- Didi, ainda me amas ou não? – persistiu Miguel à minha ausência de
resposta
- Não! – respondi finalmente
- Tens a certeza que já não sentes nada por mim? – cravou os seus
olhos nos meus e aproximou-me de mim
- Sim! – respondi segura
Miguel colou o seu corpo ao meu,
como eu nunca pensei que voltasse a acontecer. Em seguida acariciou a minha
bochecha e destinou a sua boca até à minha, escassos milímetros separavam os
nossos lábios.
- É preciso eu te beijar para te provar que tu ainda gostas de mim?!
- Não. Deves acreditar na minha palavra – afastei-me calmamente dele,
mas rapidamente ele me pega pelo braço fazendo-me novamente ficar a escassos
milímetros dele, ele falou, conseguia sentir o seu bafo nos meus lábios
- Diz-me que não sentes nada quando eu digo que ainda te amo, diz-me que
não tremes quando eu te toco, diz-me que o teu coração não acelera quando eu me
aproximo de ti, diz-me que não estás desejosa por me beijares… diz-me! Diz-me!
- Eu não sinto nada quando tu dizes que me amas, não me sinto nervosa
quando me tocas ou quando te aproximas de mim e não tenho, absolutamente,
nenhuma vontade de te beijar, aliás eu já nem sinto raiva de ti, simplesmente
as tuas palavras me fizeram entender e guardar o passado como boas memórias e
não como algo monstruoso que tenha acontecido, cada um tem o direito de fazer
as suas escolhas, tu fizeste as tuas e eu até posso ter demorado algum tempo a
aceita-las mas consegui seguir com a minha vida, da qual tu já não fazes parte…
eu só precisava de entender as tuas atitudes, agora que já percebi já estou em
paz, obrigada - expressava calmamente
Vi novamente nesta tarde, as
lágrimas escorrerem-lhe pelos olhos. Ai fui eu própria que tomei iniciativa e
cheguei-me a ele, limpei-lhe as lágrimas.
- Deixa-me pelo menos beijar-te e se eu sentir que já não sentes mais
nada por mim, eu prometo que nunca mais te vou chatear, mas deixa-me pelo menos
tentar, ter a certeza… – pediu-me
- Acredita no que eu te digo, eu já não te amo – eu não podia
beijá-lo, em primeiro lugar eu não queria, em segundo eu namorava com o Sílvio
e não seria justo para ele se eu beijasse o Miguel e em terceiro eu não
precisava de beijar o Miguel para ter a certeza que já não o amava – eu não
te posso beijar, não é justo pedires-me isso, Miguel… - tentava fazê-lo
perceber
- Tu já não me amas mesmo? De verdade? – perguntou uma última vez
- Não – olhei-o e foi inevitável eu não ficar triste por o ver tão
desiludido – Miguel, Miguel – ele
tinha o seu olhar cravado no chão – Miguel
– ele finalmente encontra o seu olhar com o meu – Anda – peguei-lhe pela mão – anda,
vamos nos sentar e conversar – levei-o até à beira-rio onde nos sentamos na
areia e vislumbrávamos as águas clamas desta praia fluvial
- Não fiques assim – interrompi o silêncio de breves momentos – não vale a pena… - tentava animá-lo
- É aquele rapaz que estava na casa do Tomás, não é?
