sábado, 22 de setembro de 2012

Capítulo 19 (II) - "Adeus Madrid!"

Sílvio
Enquanto conduzia até casa, pensava no que tinha acabado de acontecer. Estava ainda mais preocupado com a Diana depois do que aconteceu. Hoje, mais do que nos outros dias, sentia-a que ela não estava bem, que precisava de carinho, que estava demasiado distante e triste ao pé de mim… estava esquisita! Mas apesar disso não negou o meu beijo, o que me deixou feliz, mas depois ela pede desculpas e beija-me, em seguida chora!? Apesar de aparentemente termos estado bem fiquei na mesma sem conseguir perceber o porquê dela se afastar de mim e nem lhe tinha dito que também gostava muito dela. Cada vez que estava com ela não conseguia resolver as minhas dúvidas, ficava era sempre com mais!
No entanto, no meio disto tudo fiquei com uma sensação estranha. Não sei explicar mas aquela frase: “Nunca fiques magoado com quem um dia te fez sorrir, lembra-te apenas dos bons momentos e sorri”, parecia uma despedida. Mas se calhar foi só confusão da minha cabeça…
Entretanto cheguei a casa e preparei a mala para o estágio e o jogo. Peguei nela e despedi-me dos meus irmãos, não sem antes lhes responder ao “questionário” enorme que tinham para mim. Expliquei-lhes resumidamente e saí.
Hoje seria o último jogo de pré-época. Hoje jogávamos o “Troféu Madrid”. Para a semana já começavam os jogos a sério. Começávamos com a pré-eliminatória da Liga Europa, para umas semanas depois começar o campeonato espanhol. Seria a minha estreia por terras de nuestros hermanos e eu estava um pouco ansioso. O que seria perfeito é que a minha estreia corresse lindamente e que ao meu lado estivesse a minha princesa. Seria tão perfeito…

