quarta-feira, 25 de julho de 2012

Capítulo 9 - Quase lá


Sinto o hálito quente de Sílvio a embater nos meus lábios entreabertos e sinto-o a acaricia-me a cara ao mesmo tempo que desviava uma mecha de cabelo da minha bochecha direita. Tomou em seguida a liberdade de unir os nossos lábios. A escassos milímetros de o fazer somos interrompidos por uma voz.
- Sílv... – Mauro entra na sala e depara-se com aquela cena - …io. Desculpem eu não queria interromper nada, vinha só dizer-te uma coisa… Ok, esqueçam! Desculpem! – pede Mauro muito atrapalhado
Sílvio afasta o seu rosto do meu e larga a mecha do meu cabelo que segurava delicadamente com a sua mão.
– Não interrompeste mano, nos estávamos só… a ver um filme - Sílvio olha-me nos olhos e volta-se de novo para Mauro - Querias alguma coisa? - disfarça percebendo que Mauro estava visivelmente atrapalhado.
Assim como eu estava envergonhada, sentia as minhas maças do rosto a fervilhar!
- Não puto, deixa estar! Eu… vou indo! Desculpem – pediu novamente antes de sair dali muito rapidamente
Eu e Sílvio ficámos de novo sós e momentos constrangedores de silêncio se seguiram, sem nenhum de nós ser capaz de olhar um para o outro. Os nossos olhares estavam perdidos algures pela televisão ou por outro objeto da sala.
- Vamos ver o resto do filme? – propus interrompendo cerca de um  ou dois minutos de silêncio e cruzando de novo os nossos olhares
- Tens a certeza? Se quiseres podemos ver outro filme? – propus também
- Não é preciso! – recusei a sua proposta -  Se andarmos um bocadinho com o filme para a frente, estas cenas de violência acabam! – esclareci-lhe com um sorriso no lábios
- Pode ser e também acho que daqui para a frente não tem mais cenas de tanta violência, mas se não as quiseres ver é só dizeres que eu ando para a frente! – sugeriu de modo a que eu não tivesse de assistir a mais cenas de tortura
- Tá bem – respondi-lhe
Continuámos então a ver o resto do filme, que já ia sensivelmente a meio. Apesar do filme ser interessante, eu não resistia e às vezes desviava o olhar do ecrã e vislumbrava o Sílvio. Ficava a mirrá-lo sem que ele me visse. Ele era perfeito! Algo atraia o meu olhar para ele, como que uma força sobrenatural que eu não consigo controlar. Não sei se era os olhos dele, que mesmo no escuro brilhavam, se era a sua barba de à cinco dias (sim, confesso que tenho um fetiche com homens de barba de à meia dúzia de dias), se era a sua maneira de ser, sempre carinhoso, querido, preocupado, gentil, sempre sorridente, e que sorriso! E quando ele me chamava de princesa eu sentia-me nas nuvens. Não só pelo simples fato de me chamar princesa porque eu não dou valor a quem me chama de princesa, mas sim a quem me trata como uma, e o Sílvio travava-me como uma. Sem dúvida que a sua beleza exterior me atraia, mas a sua personalidade cativava-me! Fogo, este homem encanta qualquer mulher! Mas neste momento, era mais precisamente, os lábios dele que me atraiam... Sentia uma vontade louca e inexplicável de o beijar, de sentir os seus lábios a tocarem nos meus, na minha pele… E só de pensar que estivemos a escassos milímetros de o fazer, ainda me dava mais vontade de acabar o que de certo modo aconteceria se o mauro não tivesse interrompido!
- Ei Didi – Sílvio acorda-me dos meus pensamentos
- Sim, diz… - exprimi, pondo de lado os meus pensamentos
- Estavas ai a olhar-me á horas… - constatou, esperando uma resposta minha
Que vergonha! Estava tão perdida nos meus pensamentos que nem me lembrei que deveria estar a olha-lo fixamente, eu fazia sempre isso enquanto pensava.
- Estava longe! Perdi-me em pensamentos – contei-lhe a verdade
- E era intrometer-me muito se te perguntasse quais eram esses pensamentos ou se eram sobre mim? – perguntou-me um pouco receoso
- Se eu te dissesse que os pensamentos eram sobre ti, não me perguntavas quais eram esses pensamentos? – respondi-lhe com uma pergunta, utilizando o mesmo tom receoso usado por ele antes
- Não sei… Mas isso quer dizer que esses pensamentos eram sobre mim? – perguntou com um sorriso esperançando em ouvir uma resposta positiva da minha parte. Sílvio a cada palavra que proferia ia aproximando os nossos rostos.
- Tens de responder à minha pergunta! – pedi-lhe afastando-me dele, chegando-me mais para a ponta do sofá
Eu podia dizer-lhe que o que estava a pensar era sobre ele, mas como é que lhe dizia que pensava na vontade louca que eu tinha de lhe beijar ou em como ele era perfeito? Não lhe podia dizer isso.
- Estavas a pensar no que teria acontecido se o Mauro não tivesse entrado na sala naquele preciso momento? – perguntou-me descaradamente
Como é que ele sabia que era isso? Notava-se assim tanto? Se calhar ele também queria o mesmo que eu…
- Eu nem te disse que os pensamentos eram sobre ti – tentei disfarçar o melhor que pude, não tinha de todo coragem para lhe dizer que era precisamente nisso que eu estava a pensar
- Não, não te perguntava quais eram os pensamentos – prometeu-me respondendo finalmente à minha pergunta
- Sim estava a pensar em ti! – proferi muito rapidamente, não dando hipóteses a mim mesma de vacilar
Sílvio responde-me com um sorriso, ficando claramente contente com a minha resposta.
- Mas era sobr… - não o deixei acabar e interrompi-o
- Sílvio, tu prometeste! – lembrei-o das suas palavras à poucos instantes. A minha voz saiu em tom de súplica, para que ele não voltasse a falar nesse assunto. Acho que ele se apercebeu disso, pelo menos na sua cara pareceu-me ver um ar de conformado.
- Ok! Então anda cá princesa! – pediu-me abrindo-me os seus braços, de modo a que os nossos corpos quebrassem a distância, que eu impôs.
Cedi ao seu pedido e abracei-o, naquele momento tudo parecia mágico, perfeito, até! Não sei descrever mas estar nos seus braços, completava-me, era como se ele enchesse os espaços em banco que existiam em mim. Esse vazio que estava já há algum tempo à espera que alguém o fizesse desaparecer…
Continuámos assim a ver o filme, eu tinha a minha cabeça apoiada no seu peito/ombro e os meus braços envoltos no seu tronco. Já ele tinha apenas um braço em redor da minha cintura…

