui ter com o Sílvio, que continuava sentando no sofá, a sua cara tinha uma expressão, que eu nunca antes vira, uma expressão indecifrável para mim.
- Amor, importas-te que vá? – perguntei àquele que era o atual dono do meu coração
- Não – respondeu-me de forma seca e fria, dando-me a perceber que não era bem esta a sua vontade
- Quando voltar explico-te tudo. Desculpa – ia-lhe dar um beijo mas este desviou-me a cara. Fiquei triste mas não o podia julgar, pois ele quase nada sabia do Miguel e eu tinha de compreender a sua parte, ele precisava de saber a verdade, precisava que eu lhe contasse a verdade, todo o meu passado… eu devia-lhe demasiadas explicações – Só não te esqueças que eu gosto, e muito de ti – lembrei-o e dei-lhe um beijo na testa acompanhado por um sorriso
Assim que me despedi do Sílvio, sai com o Miguel, inconscientemente, começava a comprometer o meu futuro, com problemas do passado a atormentar o meu presente.

Como correrá a conversa entre a Diana e o Miguel?
Diana e Miguel ainda sentiram alguma coisa um pelo outro?
Como reagirá Sílvio? Ficará chateado?
Sairá a relação de Didi e Sílvio afetada por esta história?


Boa noite meninas :)
Sei que já é tarde mas tive uns problemas com o Word :/
Desculpem a demora, espero que gostem e que comentem pois relembro que as vossas opiniões são muito importantes para mim :)
Beijinhos
Didi Martins

sexta-feira, 8 de março de 2013

Capítulo 28 - "Cuida de mim..."


Assim que entrei-me no meu quarto deixei-me cair encostada à parede, apenas em lingerie, mas não tinha frio, a dor que sentia era muito mais forte e intensa que qualquer arrepio de frio.
Chorava compulsivamente, só agora tive ideia do que acabara de fazer. Sílvio tinha dito que me amava e eu tinha fugido! Fugi! Fugi! O quão cobarde fui eu, ao fugir dos problemas, ao fugir de quem mais me amava, deixando que problemas do passado voltassem a afetar o meu presente.
- Que estúpida  Eu sou tão otária! – culpava-me a mim mesma, enquanto com toda a raiva que existia dentro de mim, bati no chão – Ele não merecia… - a minha voz saiu mais aguda e difusa que o normal
Todo este cenário horrendo é por breves momentos interrompido pelo som do meu telemóvel, que tocava em cima da minha mesa-de-cabeceira.
Look at the stars
Look how they shine for you
And everything you do
Yeah, they were all yellow

I came along
I wrote a song for you
And all the things you do
And it was called Yellow (…)

Lembranças de momentos vividos há poucas horas com o Sílvio invadiram o meu pensamento.

***

Princesa, já reparaste que as estrelas hoje estão mais brilhantes que o normal? – comentou o Sílvio olhando o céu
Look at the stars, Look how they shine for you. (Olha para as estrelas, olha como elas brilham por ti) – deixei escapar por entre os meus lábios umas frases da minha música preferida – Tu és a minha estrela, que dá cada vez mais brilho à minha vida!
- Ohhhh princesa! – deixou escapar derretido

