Diana
Levantei-me
com as galinhas, não consegui dormir a noite inteira, as palavras que a Laura
me tinha dito andavam a remoer dentro de mim. Pegava vezes e vezes sem conta no
telemóvel para lhe telefonar, ou mandar uma simples mensagem, mas na hora de
carregar no botão verde faltava-me a coragem. Talvez fosse o orgulho a falar
mais alto, que o coração. “Fogo mas o que é que se passa comigo? Eu não sou
assim! Esquece-o Diana. Esquece-o. Esquece-o”, pensava para mim mesma. Fui até
à minha varanda e vislumbrei o mar, deviam ser umas 6 da manhã, hora ideal para
eu ir surfar. Surfar era umas das poucas coisas que me faziam esquecer
tudo, pelo menos por algum tempo!
Vesti o
meu bikini e os meus calções.
Antes
de sair ainda passei pela cozinha para comer uma maça. Peguei na prancha e na
toalha e fui surfar.
A praia
estava completamente vazia e ainda não era completamente de dia, o sol ainda
estava a nascer. Todo este ambiente acalmava-me…
Surfar
deixava-me mesmo relaxada depois de já ter apanhado muitas ondas, ia a sair da
água quando fico completamente abismada ao ver quem é que estava sentado na
areia á minha espera. Esfrego os olhos, de modo a confirmar que o que estava a
ver não era uma alucinação. Mas aquela figura teimava a aparecer na minha
visão. Decidi então voltar-lhe costas, eu devia estar mesmo a alucinar, o que
eu via era impossível…
- Diana! – chamou-me. Simplesmente paralisei, eu conhecia tão bem
esta voz, afinal não estava a alucinar – Princesa!
- disse pondo a sua mão no meu braço para me puxar. Todo o meu corpo se
arrepiou com o seu toque. Queria pronunciar o seu nome, queria mas as palavras
não saiam. As lágrimas era tudo o que era visível naquele momento, eram elas as
únicas que denunciavam o meu desespero, a minha ansiedade, a minha saudade.
- Diana por favor, olha para mim - disse ele rodando-me para si - Olha para mim - insistiu colocando o
seu dedo polegar sobre o meu queixo fazendo os meus olhos encontrarem-se com os
seus. Quando o olhei só quis lançar-me para os seus braços e voltar a beijá-lo.
Como sentia falta dele. O seu perfume rapidamente se entranhou em mim, os seus
olhos castanhos-esverdiados brilhavam, mas não da mesma forma como quando
estivéramos juntos.
- Sílvio... - pronunciei o seu nome pela primeira vez, acompanhado
por uma lágrima teimosa que mesmo contra a minha vontade desceu pelos meus
olhos - Eu não mereço que estejas
aqui!
- Princesa, isso sou eu que decido. E eu acho que devo estar aqui! – disse
limpando-me as lágrimas –Nós temos de falar,
temos de esclarecer as coisas!
- Nós não temos nada para falar – pronunciei convicta. Mas o meu
coração dizia totalmente o contrário.
- Sabes perfeitamente que temos! Eu não te
vou largar enquanto tu não falares comigo!
- Sílvio... – disse-lhe com cara de súplica e com a voz a falhar-me
- Explica-me o porquê disto tudo, explica-me porque foges constantemente
de mim e depois se não quiseres que fique eu vou embora e prometo que nunca
mais me vês - disse à medida que os seus olhos se tornavam mais brilhantes.
Eu não queria falar com ele, mas as suas últimas palavras fizeram com que me
arrepiasse. A ideia de nunca mais o poder ver apertava-me o coração e tirava-me
o ar.
- Fala – pronunciei friamente disposta a ouvi-lo
- Aqui? – olha em redor. Estávamos no meio da praia, ainda deserta,
só eu, ele e o mar.
- Eu acho que é o local ideal! – disse novamente de uma maneira fria
- Porquê? - disse à medida que se ia aproximando, até que a sua mão
tocou suavemente no meu rosto, o que fez com que todo o meu corpo se arrepiasse.
Uma vontade súbita de me atirar para os seus braços e beijá-lo foi contrariada
pela minha consciência que fez com que me afastasse. Naquele momento seguia as
ordens da cabeça, ignorando as do coração.
- Porquê o quê? – fiz-me de desentendida
- Porquê foges de mim? O que é que te faz afastar de mim? O que é que te
fez vir para Portugal sem me dizer nada? O que é que te afasta de mim enquanto
eu sei que gostas de mim? Porque o fazes? Porquê? - interrogou já num tom
de voz mais alto e desesperado
- Ahhh – comecei a gaguejar sem saber o que lhe responder, bem na
verdade sabia o que eu fiz foi uma forma de fugir do que sinto, porque se não fugisse
eu pensava que ia sofrer mais, mas agora estava a sofrer e sinceramente não
sabia o que havia de fazer.