Sílvio
No momento em que estava a milímetros de beijar a minha princesa o meu mano entra e impede que isso aconteça. Porquê? Eu queria beijá-la! E não sei que vontade era esta, pois nunca nenhuma mulher me tinha deixado assim ao fim de tão pouco tempo de a conhecer. Mas com a Diana tudo era diferente. Ela mexia tanto comigo, ela era tão especial, tão única, tão espontânea, tão sincera, tão maravilhosa, sempre que estava com ela sentia-me tão bem! Depois de momentos um pouco constrangedores continuamos a ver o filme
Apanhei a Didi a olhar fixamente para mim e com o seu sorriso característico nos lábios. Já me observava a largos minutos.
- Ei Didi – chamei-a
- Sim, diz…
- Estavas ai a olhar-me á horas…
- Estava longe! Perdi-me em pensamentos – admitiu
Pensamentos!? Sobre mim?
- E era intrometer-me muito se te perguntasse quais eram esses pensamentos ou se eram sobre mim? – tinha mesmo de lhe perguntar isto, mas por outro lado não queria ser intrometido, pois ela poderia estar a pensar em milhões de coisas não relacionadas comigo
- Se eu te dissesse que os pensamentos eram sobre ti, não me perguntavas quais eram esses pensamentos?
- Não sei… Mas isso quer dizer que esses pensamentos eram sobre mim? – perguntei-lhe sorrindo e aproximando os nossos rostos, algo me atraia para ela.
- Tens de responder à minha pergunta! – a Didi afasta-se de mim. Achava imensa graça às suas reações às minhas palavras ou aproximação. Dava-me um certo gozo ver o que eu provocava nela. Adorava vê-la embaraçada ou sem jeito…
- Estavas a pensar no que teria acontecido se o Mauro não tivesse entrado na sala naquele preciso momento? – insisti queria saber se ela também sentia o mesmo que eu: uma vontade louca de nos beijarmos
- Eu nem te disse que os pensamentos eram sobre ti – ela não me iria responder no que estava a pensar, só tinha uma hipótese, saber se era sobre mim, por isso respondi à sua pergunta:
- Não, não te perguntava quais eram os pensamentos
- Sim estava a pensar em ti! – só lhe consegui sorrir, fiquei contente por saber, mas queria saber o que é que ela pensava sobre mim
- Mas era sobr… - interrompeu-me
- Sílvio, tu prometeste! – percebi que pelo seu tom de voz que ela não queria mais falar nisso e que não me iria dizer mais nada sobre esse assunto. Fiz o que eu mesmo lhe prometi.
- Ok! Então anda cá princesa! – Chamei-a de novo para ao pé de mim, para os meus braços, ficámos até ao final do filme assim, abraçados.
Sentia a Didi muito quieta e quando olhei para o seu rosto, vi o porquê deste sossego. Ela tinha adormecido nos meus braços. Observei cada traço do seu rosto, parecia que tinha sido desenhado a régua e esquadro, devido à tamanha perfeição. Ela até a dormir era linda, dormia de uma forma tão angelical, que me fazia sorrir feito parvo…
Apaguei a televisão e peguei nela ao colo. Ela dormia tão bem que não tive coragem para a acordar por isso tentei pô-la no meu colo com o maior dos cuidados para não a acordar. Levei-a até à casa do Tomás e deitei-a na sua cama. Peguei numa manta e cobri o seu corpo. Ainda fiquei alguns minutos a comtempla-la. Confesso que me sentia tentando, com a sua boca ali tão perto… Mas não podia, ela estava a dormir e isso não seria correto, poderia fazer alguma coisa que ela não quisesse, estaria a aproveitar-me de ela estar a dormir. Mas por outro lado ela também não saberia que eu… Ah esquece Sílvio! Vou mas é embora. Cheguei-me eu pé dela e dei-lhe um leve beijinho na testa e ainda lhe sussurrei um “Gosto muito de ti” ao ouvido e voltei para a minha casa.
- Puto desculpa, eu não sabia mano! – assim que entrei na sala da minha casa o meu irmão mais velho pede-me desculpas
- Tu não tinhas maneira de saber! Não faz mal – não queria que ele se sentisse culpado
Sentei-me ao lado dele no sofá.
- Sim mas é sempre chato e constrangedor! Mas conta-me lá! Tu gostas dela?
- Sim gosto dela, como também gosto de ti, do Dino ou do Tomás!
- Sabes perfeitamente que eu não me estava a referir a esse tipo de gostar! Estás completamente apaixonado por ela, não é? – insiste o Mauro
- Porque é que dizes isso? – tentei fugir á sua pergunta
- Pela maneira como tu a olhas, como tu a tratas, como tu falas dela, porque andas com aquele brilhinho no olhar e sempre a sorrir, porque lhe chamas princesa… Queres que continue?
- E isso quer dizer que eu estou apaixonado por ela? Por amor de Deus! – se calhar o Mauro tinha razão, mas não me apetecia falar disso agora
- Ok, não queres admitir, não admitas. Mas eu sou o teu irmão mais velho e tua a mim não me enganas!
- Tá bem Mauro! – levantei-me e comecei a caminhar até ao meu quarto
- Isso foge á conversa! – provoca-me. Mas era verdade, eu não queria ter aquela conversa mas sobretudo não queria admitir que ele tinha razão
- Não estou a fugir simplesmente tenho que me deitar cedo que amanhã tenho jogo! – desculpei-me
- Pois o jogo! E convidas-te a Diana para ir assistir? – provoca-me de novo
Tinha-me esquecido completamente de a convidar. Mas ainda tinha tempo o jogo era só ao final da tarde. Amanhã de manhã iria convidá-la.
- Boa noite, mano!  - despedi-me dele, ignorando as suas provocações e fui para o meu quarto

