sábado, 25 de maio de 2013

Capítulo 30 – "Sílvio Manuel Ferreira Azevedo Sá Pereira, eu Amo-te!"

- Didi, ainda me amas ou não? – persistiu Miguel à minha ausência de resposta
- Não! – respondi finalmente
- Tens a certeza que já não sentes nada por mim? – cravou os seus olhos nos meus e aproximou-me de mim
- Sim! – respondi segura
Miguel colou o seu corpo ao meu, como eu nunca pensei que voltasse a acontecer. Em seguida acariciou a minha bochecha e destinou a sua boca até à minha, escassos milímetros separavam os nossos lábios.
- É preciso eu te beijar para te provar que tu ainda gostas de mim?!
- Não. Deves acreditar na minha palavra – afastei-me calmamente dele, mas rapidamente ele me pega pelo braço fazendo-me novamente ficar a escassos milímetros dele, ele falou, conseguia sentir o seu bafo nos meus lábios
- Diz-me que não sentes nada quando eu digo que ainda te amo, diz-me que não tremes quando eu te toco, diz-me que o teu coração não acelera quando eu me aproximo de ti, diz-me que não estás desejosa por me beijares… diz-me! Diz-me!
- Eu não sinto nada quando tu dizes que me amas, não me sinto nervosa quando me tocas ou quando te aproximas de mim e não tenho, absolutamente, nenhuma vontade de te beijar, aliás eu já nem sinto raiva de ti, simplesmente as tuas palavras me fizeram entender e guardar o passado como boas memórias e não como algo monstruoso que tenha acontecido, cada um tem o direito de fazer as suas escolhas, tu fizeste as tuas e eu até posso ter demorado algum tempo a aceita-las mas consegui seguir com a minha vida, da qual tu já não fazes parte… eu só precisava de entender as tuas atitudes, agora que já percebi já estou em paz, obrigada - expressava calmamente
Vi novamente nesta tarde, as lágrimas escorrerem-lhe pelos olhos. Ai fui eu própria que tomei iniciativa e cheguei-me a ele, limpei-lhe as lágrimas.
- Deixa-me pelo menos beijar-te e se eu sentir que já não sentes mais nada por mim, eu prometo que nunca mais te vou chatear, mas deixa-me pelo menos tentar, ter a certeza… – pediu-me
- Acredita no que eu te digo, eu já não te amo – eu não podia beijá-lo, em primeiro lugar eu não queria, em segundo eu namorava com o Sílvio e não seria justo para ele se eu beijasse o Miguel e em terceiro eu não precisava de beijar o Miguel para ter a certeza que já não o amava – eu não te posso beijar, não é justo pedires-me isso, Miguel… - tentava fazê-lo perceber
- Tu já não me amas mesmo? De verdade? – perguntou uma última vez
- Não – olhei-o e foi inevitável eu não ficar triste por o ver tão desiludido – Miguel, Miguel – ele tinha o seu olhar cravado no chão – Miguel – ele finalmente encontra o seu olhar com o meu – Anda – peguei-lhe pela mão – anda, vamos nos sentar e conversar – levei-o até à beira-rio onde nos sentamos na areia e vislumbrávamos as águas clamas desta praia fluvial
- Não fiques assim – interrompi o silêncio de breves momentos – não vale a pena… - tentava animá-lo
- É aquele rapaz que estava na casa do Tomás, não é?
- O quê? – o meu coração acelerou só de pensar no Sílvio novamente
- É ele o atual dono do teu coração – explicou-se
- Sim – vi o Miguel a engolir a seco, e durante prolongados minutos não tive coragem de dizer nada – sabes durante muito tempo estive a sofrer por ti, odiei-te por me estares a fazer sofrer tanto, prometi a mim mesma que nunca mais me iria apaixonar por nenhum rapaz, que não ia deixar que mais nenhum rapaz me magoasse, até que apareceu o Sílvio, sim ele chama-se Sílvio, é simplesmente perfeito, ele é… - parei, pois lembrei-me que não seria propriamente agradável para o Miguel estar-me a ouvir elogiar o homem que tinha tomado o seu lugar – ele fez-me acreditar outra vez no amor, fez-me ver que o passado tem de ser metido atrás das costas e que o presente é que é importante, mas sabes eu ainda não tinha enterrado o passado completamente, eu tinha demasiadas perguntas sem resposta para o conseguir, por isso até foi bom tu teres aparecido, apesar de eu quanto te vi só queria que tu desaparecesses, sabes porquê?! – perguntei retoricamente – porque tinha medo que tu estragasses tudo o que já construi com o Sílvio e que demorei tanto tempo a conseguir fazer, no fundo tinha medo de ainda sentir alguma coisa por ti – acabei por admitir – confesso – baixei o olhar e senti que o Miguel me olhava atentamente, então prossegui – mas ver-te, esclarecer as coisas, finalmente ter respostas para as perguntas, fez-me ficar em paz comigo mesma, fez perceber que o passado é passado, e que agora sim, com as coisas explicitas, eu consegui aceitar o passado, consegui ultrapassa-lo, consegui vencer todos os medos que me dominavam… - sorri – mas eu nunca vou esquecer o passado, sabes porquê? – olhei-o nos olhos – porque tu foste muito importante para mim apesar de tudo, foste o meu primeiro namorado e isso não se esquece. Vivemos momentos que já mais esquecerei e que a partir de hoje guardarei como boas recordações que esses momentos foram. Todos os nossos momentos na praia, o nosso primeiro beijo, a primeira vez que disse um “amo-te”, a nossa primeira vez – tinha sido a primeira vez dos dois, por isso tornou o momento ainda mais especial – tudo! Tu sabes que foste especial para mim e que apesar de eu já não te amar, haverá sempre um espaço para ti no meu coração – desvendei
- Eu sou tão estupido! – olhei-o espantada, ele rapidamente me elucidou – eu nunca deveria ter ido para Londres, porque nesse preciso momento em que decidi ir perdi a mulher dos meus sonhos, perdi a mulher perfeita, perdi a mulher da minha vida… - não consegui dizer nada, simplesmente abracei-o – ele tem muita sorte em ter-te, só espero que ele não te magoe, que ele te valorize e que acima de tudo te faça feliz…
Ficamos a tarde toda a conversar, conversámos como nos velhos tempos e isso foi bom, conversamos sobre o rumo das nossas vidas neste último ano. Fiquei a saber que o Miguel já era reconhecido pelo trabalho que vinha a fazer, ele tinha de facto um talento sobrenatural para a música e inclusive fiquei a saber que a música que ele escreveu para mim era um grande sucesso em Inglaterra, segundo os críticos era notório que ele cantava com paixão e entrega. A conversa rolou e nem dei pelas horas passarem, cheguei a casa já tarde e a primeira coisa que fiz foi ir vestir o meu pijama, depois atirei-me para cima da minha cama e chorei. Nem sei bem explicar porquê, não era um choro de tristeza mas sim de felicidade, talvez até de alívio. Finalmente tinha conseguido ultrapassar as barreiras do passado, quer dizer faltava uma, a mais importante, rapidamente me levantei e fui à minha mala tirar o meu telemóvel para depois mandar uma mensagem ao Sílvio.

Para: Sílvio
Eu gosto milhões de ti!
Amor, estou cansada, importas-te de só falarmos amanhã? J

Apesar de ter conversas dependentes com o meu amor, estava demasiado cansada e preferi deixar para amanhã. A sua resposta não tardou em chegar.

