- Não! Não! Não! – gritei acordando do
horrível pesadelo, a minha respiração era ofegante acompanhada por lágrimas
desesperadas
- Princesa! – ouvi rapidamente o Sílvio a
chamar-me para depois me abraçar fortemente – Calma era só um sonho!
Sentir
os braços dele a envolverem-me, aqueles braços onde tantas vezes me senti
protegida e amada, hoje não me sentia assim, ao sentir os braços dele a
envolverem-me sentia-me ainda mais desesperada. Rapidamente me libertei deles e
levantei-me da cama, começando a percorrer o quarto de um lado para o outro.
- Não era um sonho, era um pesadelo! Foi
horrível! – dizia desesperada, só de me relembrar e de pensar na possibilidade
e um dia os pesadelos tornarem-se verdade
- Clama, amor! Anda cá, como me pediste hoje,
deixa-me cuidar de mim… - disse-me de braços abertos
Olhei-o
intensamente, não sabia o que fazer, ir ou não ir. Deixei-me levar e dei o
primeiro passo na sua direção, pé ante pé, fui dando pequenos passos até si,
quando faltava apenas pouco centímetros para que as nossas peles sentissem o
toque uma da outra, não fui capaz… paralisei. Aterrorizada.
- Princesa, que se passa? Tu estás tão
estranha… - quebrou o gelo, existente entre nós, agarrando-me na mão. O seu
toque, fez-me arrepiar, sentia medo, muito medo, medo esse que me fazia afastar
dele, tinha medo de o magoar e consequentemente magoar-me a mim.
- Desculpa… mas não consigo – disse
recuando os passos que dera
- Não consegues o quê? Fala comigo, amor
– pediu-me calmo, tentando aproximar-se de novo de mim – Conta-me o teu sonho, o que é que te deixa assim tão assustada? –
tentava quebrar as barreiras existentes entre nós, mas ao mesmo tempo que ele
avançava eu recuava, mantendo assim sempre as barreiras no meio da nossa
relação
- Não consigo… - confessei chorando – Tenho medo de te perder… - acabei por
confessar também, com o meu olhar preso ao chão
- E tens medo do meu toque também? Do meu
abraço? Dos meus beijos? – perguntou, aproximando-se fisicamente de mim. Já
com o seu corpo a milímetros do meu, a sua mão acariciou a minha bochecha. Um
misto de sensações instalou-se em mim.
- Não…
- Então posso beijar-te? – tremi da
cabeça aos pés como uma criança. Era estranho. Não sei explicar. Eu estava
estranha. Parecia que não era eu, na verdade era bem possível que não fosse,
mas sim uma versão de mim comandada pelo receio.
- Se eu te pedir um pouco de espaço para
pensar tu ficavas muito chateado? – perguntei-lhe a medo
- Princesa eu não percebo muito bem o que se
passa, mas se for preciso eu dar-te espaço para tu ficares bem e conseguires
resolver esses problemas, eu dar-te-ei todo o espaço que tu quiseres desde que
depois tu e nós fiquemos bem, mas é claro que me custa estar longe de ti…
- Obrigada, amor… - cheguei-me perto dele e dei-lhe um demorado beijo
no rosto
- Princesa, será pedir muito um beijo? – vi o receito nos olhos
deles, mas também conseguia ver nos olhos dele a vontade e necessidade que ele
tinha que eu o beijasse
- Pede…
- Princesa, dás-me um beijo? – pediu super fofinho
Respirei fundo e
beijei-o. Conseguia sentir o seu sabor, um
turbilhão de sentimentos surgiam desde um aperto no coração, as ditas
borboletas no estômago. Parecia o nosso primeiro beijo. Sem dúvida um beijo
muito especial. Sílvio
era meigo com os seus lábios quentes e doces num beijo apaixonado, calmo e carinhoso.
Inconscientemente, era disto mesmo que eu precisa.
