quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Capítulo 21 – “Vou simplesmente lutar pela mulher que amo!”

- Diana, levanta-te nem penses que vais ficar o dia todo na cama! – a inevitável voz da minha melhor amiga invadiu o meu quarto, o que fez com que eu desperta-se do estado de dormência em que me encontrava já há longas horas. Ela dirige-se à janela e abre a persiana, a luz do sol de um típico dia de verão a brilhar lá fora entra pelo meu quarto e encadeia-me os olhos
- Hummm, fecha isso! – pedi-lhe
- Diana, anda levanta esse rabo da cama! – diz chegando-se ao pé de mim, destapando-me e dando-me leves palmadas no meu rabo
- Deixa-me dormir, não é assim tão tarde – disse ao mesmo tempo que volto a puxar o lençol que à pouco cobria o meu corpo
- Claro que não é tarde – ironizou – são precisamente 11horas e 43 minutos da manhã, está um dia magnifico de verão e tu não o vais desperdiçar ficando aqui fechada a pensar no Síl… - parou, não disse o nome dele, apenas algumas letras, mas eu percebi que ela se referia ao “Meu Sílvio” bem ele meu não era, mas eu gostava que fosse
- Eu sou tão estúpida, eu gosto dele, porquê que isto custa tanto? – disse já com umas lágrimas a querer escorrer-me pela face e ao mesmo tempo sentava-me na cama
- Jeitosa não penses nisso!
- Achas que é por eu não pensar nisso que ele desaparece? – perguntei com uma certa agressividade, o que não era normal em mim
- Não. Mas ajuda, e aliás foste tu que quises-te as coisas assim! – disse, esta realmente era uma grande qualidade da minha melhor amiga: Eu podia estar mal, a sofrer mas não era por causa disso, por muito que custasse ouvir, que esta me deixaria de dizer aquilo que pensa, e que neste caso era a verdade – e se quiseres não é tarde para voltar atrás mas se tens a certeza que queres ficar longe dele e esquece-lo é isso que tens de fazer. Não podes estar sempre a vacilar, fogo miúda tu nunca foste insegura.
- Eu sei, e eu tenho a certeza que ficar longe dele é o melhor mas custa – a minha voz saiu aguda, neste momento as lágrimas eram uma constante – Ele deve estar a odiar-me neste momento por eu ter fugido dele!
- Tens de ser forte – concordei com ela abanando a cabeça de cima para baixo, de modo a dizer sim - Não fiques assim, anda vais tomar um banho, eu escolho-te uma roupa gira, vamos almoçar, espairecer, vai-te fazer bem – da-me um beijinho na testa – Depois do almoço vamos ver as notas dos exames e inscrevermos-nos na faculdade, pode ser? – perguntou sorrindo
- Tem que ser!
Levantei-me e fui tomar banho, fez-me bem para relaxar um pouco.
Saí da casa de banho em toalha e dirijo-me ao meu quarto, estava arrumadinho a minha Laura tinha-me feito a cama e em cima desta estava roupa para eu vestir.
- Obrigada jeitosa – passei ao pé dela e dei-lhe um beijinho na cara
- De nada – disse sorrindo e retribuindo-me o beijinho
- De nada não, tu aturaras-me e eu sei que não é uma tarefa fácil! Por isso obrigada - brinquei
- Tu também me aturas! Já viste que chato temos que nos aturar uma à outra! – sorri com a sua observação, ela sabia com por-me bem-disposta
Vesti-me.
- Vamos almoçar aonde? – perguntei-lhe já despachada para sair
- Ao snack-bar do costume!
- Claro!
***

