sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Capítulo 22 – “Eu estou contigo e para sempre”


Diana
Levantei-me com as galinhas, não consegui dormir a noite inteira, as palavras que a Laura me tinha dito andavam a remoer dentro de mim. Pegava vezes e vezes sem conta no telemóvel para lhe telefonar, ou mandar uma simples mensagem, mas na hora de carregar no botão verde faltava-me a coragem. Talvez fosse o orgulho a falar mais alto, que o coração. “Fogo mas o que é que se passa comigo? Eu não sou assim! Esquece-o Diana. Esquece-o. Esquece-o”, pensava para mim mesma. Fui até à minha varanda e vislumbrei o mar, deviam ser umas 6 da manhã, hora ideal para eu ir surfar. Surfar era umas das poucas coisas que me faziam esquecer tudo, pelo menos por algum tempo!
Vesti o meu bikini e os meus calções.
Antes de sair ainda passei pela cozinha para comer uma maça. Peguei na prancha e na toalha e fui surfar.
A praia estava completamente vazia e ainda não era completamente de dia, o sol ainda estava a nascer. Todo este ambiente acalmava-me…
Surfar deixava-me mesmo relaxada depois de já ter apanhado muitas ondas, ia a sair da água quando fico completamente abismada ao ver quem é que estava sentado na areia á minha espera. Esfrego os olhos, de modo a confirmar que o que estava a ver não era uma alucinação. Mas aquela figura teimava a aparecer na minha visão. Decidi então voltar-lhe costas, eu devia estar mesmo a alucinar, o que eu via era impossível…
- Diana! – chamou-me. Simplesmente paralisei, eu conhecia tão bem esta voz, afinal não estava a alucinar Princesa! - disse pondo a sua mão no meu braço para me puxar. Todo o meu corpo se arrepiou com o seu toque. Queria pronunciar o seu nome, queria mas as palavras não saiam. As lágrimas era tudo o que era visível naquele momento, eram elas as únicas que denunciavam o meu desespero, a minha ansiedade, a minha saudade.
- Diana por favor, olha para mim - disse ele rodando-me para si - Olha para mim - insistiu colocando o seu dedo polegar sobre o meu queixo fazendo os meus olhos encontrarem-se com os seus. Quando o olhei só quis lançar-me para os seus braços e voltar a beijá-lo. Como sentia falta dele. O seu perfume rapidamente se entranhou em mim, os seus olhos castanhos-esverdiados brilhavam, mas não da mesma forma como quando estivéramos juntos.
- Sílvio... - pronunciei o seu nome pela primeira vez, acompanhado por uma lágrima teimosa que mesmo contra a minha vontade desceu pelos meus olhos - Eu não mereço que estejas aqui!
- Princesa, isso sou eu que decido. E eu acho que devo estar aqui! – disse limpando-me as lágrimas –Nós temos de falar, temos de esclarecer as coisas!
- Nós não temos nada para falar – pronunciei convicta. Mas o meu coração dizia totalmente o contrário.
- Sabes perfeitamente que temos! Eu não te vou largar enquanto tu não falares comigo!
- Sílvio... – disse-lhe com cara de súplica e com a voz a falhar-me
- Explica-me o porquê disto tudo, explica-me porque foges constantemente de mim e depois se não quiseres que fique eu vou embora e prometo que nunca mais me vês - disse à medida que os seus olhos se tornavam mais brilhantes. Eu não queria falar com ele, mas as suas últimas palavras fizeram com que me arrepiasse. A ideia de nunca mais o poder ver apertava-me o coração e tirava-me o ar.
- Fala – pronunciei friamente disposta a ouvi-lo
- Aqui? – olha em redor. Estávamos no meio da praia, ainda deserta, só eu, ele e o mar.