- Porquê? - perguntou levando suavemente a sua mão ao meu queixo.
- Eu sou assim tão importante para ti? – foi a primeira coisa que me
veio à cabeça para dizer, e disse mas arrependi-me logo a seguir, e ai o meu
coração batia a uma velocidade tal que parecia que me ia sair pela boca.
Eu era assim tão
importante para ele ao ponto de ele vir a Portugal atrás de mim depois do que
eu lhe fiz? Eu não merecia!
A sua reação à minha
pergunta não foi imediata, talvez porque não esperasse que a fizesse, mas
depois de alguma admiração ele solta um sorriso do tamanho mundo, um sorriso à
Sílvio, um sorriso perfeito.
- Tu sabes a resposta a essa pergunta… - pronunciou calmamente
- Se eu soubesse não tinha perguntado – disse sorrindo, um sorriso
nervoso
- Eu não gosto de ti… - neste momento o meu coração parou, se ele não
gostava de mim o que é que ele estava aqui a fazer? - Eu estou apaixonado por ti! – automaticamente o meu coração começou
de novo a bater a um ritmo normal e um sorriso formou-se na minha cara
- Eu… - preparava-me para lhe responder mas este interrompeu-me
- Espera, agora deixa-me dizer tudo o que sinto – não lhe respondi
apenas lhe fiz um sinal para que continua-se. Ele pega na minha mão e começa a
falar – Desde a primeira vez que te vi, houve
qualquer coisa em ti que me cativou, desde então que não passo um minuto sem pensar
em ti, todas as vezes que estávamos juntos sentia-me tão feliz contigo, os
nossos passeios, os nossos almoços, quando ias ver os meus treinos ou jogos,
bastava estares ao pé de mim para eu me sentir completo, era tudo tão perfeito,
eras tão carinhosa, divertida, o teu o sorriso, os teus olhos, o teu cheiro, os
teus lábios, os nossos beijos… – a
sua outra mão tocou suavemente no meu rosto, passando na minha bochecha, para
logo em seguida agarrar no meu queixo obrigando-me a olhar-lhe diretamente nos
olhos – os nossos beijos – repetiu
suspirando - É em ti que penso quando
falam em amor. É em ti que penso antes de dormir, ao acordar, a toda a hora do
dia. És tudo para mim, e sempre serás e não posso controlar mais isso, pois é
por ti que o meu coração bate neste momento e para o resto da minha vida! Por
isso é que estou aqui, para tentar esclarecer as coisas contigo, porque quando
estava contigo ou quando nos beijávamos sentia que sentias exatamente o mesmo
que eu sinto por ti, tu própria o admites-te, mas estavas a chorar, por isso
presumo que há algo muito forte que te afasta de mim, mas não faço a mínima o
quê! Princesa por favor fala comigo, diz-me o que se passa – pediu-me
visivelmente desesperado face à minha falta de reação, ainda estava em choque
com a declaração do Sílvio, nunca pensei que ele gostasse tanto de mim. Decidi
abrir o jogo e contar-lhe exatamente o que sentia.
- Eu sinto precisamente o mesmo que tu! Fogo eu tou completamente
apaixonada por ti, tu não sais da minha cabeça nem por um minuto! Mas acima de
tudo eu não consigo com que saias do meu coração! Eu pensei que ao afastar-me
de ti, o que eu sentia por ti passava ou diminuía, mas não, teve o efeito contrário,
aumentou bruscamente e fez-me ver que gosto muito mais de ti do que alguma vez
pensei vir a gostar de alguém! É claro que eu gostava de ficar contigo o resto
da minha vida, aliás amava! – confessava a chorar e eu pouco aos soluços – Se soubesses como estes dias longe de ti
foram dolorosos para mim! Ver-te triste
e desiludido é a pior sensação do mundo, sentia-me tão culpada por te estar a
magoar! – fiz uma pausa - Estava a
morrer de saudades tuas, dos teus olhos lindos, do cheiro, do teu sorriso, de
seres carinhoso para mim, dos teus abraços, de te ouvir chamar-me princesa, dos
nossos beijos. Não imaginas a vontade que eu tenho de me atirar para o teu colo
e matar todas estas saudades!