De: Sílvio
Ok

Para: Sílvio
Ok? Ficaste chateado comigo? Tas frio, amor…

De: Sílvio
Precisamos mesmo de conversar!

Nem um smile o Sílvio pôs na sms, fiquei preocupada, estaria ele muito chateado por eu ter ido falar com o Miguel? Já sabia que todas estas dúvidas não me iam deixar dormir, por isso, apesar do cansaço, peguei num casaco de malha e vesti-o, para depois ir ter com o Sílvio.

Para: Sílvio
Amor, estou à porta da tua casa, prontinha para conservar contigo e dar-te um grande beijo :*

Apesar da situação tentava ser como sempre, querida para a pessoa que se tornava a cada dia a pessoa mais importante da minha vida.
- Olá meu amor – sorri-lhe e pus-me em biquinhos de pés para lhe dar um beijo nos lábios, Sílvio desvia o seu rosto e apenas permite que eu lhe dê um beijo no canto da boca. Este ato entristeceu-me, mas rapidamente, vi no seu olhar reprovador, que ele estava claramente aborrecido. Olhei-o ainda mais intensamente, havia momentos em que bastava as nossas trocas de olhares para sabermos o que se passava entre nós, e este foi um momento desses. Os seus olhos não me mentiam, se os tivesse de traduzir para palavras diriam um claro “não percebo as tuas atitudes”. - Desculpa - pedi atentadamente, só tendo tempo para fechar a porta que se encontrava atrás de mim.
- Não confias em mim? – o seu tom de voz parecia abalado, só agora começava a perceber que o Sílvio estava ainda pior do que aquilo que eu pensava.
- Claro que confio amor! – assegurei-lhe
- Então porque não me contas o que se passa? Porque não me contas o teu passado? Porque insistes em omitires-me coisas, pessoas, medos, desconfianças, inseguranças, traumas… tantas coisas, sinto que tu não cofias em mim como eu confio em ti… que tu não gostas tanto de mim como eu gosto de ti – fiquei sem reação, apenas uma lágrima caprichosa se denotou no meu rosto, foi a única reação que o meu corpo teve a esta surpreende revelação.
O que pequeno candeeiro que estava acesso na sua sala iluminava parte da sua cara, dando-me a vislumbrar os seus olhos vermelhos e inchados.
- Eu conto-te, pergunta lá o que queres saber… - reagi, tentando ignorar as suas duras palavras
- Vês!? – aumentou o seu tom de voz – não devo ser eu a perguntar-te o que se passou! Tu é que deves contar-me aquilo que tu pensas ser importante e que eu deva saber… - explicou num tom algo irritado, nunca o tinha visto assim, sempre lhe conheci a faceta doce, carinhosa, compreensiva, atenciosa… nunca a do seu lado mais agressivo. Começava então a juntar peças do puzzle e percebi que essa paciência toda, começava a chegar ao fim, não o culpava por isso pois ele tinha toda a razão, houve sempre coisas sobre o meu passado que nunca lhe contei e ele nunca me pediu para lhas contar, simplesmente teve paciência e esperança que um dia mais tarde lhe contasse, mas havia um limite, e eu tinha ultrapassado esse limite, logo compreensivelmente o Sílvio precisava de respostas, tal como eu precisei das do Miguel, ele agora precisava das minhas. Bem acho que posso dizer que hoje é o dia das respostas!
Estava na altura, ainda por cima hoje, que de certo modo tinha posto a claro todo o passado, tinha perdido todas as dúvidas, todos os medos, todos os traumas… Era altura de me atirar de cabeça ao futuro e de não ter medo da queda.
- Tens tempo? – perguntei sorrindo, tentado descontrair os ânimos
- Todo o tempo do mundo – proferiu deixando cair o seu corpo sobre o sofá. Depressa me sentei de frente para si, ganhei coragem e comecei:
- Primeiro que tudo, desculpa. A minha intensão nunca foi magoar-te ou esconder-te algo propositadamente, eu só não conseguia contar-te certas coisas do meu passado, e nunca pensei que isso te magoasse tanto. Mas a partir do momento que essas coisas começaram a afetar o nosso presente eu devia ter-te contado logo mas não contei, por isso peço mil desculpas. Se bem que eu acho que desde o primeiro dia que te conheci, que o meu passado afetou direta e indiretamente a nossa história. Já sei, deves pensar que o meu passado é algo assombroso, mas não, hoje eu entendi que não foi assim tão grave, mas foi algo que me magoou muito e que durante muito tempo doeu. Foi só a partir do dia em que te conheci que passou a doer cada vez menos, até a dor desaparecer, mas embora a dor tenha desaparecido ficou as memórias e o medo que tudo se repetisse contigo aquilo que se tinha passado com o meu ex-namorado. Aquele rapaz que apareceu hoje na casa do Tomás, como deves ter percebido, era o meu ex-namorado. Chama-se Miguel, mas todas as pessoas o tratam por Borges. Ele foi o meu primeiro namorado, nós namoramos 2 anos e 5 meses. Foi com ele que percebi o que era amar, o que era depender de uma pessoa para ser feliz, qual era o sentido da vida, que a vida só faz sentido se amarmos e formos amados, só assim podemos ter uma vida completa e feliz. E eu sentia isso com ele, eu amava-o verdadeiramente, foi com el…
- Para, por favor, não consigo ouvir mais! – interrompe-me Sílvio em lágrimas  - sabes… - fez um pausa - tenho ciúmes do que sentiste por ele, gostava que um dia sentisses por mim só um bocadinho do que sentiste por ele – deixou escapar em tom de confissão no meio de lágrimas de tristeza
Fiquei petrificada.
Como é que ele pensava que eu gostava mais do Miguel do que dele? Apetecia-me gritar e dizer-lhe o quanto ele estava errado. Mas não era o mais certo a fazer, era talvez o caminho mais rápido mas havia outro que embora fosse doloroso, eu esperava que trouxesse mais frutos no fim. Foi por esse caminho que segui quando o Sílvio se levantou não querendo ouvir mais nada e eu segurei-o pelo braço e pedi:
- Por favor, se me amas, ouve-me até ao fim, por favor! – pedi-lhe em lágrimas – Por favor! – pedi uma vez mais
- Tu tens a noção como isto é difícil para mim?! – indagou quase sussurrando
- Eu sei, mas pensas o quê? Que isto é fácil para mim? Que não me custa contar-te todas estas coisas? Que não me custa ver-te chorar? Ver-te sofrer por minha causa? É!? É?! Achas mesmo que eu não gosto de ti?! É?! – explodi
Não obtive resposta da sua parte. Ele, simplesmente, me observava. Deixei-me cair, sentando-me no meu lugar, baixei a cabeça, apoiando-a com as mãos, onde os meus braços exerciam pressão sobre os meus joelhos e a minha cabeça caída fazia o meu cabelo tapar-me o rosto, deixando-me chorar à vontade.