- O quê? – o meu coração acelerou só de pensar no Sílvio novamente
- É ele o atual dono do teu coração – explicou-se
- Sim – vi o Miguel a engolir a seco, e durante prolongados minutos
não tive coragem de dizer nada – sabes
durante muito tempo estive a sofrer por ti, odiei-te por me estares a fazer
sofrer tanto, prometi a mim mesma que nunca mais me iria apaixonar por nenhum
rapaz, que não ia deixar que mais nenhum rapaz me magoasse, até que apareceu o
Sílvio, sim ele chama-se Sílvio, é simplesmente perfeito, ele é… - parei,
pois lembrei-me que não seria propriamente agradável para o Miguel estar-me a
ouvir elogiar o homem que tinha tomado o seu lugar – ele fez-me acreditar outra vez no amor, fez-me ver que o passado tem de
ser metido atrás das costas e que o presente é que é importante, mas sabes eu
ainda não tinha enterrado o passado completamente, eu tinha demasiadas
perguntas sem resposta para o conseguir, por isso até foi bom tu teres
aparecido, apesar de eu quanto te vi só queria que tu desaparecesses, sabes
porquê?! – perguntei retoricamente –
porque tinha medo que tu estragasses tudo o que já construi com o Sílvio e que
demorei tanto tempo a conseguir fazer, no fundo tinha medo de ainda sentir
alguma coisa por ti – acabei por admitir – confesso – baixei o olhar e senti que o Miguel me olhava
atentamente, então prossegui – mas
ver-te, esclarecer as coisas, finalmente ter respostas para as perguntas,
fez-me ficar em paz comigo mesma, fez perceber que o passado é passado, e que
agora sim, com as coisas explicitas, eu consegui aceitar o passado, consegui
ultrapassa-lo, consegui vencer todos os medos que me dominavam… - sorri – mas eu nunca vou esquecer o passado, sabes
porquê? – olhei-o nos olhos – porque
tu foste muito importante para mim apesar de tudo, foste o meu primeiro
namorado e isso não se esquece. Vivemos momentos que já mais esquecerei e que a
partir de hoje guardarei como boas recordações que esses momentos foram. Todos
os nossos momentos na praia, o nosso primeiro beijo, a primeira vez que disse
um “amo-te”, a nossa primeira vez – tinha sido a primeira vez dos dois, por
isso tornou o momento ainda mais especial – tudo! Tu sabes que foste especial para mim e que apesar de eu já não te
amar, haverá sempre um espaço para ti no meu coração – desvendei
- Eu sou tão estupido! – olhei-o espantada, ele rapidamente me
elucidou – eu nunca deveria ter ido para
Londres, porque nesse preciso momento em que decidi ir perdi a mulher dos meus
sonhos, perdi a mulher perfeita, perdi a mulher da minha vida… - não
consegui dizer nada, simplesmente abracei-o – ele tem muita sorte em ter-te, só espero que ele não te magoe, que ele
te valorize e que acima de tudo te faça feliz…
Ficamos a tarde toda a conversar,
conversámos como nos velhos tempos e isso foi bom, conversamos sobre o rumo das
nossas vidas neste último ano. Fiquei a saber que o Miguel já era reconhecido
pelo trabalho que vinha a fazer, ele tinha de facto um talento sobrenatural
para a música e inclusive fiquei a saber que a música que ele escreveu para mim
era um grande sucesso em Inglaterra, segundo os críticos era notório que ele
cantava com paixão e entrega. A conversa rolou e nem dei pelas horas passarem,
cheguei a casa já tarde e a primeira coisa que fiz foi ir vestir o meu pijama,
depois atirei-me para cima da minha cama e chorei. Nem sei bem explicar porquê,
não era um choro de tristeza mas sim de felicidade, talvez até de alívio.
Finalmente tinha conseguido ultrapassar as barreiras do passado, quer dizer
faltava uma, a mais importante, rapidamente me levantei e fui à minha mala
tirar o meu telemóvel para depois mandar uma mensagem ao Sílvio.
Para: Sílvio
Eu
gosto milhões de ti!
Amor,
estou cansada, importas-te de só falarmos amanhã? J
Apesar de ter conversas dependentes
com o meu amor, estava demasiado cansada e preferi deixar para amanhã. A sua
resposta não tardou em chegar.
De: Sílvio
Para: Sílvio
De: Sílvio
Precisamos
mesmo de conversar!
Nem um smile o Sílvio pôs na sms,
fiquei preocupada, estaria ele muito chateado por eu ter ido falar com o
Miguel? Já sabia que todas estas dúvidas não me iam deixar dormir, por isso,
apesar do cansaço, peguei num casaco de malha e vesti-o, para depois ir ter com
o Sílvio.
Para: Sílvio
Amor, estou à porta da tua casa,
prontinha para conservar contigo e dar-te um grande beijo :*
Apesar da situação tentava ser como
sempre, querida para a pessoa que se tornava a cada dia a pessoa mais
importante da minha vida.
- Olá meu amor – sorri-lhe e pus-me em biquinhos de pés para lhe dar
um beijo nos lábios, Sílvio desvia o seu rosto e apenas permite que eu lhe dê
um beijo no canto da boca. Este ato entristeceu-me, mas rapidamente, vi no seu
olhar reprovador, que ele estava claramente aborrecido. Olhei-o ainda mais
intensamente, havia momentos em que bastava as nossas trocas de olhares para
sabermos o que se passava entre nós, e este foi um momento desses. Os seus
olhos não me mentiam, se os tivesse de traduzir para palavras diriam um claro
“não percebo as tuas atitudes”. - Desculpa
- pedi atentadamente, só tendo tempo para fechar a porta que se encontrava
atrás de mim.