- Eu acho que é o local ideal! – disse novamente de uma maneira fria
- Porquê? - disse à medida que se ia aproximando, até que a sua mão tocou suavemente no meu rosto, o que fez com que todo o meu corpo se arrepiasse. Uma vontade súbita de me atirar para os seus braços e beijá-lo foi contrariada pela minha consciência que fez com que me afastasse. Naquele momento seguia as ordens da cabeça, ignorando as do coração.
- Porquê o quê? – fiz-me de desentendida
- Porquê foges de mim? O que é que te faz afastar de mim? O que é que te fez vir para Portugal sem me dizer nada? O que é que te afasta de mim enquanto eu sei que gostas de mim? Porque o fazes? Porquê? - interrogou já num tom de voz mais alto e desesperado
- Ahhh – comecei a gaguejar sem saber o que lhe responder, bem na verdade sabia o que eu fiz foi uma forma de fugir do que sinto, porque se não fugisse eu pensava que ia sofrer mais, mas agora estava a sofrer e sinceramente não sabia o que havia de fazer.
- Porquê? - perguntou levando suavemente a sua mão ao meu queixo.
- Eu sou assim tão importante para ti? – foi a primeira coisa que me veio à cabeça para dizer, e disse mas arrependi-me logo a seguir, e ai o meu coração batia a uma velocidade tal que parecia que me ia sair pela boca.
Eu era assim tão importante para ele ao ponto de ele vir a Portugal atrás de mim depois do que eu lhe fiz? Eu não merecia!
A sua reação à minha pergunta não foi imediata, talvez porque não esperasse que a fizesse, mas depois de alguma admiração ele solta um sorriso do tamanho mundo, um sorriso à Sílvio, um sorriso perfeito.
- Tu sabes a resposta a essa pergunta… - pronunciou calmamente
- Se eu soubesse não tinha perguntado – disse sorrindo, um sorriso nervoso
- Eu não gosto de ti… - neste momento o meu coração parou, se ele não gostava de mim o que é que ele estava aqui a fazer? - Eu estou apaixonado por ti! – automaticamente o meu coração começou de novo a bater a um ritmo normal e um sorriso formou-se na minha cara
- Eu… - preparava-me para lhe responder mas este interrompeu-me
- Espera, agora deixa-me dizer tudo o que sinto – não lhe respondi apenas lhe fiz um sinal para que continua-se. Ele pega na minha mão e começa a falar – Desde a primeira vez que te vi, houve qualquer coisa em ti que me cativou, desde então que não passo um minuto sem pensar em ti, todas as vezes que estávamos juntos sentia-me tão feliz contigo, os nossos passeios, os nossos almoços, quando ias ver os meus treinos ou jogos, bastava estares ao pé de mim para eu me sentir completo, era tudo tão perfeito, eras tão carinhosa, divertida, o teu o sorriso, os teus olhos, o teu cheiro, os teus lábios, os nossos beijos…  – a sua outra mão tocou suavemente no meu rosto, passando na minha bochecha, para logo em seguida agarrar no meu queixo obrigando-me a olhar-lhe diretamente nos olhos – os nossos beijos – repetiu suspirando - É em ti que penso quando falam em amor. É em ti que penso antes de dormir, ao acordar, a toda a hora do dia. És tudo para mim, e sempre serás e não posso controlar mais isso, pois é por ti que o meu coração bate neste momento e para o resto da minha vida! Por isso é que estou aqui, para tentar esclarecer as coisas contigo, porque quando estava contigo ou quando nos beijávamos sentia que sentias exatamente o mesmo que eu sinto por ti, tu própria o admites-te, mas estavas a chorar, por isso presumo que há algo muito forte que te afasta de mim, mas não faço a mínima o quê! Princesa por favor fala comigo, diz-me o que se passa – pediu-me visivelmente desesperado face à minha falta de reação, ainda estava em choque com a declaração do Sílvio, nunca pensei que ele gostasse tanto de mim. Decidi abrir o jogo e contar-lhe exatamente o que sentia.