Tivemos um belo almoço, a minha amiga sabia mesmo como me distrair e fazer-me abstrair dos problemas.
- Bem bora ver as notas? – perguntou-me assim que acabámos de almoçar
- Ui que medo! – estava um pouco nervosa, trabalhei durante 3 anos para conseguir a média e concretizar o meu sonho, só espero que o trabalho e empenho tenham dado frutos
Saímos do snack-bar e fomos até à escola ver as notas. Estava felicíssima! Tinha tirado 18 valores a matemática A! Dava perfeitamente para entrar na faculdade que queria! A minha felicidade também foi compartilhada com a Laura que tal como eu também tinha tirado boa nota no exame de matemática A, em seguida fomos tratar da candidatura à faculdade. Outro momento que me fazia lembrar o Sílvio e o porquê de ter de ficar longe dele, eu tinha tudo aqui, os meus amigos, a família, os meus estudos, o meu sonho…
Depois de já termos tratado de tudo, ia a caminho de casa quando recebo uma mensagem do Sílvio.
Um arrepio percorreu a minha espinha assim que acabei de ler a mensagem.
- Era do Sílvio? – perguntou a minha amiga vendo a minha reação
- Let me loosen up the blindfold, I'll fly when you cry, Lift us out of this landslide, Wherever you go, Whenever we part, I'll keep on healing all the scars, That we've collected from the start, I'd rather this than live without you, For every wish upon a star, That goes unanswered in the dark – lia-lhe a mensagem em voz alta e neste momento emocionei com estas palavras - I'll shine when you shine – finalizei
- O homem é mesmo espetacular! – deixou escapar
Não pude de deixar, ainda que mentalmente, de concordar com ela, eu estava a magoá-lo e ele mesmo assim não me odiava e não estava chateado comigo! Fogo ele era mesmo uma pessoa espetacular, não merecia de todo aquilo que estava a acontecer. Isto ainda me fazia sentir mais culpada do que já me sentia.
Ainda fiquei um tempo indefinido a assimilar as suas palavras para depois me decidir e responder-lhe à mensagem.

De: Diana
Para: Sílvio
Mesmo longe consegues fazer-me arrepiar! Nunca duvides que eu gosto muito de ti e que nunca foi minha intenção magoar-te, mas há demasiadas coisas que nos separam!
“Nunca fiques magoado com quem um dia te fez sorrir, lembra-te apenas dos bons momentos e sorri!”
Magoado já vi que não ficas-te, agora resta-te sorrir pelos bons momentos que vivemos, que foram muitos, e deixa-los onde eles estão: no passado!
Peço desculpa!
Beijo

Enviei a mensagem e a seguir desliguei o meu telemóvel para não ter de ler mais mensagens dele ou receber chamadas.
- Tu estás tão apaixonada por ele! – comentou
- Não fazes ideia o quanto me custa estar a fazer-lhe isto, estar longe dele, estar a magoá-lo! Tenho saudades dele! – admitia chorando com o olhar pregado ao chão
- Sabes a mensagem que ele te enviou deve ser a letra de uma música! – dizia pensativa – mas não estou a ver qual!
- Quase que aposto que deve ser uma música dos Pearl Jam ou assim! É a banda preferida dele… - esclareci, ao que a minha melhor amiga apenas me sorri – É inevitável não pensar nele… - expliquei-lhe

***

Mesmo sem a mínima vontade a minha melhor amiga arrastou-me até à praia. Observava o mar ao seu lado.
Já era final de tarde e a praia estava quase deserta, apenas alguns surfistas figuravam na linda paisagem. Apenas se ouvia o rebentar das ondas, o mar estava agitado e revoltado. Até parecia que me queria dizer algo. 
Sempre que estava com problemas ia para a praia pensar, quando saia ia sempre mais aliviada e tranquila, mas hoje isso não estava a acontecer. Só estava a ficar com mais dúvidas e incertezas. Mas havia uma coisa que andava a matutar na minha cabeça. As palavras que o Sílvio me enviou, já as sabia de cor mas sentia a necessidade de ir ver o resto da letra dessa música.
- Empresta-me o teu telemóvel – pedi-lhe, pois não queria ligar o meu, ela assim o fez e escrevi no Google parte da música. Que rapidamente apareceu a totalidade. Eddie Vedder – Without you, procurei no youtube e pus a música a dar.
Fiquei simplesmente sem palavras. Completamente atónica, a música tinha uma letra linda, a voz do Eddie era tão magnífica, a letra dizia-me tanto…
- Isto tudo está a matar-me! Sinto-me pior que um casco! Sinto-me a pior pessoa do mundo, a mais infeliz, pensei que se me afastasse dele este sentimento que invade o meu coração sem pedir autorização fosse embora, mas pelos visto enganei-me redondamente… - desabafava algo desesperada - Parece que quanto mais longe dele, mas eu gosto dele...
- Uma vez um senhor qualquer disse uma frase que nunca mais me esqueci, qualquer coisa como: “A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande." Acho que a frase diz tudo e que devias tirar as tuas próprias conclusões…