Senti o Sílvio mexer-se, levantei a cabeça e vi que se sentou de novo à minha frente, mostrando-se disposto a continuar-me a ouvir. Automaticamente, apoiei os meus pés na berma da mesinha da sala onde estava sentada e envolvi as minhas pernas com os meus braços, onde apoiei o meu queixo em cima dos meus joelhos, permitindo-me ter uma visão perfeita do Sílvio. Respirei fundo e continuei.
- Foi no meio dessa felicidade toda que no final do verão do ano passado o Miguel decidiu ir para Inglaterra, ele já tinha acabado o 12ª ano e iria para lá estudar, eu como ainda estava no 11º fiquei em Portugal, a nossa relação não acabou no momento, porque ele fez-me acreditar em relações à distância, fez-me acreditar que o nosso amor era mais forte que qualquer quilómetro que nos separava, que os nossos corações iam estar sempre juntos, íamo-nos amar quer estivesse ele ao pé de mim ou na China… – observava as expressões do Sílvio e concluía que ele não percebia o porquê de lhe estar a contar estas coisas, mesmo assim continuei - mas tudo isso foram ilusões. Porque assim que ele foi para Inglaterra nunca mais nos falamos, ele nunca mais me deu notícias, nunca atendeu as minhas chamadas, nunca respondeu as minhas mensagens, era como se ele se estivesse esquecido de mim, como se de um momento para o outro tivesse deixado de me amar, era como se todos os momentos que vivemos juntos deixassem de ter importância… tudo, tudo naqueles tempos tinha deixado de fazer sentido para mim. Eu não percebia porquê. Foi dos momentos mais dolorosos e difíceis da minha vida, tive muito tempo a sofrer por ele, noites inteiras a chorar por ele, dias inteiros em casa, isolada do mundo, triste, a chorar… até que os meus amigos conseguiram tirar-me daquele sufoco que estava a minha vida, animaram-me, deram força, no natal já conseguia estar um dia inteiro sem pensar nele. Foi então que chegaram as férias de verão e eu decidi mudar de ares e vir visitar o Tomás, nessa altura o Miguel já mal me afetava. Mas o pouco que ele me afetava foi completamente esquecido quando te conheci, tu revolucionaste a minha vida para muito melhor – no meio de tanta tristeza consegui soltar um ligeiro sorriso – tu fizeste-me voltar a acreditar no amor, que era possível estar com alguém sem que no final essa pessoa nos desiludisse, que era possível ser feliz outra vez, que o passado não interessava desde que o presente valesse a pena. Eu tinha trancado o meu coração para o amor e tu apenas com um sorriso destrancaste-o. Eu apaixonei-me por ti e isso foi a coisa mais maravilhosa da minha vida. Nem os melhores momentos que vivi com o Miguel superavam todos os momentos em que estou ao pé de ti. Basta estares ao pé de mim para que eu me sinta no paraíso! – sorri-lhe, esperava também um sorriso da sua parte mas a única coisa que vi foi as suas lágrimas a cessarem – No entanto, o passado sempre me afetou, e eu deixei que afetasse a nossa relação, em parte porque esse passado não estava resolvido. Eu tinha medo que tudo se repetisse, que a vida voltasse a tirar de mim aquilo que eu mais gostava, tinha medo que por tu viveres em Madrid quando eu voltasse para Portugal também te esquecesses de mim, tinha medo de voltar a sofrer, de voltar a chorar por amor, tinha medo da distância, tinha medo do sofrimento, tinha medo do amor que sinto que ti, tinha medo de te perder – confessei voltando às lágrimas – Foram estes medos todos que justificam as minhas atitudes contigo. Por estes medos todos não fui capaz de dizer que te amo, não fui capaz de te ouvir dizer que me amas, porque o medo era mais forte que eu e trazia-me recordações de um passado mal resolvido que eu queria esquecer. Mas hoje eu posso dizer que sou mais forte que o medo – disse convicta, levando-me do meu lugar – Porque resolvi todas as coisas com o Miguel e tenho ainda mais a certeza do que eu sinto por ti! Eu sinto por ti é muito mais forte do que aquilo que eu senti pelo Miguel, por isso não digas que sentes ciúmes ou que gostavas que eu gostasse de ti como eu gostava dele, isso é impossível, porque eu gosto muitos mais milhões de ti! – eu não sabia se isto existia, mas no momento soou-me bem – Desculpa eu nunca te ter contado esta história, não foi por uma questão de confiança mas sim porque era algo que eu não gostava de falar, desculpa ter-te magoado a partir de hoje eu prometo que nunca mais haverá segredos entre nós! – prometi-lhe sorrindo, esperava a sua reação, que não tardou. O Sílvio agarrou-me pela cintura e fez-me sentar no seu colo, deu-me um beijo na bochecha e eu sorri-lhe.
- Ai princesa, princesa, nem sei o que te dizer…
- Diz que me perdoas – sugeri
- Claro que te perdoo, eu não estava chateado contigo, estava mais aborrecido, porque sentia que não confias em mim e tinha medo que com o aparecimento do teu ex-namorado, tu percebesses que não gostavas de mim e que ainda o amavas – expôs os seus receios
- Isso era impossível, aliás a vinda do Miguel só me fez perceber que eu não sinto nada por ele e que o meu coração só bate por ti, exclusivamente por ti!
- Humm este é aquele momento em que tu me dás aquele grande beijo, não é?! – perguntou aproximando-se dos meus lábios
- Ainda não, ainda há uma coisa que tenho de te contar! Um segredo muito, muito importante que eu tenho de te revelar – sussurrei-lhe
- Amor, estás a deixar-me curioso, diz lá o que é – pediu, denotei-o um pouco preocupado
- Fecha os olhos – pedi-lhe ainda sentada no seu colo
- O quê?
- Fecha os olhos, vá lá confia em mim… - ele lá fechou os olhos
Enquanto ele tinha os olhos fechado dei-lhe um demorado beijo na bochecha e depois fui dando-lhe leves beijinhos até aos seus lábios onde lhe dei um beijo.
- As melhores coisas do mundo são para serem sentidas e não vistas – disse calmamente enquanto percorria a sua bochecha até à sua orelha – Amo-te! – sussurrei-lhe ao ouvido o que sentia já há alguns dias mas que hoje tinha 200% de certeza
Vi-o a abrir os olhos, assim como um sorrio incrédulo. Sorri-lhe de volta e rapidamente senti o seu corpo sobre o meu no sofá e os seus lábios nos meus. Num beijo carregado de sentimento, onde as tais borboletas no estômago se fizeram sentir. Posso até dizer que foi o melhor beijo que alguma vez dei. Não só foi o mais especial, como foi o mais sentido, o mais saboroso, o mais carinhoso e ao mesmo tempo atrevido, diria que foi o mais amado! 
O beijo acabou e o Sílvio deu-me um beijinho o nariz e outro na boca para depois ficar longos minutos apenas a olhar-me nos olhos.
- Repete, princesa… – disse sorrindo, sorrindo e sorrindo
- Sílvio Manuel Ferreira Azevedo Sá Pereira, eu amo-te!

Como irá ser o resto da noite?
Que futuro está reservado para este casal?