- Eu sinto precisamente o mesmo que tu! Fogo eu tou completamente apaixonada por ti, tu não sais da minha cabeça nem por um minuto! Mas acima de tudo eu não consigo com que saias do meu coração! Eu pensei que ao afastar-me de ti, o que eu sentia por ti passava ou diminuía, mas não, teve o efeito contrário, aumentou bruscamente e fez-me ver que gosto muito mais de ti do que alguma vez pensei vir a gostar de alguém! É claro que eu gostava de ficar contigo o resto da minha vida, aliás amava! – confessava a chorar e eu pouco aos soluços – Se soubesses como estes dias longe de ti foram dolorosos  para mim! Ver-te triste e desiludido é a pior sensação do mundo, sentia-me tão culpada por te estar a magoar! – fiz uma pausa - Estava a morrer de saudades tuas, dos teus olhos lindos, do cheiro, do teu sorriso, de seres carinhoso para mim, dos teus abraços, de te ouvir chamar-me princesa, dos nossos beijos. Não imaginas a vontade que eu tenho de me atirar para o teu colo e matar todas estas saudades!
- E porque não o fazes? – perguntou
- Porque temos vidas muito diferentes, uma possível relação nossa nunca resultaria! Vivemos em mundos diferentes, países diferentes, convivemos com pessoas diferentes, temos idades diferentes… tantas razões para não dar certo! Mas acima de tudo vivemos muito longe um do outro, tu tens a tua vida em Madrid e eu tenho a minha aqui, eu tenho tudo aqui! Por isso teríamos de ter uma relação à distância e eu não acredito nisso e nem teria disposta a tal!
- Mas há uma razão que compensa todas as outras: “o amor” que sentimos é suficiente para ultrapassar todos os problemas, para ultrapassar todos os quilómetros, sejam eles 10 ou 1000 km! Eu acredito em relações à distância! E Madrid não é assim tão longe, podes ir lá nos fins-de-semana, ou eu posso vir cá quando tiver alguns dias de folga, as coisas podem resultar, basta nós querermos! – sentia que ele tinha razão, tinha uma vontade de dizer que concordava com ele e que estava disposta a arriscar, mas…
- Até podes ter razão, mas eu tenho medo! Não agora, porque tou de férias e posso ficar contigo em Madrid. Mas tenho medo que no final do verão as cenas acabem e que eu sofra com isso. Tenho medo que a nossa relação não resista à distância! Tenho medo de sofrer! Percebes? – perguntei assustada com a hipótese e completamente lavada em lágrimas
- Percebo, princesa! – compreendeu - Mas se isso acontecer, o que eu duvido, prefiro que aconteça depois de termos tentado e de termos feito tudo para dar certo! Nunca sabemos o que vai acontecer, não podemos evitar a felicidade do presente com medo do futuro! – dizia calmamente tentado convencer-me
Ele tinha razão, não podia viver com medo do futuro, tinha de aproveitar o presente e na altura logo se decidia ou logo se via o que é que ia acontecer! Até poderia dar certo. Tinha de deixar de ter medo!
- Gosto demasiado de ti para não tentar! – estava disposta a tentar, estava disposta a ser feliz com ele agora e pensar no futuro depois. O que estava a sofrer agora por estar longe dele, doía de mais para se suportado!
Sílvio responde-me com o seu sorriso mais belo. Ele avança para mim e pega-me ao colo, e roda-nos de felicidade, logo em seguida põe-me no chão, e deixa cair a sua mão do meu ombro para a minha cintura, olha-me nos olhos, eu ponho a mão no seu peito e ele beija-me. Começa por me beijar timidamente com movimentos suaves, lentos e carinhosos mas depois as saudades começam a falar mais alto e o beijo começa a tornar-se mais intenso, a sua língua invadiu a minha boca, explorando cada canto que lhe pertencia… Foi um beijo carregado de saudade, paixão, desejo e muito amor.
Sílvio interrompe o beijo.