- Obrigada, amor! – agradeci-lhe pelo beijo, tinha ajudado a perceber
certas coisas – Agora se não te importas
vou para casa – dei-lhe um beijo no rosto
- Adeus, princesa. Ah espera – chamou-me – Tu nunca me vais perder! – assegurou sorrindo, inevitavelmente
sorri de volta
***
Assim que sai da casa do Sílvio, fui
para o meu quarto e por mais incrível que pareça adormeci, na minha cama.
Embora não tivesse dormido lá muito bem, deu para descansar e ficar com a
cabeça “fresca”. Levantei-me quando me apeteceu e fui até à varanda, apanhar
ar. Até lá ainda sorri, quando vi que tinha vestida uma t-shirt do Sílvio,
inevitavelmente, levei um pedaço de tecido ao meu nariz e cheirei, aquelo
cheiro era inigualável, era cheiro a Sílvio. Perfeito!
Apreciava a vista da minha varanda,
enquanto pensava. Pensava sobre o passado, sobre o meu ex, sobre os problemas e
receios que me atormentavam, lembrava-me do meu pesadelo, pensava no quanto
gostava do Sílvio, se seria correto o que estava a fazer… perdi-me em
pensamentos. Mas valeu a pena, pois consegui chegar a várias conclusões.
Agora precisava de ir falar com o
meu amor, de estar com ele, de aproveitar o nosso amor e deixar o passado onde
ele pertence, ao passado! Tinha tanta pressa em remediar as coisas e ficar bem
com ele que fui mesmo só com a sua camisa vestida e descalça até à sua casa…
corri a descer as escadas, e rapidamente estava à porta da casa do meu amor, toquei
à campainha, uma vez, duas vezes, três vezes e ninguém abriu a porta.
- Vá lá, amor, abre a porta… - tentei uma quarta vez, mas ninguém
abriu – oh és tão estupida! Ele deve
estar no treino… - rapidamente voltei ao meu quarto e procurei o meu
telemóvel, fui à lista de contactos e liguei ao meu amor.
Chamou, chamou, chamou, chamou e
chamou mas ninguém atendeu.
- Fogo porque é que quando uma pessoa precisa realmente de falar com
outra, parece que o mundo se vira contra nós! Porquê? – reclamava em voz
alta
Decidi ligar outra vez, mas
deparei-me com uma voz irritante a dizer que eu tinha chagado à caixa de
correio.
Sim, confesso, estava impaciente
para falar com ele, tinha milhões de coisas para lhe dizer, mas acima de tudo
tinha uma coisa, mais importantes que as outras todas, que precisava de lhe
dizer.
Fui petiscar algo, enquanto ia
deixando o telemóvel do Sílvio cheio de chamadas minhas. Só quando ligava outra
vez para o Sílvio, é que também me apercebi que não sabia onde estava o Tomás,
era já quase hora de almoço, ele deveria estar em casa. Mudei o número de
destino das minhas chamadas e, rapidamente, liguei para o Tomás, que também,
rapidamente, me atendeu.
- Bom dia, Didi – saudou o
meu melhor amigo
- Bom dia, Tomás! Olha onde andas?
- Vim ver o treino do Sílvio e
fazer-lhe um pouco de companhia… - deixou escapar.
Senti-me culpada, eu é que devia
estar ao seu lado, como ele sempre esteve ao meu.
- Ah ok, é que eu estou a tentar falar com ele mas não consigo
- Pois, o treino acabou agora, por
isso mais uns minutos e ele já te liga. Olha estava a falar com o Sílvio e
pensei que podíamos almoça os três ai em casa, que me dizes?
- Perfeito! Era mesmo isso que eu queria!
- Então conta com connosco para o almoço! Queres que traga algo da rua?
- Não deixa estar, eu vou comprar alguma coisa, não se preocupem, também
chegam sempre em cima da hora de almoço por isso… ok eu trato do almoço – resumi
- Olha dá só o recado ao Sílvio que eu
preciso de falar com ele, pode ser?