Princesas, aqui fica o capítulo 30 espero que gostem e que comentem :)
Muito, muito obrigada a todas as meninas lindas que comentaram o meu ultimo capitulos, vocês são fantásticas! <3
Beijinhos
Didi Martins

sábado, 11 de maio de 2013

Capítulo 29 (II) - O Passado vem Atormentar o Presente e Comprometer o Futuro



- Anda, tenho o carro no fundo da rua… - nem lhe respondi, limitei-me a segui-lo. Ele já tinha a carta, não sabia, assim como todas as novidades da vida dele neste último ano.
Entramos no seu carro e nem uma palavra, o caminho foi todo feito em silêncio. Estava um ambiente de cortar à faca dentro do carro, as nossas respirações pesadas faziam-se sentir, eu tentava adiar ao máximo a nossa conversa, deste modo ia distraída a olhar para a rua, nunca fitando o Miguel…
Ainda não sabia para onde íamos mas não estávamos no centro de Madrid, pelo menos eu via demasiada paisagem verde e não a habitual urbanização. Finalmente paramos. Apresei-me a sair do carro, e vislumbrei a paisagem encostada ao capô do carro. Estávamos numa praia fluvial, completamente deserta, sem dúvidas que ele tinha acertado no sítio, ò menos não se esqueceu…
Eu olhava o infinito, o silêncio deste lugar fazia-me ouvir o forte batimento do meu coração, rapidamente senti a presença do Miguel, ele trazia qualquer coisa às costas, mas confesso que nem reparei, pois ele agarrou-me pela mão, puxando-me para a praia, o seu toque, tão seu, tão inesquecível… ele olhou-me intensamente, podia ter passado muito tempo, mas aquele olhar continuava igual, conhecia cada contorno dos seus olhos, cada brilho, cada movimento… aqueles olhos que em tempos só brilhavam por mim. Não consegui olha-lo mais que cinco segundos, pois ele também me olhava e, sabendo perfeitamente que ele consegue ler os meus olhos, desviei o olhar.
- Por muito que o tempo passe, sabes que os teus olhos não me enganam – não o olhei e continuei caminho até meio da praia – e as tuas reações ao meu toque também não… - insistiu. Não respondi, nem olhar para ele era capaz. Ele ainda estava atrás de mim, e assim continuou durante silenciosos minutos, quebrados pelo pior mas por outro lado o melhor som do mundo… um acorde da sua viola. Automaticamente, virei-me para ele. Ele estava com um joelho assente na areia e no outro apoiava a sua viola. Mais notas musicais se seguiram… e com elas, a doce voz do Miguel:
- This time, This place (Este tempo, este lugar)

Se havia um lugar que definia a nossa ex-relação, sem dúvida que esse lugar era a praia, foram tantos momentos sem igual lá vividos, tantas recordações, tantos sorrisos, tantos beijos, tantos pôr-do-sol, tantos luares, tantos carinhos, tantas palavras, tantas promessas, tantos planos… mas também foi lá que tudo acabou.

Misused, Mistakes (Desperdícios, erros)
Too long, Too late (Tanto tempo, Tão tarde)
Who was I to make you wait (Quem era eu para fazer-te esperar?)

Erros, erros e mais erros, num desperdício de oportunidades e tempo, tanto tempo.

Just one chance (Apenas mais uma chance)
Just one breath (Apenas mais um suspiro)
Just in case there's just one left (Caso reste apenas um)
Cause you know, (Porque tu sabes)
you know, you know (Tu sabes, tu sabes)

Via todos os momentos a passar-me à frente dos olhos, que um dia brilharam por ele. Recordações acompanhadas por lágrimas, parecia que estava a viver tudo outra vez, com todos os pormenores, eu lembrava-me de cada pequeno detalhe.

That I love you (Que eu te amo)
I have loved you all along (Eu sempre te amei)

Ele fez questão de fazer uma pausa, e olhou-me, eu ainda assimilava as suas palavras. Ele ainda me ama? Como é que é possível? Inevitavelmente sorri, foi mais forte que eu, ele sorriu de volta e continuou a cantar a música que escreveu para mim, cada palavra tinha significado tão nosso, esta era uma música que resumia a nossa história de amor.

And I miss you (E eu tenho saudades tuas)
been far away for far too long (Estive tão longe por muito tempo)
I keep dreaming you'll be with me (Eu continuo a sonhar que estarás comigo)
And I'll never go (E eu nunca irei embora)
Por momentos acredita em cada palavra que ele dizia. Ele nunca mais me deixaria sozinha, ele ainda me amava, ele sempre me amou, ele sonha comigo, ele quer me de volta, ele tem saudades minhas…

Stop breathing if (Paro de respirar se)
I don't see you anymore (Eu não te vir mais)

On my knees, I'll ask (De joelhos, eu pedirei)
Last chance for one last dance (Uma última chance para uma última dança)
Cause with you, I'd withstand (Porque contigo, eu resistiria)
All of hell to hold your hand (A todo o inferno para segurar a tua mão)
I'd give it all (Eu daria tudo)
I'd give for us (Eu daria tudo por nós)
Give anything but I won't give up (Eu daria qualquer coisa, mas não desistirei)
‘Cause you know, (Porque tu sabes)
You know, you know (Tu sabes, tu sabes)
That I love you (Que eu te amo)
I have loved you all along (Eu sempre te amei)
And I miss you (E eu tenho saudades tuas)
been far away for far too long (Estive tão longe por muito tempo)
I keep dreaming you'll be with me (Eu continuo a sonhar que estarás comigo)
And I'll never go (E eu nunca irei embora)
Stop breathing if (Paro de respirar se)
I don't see you anymore (Eu não te vir mais)

So far away (Tão longe)
Been far away for far too long (Estive tão longe por muito tempo)
So far away (Tão longe)
Been far away for far too long (Estive tão longe por muito tempo)
But you know, you know, you know (Mas tu sabes, tu sabes, tu sabes...)

I wanted (Eu quis)
I wanted to stay (Eu quis ficar)
Cause I needed (Porque eu precisava)
I need to hear you say (Porque eu preciso ouvir-te dizer)
That I love you (Eu amo-te)
I have loved you all along (Eu sempre te amei)
And I forgive you (E eu perdoo-te)
For being away for far too long (Por ficar tão longe por tanto tempo)
So keep breathing (Então continue respirando)
Cause I'm not leaving you anymore (Por que eu não estou te deixando mais)
Believe it Hold on to me and, never let me go (Acredita em mim, abraça-me e nunca me deixes ir)
Keep breathing (Continue respirando)
Cause I'm not leaving you anymore (Por que eu não estou te deixando mais)
Believe it Hold on to me and, never let me go (Acredita em mim, segura-te a mim e nunca me soltes)
Keep breathing Hold on to me and, never let me go (Continue respirando, segure-te a mim e nunca me soltes)
Keep breathing Hold on to me and, never let me go (Continue respirando, segure-te a mim e nunca me soltes)

Seria mesmo verdade estas palavras? Ainda nem acreditava no que estava a ouvir…
- Didi, não vais dizer nada? – perguntou-me o Miguel vendo a minha falta de reação
- Que queres que eu te diga? – deixei escapar
- Que me perdoas por eu me ter afastado, que digas que sentes a minha falta, que ainda não me esqueceste, que queres ficar comigo… que me amas… - ao mesmo tempo que o Miguel dizia isto ia aproximando-se de mim
- Achas mesmo?! – gritei, reagindo finalmente – Achas que tens o direito de chegar aqui como se nada fosse pedindo para eu voltar para ti? E o passado? E todo o sofrimento que tu me causaste? Todas as noites em claro a chorar por ti? Todas as vezes que agarrei o telemóvel na esperança que fosses tu a ligar-me? Toda a esperança?! Onde andou esse amor neste ultimo ano? Achas que tens o direito de chegar aqui e pedires para eu voltar para ti? Achas?! Achas mesmo?! – deixei que a minha boca expelisse tudo o eu me ia no coração, toda a revolta mas também toda a incompreensão. Já mais calma, perguntei – não achas que antes de me pedir isso me deves uma explicação? – inquiri disposta a ouvir os seus motivos porque acima de tudo eu precisava de conhecer a verdade
- Eu conto-te tudo, mas o que eu estou a dizer é mesmo verdade, se soubesses o quanto me arrependo do passado…
- O arrependimento não justifica nem apaga o que foi feito! – atirei
- Lembras-te daquela noite? A nossa noite… – fez uma pausa como que recordando o passado – dia 3 de setembro de 2010, fazíamos dois anos e cinco meses de namoro…
Automaticamente, também eu me lembrei dessa noite

