Sílvio
Enquanto
conduzia até casa, pensava no que tinha acabado de acontecer. Estava ainda mais
preocupado com a Diana depois do que aconteceu. Hoje, mais do que nos outros
dias, sentia-a que ela não estava bem, que precisava de carinho, que estava
demasiado distante e triste ao pé de mim… estava esquisita! Mas apesar disso
não negou o meu beijo, o que me deixou feliz, mas depois ela pede desculpas e
beija-me, em seguida chora!? Apesar de aparentemente termos estado bem fiquei
na mesma sem conseguir perceber o porquê dela se afastar de mim e nem lhe tinha
dito que também gostava muito dela. Cada vez que estava com ela não conseguia
resolver as minhas dúvidas, ficava era sempre com mais!
No entanto, no
meio disto tudo fiquei com uma sensação estranha. Não sei explicar mas aquela
frase: “Nunca fiques magoado com quem um
dia te fez sorrir, lembra-te apenas dos bons momentos e sorri”, parecia uma
despedida. Mas se calhar foi só confusão da minha cabeça…
Entretanto
cheguei a casa e preparei a mala para o estágio e o jogo. Peguei nela e
despedi-me dos meus irmãos, não sem antes lhes responder ao “questionário”
enorme que tinham para mim. Expliquei-lhes resumidamente e saí.
Hoje seria o
último jogo de pré-época. Hoje jogávamos o “Troféu Madrid”. Para a semana já
começavam os jogos a sério. Começávamos com a pré-eliminatória da Liga Europa,
para umas semanas depois começar o campeonato espanhol. Seria a minha estreia
por terras de nuestros hermanos e eu
estava um pouco ansioso. O que seria perfeito é que a minha estreia corresse
lindamente e que ao meu lado estivesse a minha princesa. Seria tão perfeito…
Diana
Apesar de
destroçada e em lágrimas arranjei forças para sair daquele jardim cheio de
recordações e fui para casa. Tinha de partir o quanto antes. Quando cheguei ao
meu quarto a primeira coisa que fiz foi ligar o meu computador e procurar o
próximo voo para Lisboa. Encontrei um que partia às 19 horas de hoje. Era
ideal. O meu dedo estava pregado ao rato tátil do meu computador. O meu coração
mirrado, não tinha a certeza se queria carregar no confirmar. Carreguei
impulsivamente no confirmar e depois desliguei o PC. Fui arrumar as malas. Sem
pensar muito mais no assunto.
- Didi, bora almo… - Tomás entra de
rompante no meu quarto – que estás a
fazer? – perguntou olhado para mim a arrumar as minhas roupas dentro da
mala
- A fazer as malas! – evidenciei o óbvio
– Ainda hoje vou voltar para Portugal!
– informei-lhe nunca parando de arrumar as minhas coisas
- O quê? Vais voltar para Portugal? –
perguntou muito surpreendido – O que é
que se passou com o Sílvio? – inquiriu sentando-se na minha cama
- Tenho de ir a Portugal tratar da
candidatura para a universidade! As notas dos exames saem amanhã… -
comuniquei
- Diana, Diana… se eu não te conhecesse tão
bem até acreditava que era só isso… mas tu a mim não me enganas! Não resolveste
as coisas com o Sílvio, não lhe contaste a verdade e agora vais fugir! –
opinou. Era nestes momentos que eu odiava que as pessoas me conhecessem tão
bem!
- Não me julgues! Sabes que eu não consigo
ficar aqui e sabes que para mim isto é o mais correto a fazer! – pedi-lhe sentando-me
ao seu lado
- Mas Didi tu gostas dele! Estás a fugir
daquilo que sentes… não podes fugir daquilo que sentes!
- Eu não estou a fugir daquilo que sinto,
estou a tentar esquecer! A decisão está tomada! Não me tentes dissuadir porque
isto é o melhor para todos! – afirmei convicta
- Com o tempo vais-me dar razão e perceber
que estás redondamente errada! Mas nós infelizmente só percebemos os nossos
erros quando batemos com a cabeça na parede!
- Logo vê-mos se estou errada ou não!
- Já percebi que não vale a pena! Vamos
almoçar? – sugeriu levantando-se
- Bora lá!
Fui almoçar com
o meu melhor amigo, e não voltámos mais a falar no assunto de eu me ir embora,
pois ele sabia perfeitamente que eu não iria mudar de ideias, como ele dizia
“eu era teimosa que nem uma mula!”. Depois do almoço fui acabar de arrumar as
minhas coisas e em seguida tinha chegado a hora da despedida!