***


Sentia-me ainda mais culpada, mas era como se não fosse capaz de controlar a dor que sentia, de controlar os meus atos. Inevitavelmente lembranças de há um ano atrás voltaram a assolar o meu pensamento. Lembranças da ultima vez que tinha ouvido ele a dizer-me “amo-te”, parecia tão sincero, foi tão intenso…
Ouvi de novo o meu telemóvel a tocar, e lá arranjei forças para me levantar e ir confirmar que era o Sílvio que me ligava.
- Não Diana Filipa! Tu não vais deixar que o passado atormente o teu presente e que muito menos estrague o teu futuro! Vais ser uma mulherzinha e vais falar com o Sílvio, é o mínimo que ele merece que eu faça! – exigi a mim mesma, fui ao meu armário peguei numa roupa qualquer e vesti antes de ir até à vizinhança, ainda passei pela casa de banho e lavei a cara, mas era inevitável as lágrimas continuam lá
Mesmo antes de tocar à campainha respirei fundo e enchi-me de coragem. Toquei. Posso dizer que foram os 30 segundos mais dolorosos e penosos da minha vida, esta espera matava-me, corroía-me por dentro, até que finalmente o Sílvio me abre a porta.
- Desculpa! – disse antes que ele fala-se - Cuida de mim… - pedi-lhe antes de me atirar para seu colinho, abraçando-me a ele, acabando por chorar no seu ombro. Ele rapidamente me amparou e me acarinhou. Senti-o pegar-me ao colo e levar-me para o seu quarto, ele sentou-se na cama e eu continuava alinhada no seu colo. Sílvio fazia-me cafunes e ia dando-me beijinhos nas bochechas e testa. Começava a ficar mais calma, algo que foi visível para o Sílvio, por isso ele decide pedir-me explicações.
- Princesa, eu preciso de perceber… para mim nada disto faz sentido! Porque fugiste? Só porque eu disse que te amava?
- Amor, é complicado mas antes de te tentar explicar, posso só perguntar-te uma coisa?
- Diz, princesa…
- O que disseste é realmente sentido? Tu… ah… tu, se tu… - comecei a gaguejar era difícil para mim dizer isto
- Se o que eu sinto por ti é mesmo amor sincero e verdadeiro? – perguntou completando o meu pensamento, simplesmente lhe abanei a cabeça de cima para baixo, para que ele percebesse que era exatamente aquilo que eu queria dizer, mas que o meu coração não tinha sido cabaz de soltar as palavras para serem proferidas pela minha boca – Sabes eu não percebo o que se passa, não percebo porque foges de mim quando tu dizes que gostas de mim, não percebo o porquê de chorares quando eu te disse que te amava que, supostamente, deveria ser um momento feliz para nós, no máximo teria lágrimas de alegria, não, nada disso acontece, em vez disso só vejo desespero e mágoa a escorrerem pelos teus olhos, princesa – ele agarrou no meu queixo forçando-me a olhá-lo nos olhos - não entendo, mas apesar disso estarei sempre aqui para ti, nos bons e nos maus momentos, mas principalmente nos maus, porque é nesses momentos que tu mais vais precisar de mim e é nesses momentos que eu estarei ao teu lado, pronto a dar-te o meu ombro para chorares e o meu colo para te sentires protegida, porque o que eu sinto por ti é muito mais forte que qualquer adversidade, do que qualquer problema, do que qualquer passado, o que eu sinto por ti é bem real, é no presente e será cada vez mais no futuro, porque a cada segundo que passo ao pé de ti apaixono-me mais um pouco, mesmo longe de ti, eu amo-te cada vez mais, e mais, e mais, e mais… o que eu sinto por ti é gigantesco, de tal modo que o meu coração transborda de amor… eu amo-te com todas as minhas forças… - neste momento já quase que fazia uma pocinha de lágrimas
- Eu não te mereço… - disse convicta, mas desiludida, como era possível eu desiludi-lo e em vez de ele ficar chateado comigo, dizer-me que está sempre ao meu lado? Como? – Ás vezes sinto que não estou à tua altura, que não sou o melhor para ti, que mereces mais e que eu só faço porcaria! – proferi revoltada comigo mesma
- Princesa, estás tonta ou quê? Não digas disparates…
- É verdade…
- Não, não é! Eu é que sei! Mas princesa, explica-me uma coisa… - rapidamente percebi pelo seu tom de voz e modo como falava o que ele queria dizer e respondi-lhe
- Eu estou completamente apaixonada por ti, tu despertas-te em mim sentimentos que eu nunca mais julguei ser possível voltar a sentir, tu fizeste-me voltar a acreditar no amor, que o amor existia e que era a melhor coisa do mundo, tu mudas-te a minha vida completamente, para muito, mas muito melhor, porque tu agora és a minha vida, já não consigo imaginar como seria viver sem ti… estou apaixonada por ti, isso eu não tenho dúvidas, e até posso sentir algo mais, e sei que no futuro vou ter um sentimento muito mais forte que aquele que tenho hoje por ti, um sentimento parecido ao teu, eu sei... eu sinto-o! Mas hoje eu não consigo dizer que… que… tu sabes! – não conseguia dizer aquela palavra -  por não o dizer, não quer dizer que não o sinta, quer simplesmente dizer que sou cobarde de mais para o fazer! – acabei por admitir
- Porque esse problema todo com a palavra amo-te?
- Porque apesar das mil e uma coisas boas que esse sentimento trás, à uma coisa má que quando as coisas correm mal não te faz lembrar dessas mil e uma coisas boas, só te faz lembrar da má: o sofrimento!
- Princesa, para teres o arco-íris é necessário o sol, mas ele não existe sem a chuva!
- Eu sei…
- Não me queres contar?
- Não me sinto preparada - baixei o olhar – são coisas do passado que eu quero esquecer…
- Sobre um ex-namorado? Ele fez-te mal? Tiveram um final difícil?
Olhei-o, e ele rapidamente percebeu o que o meu olhar significava.
- Quando tiveres pronta eu estou aqui para te ouvir, se não também não há problema porque o que interessa é o presente! E o presente sou eu! E tu! Nós!
Dei-lhe um leve beijo nos lábios.
- É uma história difícil porque tivemos um fim de namoro muito atribulado e namoramos alguns anos, ele magoou-me como nunca me tinham magoado… - era muito difícil para mim remexer no passado
- Pronto, princesa… deixa estar, um dia contas-me melhor! – interrompe-me percebendo o meu sofrimento ao falar de tal assunto
Sorri e enchi-o de beijos, comecei pela sua boca e passei por toda a sua cara terminando novamente nos lábios que eu tanto gostava de beijar.
- Desculpa, amor… és perfeito! – sorri-lhe, apesar de tudo estava feliz por o ter ao meu lado, ele hoje tinha mostrado que era mais que perfeito
- Dorme comigo hoje - pediu sussurrando-me ao meu ouvido
- Não sei, se será…
- Vá lá princesa, a ultima coisa que quero ver antes de adormecer é o teu sorriso, embalar com o teu cheiro e dormir agarradinho a ti, para depois acordar da melhor maneira possível…
- Pronto está bem, amor! Olha mas vamos já dormir que já é muito tarde e depois dormimos pouco e isso não pode ser porque quero estar um tempão a sentir os teus braços a envolverem-me – disse melancólica
- Os teus pedidos são ordens, minha princesa! – sorriu-me, só este sorriso fazia valer a pena
- Então vá, arranja-me alguma coisa para eu vestir – pedia enquanto me espreguiçava, estava cansada, tinha sido um dia com demasiadas emoções
Sílvio lá me arranjou uma t-shirt sua para fazer de pijama. Rapidamente me despi e vesti a camisola Sílvio fez o mesmo, ficando só em bóxeres.
- Sabes que ficas super sexy com a minha roupa vestida? – perguntou com um sorriso safado
- Tu ficas ainda mais só de bóxeres! Mas vamos dormir! – sorri-lhe traquinas para depois me deitar bem juntinha a ele
- Boa noite princesa da minha vida, dorme bem!
- É impossível não dormir bem ao teu lado – beijei-o
- Amo... – Sílvio parou a tempo e não completou o que ia dizer. Depois simplesmente me deu um beijo na testa e sussurrou um dorme bem, encostei-me ainda amais a ele, apoiando a minha cabeça no seu peito e adormeci no maior conforto possível do momento.