- Falta uma coisa! – disse sorrindo
- O quê? – perguntei sem perceber, pois para mim estava tudo perfeito, ele estava comigo e isso é que interessava
Sílvio pega na minha mão e ajoelha-se na areia.
- Diana, queres namorar comigo? – não pude deixar de sorrir com o seu gesto, foi tão querido
- Claro que quero! Nem era preciso perguntares!
Sílvio levanta-se.
- Era sim, porque assim já é oficial e já te posso de chamar de namorada! – o meu coração disparou quando o ouvi dizer “namorada” nem acreditava no que estava a ouvir, aliás nem acreditava no que estava acontecer
O minha única reação foi beijá-lo, que saudades que eu tinha tido dele, dos nossos beijos, dos nosso momentos…
- Gosto muito, muito, muito, muito de ti, amor! – confessei-lhe sorrindo
- Amor? – perguntou surpreendido mas contente
- Sim, o meu amor!
- O quanto eu gosto de ouvir-te chamar-me isso!
- Amor – beijei-o- amor – beijei-o outra vez – amor – beijo – meu amor!
Sílvio acaba por me abraçar, que saudades que eu tinha de me sentir protegida nos seus braços, nos seus braços eu não tinha medo de nada! Acabo por o empurrar para a areia, onde acabei por me deitar em cima dele.
Eu tinha as minhas mãos no seu peito e ele pousou as suas na minha cintura, olhávamo-nos intensamente já a há alguns minutos. Ainda não acreditava que ele tinha vindo a Portugal atrás de mim e que eu estava neste momento com ele. Isto tudo parecia um sonho.
- Ainda nem acredito que estas aqui! – confessei olhando-o nos olhos e passando as minhas mãos pelo seu cabelo
- Porquê? – perguntou chegando-me mais para si, estávamos completamente colados
- Sabes quando queres muito, muito uma coisa? – ele diz que sim com a cabeça – e depois de a teres ainda nem acreditas, porque desejas-te muito isso e porque só nos teus sonhos é que isso acontecia! É isso que eu sinto!
- Ahhh então queres dizer que sonhavas comigo? – reparou sorrindo
- Sim – disse muito envergonhada e não conseguindo olha-lo nos olhos
- Mas eu percebo-te a mim aconteceu-me o mesmo, mas acredita que eu estou contigo e para sempre – disse sorrindo – As saudades que eu tinha de fazer a minha princesa corar!
Dei-lhe um leve beijo nos lábios, tentado disfarçar a minha vergonha.
- E já agora eu também sonhava contigo – confessou-me bem pertinho do meu ouvido. Começou a dar-me pequenos beijinhos junto à orelha, passando pelas minhas bochechas, nariz, e queixo, o que me fez estremecer. Logo depois beija-me, finalmente, os lábios de uma forma muito doce e carinhosa.
- Adoro-te – disse-lhe ao ouvido, um pouco envergonhada
- Também eu! Gosto tanto de ti, minha princesa! – beijamo-nos novamente para em seguida nos sentarmos, sentei-me no seu colo.
- Mas olha como sabias que eu estava na praia? – perguntei curiosa
- Porque a minha princesa adora acordar cedo para surfar, ela ama a praia, o mar, a areia molhada, adora ver o sol a nascer e palpitei que precisasses de pensar… por isso só podias estar aqui! E depois cheguei aqui e vi alguém a surfar, só podias ser tu! – inevitavelmente sorri, ele já me conhecia tão bem
- É bom saber que já me conheces! Mas olha, o Atlético deixo-te vir a Portugal? – perguntei novamente curiosa
- Pois… - começou a gaguejar – Deixaram! – disse nada convicto
- Assim sem mais nem menos? – desconfiei da sua resposta
- E talvez uma tia minha está assim muito doentinha e tinha de a vir visitar a Portugal! – confessou descaradamente
- Sílvio!!! Tu és doido!!!