Diana
Apesar de destroçada e em lágrimas arranjei forças para sair daquele jardim cheio de recordações e fui para casa. Tinha de partir o quanto antes. Quando cheguei ao meu quarto a primeira coisa que fiz foi ligar o meu computador e procurar o próximo voo para Lisboa. Encontrei um que partia às 19 horas de hoje. Era ideal. O meu dedo estava pregado ao rato tátil do meu computador. O meu coração mirrado, não tinha a certeza se queria carregar no confirmar. Carreguei impulsivamente no confirmar e depois desliguei o PC. Fui arrumar as malas. Sem pensar muito mais no assunto.
- Didi, bora almo… - Tomás entra de rompante no meu quarto – que estás a fazer? – perguntou olhado para mim a arrumar as minhas roupas dentro da mala
- A fazer as malas! – evidenciei o óbvio – Ainda hoje vou voltar para Portugal! – informei-lhe nunca parando de arrumar as minhas coisas
- O quê? Vais voltar para Portugal? – perguntou muito surpreendido – O que é que se passou com o Sílvio? – inquiriu sentando-se na minha cama
- Tenho de ir a Portugal tratar da candidatura para a universidade! As notas dos exames saem amanhã… - comuniquei
- Diana, Diana… se eu não te conhecesse tão bem até acreditava que era só isso… mas tu a mim não me enganas! Não resolveste as coisas com o Sílvio, não lhe contaste a verdade e agora vais fugir! – opinou. Era nestes momentos que eu odiava que as pessoas me conhecessem tão bem!
- Não me julgues! Sabes que eu não consigo ficar aqui e sabes que para mim isto é o mais correto a fazer! – pedi-lhe sentando-me ao seu lado
- Mas Didi tu gostas dele! Estás a fugir daquilo que sentes… não podes fugir daquilo que sentes!
- Eu não estou a fugir daquilo que sinto, estou a tentar esquecer! A decisão está tomada! Não me tentes dissuadir porque isto é o melhor para todos! – afirmei convicta
- Com o tempo vais-me dar razão e perceber que estás redondamente errada! Mas nós infelizmente só percebemos os nossos erros quando batemos com a cabeça na parede!
- Logo vê-mos se estou errada ou não!
- Já percebi que não vale a pena! Vamos almoçar? – sugeriu levantando-se
- Bora lá!
Fui almoçar com o meu melhor amigo, e não voltámos mais a falar no assunto de eu me ir embora, pois ele sabia perfeitamente que eu não iria mudar de ideias, como ele dizia “eu era teimosa que nem uma mula!”. Depois do almoço fui acabar de arrumar as minhas coisas e em seguida tinha chegado a hora da despedida!
Tomás tinha-me levado ao aeroporto. Ainda antes de sairmos do seu carro, ele falou:
- Didi, tens mesmo a certeza que é isto que queres fazer? – perguntou enquanto retirávamos os nossos cintos de segurança
- Sim Tomás eu não vim até aqui para nada! – tentei mostrar que estava convicta, mas na verdade não estava. Eu estava reticente, nervosa, sem certezas, com o coração apertado e num esforço muito grande para não chorar, para não quebrar e não ser capaz de fazer aquilo que estava certo.
Respirei fundo.
- Ou menos voltas, daqui a uns dias ou assim?
- Não sei, mas acho que é pouco provável!
- E o Sílvio, nem lhe vais dizer que vais embora? – silenciei-me
- Ainda não sei! Talvez lhe diga qualquer coisa se ele me enviar uma mensagem, ou assim… mas não sei!
Saímos do carro e fomos buscar as malas à bagageira. Assim que peguei nelas fui-me a baixo, as lágrimas vieram-me aos olhos, não me aguentei.
- Tomás, eu sinto que é como se estivesse a trair o Sílvio, a abandoná-lo, sei que o vou desiludir, e fazê-lo sofrer, mas não era isso que eu queria! – desabafei completamente lavada em lágrimas e abraçando-me ao meu melhor amigo
- Clama, Didi! – aconselha-me dando-me caricias
- Mas ao mesmo tempo sinto que preciso mesmo de sair daqui, de me afastar, de tentar esquecer, de tentar fazer com que esta dor que me vai no coração diminua, de parar de estar neste estado lastimável, sempre a chorar, sempre a sofrer, preciso de me esquecer que isto algum dia aconteceu, nem que seja por meras horas porque se não dou em doida! – desabafei
- Então promete-me que ficas apenas uns dias em Portugal, pensas no assunto, assentas ideias, sentimentos e mágoas, depois voltas! – pediu-me
- Não te posso prometer isso! – disse limpando as minha lágrimas
- Tens que ir porque se não ainda perdes o voo! – informou-me - Ah só uma coisa, manda mesmo uma mensagem ao Sílvio, pelo menos!
Abracei o meu amigo!
- Obrigado! Eu logo vejo se envio uma mensagem ao Sílvio! – peguei nas malas outra vez, com intenção de entrar no aeroporto – Achas que depois disto o Sílvio nunca mais vai querer olhar para a minha cara? E vai odiar-me? – perguntei-lhe com medo e assustada com a hipótese
Tomás apenas sorri. Quer dizer eu ali com medo e ele ri-se?!
- Porque te estás a rir?
- Mais tarde vais perceber! Bem Didi, espero que estes dias te ajudem a pôr as ideias em ordem! – desejou
- Obrigado por não me julgares! E obrigado por estares sempre ao meu lado! – agradeci-lhe com as lágrimas a voltarem de novo
- De nada, linda! - Tomás dá-me um beijinho na testa – Vai lá! Adeus!
- Adeus! – despedi-me dele e comecei a dar os primeiros passos em direção ao interior do aeroporto. Mas inevitavelmente, olhei para trás e lá estava o meu melhor amigo me olhando, embora já estivesse um pouco longe, quase que juro que ele tinha umas lágrimas no rosto, contasse pelos dedos das mãos as vezes que o vi chorar. Larguei as minhas malas e fui abraça-lo, dei-lhe um beijo no rosto. Tanto ele como eu não dissemos mais nada, os nossos olhares falavam por si.
Atención, señoras y señores pasajeros, esta es la última llamada para el vuelo Madrid-Lisboa. A voz da senhora do aeroporto, despertou-nos.
Tomás apenas com o olhar deu-me força, e eu lá fui. Não olhei mais para trás pois sabia, se olhasse não seria capaz de ir embora.
Não vais recuar! Isto é o melhor! É o melhor! É o melhor! Foi com estes pensamentos, com uma dor no coração e com as minhas companheiras destes últimos dias, as lágrimas, que entrei no avião e o vi descolar com rumo a casa.
- Adeus Madrid! – disse num sussurro e olhando pela janela
Vou ter saudades… pensei, referindo-me à cidade, aos bons momentos que passei, a cada sorriso que expressei, a cada pessoa que conheci, ao meu melhor amigo, ao Sílvio, a cada segundo que tinha passado com ele, a cada gargalhada que tínhamos partilhado, a cada jantar, a cada final de tarde a passear, a cada dança partilhada, a cada beijo, ui a cada beijo… suspirei e encostei-me ao banco a mentalizar-me que cada momento já não poderia ser de novo vivido, que tinha sido o fim! A mentalizar-me que daqui a umas horas, dececionaria profundamente a pessoa de quem mais gosto neste momento…