*** Lembrança ***
Noite de 3 de setembro de 2010, terça-feira.
- Mor, morrr, oh mor! – tentava eu pela milésima vez
- Didi, calma, já estamos quase a chegar – a voz calma do meu namorado fez-se outra vez ouvir
- Estamos na praia, não estamos? – o Miguel levava-me ao colo de olhos vendados, até a um sitio que eu ainda não sabia onde, ele disse que tinha uma surpresa para mim – Eu estou a ouvir as ondas…
- Amor, assim não tem piada, não sejas tão curiosa – advertiu-me
- Falta muito? – insisti curiosa
- Consegues ser mais curiosa que as crianças – comentou levemente, adivinhava-lhe o sorriso no rosto, comprovado pelo riso que se seguiu – já estamos mesmo quase.
(…)
- Já chegamos – anunciou
Ele, finalmente, largou-me do seu colo, para depois me tirar a venda e me abraçar de costas, enquanto eu via a sua surpresa. 
Como eu suspeitava estávamos na praia. Eu estava boquiaberta.
Estávamos na parte mais deserta da praia de Santa Cruz, não se via ninguém e apenas as luzes em forma de coração espalhas pela areia em redor de uma mesa com velas e o nosso jantar, figuravam na linda praia, onde a brisa do mar intensifica-se. Havia também uma tenda.
- Hoje mesmo, fazemos 2 anos e 5 meses de namoro. 2 anos e 5 meses, mais precisamente 12 mil e 360 horas, cerca de 740 mil e 600 minutos, metade do tempo foi passado contigo, a outra metade foi passada a sonhar contigo! Este tempo todo, que sabe sempre a pouco, foi vivido intensamente ao lado da mulher da minha vida, cada momento ao teu lado é perfeito, até podemos estar no fim-do-mundo desde que tu estejas comigo, por mim está tudo bem, porque a tua presença, o teu sorriso, os teus olhos, os teus beijinhos, os teus carinhos, as tuas brincadeiras, as tuas dentadas – voltou a soltar o seu riso irresistível – a tua maneira de ser, tu, só a tua existência me faz feliz, realizado, amado, faz-me o homem mais feliz do mundo, faz-me desejar que o nosso amor seja eterno porque tenho ao meu lado a mulher mais perfeita do mundo! – ele fez uma breve pausa e depois concluiu - Junto a ti sinto-me nas nuvens! Amo-te!
O meu rosto estava como o mar, cheio de pequenas gotas, com a única diferença que as minhas não eram salgadas. Foi inevitável não me comover com esta declaração.
- Amo-te, amo-te, amo-te! – repeti antes de o beijar, depois voltei a beijá-lo e a beijá-lo de novo
- Também eu! – dei-lhe um leve beijinho na bochecha para depois de dar uma dentada das minhas. Um gesto traquina que não podia faltar das nossas brincadeiras.
Em seguida tivemos o nosso jantar mais que romântico, ele tratou-me como uma autêntica deusa. Ele fazia-me sentir única e inigualável, mas eu ripostava sempre, dizendo que o nosso amor é que era único e inigualável.
- Amor, que há dentro da tenda? – a curiosidade como sempre invadiu-me enquanto estava sentada no colo do Miguel e acabávamos de comer morangos com chocolate.
- Queres mesmo saber? – perguntou-me sugestivo
- Sim, sim… - sussurrei dando-lhe um beijinho à esquimó
O Miguel pega-me novamente ao colo, e o caminho da mesa à tenda é percorrido com beijos no pescoço e nos lábios. Chegamos à tenda, era linda. No seu interior estava decorado de vermelho, logo na “parede” da frente tinha uma foto nossa.
A foto tinha junto a si a frase “Amo cada momento passado contigo”.
- Tu és perfeito! – observei maravilhada, enquanto os meus lábios procuravam os seus
- Amor, vê o resto…
Na tenda, ainda havia um colchão rasteiro vermelho, sobre ele estavam umas conchas que formavam uma frase, aproximei-me, e li-a em voz alta.
- Junto a ti sinto-me nas nuvens. Amo-te – olhei para o Miguel que me mirava intensamente – Tudo contigo é tão perfeito! – aproximei-me dele, para lhe sussurrar ao ouvido – Eu é que te vou levar às nuvens! – sugeri atrevida
Rapidamente, senti os lábios do Miguel nos meus, a sua mão percorreu o meu corpo movida pelo desejo. 
Não aguentei mais e saltei para o seu colo, entrelaçando as minhas pernas em volta da sua cintura, ele agarrava-me pelos glúteos. Não faltou muito, para que momentos depois já estivéssemos deitados no colchão sem roupa. Percorria o seu pescoço com beijos acompanhados por atrevidos copões e dentadinhas. Fui descendo, percorrendo o seu corpo com beijos, cada curva, cada detalhe, provoquei-o ainda mais e acariciei-o. Os seus gemidos deixavam-me ainda com mais vontade de tê-lo só para mim. Provoquei-o mais um bocadinho, via o desejo dele expresso na sua cara e isso deixava-me feliz. Rapidamente, ele inverteu posições e “vingou-se” das minhas provocações, deixando-me louca de desejo. Nesta noite, eu fui dele e ele foi meu por milhões de vezes, até ao amanhecer…