Sílvio
Enviei a mensagem à minha princesa e depois fui rapidamente para o treino, não tendo tempo para ver se ela me respondeu. Por isso mesmo passei o treino um bocado na lua, pensando nela. Até o mister reparou e chamou-me à atenção! O treino acabou já era tarde, hoje tivemos uma sessão mais intensa e com trabalho de ginásio. Fui-me despachar e decidi só verificar o telemóvel no carro para ter mais privacidade.
Fez-se luz na minha cabeça quando li a sua mensagem, por isso é que ela me tinha dito aquela frase, naquela manhã no parque, por isso é que ela estava naquele estado e queria apenas ficar agarrada a mim… Neste momento tudo fazia sentido, pena é ser já um pouco tarde! Não Sílvio, nunca é tarde para o amor, se gostas mesmo dela luta por isso, eu não posso deixar escapar por entre os dedos a mulher que amo! Pensava convicto.
Comecei a ter umas ideias…
Pensei e repensei nelas um montão de vezes, tanto que já era de noite e eu estava no meu quarto a olhar a lua na varanda, a considerar se a ideia que eu tinha em mente era de todo acertada e se não seria demasiado precipitada. Não me conseguia decidir! Precisava da opinião de terceiros! Já era tarde, na verdade, muito tarde mas eu precisava mesmo de falar com o Tomás de lhe perguntar a sua opinião sobre a minha ideia.
Liguei-lhe e passados uns minutos ele já estava à porta da minha casa.
- Tou a pensar ir ter com a Didi a Portugal! – disse a uma velocidade estonteante assim que vi o Tomás – Que achas?
- O quê? Que tal falares mais devagar porque eu não percebi nada!
- Estou a pensar ir ter com a Didi a Portugal! Tenho de esclarecer as coisas entre nós! – repeti mais pausadamente
- Tou a pensar que tu és doido! – exprimiu muito surpreendido
- Eu não sou doido, vou simplesmente lutar pela mulher que amo! – defendi-me - Agora queria saber a tua opinião, achas que estou a ser precipitado?
- Sinceramente não sei o que te diga! Mas sempre achei que era um erro a Didi ir embora, porque ela gosta de ti e tu gostas dela, por isso não deviam desperdiçar e ignorar aquilo que sentem!
- Se calhar até pode ser um erro ir até lá, mas eu tenho de tentar eu não posso desistir sem sentir que tentei tudo por tudo para ficar com ela!
- Força! É o melhor a fazer! – incentivou-me, era mesmo aquilo que eu queria ouvir
Subi a escadas numa correria louca e pus uma troca de roupa dentro de uma mala e desci de novo.
- Vais agora? Assim sem avisar ninguém? – perguntou espantado o Tomás que continuava na minha sala. Eram cerca de meia-noite e meia.
- Que tem? Não deve haver aviões a esta hora, por isso vou de carro, se for agora chego lá amanhã de manhã! (são cerca de 6 horas de carro de Lisboa-Madrid) Ainda bem que me lembras, porque tenho de avisar o Jorge (o Mendes, empresário dele) que vou a Portugal, para ele dar uma desculpa qualquer ao Atlético de Madrid – começava a pensar em cada pormenor que precisava para ir ter com a Didi – Ah mais uma coisa, diz-me ai onde é que ela mora, se faz favor – pedi ao Tomás
Tomás lá me deu as indicações necessárias para eu ir ao encontro da minha princesa, entretanto liguei ao Jorge e ele disse que se encarregava de dizer ao Atlético de Madrid que eu tinha de ir urgentemente a Portugal tratar de assuntos pessoais. Estava tudo pronto, verificava as coisas na minha cabeça, para que nada faltasse, já tinha uma troca de roupa, já tinha avisado o Atlético, já sabia o caminho para a casa da Didi… Acho que estava tudo! Peguei na mala e sai!
- Vê se voltas com a Didi! – desejou o Tomás antes mesmo de eu ligar o motor do carro
- Vou fazer por isso!
Liguei o carro e segui caminho ao encontro da princesa da minha vida…

Como correrá o reencontro da Didi e do Sílvio? 
Resolveram eles os problemas?