Diana
Acordei com alguém a dizer-me alguma coisa que não percebi. Mas quando abrir os olhos não vi ninguém e reparei que estava no meu quarto. O que estaria aqui afazer? Eu não estava na casa do Sílvio? Amanhã falo com ele, agora vou mas é dormir que estou a morrer de sono. Vesti o meu pijama e fui à casa de banho para depois me deitar novamente na minha cama.
Num dia tão longo como este adormeci, inevitavelmente, a pensar no Sílvio. E sonhei com ele. Nestes últimos dias a minha vida resumia-se só a uma coisa: Ele. Almoçava com, passava a tarde com ele, via filmes com ele, saia com ele, pensava nele… Ele, ele e ele!

Boa Noite
Desculpem a demora mas o tempo para escrever tem sido escasso e a inspiração também!
Espero que gostem :)
Beijinhos
Didi Martins

4 comentários:

  1. Olá :D
    Gostei imenso!
    Quero o próximo :p
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  2. Olá!
    Tão lindoooo! Viciadissima nesta fic!
    Se a inspiração te anda escassa, imagino se nao andasse! Absolutamente perfeito! Amei!!!
    Este par promete!
    Eu até paro de escrever só para ler! Ai la vou eu de novo voltar à Quando, mesmo que distraída a pensar neste parzinho! xD
    Quero o proximo!!!

    Beijo
    Ana

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  3. fabuloso...

    quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...

    continua...

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