- Não confias em mim? – o seu tom de voz parecia abalado, só agora
começava a perceber que o Sílvio estava ainda pior do que aquilo que eu pensava.
- Claro que confio amor! – assegurei-lhe
- Então porque não me contas o que se passa? Porque não me contas o teu
passado? Porque insistes em omitires-me coisas, pessoas, medos, desconfianças,
inseguranças, traumas… tantas coisas, sinto que tu não cofias em mim como eu
confio em ti… que tu não gostas tanto de mim como eu gosto de ti – fiquei
sem reação, apenas uma lágrima caprichosa se denotou no meu rosto, foi a única
reação que o meu corpo teve a esta surpreende revelação.
O que pequeno candeeiro que estava
acesso na sua sala iluminava parte da sua cara, dando-me a vislumbrar os seus
olhos vermelhos e inchados.
- Eu conto-te, pergunta lá o que queres saber… - reagi, tentando
ignorar as suas duras palavras
- Vês!? – aumentou o seu tom de voz – não devo ser eu a perguntar-te o que se passou! Tu é que deves
contar-me aquilo que tu pensas ser importante e que eu deva saber… -
explicou num tom algo irritado, nunca o tinha visto assim, sempre lhe conheci a
faceta doce, carinhosa, compreensiva, atenciosa… nunca a do seu lado mais
agressivo. Começava então a juntar peças do puzzle e percebi que essa paciência
toda, começava a chegar ao fim, não o culpava por isso pois ele tinha toda a
razão, houve sempre coisas sobre o meu passado que nunca lhe contei e ele nunca
me pediu para lhas contar, simplesmente teve paciência e esperança que um dia
mais tarde lhe contasse, mas havia um limite, e eu tinha ultrapassado esse
limite, logo compreensivelmente o Sílvio precisava de respostas, tal como eu
precisei das do Miguel, ele agora precisava das minhas. Bem acho que posso
dizer que hoje é o dia das respostas!
Estava na altura, ainda por cima
hoje, que de certo modo tinha posto a claro todo o passado, tinha perdido todas
as dúvidas, todos os medos, todos os traumas… Era altura de me atirar de cabeça
ao futuro e de não ter medo da queda.
- Tens tempo? – perguntei sorrindo, tentado descontrair os ânimos
- Todo o tempo do mundo – proferiu deixando cair o seu corpo sobre o
sofá. Depressa me sentei de frente para si, ganhei coragem e comecei:
- Primeiro que tudo, desculpa. A minha intensão nunca foi magoar-te ou
esconder-te algo propositadamente, eu só não conseguia contar-te certas coisas
do meu passado, e nunca pensei que isso te magoasse tanto. Mas a partir do
momento que essas coisas começaram a afetar o nosso presente eu devia ter-te
contado logo mas não contei, por isso peço mil desculpas. Se bem que eu acho
que desde o primeiro dia que te conheci, que o meu passado afetou direta e
indiretamente a nossa história. Já sei, deves pensar que o meu passado é algo
assombroso, mas não, hoje eu entendi que não foi assim tão grave, mas foi algo
que me magoou muito e que durante muito tempo doeu. Foi só a partir do dia em
que te conheci que passou a doer cada vez menos, até a dor desaparecer, mas
embora a dor tenha desaparecido ficou as memórias e o medo que tudo se
repetisse contigo aquilo que se tinha passado com o meu ex-namorado. Aquele
rapaz que apareceu hoje na casa do Tomás, como deves ter percebido, era o meu
ex-namorado. Chama-se Miguel, mas todas as pessoas o tratam por Borges. Ele foi
o meu primeiro namorado, nós namoramos 2 anos e 5 meses. Foi com ele que
percebi o que era amar, o que era depender de uma pessoa para ser feliz, qual
era o sentido da vida, que a vida só faz sentido se amarmos e formos amados, só
assim podemos ter uma vida completa e feliz. E eu sentia isso com ele, eu
amava-o verdadeiramente, foi com el…
- Para, por favor, não consigo ouvir mais! – interrompe-me Sílvio em
lágrimas - sabes… - fez um pausa - tenho
ciúmes do que sentiste por ele, gostava que um dia sentisses por mim só um
bocadinho do que sentiste por ele – deixou escapar em tom de confissão no
meio de lágrimas de tristeza
Fiquei petrificada.