Tomás tinha-me
levado ao aeroporto. Ainda antes de sairmos do seu carro, ele falou:
- Didi, tens mesmo a certeza que é isto que
queres fazer? – perguntou enquanto retirávamos os nossos cintos de
segurança
- Sim Tomás eu não vim até aqui para nada!
– tentei mostrar que estava convicta, mas na verdade não estava. Eu estava
reticente, nervosa, sem certezas, com o coração apertado e num esforço muito
grande para não chorar, para não quebrar e não ser capaz de fazer aquilo que
estava certo.
Respirei fundo.
- Ou menos voltas, daqui a uns dias ou assim?
- Não sei, mas acho que é pouco provável!
- E o Sílvio, nem lhe vais dizer que vais
embora? – silenciei-me
- Ainda não sei! Talvez lhe diga qualquer
coisa se ele me enviar uma mensagem, ou assim… mas não sei!
Saímos do carro
e fomos buscar as malas à bagageira. Assim que peguei nelas fui-me a baixo, as
lágrimas vieram-me aos olhos, não me aguentei.
- Tomás, eu sinto que é como se estivesse a
trair o Sílvio, a abandoná-lo, sei que o vou desiludir, e fazê-lo sofrer, mas
não era isso que eu queria! – desabafei completamente lavada em lágrimas e
abraçando-me ao meu melhor amigo
- Clama, Didi! – aconselha-me dando-me
caricias
- Mas ao mesmo tempo sinto que preciso mesmo
de sair daqui, de me afastar, de tentar esquecer, de tentar fazer com que esta
dor que me vai no coração diminua, de parar de estar neste estado lastimável,
sempre a chorar, sempre a sofrer, preciso de me esquecer que isto algum dia
aconteceu, nem que seja por meras horas porque se não dou em doida! –
desabafei
- Então promete-me que ficas apenas uns dias
em Portugal, pensas no assunto, assentas ideias, sentimentos e mágoas, depois
voltas! – pediu-me
- Não te posso prometer isso! – disse
limpando as minha lágrimas
- Tens que ir porque se não ainda perdes o
voo! – informou-me - Ah só uma
coisa, manda mesmo uma mensagem ao Sílvio, pelo menos!
Abracei o meu
amigo!
- Obrigado! Eu logo vejo se envio uma
mensagem ao Sílvio! – peguei nas malas outra vez, com intenção de entrar no
aeroporto – Achas que depois disto o Sílvio
nunca mais vai querer olhar para a minha cara? E vai odiar-me? – perguntei-lhe
com medo e assustada com a hipótese
Tomás apenas
sorri. Quer dizer eu ali com medo e ele ri-se?!
- Porque te estás a rir?
- Mais tarde vais perceber! Bem Didi, espero que
estes dias te ajudem a pôr as ideias em ordem! – desejou
- Obrigado por não me julgares! E obrigado
por estares sempre ao meu lado! – agradeci-lhe com as lágrimas a voltarem
de novo
- De nada, linda! - Tomás dá-me um
beijinho na testa – Vai lá! Adeus!
- Adeus! – despedi-me dele e comecei a
dar os primeiros passos em direção ao interior do aeroporto. Mas inevitavelmente,
olhei para trás e lá estava o meu melhor amigo me olhando, embora já estivesse
um pouco longe, quase que juro que ele tinha umas lágrimas no rosto, contasse
pelos dedos das mãos as vezes que o vi chorar. Larguei as minhas malas e fui
abraça-lo, dei-lhe um beijo no rosto. Tanto ele como eu não dissemos mais nada,
os nossos olhares falavam por si.
Atención, señoras y señores
pasajeros, esta es
la última llamada para el vuelo Madrid-Lisboa.
A voz da senhora do aeroporto, despertou-nos.
Tomás apenas com
o olhar deu-me força, e eu lá fui. Não olhei mais para trás pois sabia, se
olhasse não seria capaz de ir embora.
Não vais recuar! Isto é o melhor! É o melhor! É o
melhor! Foi com estes pensamentos, com uma dor no coração e com as minhas companheiras
destes últimos dias, as lágrimas, que entrei no avião e o vi descolar com rumo
a casa.
- Adeus Madrid! – disse num sussurro e
olhando pela janela
Vou ter saudades…
pensei, referindo-me à cidade, aos bons momentos que passei, a cada sorriso que
expressei, a cada pessoa que conheci, ao meu melhor amigo, ao Sílvio, a cada
segundo que tinha passado com ele, a cada gargalhada que tínhamos partilhado, a
cada jantar, a cada final de tarde a passear, a cada dança partilhada, a cada
beijo, ui a cada beijo… suspirei e encostei-me ao banco a mentalizar-me que
cada momento já não poderia ser de novo vivido, que tinha sido o fim! A
mentalizar-me que daqui a umas horas, dececionaria profundamente a pessoa de
quem mais gosto neste momento…
Tomás
Sentia que a
minha melhor amiga estava a cometer um grande erro. Pois sabia que ela amava o
Sílvio, mas ainda não se tinha consciencializado disso. E quando se ama, não há
distância que impedisse o amor, nada que o separasse… Mas tinha de ser ela a aperceber-se
disso. Nem que seja necessário que ela batesse vezes sem conta com a cabeça na
parede! Mas ela tinha de perceber! Mesmo assim custava-me vê-la sofrer.