***
- Tu ainda me amas! Tu nunca me irás conseguir esquecer, por muitos namorados que tenhas, por muito longe de mim que estejas tu serás sempre minha e eu serei sempre teu! Nunca serás feliz longe de mim, mesmo que tentes eu estarei sempre lá para te provar que não consegues ser feliz sem mim, o sentimento que sentes por mim está no teu coração e o que se sente no coração não se pode evitar ou esquecer… tu amas-me! Tu amas-me! E nunca serás feliz com esse Sílvocas! Sílvocas?! Por amor de Deus!

- Diana, tu desiludiste-me tanto! Pensava que o que nós tínhamos era especial, era único e que era para sempre! Eu amava-te! Amava-te! Tu eras a minha vida, nós éramos tão felizes! Mas isso é passado, porque agora está tudo acabado! Esquece tudo o que nós tínhamos, não resta nada! NADA! Nunca mais te quero ver à frente, nunca mais! Desaparece! - gritava

Boa Noite!
Desculpem a demora, as razões são as habituais :s
Quero dedicar este capitulo à Rita Carvalho e à Beatriz Almeida por toda a vossa curiosidade como recompensa pela minha ausência e à Ana Santos pela sua opinião e ajuda :)
Espero que gostem, deixem os vossos comentários
Feliz dia da Mulher e bom fim-de-semana
Beijinhos 
Didi Martins