- E porque não o fazes? – perguntou
- Porque temos vidas muito diferentes, uma possível relação nossa nunca
resultaria! Vivemos em mundos diferentes, países diferentes, convivemos com
pessoas diferentes, temos idades diferentes… tantas razões para não dar certo!
Mas acima de tudo vivemos muito longe um do outro, tu tens a tua vida em Madrid
e eu tenho a minha aqui, eu tenho tudo aqui! Por isso teríamos de ter uma
relação à distância e eu não acredito nisso e nem teria disposta a tal!
- Mas há uma razão que compensa todas as outras: “o amor” que sentimos é
suficiente para ultrapassar todos os problemas, para ultrapassar todos os
quilómetros, sejam eles 10 ou 1000 km! Eu acredito em relações à distância! E
Madrid não é assim tão longe, podes ir lá nos fins-de-semana, ou eu posso vir
cá quando tiver alguns dias de folga, as coisas podem resultar, basta nós
querermos! – sentia que ele tinha razão, tinha uma vontade de dizer que
concordava com ele e que estava disposta a arriscar, mas…
- Até podes ter razão, mas eu tenho medo! Não agora, porque tou de férias
e posso ficar contigo em Madrid. Mas tenho medo que no final do verão as cenas
acabem e que eu sofra com isso. Tenho medo que a nossa relação não resista à
distância! Tenho medo de sofrer! Percebes? – perguntei assustada com a
hipótese e completamente lavada em lágrimas
- Percebo, princesa! – compreendeu - Mas se isso acontecer, o que eu duvido, prefiro que aconteça depois de
termos tentado e de termos feito tudo para dar certo! Nunca sabemos o que vai
acontecer, não podemos evitar a felicidade do presente com medo do futuro! –
dizia calmamente tentado convencer-me
Ele tinha razão, não
podia viver com medo do futuro, tinha de aproveitar o presente e na altura logo
se decidia ou logo se via o que é que ia acontecer! Até poderia dar certo.
Tinha de deixar de ter medo!
- Gosto demasiado de ti para não tentar! – estava disposta a tentar,
estava disposta a ser feliz com ele agora e pensar no futuro depois. O que
estava a sofrer agora por estar longe dele, doía de mais para se suportado!
Sílvio responde-me com o
seu sorriso mais belo. Ele avança para mim e pega-me ao colo, e roda-nos de
felicidade, logo em seguida põe-me no chão, e deixa cair a sua mão do meu ombro
para a minha cintura, olha-me nos olhos, eu ponho a mão no seu peito e ele
beija-me. Começa por me beijar timidamente com movimentos suaves, lentos e carinhosos
mas depois as saudades começam a falar mais alto e o beijo começa a tornar-se
mais intenso, a sua língua invadiu a minha boca, explorando cada canto que lhe
pertencia… Foi um beijo carregado de saudade, paixão, desejo e muito amor.
Sílvio interrompe o
beijo.
- Falta uma coisa! – disse sorrindo
- O quê? – perguntei sem perceber, pois para mim estava tudo
perfeito, ele estava comigo e isso é que interessava
Sílvio pega na minha mão
e ajoelha-se na areia.
- Diana, queres namorar comigo? – não pude deixar de sorrir com o seu
gesto, foi tão querido
- Claro que quero! Nem era preciso perguntares!
Sílvio levanta-se.
- Era sim, porque assim já é oficial e já te posso de chamar de namorada!
– o meu coração disparou quando o ouvi dizer “namorada” nem acreditava no que
estava a ouvir, aliás nem acreditava no que estava acontecer
O minha única reação foi
beijá-lo, que saudades que eu tinha tido dele, dos nossos beijos, dos nosso
momentos…
- Gosto muito, muito, muito, muito de ti, amor! – confessei-lhe
sorrindo
- Amor? – perguntou surpreendido mas contente
- Sim, o meu amor!
- O quanto eu gosto de ouvir-te chamar-me isso!
- Amor – beijei-o- amor –
beijei-o outra vez – amor – beijo – meu amor!
Sílvio acaba por me abraçar,
que saudades que eu tinha de me sentir protegida nos seus braços, nos seus
braços eu não tinha medo de nada! Acabo por o empurrar para a areia, onde
acabei por me deitar em cima dele.
Eu tinha as minhas mãos
no seu peito e ele pousou as suas na minha cintura, olhávamo-nos intensamente
já a há alguns minutos. Ainda não
acreditava que ele tinha vindo a Portugal atrás de mim e que eu estava neste
momento com ele. Isto tudo parecia um sonho.