Olá :D
Aqui fica mais um capitulo! Sendo que o próximo vai ser postado muito em breve  :)  
Espero que tenham gostado e que deixem a vossa opinião!
Agradecer à Ana Laranjeira pela frase “A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande"(Bussy-Rabutin) Obrigado pela inspiração :) 
Vocês já sabem que sempre que quiserem podem deixar sugestões e opiniões sobre o rumo da história ou sobre o que gostavam que acontecesse!
Beijinhos
Didi Martins

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Parabéns e "Camisola 25"


Hoje, dia 28 de setembro de 2012 o Sílvio faz 25 anos. Há precisamente 25 anos atrás nascia em Lisboa uma das pessoas por quem nutro uma enorme admiração. Muitos não percebem porque gosto tanto dele, sinceramente às vezes nem eu… Mas desde o primeiro jogo que vi dele, que ele me chamou a atenção, num jogo Rio Ave – Benfica, na 1º jornada do campeonato de 2008-2009, lembro-me do meu Pai dizer que “Aquele camisola 25 é bom jogador, para estreante e puto de 20 anos, o rapaz está a jogar bem!” Mesmo sem eu saber acho que foi ali que começou a minha admiração por ele. Um ano e meio se passaram e ia eu toda feliz e contente ver o Benfica sagrar-se campeão na época 2009-2010, num jogo no nosso lindo estádio contra o Rio Ave quando os jogadores do Rio Ave entram para o campo e estavam mesmo a treinar à minha frente, e eu reparo que era aquele puto de 20 anos, que há uns tempos atrás me tinha chamado a atenção que estava mesmo à minha frente! Foi tipo WOOOW! O certo é que passei todo o jogo com um olho no burro e outro no cigano, como se costuma dizer! Estava completamente concentrada no jogo que o meu Benfica estava a fazer, ou não fosse o jogo do título, mas nunca deixava de torcer e dar uma olhadela no tal camisola 25, Sílvio. Até que ao minuto 72 senti a pior sensação do mundo, que agridoce que ficou na minha boca. O Rio Ave empatou em pleno estádio da luz, isso é o agro, mas o doce, e que muitas de vocês não sabem e que se calhar não vão achar muita graça, foi que quem marcou o livre para o golo do Rio Ave, sim foi ele, um menino envergando a camisola 25 e de seu nome Sílvio, senti-me orgulhosa dele! São momentos que nunca mais me esqueço! Nesse dia tinha assistido ao Benfica ser campeão, mas nesse dia tinha ganho uma grande admiração pelo Sílvio. Não sei explicar porquê, mas eu gostava daquele jogador! Um sentimento irracional que não soube explicar no momento!
Desde então que acompanho sempre a carreira do Sílvio, vi a sua estreia na champions, vi a seu primeiro jogo com a camisola da seleção, acompanhei a sua final pedida na Liga Europa, vi-o transferir para a melhor liga do mundo, chorei quando o vi ter uma lesão grave ao serviço do Atlético e o vi sair de maca aplaudido pelos madrilenos, assisti à sua vitória na Liga Europa, na Supertaça… Ganhei muita mais admiração por ele depois de saber a sua história de vida, de saber o que lutou para chegar onde está hoje, do que sofreu, de nunca ter desistido mesmo nos tempos mais adversos e quando era muito novo… Tudo isso aliado à sua entrega em cada jogo, à sua garra, à sua raça, ao seu empenho, à sua luta, à sua dedicação dentro de campo. Tudo! Tudo me faz sentir uma admiração brutal pelo menino que conheci pelo “camisola 25”. Mas que hoje é conhecido por ser um bom defesa-direito, muito certinho e atacante, o nosso internacional Português!