Acordei com beijos dele por toda a minha cara.
- Bom dia minha Didi!
- Olá meu amor – expressei ensonada, tentando levantar-me
- Dormiste bem?
- É impossível não dormir bem ao pé de ti, mas dormi pouco… - sorri relembrando a nossa noite
Levantei-me e depois de me espreguiçar fui vestir a minha roupa que amavelmente o Miguel tinha posto direitinha em cima da cama.
- Amor, já acordaste há muito tempo? – o Miguel já estava vestido, algo que estranhei, pois quando dormíamos juntos era sempre eu que acordava primeiro que ele
- Há algumas horas… - deixou escapar pensativo
- Horas? Que se passou? Tu nunca te levantas cedo? – tinha acabado de me vestir e aproximei-me dele
- Aconteceu uma coisa que eu preciso de te contar…
- Que se passa? – a cara de preocupação dele estava a deixar-me preocupada também
O Miguel deva-me até à beira-mar, onde nos sentamos na areia.
- Miguel, estás a deixar-me preocupada…
- Didi, lembras-te de eu te ter dito que tinha sido aceite na escola de música de Lisboa não te lembras?
- Sim, tu andavas super feliz, mas que tem isso? Eles já não te aceitam é isso?
- Não, não é nada disso. É que… a… a… - notei que ele estava nervoso – a London Music School, uma das melhores escolas do mundo, foi à nossa escolas fazer vários castings porque tinham uma bolsa por atribuir, por isso vieram a Portugal para escolher o melhor aluno para ir estudar para a escola deles…
- E? o que é que isso tem? – não estava a perceber nada desta história
- É que o aluno escolhido fui eu – neste momento tudo em mim parou
- Tu… a t… tu aceitas-te? – o meu coração passou a bater a um ritmo alucinante. A resposta dele iria mudar toda a minha vida
- Sim – ele baixou a cabeça, não me conseguindo encarar – tu sabes que é o meu sonho e oportunidades dessas só aparecem uma vez na vida – justificou-se, forçando-me a olhar para si. Os meus olhos azuis não aguentaram e derramaram a mágoa do meu coração
- Desde quando sabes que foste escolhido?
- Eles ligaram-me hoje de manhã…
- Quando é que tens de ir para Londres?
- Na próxima segunda-feira – estas palavras foram como que um punhal que foi espetado no meu coração e que o despedaçou em nada
A única coisa que se ouvi nos minutos seguintes, foi o bater das ondas e o meu choro compulsivo.
Vidrada no mar interrompi o silêncio:
- Eu gostava que ficasses por mim, mas eu não te posso pedir que fiques, é o teu sonho e como disseste oportunidades dessas só aparecem uma vez na vida. Seria egoísta da minha parte pedir-te para ficares, só estaria a pensar na minha felicidade, quem ama, como eu te amo põe a sua felicidade em segundo plano só para ver a pessoa que mais ama feliz, se é a ires para Londres que vais ficar feliz, tens todo o meu apoio – só eu sei como me foi doloroso expressar estas palavras, mas era o correto a dizer, era o correto a fazer. Eu não podia pôr a minha felicidade à frente da dele, não seria justo para ele, mas acima de tudo eu não conseguiria viver com esse peso na consciência.
- Cada vez tenho mais a certeza que és perfeita – ele chegou-se a mim e pôs o seu braço por cima dos meus ombros – Amo-te – expressou selando com um beijo na minha testa. Encostei a minha cabeça ao seu peito e chorei, era um dos últimos momentos que passaria ao seu lado
A minha alma começava a ser agora invadida por outro tipo de perguntas, ao qual ainda não tinha tido o atrevimento de as fazer, começava a ficar irrequieta.
- Pergunta lá… - disse percebendo a minha inquietação
- E nós? – interroguei a medo da resposta
- Nós o quê?
- Como é que nós ficamos? Acabamos? – só dizer esta palavra acabava comigo, deixava-me destroçada
- Achas?! – perguntou muito surpreendido de imediato - Quer dizer, tu queres? – perguntou mais preocupado
- Eu queria ficar contigo para todo o sempre, só de pensar na hipótese de acabarmos fico destroçada… - confessei
- Eu não quero acabar, podemos manter a nossa relação à distância – sugeriu
- Tu acreditas nisso?
- Eu acredito no nosso amor, é mais forte que tudo e não são uns quantos quilómetros que o vão destruir. Eu amo-te, estejas tu aqui ou na China – automaticamente sorri e beijei-o
- Eu também te amo, muito, muito, muito!
- Eu amo-te mais! – ripostou – Aliás eu vou sempre amar-te!
***Fim da Lembrança***

- Aquele dia em que me prometeste que acreditavas no nosso amor, que ele era mais forte que tudo e não ia ser uns quantos quilómetros que o ião destruir? E eu feita parvinha acreditei! Não foram os quilómetros que destruíram o nosso amor, foste tu! – acusei-o aos gritos – Quando nem a uma mensagem me envias-te, nem uma noticia no facebook me deste, nem por uma vez estavas online no skype, nem um telefonema, nada de nada! Tu esqueceste-te de que eu existia, abandonaste-me, iludiste-me, mentis-me, criaste-me expectativas para depois me dececionares! Porquê? Porquê? Custava muito teres-me ligado e seres sincero. Do género “Desculpa Didi, mas eu não aguento esta distância, está tudo acabado” – respirei, dizia a coisas a uma velocidade tal que as vezes esquecia-me de respirar, mas eu precisava de deitar cá para fora o que durante um ano me consumiu por dentro – Mas que teve essa noite? – perguntei ligeiramente mais calma
- Essa noite foi tão perfeita que quando pus os pés em terras inglesas e me lembrei que nos próximos tempos noites como essas nunca mais iriam existir não fui se quer capaz de falar contigo de novo. Pensar que não ia ter carinhos, beijos de bons dias, uma mega sorriso logo de manhã, não ia ter dentadinhas, palavras doces que me aqueciam o coração, gestos queridos, beijos loucos, alguém a bater à minha porta às 4 da manha a perguntar se podia dormir comigo, noite loucas de amor até ao amanhecer… – sorriu – Tudo! Tudo naquele momento não passava de boas recordações. Desculpa, eu sei que estive mal, mas eu não podia ligar-te ou dar-te noticias porque sei que no preciso momento em que eu ouvisse a tua voz, um simples “Olá, meu amor” me iria fazer apanhar o primeiro avião para Portugal… além disso eu não podia fazer-te esperar, não tinha o direito, enquanto eu ai atrás do meu sonho, abdicando de ti, não tinha o direito que me continuasses a amar, eu não merecia que me amasses, porque quem ama não abandona, quem ama, o seu maior sonho não é profissional, o seu maior sonho é ficar com a mulher que ama para todo o sempre, nada é mais importante que isso! Mas no momento em que tomei a decisão de ir, o meu sonho de ser cantor sobrepôs-se ao meu amor por ti, nunca deveria ter tomado a decisão de ir para Londres, mas já que já lá estava e já tinha errado não valia a pena voltar atrás porque a porcaria já estava feita. Mas podes acreditar que não houve uma única noite em que não me deitasse a pensar em ti, não houve um único dia em que não acordasse a desejar que estivesses ao meu lado, não havia um único segundo em que não me arrependesse… eu continuo a amar-te como sempre te amei, aliás eu amo-te mais ainda, porque esta distância fez-me perceber o quanto tu és importante para mim. Eu amo-te! – declarou, em lágrimas. Raras foram as vezes que o vi chorar. Eu estava petrificada, sem saber o que dizer, sem saber o que fazer, sem saber o que pensar – Tu ainda me amas? – a pergunta impôs-se, era o momento da verdade. Ou enterrava de uma vez por todas o passado eu fazia dele presente, ou tinha certezas daquilo que sentia pelo Sílvio, ou voltava para o Miguel.

Diana ainda amará o Miguel?
O que acharam da música que o Miguel lhe cantou?
Vocês gostam do Miguel?