- Sou doido por ti – ele era tão querido
- Sim, sim, és maluquinho - brinquei
- Sim também sou maluquinho por ti – rimos em conjunto
- Oh mas não devias ter mentido – reprovei o seu ato
- Foi por uma boa razão – desculpou-se
- Sim mas não voltes a repetir a gracinha, porque se és apanhado, estás feito – avisei-o
- Fica descansada eu não repito a gracinha, até porque não será necessário, tu não voltarás a fugir de mim! – disse descontraidamente
Não lhe respondi, apenas o beijei.
- Voltas comigo hoje para Madrid? – perguntou, pois afinal era este o verdadeiro motivo que o tinha trazido a Portugal: levar-me de volta para Madrid
- Claro amor! Vais a que horas?
- Devo ir à tarde, porque ainda tenho de ir a Lisboa visitar a minha mãe porque se ela sabe que estive em Portugal e não a fui visitar mata-me!
- Sim, por mim pode ser. Até me dá jeito porque tenho de avisar a família e fazer as malas – informei-lhe
- Então lá para o meio da tarde venho buscar a minha namorada, pode ser?
- Está ótimo, namorado! – “namorado” isto era tão perfeito
- Então vou – disse levantando-se fazendo com que eu também me levantasse
- Já? – perguntei espontaneamente
- Sim – sorriu - o tempo passa num instante e logo, logo já estamos juntos outra vez, princesa! – disse agarrando-me pela cintura e beijando-me
- Oh estava a gostar de estar aqui contigo, a namorar… - afirmei melosa
- Também eu! Mas princesa tenho que ir! – disse desanimado
- Pronto, tá bem! – cedi e peguei nas minha coisas e acompanhei-o até ao seu carro
- Até já minha princesa – despede-se de mim com um beijo
- Adeus amor! – não resisti e dei-lhe outro beijo, para depois o Sílvio ir até Lisboa ter com a sua mãe e eu regressar felicíssima e apaixonadíssima a casa

Muito boa noite :P 
Como prometi aqui está o capitulo, postado bem rapidinho! Espero que tenham gostado, principalmente deste capitulo em que a Diana e o Sílvio ficam bem! Que acharam desta reconciliação? Espero os vossos comentários.
Beijinhos
Didi Martins

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Capítulo 21 – “Vou simplesmente lutar pela mulher que amo!”

- Diana, levanta-te nem penses que vais ficar o dia todo na cama! – a inevitável voz da minha melhor amiga invadiu o meu quarto, o que fez com que eu desperta-se do estado de dormência em que me encontrava já há longas horas. Ela dirige-se à janela e abre a persiana, a luz do sol de um típico dia de verão a brilhar lá fora entra pelo meu quarto e encadeia-me os olhos
- Hummm, fecha isso! – pedi-lhe
- Diana, anda levanta esse rabo da cama! – diz chegando-se ao pé de mim, destapando-me e dando-me leves palmadas no meu rabo
- Deixa-me dormir, não é assim tão tarde – disse ao mesmo tempo que volto a puxar o lençol que à pouco cobria o meu corpo
- Claro que não é tarde – ironizou – são precisamente 11horas e 43 minutos da manhã, está um dia magnifico de verão e tu não o vais desperdiçar ficando aqui fechada a pensar no Síl… - parou, não disse o nome dele, apenas algumas letras, mas eu percebi que ela se referia ao “Meu Sílvio” bem ele meu não era, mas eu gostava que fosse
- Eu sou tão estúpida, eu gosto dele, porquê que isto custa tanto? – disse já com umas lágrimas a querer escorrer-me pela face e ao mesmo tempo sentava-me na cama
- Jeitosa não penses nisso!