Como é que ele pensava que eu
gostava mais do Miguel do que dele? Apetecia-me gritar e dizer-lhe o quanto ele
estava errado. Mas não era o mais certo a fazer, era talvez o caminho mais
rápido mas havia outro que embora fosse doloroso, eu esperava que trouxesse
mais frutos no fim. Foi por esse caminho que segui quando o Sílvio se levantou
não querendo ouvir mais nada e eu segurei-o pelo braço e pedi:
- Por favor, se me amas, ouve-me até ao fim, por favor! – pedi-lhe em
lágrimas – Por favor! – pedi uma vez
mais
- Tu tens a noção como isto é difícil para mim?! – indagou quase
sussurrando
- Eu sei, mas pensas o quê? Que isto é fácil para mim? Que não me custa
contar-te todas estas coisas? Que não me custa ver-te chorar? Ver-te sofrer por
minha causa? É!? É?! Achas mesmo que
eu não gosto de ti?! É?! – explodi
Não obtive resposta da sua parte.
Ele, simplesmente, me observava. Deixei-me cair, sentando-me no meu lugar,
baixei a cabeça, apoiando-a com as mãos, onde os meus braços exerciam pressão
sobre os meus joelhos e a minha cabeça caída fazia o meu cabelo tapar-me o
rosto, deixando-me chorar à vontade.
Senti o Sílvio mexer-se, levantei a
cabeça e vi que se sentou de novo à minha frente, mostrando-se disposto a
continuar-me a ouvir. Automaticamente, apoiei os meus pés na berma da mesinha
da sala onde estava sentada e envolvi as minhas pernas com os meus braços, onde
apoiei o meu queixo em cima dos meus joelhos, permitindo-me ter uma visão
perfeita do Sílvio. Respirei fundo e continuei.
- Foi no meio dessa felicidade toda que no final do verão do ano passado
o Miguel decidiu ir para Inglaterra, ele já tinha acabado o 12ª ano e iria para
lá estudar, eu como ainda estava no 11º fiquei em Portugal, a nossa relação não
acabou no momento, porque ele fez-me acreditar em relações à distância, fez-me
acreditar que o nosso amor era mais forte que qualquer quilómetro que nos
separava, que os nossos corações iam estar sempre juntos, íamo-nos amar quer
estivesse ele ao pé de mim ou na China… – observava as expressões do Sílvio
e concluía que ele não percebia o porquê de lhe estar a contar estas coisas,
mesmo assim continuei - mas tudo isso
foram ilusões. Porque assim que ele foi para Inglaterra nunca mais nos falamos,
ele nunca mais me deu notícias, nunca atendeu as minhas chamadas, nunca
respondeu as minhas mensagens, era como se ele se estivesse esquecido de mim,
como se de um momento para o outro tivesse deixado de me amar, era como se
todos os momentos que vivemos juntos deixassem de ter importância… tudo, tudo
naqueles tempos tinha deixado de fazer sentido para mim. Eu não percebia
porquê. Foi dos momentos mais dolorosos e difíceis da minha vida, tive muito
tempo a sofrer por ele, noites inteiras a chorar por ele, dias inteiros em
casa, isolada do mundo, triste, a chorar… até que os meus amigos conseguiram
tirar-me daquele sufoco que estava a minha vida, animaram-me, deram força, no
natal já conseguia estar um dia inteiro sem pensar nele. Foi então que chegaram
as férias de verão e eu decidi mudar de ares e vir visitar o Tomás, nessa
altura o Miguel já mal me afetava. Mas o pouco que ele me afetava foi
completamente esquecido quando te conheci, tu revolucionaste a minha vida para
muito melhor – no meio de tanta tristeza consegui soltar um ligeiro sorriso
– tu fizeste-me voltar a acreditar no
amor, que era possível estar com alguém sem que no final essa pessoa nos
desiludisse, que era possível ser feliz outra vez, que o passado não
interessava desde que o presente valesse a pena. Eu tinha trancado o meu
coração para o amor e tu apenas com um sorriso destrancaste-o. Eu apaixonei-me
por ti e isso foi a coisa mais maravilhosa da minha vida. Nem os melhores
momentos que vivi com o Miguel superavam todos os momentos em que estou ao pé
de ti. Basta estares ao pé de mim para que eu me sinta no paraíso! –
sorri-lhe, esperava também um sorriso da sua parte mas a única coisa que vi foi
as suas lágrimas a cessarem – No