- Ainda nem acredito que estas aqui! –
confessei olhando-o nos olhos e passando as minhas mãos pelo seu cabelo
- Porquê? – perguntou chegando-me mais
para si, estávamos completamente colados
- Sabes quando queres muito, muito uma coisa?
– ele diz que sim com a cabeça – e
depois de a teres ainda nem acreditas, porque desejas-te muito isso e porque só
nos teus sonhos é que isso acontecia! É isso que eu sinto!
- Ahhh então queres dizer que sonhavas
comigo? – reparou sorrindo
- Sim – disse muito envergonhada e não
conseguindo olha-lo nos olhos
- Mas eu percebo-te a mim aconteceu-me o
mesmo, mas acredita que eu estou contigo e para sempre – disse sorrindo – As saudades que eu tinha de fazer a minha
princesa corar!
Dei-lhe um leve
beijo nos lábios, tentado disfarçar a minha vergonha.
- E já agora eu também sonhava contigo – confessou-me
bem pertinho do meu ouvido. Começou a dar-me pequenos beijinhos junto à orelha,
passando pelas minhas bochechas, nariz, e queixo, o que me fez estremecer. Logo
depois beija-me, finalmente, os lábios de uma forma muito doce e carinhosa.
- Adoro-te – disse-lhe ao ouvido, um
pouco envergonhada
- Também eu! Gosto tanto de ti, minha
princesa! – beijamo-nos novamente para em seguida nos sentarmos, sentei-me
no seu colo.
- Mas olha como sabias que eu estava na
praia? – perguntei curiosa
- Porque a minha princesa adora acordar cedo
para surfar, ela ama a praia, o mar, a areia molhada, adora ver o sol a nascer
e palpitei que precisasses de pensar… por isso só podias estar aqui! E depois cheguei aqui e vi alguém a surfar,
só podias ser tu! – inevitavelmente sorri, ele já me conhecia tão bem
- É bom saber que já me conheces! Mas olha, o
Atlético deixo-te vir a Portugal? – perguntei novamente curiosa
- Pois… - começou a gaguejar – Deixaram! – disse nada convicto
- Assim sem mais nem menos? – desconfiei da
sua resposta
- E talvez uma tia minha está assim muito
doentinha e tinha de a vir visitar a Portugal! – confessou descaradamente
- Sílvio!!! Tu és doido!!!
- Sou doido por ti – ele era tão querido
- Sim, sim, és maluquinho - brinquei
- Sim também sou maluquinho por ti – rimos
em conjunto
- Oh mas não devias ter mentido –
reprovei o seu ato
- Foi por uma boa razão – desculpou-se
- Sim mas não voltes a repetir a gracinha,
porque se és apanhado, estás feito – avisei-o
- Fica descansada eu não repito a gracinha,
até porque não será necessário, tu não voltarás a fugir de mim! – disse descontraidamente
Não lhe
respondi, apenas o beijei.
- Voltas comigo hoje para Madrid? –
perguntou, pois afinal era este o verdadeiro motivo que o tinha trazido a
Portugal: levar-me de volta para Madrid
- Claro amor! Vais a que horas?
- Devo ir à tarde, porque ainda tenho de ir a
Lisboa visitar a minha mãe porque se ela sabe que estive em Portugal e não a
fui visitar mata-me!
- Sim, por mim pode ser. Até me dá jeito
porque tenho de avisar a família e fazer as malas – informei-lhe
- Então lá para o meio da tarde venho buscar
a minha namorada, pode ser?
- Está ótimo, namorado! – “namorado” isto
era tão perfeito
- Então vou – disse levantando-se fazendo
com que eu também me levantasse
- Já? – perguntei espontaneamente
- Sim – sorriu - o tempo passa num instante e logo, logo já estamos juntos outra vez,
princesa! – disse agarrando-me pela cintura e beijando-me
- Oh estava a gostar de estar aqui contigo, a
namorar… - afirmei melosa
- Também eu! Mas princesa tenho que ir! –
disse desanimado
- Pronto, tá bem! – cedi e peguei nas
minha coisas e acompanhei-o até ao seu carro
- Até já minha princesa – despede-se de
mim com um beijo
- Adeus amor! – não resisti e dei-lhe
outro beijo, para depois o Sílvio ir até Lisboa ter com a sua mãe e eu
regressar felicíssima e apaixonadíssima a casa
Muito boa noite :P
Como prometi aqui está o capitulo, postado bem rapidinho! Espero que tenham gostado, principalmente deste capitulo em que a Diana e o Sílvio ficam bem! Que acharam desta reconciliação? Espero os vossos comentários.
Beijinhos
Didi Martins