- Achas que é por eu não pensar nisso que ele desaparece? – perguntei com uma certa agressividade, o que não era normal em mim
- Não. Mas ajuda, e aliás foste tu que quises-te as coisas assim! – disse, esta realmente era uma grande qualidade da minha melhor amiga: Eu podia estar mal, a sofrer mas não era por causa disso, por muito que custasse ouvir, que esta me deixaria de dizer aquilo que pensa, e que neste caso era a verdade – e se quiseres não é tarde para voltar atrás mas se tens a certeza que queres ficar longe dele e esquece-lo é isso que tens de fazer. Não podes estar sempre a vacilar, fogo miúda tu nunca foste insegura.
- Eu sei, e eu tenho a certeza que ficar longe dele é o melhor mas custa – a minha voz saiu aguda, neste momento as lágrimas eram uma constante – Ele deve estar a odiar-me neste momento por eu ter fugido dele!
- Tens de ser forte – concordei com ela abanando a cabeça de cima para baixo, de modo a dizer sim - Não fiques assim, anda vais tomar um banho, eu escolho-te uma roupa gira, vamos almoçar, espairecer, vai-te fazer bem – da-me um beijinho na testa – Depois do almoço vamos ver as notas dos exames e inscrevermos-nos na faculdade, pode ser? – perguntou sorrindo
- Tem que ser!
Levantei-me e fui tomar banho, fez-me bem para relaxar um pouco.
Saí da casa de banho em toalha e dirijo-me ao meu quarto, estava arrumadinho a minha Laura tinha-me feito a cama e em cima desta estava roupa para eu vestir.
- Obrigada jeitosa – passei ao pé dela e dei-lhe um beijinho na cara
- De nada – disse sorrindo e retribuindo-me o beijinho
- De nada não, tu aturaras-me e eu sei que não é uma tarefa fácil! Por isso obrigada - brinquei
- Tu também me aturas! Já viste que chato temos que nos aturar uma à outra! – sorri com a sua observação, ela sabia com por-me bem-disposta
Vesti-me.
- Vamos almoçar aonde? – perguntei-lhe já despachada para sair
- Ao snack-bar do costume!
- Claro!
***

Tivemos um belo almoço, a minha amiga sabia mesmo como me distrair e fazer-me abstrair dos problemas.
- Bem bora ver as notas? – perguntou-me assim que acabámos de almoçar
- Ui que medo! – estava um pouco nervosa, trabalhei durante 3 anos para conseguir a média e concretizar o meu sonho, só espero que o trabalho e empenho tenham dado frutos
Saímos do snack-bar e fomos até à escola ver as notas. Estava felicíssima! Tinha tirado 18 valores a matemática A! Dava perfeitamente para entrar na faculdade que queria! A minha felicidade também foi compartilhada com a Laura que tal como eu também tinha tirado boa nota no exame de matemática A, em seguida fomos tratar da candidatura à faculdade. Outro momento que me fazia lembrar o Sílvio e o porquê de ter de ficar longe dele, eu tinha tudo aqui, os meus amigos, a família, os meus estudos, o meu sonho…
Depois de já termos tratado de tudo, ia a caminho de casa quando recebo uma mensagem do Sílvio.
Um arrepio percorreu a minha espinha assim que acabei de ler a mensagem.
- Era do Sílvio? – perguntou a minha amiga vendo a minha reação
- Let me loosen up the blindfold, I'll fly when you cry, Lift us out of this landslide, Wherever you go, Whenever we part, I'll keep on healing all the scars, That we've collected from the start, I'd rather this than live without you, For every wish upon a star, That goes unanswered in the dark – lia-lhe a mensagem em voz alta e neste momento emocionei com estas palavras - I'll shine when you shine – finalizei
- O homem é mesmo espetacular! – deixou escapar
Não pude de deixar, ainda que mentalmente, de concordar com ela, eu estava a magoá-lo e ele mesmo assim não me odiava e não estava chateado comigo! Fogo ele era mesmo uma pessoa espetacular, não merecia de todo aquilo que estava a acontecer. Isto ainda me fazia sentir mais culpada do que já me sentia.