- Claro, vá até já
- Beijinho
Desligamos a chamada e eu fui-me
vestir para depois ir à rua comprar o almoço.
Enquanto me vestia recebo uma
chamada do Sílvio.
- Então amor, estavas a tentar
bater o record de chamadas? – brincou, consegui imaginar o seu sorriso
ao dizer isto
- Olá amor! Não brinques, tenho uma conversa dependente contigo –
expliquei
- Que conversa? Sobre ontem?
- Também mas não só, explico-te depois do almoço, pode ser?
- Claro princesa, estou agora a
sair do treino, por isso não devo demorar muito
- Ok, bem vou comprar o nosso almoço. Gosto muito de ti
- Eu gosto mais, mas vai lá
- Beijo
Suspirei. O quanto eu gostava dele…
Sai de casa, e fui ao sítio do
costume comprar o nosso almoço, era perto de casa e nós adorávamos a comida de
lá. Já voltava a casa quando vejo no fundo da rua, uma silhueta que me parecia
familiar, era um rapaz. Ainda estava longe e de costas para mim, mas de repente
vira-se para mim, e mesmo a cerca de 100 metros de mim, assustei-me só de
vê-lo. Não, não era possível! Devia estar a fazer confusão, mesmo assim
acelerei o passo, e em 30 segundos estava em casa.
O Tomás e o meu amor já tinham
chegado.
- Credo Didi, estás tão pálida! Pareces que viste um fantasma! –
comentou o Tomás assim que me viu a atravessar a porta da sua casa
- Não, eu ando é a alucinar… - vi o Sílvio no sofá e rapidamente
pousei a comida na mesa e fui ter com ele
- Olá amor – cumprimentei-o dando-lhe um beijo
- Olá minha princesa linda
Sentei-me no sofá ao pé dele, e abracei-o.
Estava nervosa e precisava do conforto dos seus braços para me acalmar e para
me sentir protegida.
- Estás gelada, amor – constatou, aquela pessoa que eu acabara de ver
na rua deixou-me assim mas eu só podia estar a alucinar, não era possível ele
estar aqui, só a ideia de o ver novamente assustava-me, seria reviver o passado,
que tanto me fez sofrer e que tanto me custou a esquecer, se é que está
esquecido.
Um arrepio percorreu o meu corpo de alta
a baixo quando ouvi o som da campainha.
- Estás bem Didi? – era visível no rosto de Sílvio a sua preocupação
comigo, pois na realidade eu estava no mínimo “estranha”.
Vejo Tomás em ir direção à porta,
parecia que me ia saltar o coração pela boca.
- Tomás! – ouvi quem tocou à campainha pronunciar com saudade
De onde eu estava não se via a
porta, mas eu tinha percebido perfeitamente quem era, aquela voz, seguida de um
abraço ao seu melhor amigo desde a infância…
O meu coração parou, toda eu estava
completamente gélida. Eu não acreditava que ele estava aqui.
- Borges! – ainda não o tinha visto, mas estava agora confirmado que
era mesmo ele que estava ali, a escassos metros de mim, o passado estava agora
a poucos metros de mim. Eu não estava preparada para o ver, muito menos para
falar com ele. Tentei fugir dali, mas quando me ia levantar, Sílvio segura-me
pelo braço.
- Que se passa? – pergunta-me com
uma expressão facial confusa
- Olá Didi – cumprimentou-me, com um sorriso na cara, Miguel assim
que entra na sala e me vê
Tava completamente bloqueada. Não
conseguia pronunciar uma palavra, nem se quer ao Sílvio. Estava estática. Naquele
momento eu era o centro das atenções naquela sala. Tomás olhava para mim,
Miguel esperava uma resposta minha e Sílvio tentava perceber o que se passava.