Olá Meninas aqui fica o capitulo, espero que gostem :)
Se eu tiver no mínimo 6 comentários, prometo que ainda posto o próximo capitulo antes do próximo fim-de-semana :)
Beijinhos
Didi Martins

quarta-feira, 27 de março de 2013

Capítulo 29 (I) - O Passado vem Atormentar o Presente e Comprometer o Futuro



- Não! Não! Não! – gritei acordando do horrível pesadelo, a minha respiração era ofegante acompanhada por lágrimas desesperadas
- Princesa! – ouvi rapidamente o Sílvio a chamar-me para depois me abraçar fortemente – Calma era só um sonho!
Sentir os braços dele a envolverem-me, aqueles braços onde tantas vezes me senti protegida e amada, hoje não me sentia assim, ao sentir os braços dele a envolverem-me sentia-me ainda mais desesperada. Rapidamente me libertei deles e levantei-me da cama, começando a percorrer o quarto de um lado para o outro.
- Não era um sonho, era um pesadelo! Foi horrível! – dizia desesperada, só de me relembrar e de pensar na possibilidade e um dia os pesadelos tornarem-se verdade
- Clama, amor! Anda cá, como me pediste hoje, deixa-me cuidar de mim… - disse-me de braços abertos
Olhei-o intensamente, não sabia o que fazer, ir ou não ir. Deixei-me levar e dei o primeiro passo na sua direção, pé ante pé, fui dando pequenos passos até si, quando faltava apenas pouco centímetros para que as nossas peles sentissem o toque uma da outra, não fui capaz… paralisei. Aterrorizada.
- Princesa, que se passa? Tu estás tão estranha… - quebrou o gelo, existente entre nós, agarrando-me na mão. O seu toque, fez-me arrepiar, sentia medo, muito medo, medo esse que me fazia afastar dele, tinha medo de o magoar e consequentemente magoar-me a mim.
- Desculpa… mas não consigo – disse recuando os passos que dera
- Não consegues o quê? Fala comigo, amor – pediu-me calmo, tentando aproximar-se de novo de mim – Conta-me o teu sonho, o que é que te deixa assim tão assustada? – tentava quebrar as barreiras existentes entre nós, mas ao mesmo tempo que ele avançava eu recuava, mantendo assim sempre as barreiras no meio da nossa relação
- Não consigo… - confessei chorando – Tenho medo de te perder… - acabei por confessar também, com o meu olhar preso ao chão
- E tens medo do meu toque também? Do meu abraço? Dos meus beijos? – perguntou, aproximando-se fisicamente de mim. Já com o seu corpo a milímetros do meu, a sua mão acariciou a minha bochecha. Um misto de sensações instalou-se em mim.
- Não…
- Então posso beijar-te? – tremi da cabeça aos pés como uma criança. Era estranho. Não sei explicar. Eu estava estranha. Parecia que não era eu, na verdade era bem possível que não fosse, mas sim uma versão de mim comandada pelo receio.
- Se eu te pedir um pouco de espaço para pensar tu ficavas muito chateado? – perguntei-lhe a medo
- Princesa eu não percebo muito bem o que se passa, mas se for preciso eu dar-te espaço para tu ficares bem e conseguires resolver esses problemas, eu dar-te-ei todo o espaço que tu quiseres desde que depois tu e nós fiquemos bem, mas é claro que me custa estar longe de ti…
- Obrigada, amor… - cheguei-me perto dele e dei-lhe um demorado beijo no rosto
- Princesa, será pedir muito um beijo? – vi o receito nos olhos deles, mas também conseguia ver nos olhos dele a vontade e necessidade que ele tinha que eu o beijasse
- Pede…
- Princesa, dás-me um beijo? – pediu super fofinho
Respirei fundo e beijei-o. Conseguia sentir o seu sabor, um turbilhão de sentimentos surgiam desde um aperto no coração, as ditas borboletas no estômago. Parecia o nosso primeiro beijo. Sem dúvida um beijo muito especial. Sílvio era meigo com os seus lábios quentes e doces num beijo apaixonado, calmo e carinhoso. Inconscientemente, era disto mesmo que eu precisa.
- Obrigada, amor! – agradeci-lhe pelo beijo, tinha ajudado a perceber certas coisas – Agora se não te importas vou para casa – dei-lhe um beijo no rosto
- Adeus, princesa. Ah espera – chamou-me – Tu nunca me vais perder! – assegurou sorrindo, inevitavelmente sorri de volta