Ainda fiquei um tempo indefinido a assimilar as suas palavras para depois me decidir e responder-lhe à mensagem.

De: Diana
Para: Sílvio
Mesmo longe consegues fazer-me arrepiar! Nunca duvides que eu gosto muito de ti e que nunca foi minha intenção magoar-te, mas há demasiadas coisas que nos separam!
“Nunca fiques magoado com quem um dia te fez sorrir, lembra-te apenas dos bons momentos e sorri!”
Magoado já vi que não ficas-te, agora resta-te sorrir pelos bons momentos que vivemos, que foram muitos, e deixa-los onde eles estão: no passado!
Peço desculpa!
Beijo

Enviei a mensagem e a seguir desliguei o meu telemóvel para não ter de ler mais mensagens dele ou receber chamadas.
- Tu estás tão apaixonada por ele! – comentou
- Não fazes ideia o quanto me custa estar a fazer-lhe isto, estar longe dele, estar a magoá-lo! Tenho saudades dele! – admitia chorando com o olhar pregado ao chão
- Sabes a mensagem que ele te enviou deve ser a letra de uma música! – dizia pensativa – mas não estou a ver qual!
- Quase que aposto que deve ser uma música dos Pearl Jam ou assim! É a banda preferida dele… - esclareci, ao que a minha melhor amiga apenas me sorri – É inevitável não pensar nele… - expliquei-lhe

***

Mesmo sem a mínima vontade a minha melhor amiga arrastou-me até à praia. Observava o mar ao seu lado.
Já era final de tarde e a praia estava quase deserta, apenas alguns surfistas figuravam na linda paisagem. Apenas se ouvia o rebentar das ondas, o mar estava agitado e revoltado. Até parecia que me queria dizer algo. 
Sempre que estava com problemas ia para a praia pensar, quando saia ia sempre mais aliviada e tranquila, mas hoje isso não estava a acontecer. Só estava a ficar com mais dúvidas e incertezas. Mas havia uma coisa que andava a matutar na minha cabeça. As palavras que o Sílvio me enviou, já as sabia de cor mas sentia a necessidade de ir ver o resto da letra dessa música.
- Empresta-me o teu telemóvel – pedi-lhe, pois não queria ligar o meu, ela assim o fez e escrevi no Google parte da música. Que rapidamente apareceu a totalidade. Eddie Vedder – Without you, procurei no youtube e pus a música a dar.
Fiquei simplesmente sem palavras. Completamente atónica, a música tinha uma letra linda, a voz do Eddie era tão magnífica, a letra dizia-me tanto…
- Isto tudo está a matar-me! Sinto-me pior que um casco! Sinto-me a pior pessoa do mundo, a mais infeliz, pensei que se me afastasse dele este sentimento que invade o meu coração sem pedir autorização fosse embora, mas pelos visto enganei-me redondamente… - desabafava algo desesperada - Parece que quanto mais longe dele, mas eu gosto dele...
- Uma vez um senhor qualquer disse uma frase que nunca mais me esqueci, qualquer coisa como: “A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande." Acho que a frase diz tudo e que devias tirar as tuas próprias conclusões…

Sílvio
Enviei a mensagem à minha princesa e depois fui rapidamente para o treino, não tendo tempo para ver se ela me respondeu. Por isso mesmo passei o treino um bocado na lua, pensando nela. Até o mister reparou e chamou-me à atenção! O treino acabou já era tarde, hoje tivemos uma sessão mais intensa e com trabalho de ginásio. Fui-me despachar e decidi só verificar o telemóvel no carro para ter mais privacidade.
Fez-se luz na minha cabeça quando li a sua mensagem, por isso é que ela me tinha dito aquela frase, naquela manhã no parque, por isso é que ela estava naquele estado e queria apenas ficar agarrada a mim… Neste momento tudo fazia sentido, pena é ser já um pouco tarde! Não Sílvio, nunca é tarde para o amor, se gostas mesmo dela luta por isso, eu não posso deixar escapar por entre os dedos a mulher que amo! Pensava convicto.