- Mi… Migue…l? - gaguejava,
ele estava ali, ali, ali tão perto, ao fim de tanto tempo. Pronunciar o seu
nome era como que espetar um punhal no meu coração, e crava-lo outra e outra
vez – não me faças isto… - foi a
única coisa que consegui dizer - não
agora… - pedi-lhe a minha vida neste momento, era quase que perfeita, tinha
encontrado o Sílvio e estava bem com ele, tinha esquecido o passado, ou pelo
menos parte dele… sorria todos os dias por me sentir amada e amar, por me
sentir viva, realizada, feliz… e ele aparecia agora, pondo em risco tudo o que
construi depois dele? Não, não, não!
- Isto o quê? – aproximou-se de mim, mas eu recuei
- Apareceres assim na minha vida! – gritei! Não aguentei e gritei. Continuei
com o mesmo tom de voz – Fazeres-me relembrar
cada lágrima que derramei por ti! Cada noite em claro que passei por ti! –
gritava-lhe enquanto caprichosas lágrimas, como nos velhos tempos dispersavam
dos meus vermelhos olhos – Cada dia desperdiçado
a pensar em ti! Todo o sofrimento! – sentei-me e respirei fundo, estava um
silêncio constrangedor na sala, tinha todos os olhares presos em mim, mas
apenas um me preocupava, o do Sílvio. Ergui-me de novo e voltei expressar – Vai embora!
- Não! Eu vim cá falar contigo e não me vou embora enquanto não falar
contigo! – insistiu o Miguel. Miguel, apenas eu lhe chamava de Miguel, os
demais todos lhe chamavam de Borges, mas para mim sempre foi Miguel, o meu
Miguel…
- Vai embora! – gritei ainda mais alto
- Eu só saiu daqui enquanto conversares comigo!
- Eu não tenho nada para te dizer – expressei plenamente convicta
- Mas eu tenho – insistiu
- Mas eu não – ripostei
- Mas eu preciso de falar contigo!
Conhecendo Miguel como eu conheço só
teria uma solução: conversar com ele. Conhecia bem a sua personalidade, da qual
fazia parte uma forte teimosia, ele não iria sair dali enquanto não me dissesse
o que tinha para me dizer. E eu sabia que não arrumaria o passado numa caixa
trancada a sete chaves se não fosse falar com ele, este passado, por muito que
me custasse falar nele e ainda mais falar dele com o principal protagonista, tinha
de ser resolvido, eu tinha de ir falar com o Miguel.
- Espera só 5 minutos – acabei por ceder. Virei-lhe costas e fui ter
com o Sílvio, que continuava sentando no sofá, a sua cara tinha uma expressão,
que eu nunca antes vira, uma expressão indecifrável para mim.
- Amor, importas-te que vá? – perguntei àquele que era o atual dono
do meu coração
- Não – respondeu-me de forma seca e fria, dando-me a perceber que
não era bem esta a sua vontade
- Quando voltar explico-te tudo. Desculpa – ia-lhe dar um beijo mas
este desviou-me a cara. Fiquei triste mas não o podia julgar, pois ele quase
nada sabia do Miguel e eu tinha de compreender a sua parte, ele precisava de saber
a verdade, precisava que eu lhe contasse a verdade, todo o meu passado… eu
devia-lhe demasiadas explicações – Só
não te esqueças que eu gosto, e muito de ti – lembrei-o e dei-lhe um beijo
na testa acompanhado por um sorriso
Assim que me despedi do Sílvio, sai
com o Miguel, inconscientemente, começava a comprometer o meu futuro, com problemas
do passado a atormentar o meu presente.
Como correrá a conversa entre a
Diana e o Miguel?
Diana e Miguel ainda sentiram alguma
coisa um pelo outro?
Como reagirá Sílvio? Ficará
chateado?
Sairá a relação de Didi e Sílvio
afetada por esta história?
Boa noite meninas :)
Sei que já é tarde mas tive uns problemas com o Word :/
Desculpem a demora, espero que gostem e que comentem pois relembro que as vossas opiniões são muito importantes para mim :)
Beijinhos
Didi Martins