Sorri ao pensar
na pergunta dela! “Achas que depois disto
o Sílvio nunca mais vai querer olhar para a minha cara? E vai odiar-me?” Não
tinha dúvidas que ela o amava! Já o meu medo pairava no Sílvio, não fazia a mínima
qual seria a sua reação quando percebesse que a Didi tinha ido embora.
Sílvio
Tinha-me abstraído
dos problemas com a Didi e dado 100% no jogo de hoje, estava exausto.
- Felicitaciones chicos! Hicieron
un gran partido! Demostró que estábamos listos! (Parabéns
rapazes! Fizeram um grande jogo! Demonstraram que estamos prontos!)– dizia o
mister no balneário depois do jogo
Depois o mister
saiu e ficámos a arranjarmo-nos para regressar às nossas casas.
- Então Sílvio está tudo bem? – perguntou
o Tiago, que se vestia ao meu lado
- Sinceramente não sei!
- Isso mete Diana ao barulho? – perguntou
perspicazmente
- Mete! Ela hoje estava tão estranha – expunha
ao meu colega de equipa, que já se tinha tornado um bom amigo
- Pois as mulheres são complicadas! Mas tu
estás completamente caidinho por ela, não estás? – Tiago sorri-me e eu
sorriu também
- Estou! – admiti suspirando – Mas passa-se algo com ela que não percebo e
que ela não me conta!
- É as mulheres conseguem ser muito complicadas!
- Acho que ainda hoje vou falar com ela!
- Hoje?! Sílvio já passa das 10 da noite! Não
achas melhor dar-lhe uma noite para pensar, e tu também e amanhã falas com ela,
com mais calma? – sugeriu
- Se calhar tens razão!
- Acredita que sim! Dá-lhe um pouco de espaço
e amanhã falas com ela! Tu hoje também já estás cansado…
- É, tens razão! – ele tinha razão, já
estava cansado e não fazia mal uma noite bem dormida só me iria fazer bem,
amanhã conversava com ela
Acabei de me
vestir e fui para casa. Ainda tentei ver um pouco de televisão, mas acabei,
rapidamente, por adormecer e sonhar com a mulher da minha vida, a minha
princesa.
Acham que Tomás tem razão?
Qual vai ser a reação do Sílvio quando perceber que a Didi foi embora?
Olá Leitoras :)
Desculpem mas com o regresso às aulas tornasse mais difícil para mim escrever, devido à falta de tempo. Ainda por cima, como estou no 11º ano, já tenho exames e tenho de dar o máximo :(
Espero
que tenham gostado do capítulo! Embora o tivesse escrito, reescrito,
retocado e visto mais de mil vezes, este capítulo foi difícil de
escrever!
Agora queria-vos pedir uma coisa. Comentem e deixei a vossa opinião sobre o que acham que vai acontecer nos próximos capítulos ou sobre o que gostariam que acontecesse. Pois estou curiosa para saber as ideias/opiniões :)
Beijinhos
Didi Martins


Olá!
ResponderEliminarOlha, primeiro isto não se faz, segundo isto não se faz, terceiro isto não se faz!
Então? Agora vou ter de esperar que ou a Diana volte a Madrid ou que o Sílvio visite Portugal (isto são sugestões que espero que te inspirem como as tuas me inspiraram mas sem sonhos!).
Eu acho que o Tomás tem toda a razão! Amor que é amor, a distancia nao apaga. Já um tal de Bussy-Rabutin dizia sobre isso que "A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande."
Quero o proximo!
Beijo
Ana
P.S. Ah e quanto à escolinha, já somos as duas nesta "tragédia". E para juntar aos exames antes ainda temos os intermédios! Que alegria -.-'
Fantastico adorei.bjs
ResponderEliminarOlá
ResponderEliminarCompreendo que não tenhas tanto tempo para escrever e às vezes mesmo para postar porque acredita que também sinto os mesmo :P
mas não se acaba assim e tenta postar muito rápido!!
Quero mesmo saber qual vai ser a reacção do Sílvio!
Beijinhos
Rita
Posta rapidinho
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