entanto, o passado sempre me afetou, e eu deixei que afetasse a nossa relação,
em parte porque esse passado não estava resolvido. Eu tinha medo que tudo se
repetisse, que a vida voltasse a tirar de mim aquilo que eu mais gostava, tinha
medo que por tu viveres em Madrid quando eu voltasse para Portugal também te
esquecesses de mim, tinha medo de voltar a sofrer, de voltar a chorar por amor,
tinha medo da distância, tinha medo do sofrimento, tinha medo do amor que sinto
que ti, tinha medo de te perder – confessei voltando às lágrimas – Foram estes medos todos que justificam as
minhas atitudes contigo. Por estes medos todos não fui capaz de dizer que te
amo, não fui capaz de te ouvir dizer que me amas, porque o medo era mais forte
que eu e trazia-me recordações de um passado mal resolvido que eu queria
esquecer. Mas hoje eu posso dizer que sou mais forte que o medo – disse
convicta, levando-me do meu lugar – Porque
resolvi todas as coisas com o Miguel e tenho ainda mais a certeza do que eu
sinto por ti! Eu sinto por ti é muito mais forte do que aquilo que eu senti
pelo Miguel, por isso não digas que sentes ciúmes ou que gostavas que eu
gostasse de ti como eu gostava dele, isso é impossível, porque eu gosto muitos
mais milhões de ti! – eu não sabia se isto existia, mas no momento soou-me
bem – Desculpa eu nunca te ter contado
esta história, não foi por uma questão de confiança mas sim porque era algo que
eu não gostava de falar, desculpa ter-te magoado a partir de hoje eu prometo
que nunca mais haverá segredos entre nós! – prometi-lhe sorrindo, esperava
a sua reação, que não tardou. O Sílvio agarrou-me pela cintura e fez-me sentar
no seu colo, deu-me um beijo na bochecha e eu sorri-lhe.
- Ai princesa, princesa, nem sei o que te dizer…
- Diz que me perdoas – sugeri
- Claro que te perdoo, eu não estava chateado contigo, estava mais
aborrecido, porque sentia que não confias em mim e tinha medo que com o
aparecimento do teu ex-namorado, tu percebesses que não gostavas de mim e que
ainda o amavas – expôs os seus receios
- Isso era impossível, aliás a vinda do Miguel só me fez perceber que eu
não sinto nada por ele e que o meu coração só bate por ti, exclusivamente por ti!
- Humm este é aquele momento em que tu me dás aquele grande beijo, não
é?! – perguntou aproximando-se dos meus lábios
- Ainda não, ainda há uma coisa que tenho de te contar! Um segredo muito,
muito importante que eu tenho de te revelar – sussurrei-lhe
- Amor, estás a deixar-me curioso, diz lá o que é – pediu, denotei-o
um pouco preocupado
- Fecha os olhos – pedi-lhe ainda sentada no seu colo
- O quê?
- Fecha os olhos, vá lá confia em mim… - ele lá fechou os olhos
Enquanto ele tinha os olhos fechado
dei-lhe um demorado beijo na bochecha e depois fui dando-lhe leves beijinhos até
aos seus lábios onde lhe dei um beijo.
- As melhores coisas do mundo são para serem sentidas e não vistas –
disse calmamente enquanto percorria a sua bochecha até à sua orelha – Amo-te! – sussurrei-lhe ao ouvido o que
sentia já há alguns dias mas que hoje tinha 200% de certeza
Vi-o a abrir os olhos, assim como
um sorrio incrédulo. Sorri-lhe de volta e rapidamente senti o seu corpo sobre o
meu no sofá e os seus lábios nos meus. Num beijo carregado de sentimento, onde
as tais borboletas no estômago se fizeram sentir. Posso até dizer que foi o
melhor beijo que alguma vez dei. Não só foi o mais especial, como foi o mais
sentido, o mais saboroso, o mais carinhoso e ao mesmo tempo atrevido, diria que
foi o mais amado!
O beijo acabou e o Sílvio deu-me um beijinho o nariz e outro na boca para
depois ficar longos minutos apenas a olhar-me nos olhos.
- Repete, princesa… – disse sorrindo, sorrindo e sorrindo
- Sílvio Manuel Ferreira Azevedo Sá Pereira, eu amo-te!
Como irá ser o resto da noite?
Que futuro está reservado para este casal?
Princesas, aqui fica o capítulo 30 espero que gostem e que comentem :)
Muito, muito obrigada a todas as meninas lindas que comentaram o meu ultimo capitulos, vocês são fantásticas! <3
Beijinhos
Didi Martins