***
Assim que sai da casa do Sílvio, fui para o meu quarto e por mais incrível que pareça adormeci, na minha cama. Embora não tivesse dormido lá muito bem, deu para descansar e ficar com a cabeça “fresca”. Levantei-me quando me apeteceu e fui até à varanda, apanhar ar. Até lá ainda sorri, quando vi que tinha vestida uma t-shirt do Sílvio, inevitavelmente, levei um pedaço de tecido ao meu nariz e cheirei, aquelo cheiro era inigualável, era cheiro a Sílvio. Perfeito!
Apreciava a vista da minha varanda, enquanto pensava. Pensava sobre o passado, sobre o meu ex, sobre os problemas e receios que me atormentavam, lembrava-me do meu pesadelo, pensava no quanto gostava do Sílvio, se seria correto o que estava a fazer… perdi-me em pensamentos. Mas valeu a pena, pois consegui chegar a várias conclusões.
Agora precisava de ir falar com o meu amor, de estar com ele, de aproveitar o nosso amor e deixar o passado onde ele pertence, ao passado! Tinha tanta pressa em remediar as coisas e ficar bem com ele que fui mesmo só com a sua camisa vestida e descalça até à sua casa… corri a descer as escadas, e rapidamente estava à porta da casa do meu amor, toquei à campainha, uma vez, duas vezes, três vezes e ninguém abriu a porta.
- Vá lá, amor, abre a porta… - tentei uma quarta vez, mas ninguém abriu – oh és tão estupida! Ele deve estar no treino… - rapidamente voltei ao meu quarto e procurei o meu telemóvel, fui à lista de contactos e liguei ao meu amor.
Chamou, chamou, chamou, chamou e chamou mas ninguém atendeu.
- Fogo porque é que quando uma pessoa precisa realmente de falar com outra, parece que o mundo se vira contra nós! Porquê? – reclamava em voz alta
Decidi ligar outra vez, mas deparei-me com uma voz irritante a dizer que eu tinha chagado à caixa de correio.
Sim, confesso, estava impaciente para falar com ele, tinha milhões de coisas para lhe dizer, mas acima de tudo tinha uma coisa, mais importantes que as outras todas, que precisava de lhe dizer.
Fui petiscar algo, enquanto ia deixando o telemóvel do Sílvio cheio de chamadas minhas. Só quando ligava outra vez para o Sílvio, é que também me apercebi que não sabia onde estava o Tomás, era já quase hora de almoço, ele deveria estar em casa. Mudei o número de destino das minhas chamadas e, rapidamente, liguei para o Tomás, que também, rapidamente, me atendeu.
- Bom dia, Didi – saudou o meu melhor amigo
- Bom dia, Tomás! Olha onde andas?
- Vim ver o treino do Sílvio e fazer-lhe um pouco de companhia… - deixou escapar.
Senti-me culpada, eu é que devia estar ao seu lado, como ele sempre esteve ao meu.
- Ah ok, é que eu estou a tentar falar com ele mas não consigo
- Pois, o treino acabou agora, por isso mais uns minutos e ele já te liga. Olha estava a falar com o Sílvio e pensei que podíamos almoça os três ai em casa, que me dizes?
- Perfeito! Era mesmo isso que eu queria!
- Então conta com connosco para o almoço! Queres que traga algo da rua?
- Não deixa estar, eu vou comprar alguma coisa, não se preocupem, também chegam sempre em cima da hora de almoço por isso… ok eu trato do almoço – resumi - Olha dá só o recado ao Sílvio que eu preciso de falar com ele, pode ser?
- Claro, vá até já
- Beijinho
Desligamos a chamada e eu fui-me vestir para depois ir à rua comprar o almoço.
Enquanto me vestia recebo uma chamada do Sílvio.
- Então amor, estavas a tentar bater o record de chamadas? – brincou, consegui imaginar o seu sorriso ao dizer isto
- Olá amor! Não brinques, tenho uma conversa dependente contigo – expliquei
- Que conversa? Sobre ontem?
- Também mas não só, explico-te depois do almoço, pode ser?
- Claro princesa, estou agora a sair do treino, por isso não devo demorar muito
- Ok, bem vou comprar o nosso almoço. Gosto muito de ti
- Eu gosto mais, mas vai lá
- Beijo
Suspirei. O quanto eu gostava dele…
Sai de casa, e fui ao sítio do costume comprar o nosso almoço, era perto de casa e nós adorávamos a comida de lá. Já voltava a casa quando vejo no fundo da rua, uma silhueta que me parecia familiar, era um rapaz. Ainda estava longe e de costas para mim, mas de repente vira-se para mim, e mesmo a cerca de 100 metros de mim, assustei-me só de vê-lo. Não, não era possível! Devia estar a fazer confusão, mesmo assim acelerei o passo, e em 30 segundos estava em casa.
O Tomás e o meu amor já tinham chegado.
- Credo Didi, estás tão pálida! Pareces que viste um fantasma! – comentou o Tomás assim que me viu a atravessar a porta da sua casa
- Não, eu ando é a alucinar… - vi o Sílvio no sofá e rapidamente pousei a comida na mesa e fui ter com ele
- Olá amor – cumprimentei-o dando-lhe um beijo
- Olá minha princesa linda
Sentei-me no sofá ao pé dele, e abracei-o. Estava nervosa e precisava do conforto dos seus braços para me acalmar e para me sentir protegida.
- Estás gelada, amor – constatou, aquela pessoa que eu acabara de ver na rua deixou-me assim mas eu só podia estar a alucinar, não era possível ele estar aqui, só a ideia de o ver novamente assustava-me, seria reviver o passado, que tanto me fez sofrer e que tanto me custou a esquecer, se é que está esquecido.
Um arrepio percorreu o meu corpo de alta a baixo quando ouvi o som da campainha.
- Estás bem Didi? – era visível no rosto de Sílvio a sua preocupação comigo, pois na realidade eu estava no mínimo “estranha”.
Vejo Tomás em ir direção à porta, parecia que me ia saltar o coração pela boca.
- Tomás! – ouvi quem tocou à campainha pronunciar com saudade
De onde eu estava não se via a porta, mas eu tinha percebido perfeitamente quem era, aquela voz, seguida de um abraço ao seu melhor amigo desde a infância…
O meu coração parou, toda eu estava completamente gélida. Eu não acreditava que ele estava aqui.
- Borges! – ainda não o tinha visto, mas estava agora confirmado que era mesmo ele que estava ali, a escassos metros de mim, o passado estava agora a poucos metros de mim. Eu não estava preparada para o ver, muito menos para falar com ele. Tentei fugir dali, mas quando me ia levantar, Sílvio segura-me pelo braço.
- Que se passa? – pergunta-me com  uma expressão facial confusa
- Olá Didi – cumprimentou-me, com um sorriso na cara, Miguel assim que entra na sala e me vê
Tava completamente bloqueada. Não conseguia pronunciar uma palavra, nem se quer ao Sílvio. Estava estática. Naquele momento eu era o centro das atenções naquela sala. Tomás olhava para mim, Miguel esperava uma resposta minha e Sílvio tentava perceber o que se passava.
- Mi… Migue…l?  - gaguejava, ele estava ali, ali, ali tão perto, ao fim de tanto tempo. Pronunciar o seu nome era como que espetar um punhal no meu coração, e crava-lo outra e outra vez – não me faças isto… - foi a única coisa que consegui dizer - não agora… - pedi-lhe a minha vida neste momento, era quase que perfeita, tinha encontrado o Sílvio e estava bem com ele, tinha esquecido o passado, ou pelo menos parte dele… sorria todos os dias por me sentir amada e amar, por me sentir viva, realizada, feliz… e ele aparecia agora, pondo em risco tudo o que construi depois dele? Não, não, não!
- Isto o quê? – aproximou-se de mim, mas eu recuei
- Apareceres assim na minha vida! – gritei! Não aguentei e gritei. Continuei com o mesmo tom de voz – Fazeres-me relembrar cada lágrima que derramei por ti! Cada noite em claro que passei por ti! – gritava-lhe enquanto caprichosas lágrimas, como nos velhos tempos dispersavam dos meus vermelhos olhos – Cada dia desperdiçado a pensar em ti! Todo o sofrimento! – sentei-me e respirei fundo, estava um silêncio constrangedor na sala, tinha todos os olhares presos em mim, mas apenas um me preocupava, o do Sílvio. Ergui-me de novo e voltei expressar – Vai embora!
- Não! Eu vim cá falar contigo e não me vou embora enquanto não falar contigo! – insistiu o Miguel. Miguel, apenas eu lhe chamava de Miguel, os demais todos lhe chamavam de Borges, mas para mim sempre foi Miguel, o meu Miguel…
- Vai embora! – gritei ainda mais alto
- Eu só saiu daqui enquanto conversares comigo!
- Eu não tenho nada para te dizer – expressei plenamente convicta
- Mas eu tenho – insistiu
- Mas eu não – ripostei
- Mas eu preciso de falar contigo!
Conhecendo Miguel como eu conheço só teria uma solução: conversar com ele. Conhecia bem a sua personalidade, da qual fazia parte uma forte teimosia, ele não iria sair dali enquanto não me dissesse o que tinha para me dizer. E eu sabia que não arrumaria o passado numa caixa trancada a sete chaves se não fosse falar com ele, este passado, por muito que me custasse falar nele e ainda mais falar dele com o principal protagonista, tinha de ser resolvido, eu tinha de ir falar com o Miguel.
- Espera só 5 minutos – acabei por ceder. Virei-lhe costas e fui ter com o Sílvio, que continuava sentando no sofá, a sua cara tinha uma expressão, que eu nunca antes vira, uma expressão indecifrável para mim.
- Amor, importas-te que vá? – perguntei àquele que era o atual dono do meu coração
- Não – respondeu-me de forma seca e fria, dando-me a perceber que não era bem esta a sua vontade
- Quando voltar explico-te tudo. Desculpa – ia-lhe dar um beijo mas este desviou-me a cara. Fiquei triste mas não o podia julgar, pois ele quase nada sabia do Miguel e eu tinha de compreender a sua parte, ele precisava de saber a verdade, precisava que eu lhe contasse a verdade, todo o meu passado… eu devia-lhe demasiadas explicações – Só não te esqueças que eu gosto, e muito de ti – lembrei-o e dei-lhe um beijo na testa acompanhado por um sorriso
Assim que me despedi do Sílvio, sai com o Miguel, inconscientemente, começava a comprometer o meu futuro, com problemas do passado a atormentar o meu presente.

Como correrá a conversa entre a Diana e o Miguel?
Diana e Miguel ainda sentiram alguma coisa um pelo outro?
Como reagirá Sílvio? Ficará chateado?
Sairá a relação de Didi e Sílvio afetada por esta história?


Boa noite meninas :)
Sei que já é tarde mas tive uns problemas com o Word :/
Desculpem a demora, espero que gostem e que comentem pois relembro que as vossas opiniões são muito importantes para mim :)
Beijinhos
Didi Martins