Tomás
Sentia que a minha melhor amiga estava a cometer um grande erro. Pois sabia que ela amava o Sílvio, mas ainda não se tinha consciencializado disso. E quando se ama, não há distância que impedisse o amor, nada que o separasse… Mas tinha de ser ela a aperceber-se disso. Nem que seja necessário que ela batesse vezes sem conta com a cabeça na parede! Mas ela tinha de perceber! Mesmo assim custava-me vê-la sofrer.
Sorri ao pensar na pergunta dela! “Achas que depois disto o Sílvio nunca mais vai querer olhar para a minha cara? E vai odiar-me?” Não tinha dúvidas que ela o amava! Já o meu medo pairava no Sílvio, não fazia a mínima qual seria a sua reação quando percebesse que a Didi tinha ido embora.

Sílvio
Tinha-me abstraído dos problemas com a Didi e dado 100% no jogo de hoje, estava exausto.
- Felicitaciones chicos! Hicieron un gran partido! Demostró que estábamos listos! (Parabéns rapazes! Fizeram um grande jogo! Demonstraram que estamos prontos!)– dizia o mister no balneário depois do jogo
Depois o mister saiu e ficámos a arranjarmo-nos para regressar às nossas casas.
- Então Sílvio está tudo bem? – perguntou o Tiago, que se vestia ao meu lado
- Sinceramente não sei!
- Isso mete Diana ao barulho? – perguntou perspicazmente
- Mete! Ela hoje estava tão estranha – expunha ao meu colega de equipa, que já se tinha tornado um bom amigo
- Pois as mulheres são complicadas! Mas tu estás completamente caidinho por ela, não estás? – Tiago sorri-me e eu sorriu também
- Estou! – admiti suspirando – Mas passa-se algo com ela que não percebo e que ela não me conta!
- É as mulheres conseguem ser muito complicadas!
- Acho que ainda hoje vou falar com ela!
- Hoje?! Sílvio já passa das 10 da noite! Não achas melhor dar-lhe uma noite para pensar, e tu também e amanhã falas com ela, com mais calma? – sugeriu
- Se calhar tens razão!
- Acredita que sim! Dá-lhe um pouco de espaço e amanhã falas com ela! Tu hoje também já estás cansado…
- É, tens razão! – ele tinha razão, já estava cansado e não fazia mal uma noite bem dormida só me iria fazer bem, amanhã conversava com ela
Acabei de me vestir e fui para casa. Ainda tentei ver um pouco de televisão, mas acabei, rapidamente, por adormecer e sonhar com a mulher da minha vida, a minha princesa.

Acham que Tomás tem razão?
Qual vai ser a reação do Sílvio quando perceber que a Didi foi embora?

Olá Leitoras :)
Desculpem mas com o regresso às aulas tornasse mais difícil para mim escrever, devido à falta de tempo. Ainda por cima, como estou no 11º ano, já tenho exames e tenho de dar o máximo :(
Espero que tenham gostado do capítulo! Embora o tivesse escrito, reescrito, retocado e visto mais de mil vezes, este capítulo foi difícil de escrever!
Agora queria-vos pedir uma coisa. Comentem e deixei a vossa opinião sobre o que acham que vai acontecer nos próximos capítulos ou sobre o que gostariam que acontecesse. Pois estou curiosa para saber as ideias/opiniões :)
Beijinhos
Didi Martins

4 comentários:

  1. Olá!

    Olha, primeiro isto não se faz, segundo isto não se faz, terceiro isto não se faz!

    Então? Agora vou ter de esperar que ou a Diana volte a Madrid ou que o Sílvio visite Portugal (isto são sugestões que espero que te inspirem como as tuas me inspiraram mas sem sonhos!).

    Eu acho que o Tomás tem toda a razão! Amor que é amor, a distancia nao apaga. Já um tal de Bussy-Rabutin dizia sobre isso que "A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande."
    Quero o proximo!

    Beijo
    Ana

    P.S. Ah e quanto à escolinha, já somos as duas nesta "tragédia". E para juntar aos exames antes ainda temos os intermédios! Que alegria -.-'

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  2. Olá
    Compreendo que não tenhas tanto tempo para escrever e às vezes mesmo para postar porque acredita que também sinto os mesmo :P
    mas não se acaba assim e tenta postar muito rápido!!
    Quero mesmo saber qual vai ser a reacção do Sílvio!
    Beijinhos
    Rita

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