Comecei a ter umas ideias…
Pensei e repensei nelas um montão de vezes, tanto que já era de noite e eu estava no meu quarto a olhar a lua na varanda, a considerar se a ideia que eu tinha em mente era de todo acertada e se não seria demasiado precipitada. Não me conseguia decidir! Precisava da opinião de terceiros! Já era tarde, na verdade, muito tarde mas eu precisava mesmo de falar com o Tomás de lhe perguntar a sua opinião sobre a minha ideia.
Liguei-lhe e passados uns minutos ele já estava à porta da minha casa.
- Tou a pensar ir ter com a Didi a Portugal! – disse a uma velocidade estonteante assim que vi o Tomás – Que achas?
- O quê? Que tal falares mais devagar porque eu não percebi nada!
- Estou a pensar ir ter com a Didi a Portugal! Tenho de esclarecer as coisas entre nós! – repeti mais pausadamente
- Tou a pensar que tu és doido! – exprimiu muito surpreendido
- Eu não sou doido, vou simplesmente lutar pela mulher que amo! – defendi-me - Agora queria saber a tua opinião, achas que estou a ser precipitado?
- Sinceramente não sei o que te diga! Mas sempre achei que era um erro a Didi ir embora, porque ela gosta de ti e tu gostas dela, por isso não deviam desperdiçar e ignorar aquilo que sentem!
- Se calhar até pode ser um erro ir até lá, mas eu tenho de tentar eu não posso desistir sem sentir que tentei tudo por tudo para ficar com ela!
- Força! É o melhor a fazer! – incentivou-me, era mesmo aquilo que eu queria ouvir
Subi a escadas numa correria louca e pus uma troca de roupa dentro de uma mala e desci de novo.
- Vais agora? Assim sem avisar ninguém? – perguntou espantado o Tomás que continuava na minha sala. Eram cerca de meia-noite e meia.
- Que tem? Não deve haver aviões a esta hora, por isso vou de carro, se for agora chego lá amanhã de manhã! (são cerca de 6 horas de carro de Lisboa-Madrid) Ainda bem que me lembras, porque tenho de avisar o Jorge (o Mendes, empresário dele) que vou a Portugal, para ele dar uma desculpa qualquer ao Atlético de Madrid – começava a pensar em cada pormenor que precisava para ir ter com a Didi – Ah mais uma coisa, diz-me ai onde é que ela mora, se faz favor – pedi ao Tomás
Tomás lá me deu as indicações necessárias para eu ir ao encontro da minha princesa, entretanto liguei ao Jorge e ele disse que se encarregava de dizer ao Atlético de Madrid que eu tinha de ir urgentemente a Portugal tratar de assuntos pessoais. Estava tudo pronto, verificava as coisas na minha cabeça, para que nada faltasse, já tinha uma troca de roupa, já tinha avisado o Atlético, já sabia o caminho para a casa da Didi… Acho que estava tudo! Peguei na mala e sai!
- Vê se voltas com a Didi! – desejou o Tomás antes mesmo de eu ligar o motor do carro
- Vou fazer por isso!
Liguei o carro e segui caminho ao encontro da princesa da minha vida…

Como correrá o reencontro da Didi e do Sílvio? 
Resolveram eles os problemas?

Olá :D
Aqui fica mais um capitulo! Sendo que o próximo vai ser postado muito em breve  :)  
Espero que tenham gostado e que deixem a vossa opinião!
Agradecer à Ana Laranjeira pela frase “A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande"(Bussy-Rabutin) Obrigado pela inspiração :) 
Vocês já sabem que sempre que quiserem podem deixar sugestões e opiniões sobre o rumo da história ou sobre o que gostavam que acontecesse!
Beijinhos
Didi Martins