Sabias que…
- José Mourinho e Sílvio tem uma história no mínimo interessante. Quando Sílvio tinha 12 anos e jogava no Benfica o seu pai morre com um ataque cardíaco enquanto assistia a um treino seu. O então treinador do Benfica na altura, José Mourinho, ao saber da notícia decide convocar o jovem rapaz para o jogo do Benfica, para o distrair. Anos Mais tarde (2010) Special One proferiu: "Nesta altura, Sílvio é o jogador que mais me enche as medidas no campeonato português"
- No Rio Ave chamavam-no de "jogador que não sabe jogar mal"?
- Sílvio esteve quase a ir para o Sporting Clube de Portugal? No verão de 2010. 
- Há vídeos no YouTube do Sílvio a jogar ping-pong com o seu irmão mais velho, Mauro, e com uns amigos?
- Sílvio mora no luxuoso bairro "La Finca", onde moram por exemplo: José Mourinho, Cristiano Ronaldo, Jorge Mendes, Iker Casillas... A casa dele é uma vivenda germinada que Simão Sabrosa comprou quando estava no Atlético. Não a vendeu quando saiu, e agora alugou-a a Sílvio.

Para terminar deixo aqui umas declarações dele, que me deixam toda arrepiada e orgulhosa dele!
"Custou-me imenso a mim e à minha família... Ficar sem o Homem da casa não é fácil para ninguém e muito menos para crianças. Vimo-nos obrigados a crescer mais depressa. Fomos buscar forças onde não as havia, mas todos nos unimos e com grande ajuda do meu tio, que foi um segundo pai, conseguimos ultrapassar tudo"

"Todos os dias penso no meu pai e só lhe peço que me dê força para continuar a fazer com que ele se orgulhe de mim"

"Não nunca pensei em desistir, sempre tive a sensação que iria dar certo. Passei por momentos muito maus, tive dois meses no banco do Cacém, foram dois meses infernais, e ai sim pensei que tinha batido no fundo. Vinha do Benfica, tinha estado no Chelsea e no Portsmouth e meio ano depois estava no banco do Cacém... Não podia acreditar no que me estava a acontecer. Foram tempos complicados mas não desisti"

PARABÉNS CAMPEÃO! Que contes muitos!

Beijinhos
Didi Martins

PS: Desculpem o testamento, mas não podia deixar passar este dia em branco sem dizer umas palavrinhas!
Ah e caso vos tenha passado despercebido, ontem postei o Capitulo 20! Espero que gostem e que comentem!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Capítulo 20 - Without you


Diana
O voo foi relativamente rápido e uma hora depois já estava em Lisboa. Cá era, cerca de 19:30, por causa de diferença horária. Apanhei um táxi e fui para casa. Durante o caminho fui a pensar no sorriso mais amarelo que tinha de pôr para parecer que estava tudo bem.
Tinha chegado, este lugar dava-me uma tranquilidade extrema.
Era bom estar de novo em casa. Respirar aquele ar a maresia acalmava-me. Ainda fiquei a olhar o mar uns minutos para depois ir para casa.
Peguei nas minhas chaves e entrei.
- Mãe, Pai, voltei! – gritei enquanto punha as malas a um canto
- Titi! – vejo o meu pequenino sobrinho a vir a correr desalmadamente da cozinha na minha direção
- Simãozinho! – pego nele ao colo e ele abraça-me
- Eu tinha tantas saudades tuas! – dizia-me o meu pequenino
- Diana?! – perguntavam os meus pais muito espantados a olharem para mim
- Sim! Já tinha saudades da minha família linda, então vim fazer-lhes uma visita! – ocultei o meu verdadeiro motivo com um sorriso um pouco forçado
Pus o meu Simãozinho no chão e fui cumprimentar os meus pais e o meu irmão que também estava presente juntamente com a minha cunhada Margarida.
- Então filha como correu as coisas lá por Madrid? Voltas-te tão cedo, pensei que ficasses lá mais umas semanas. Como estava o Tomás? – pergunta-me a minha mãe, com a sua habitual preocupação
Durante o jantar respondi-lhe a todas as perguntas, umas com mais veracidade que outras mas respondi, sem nunca falar no Sílvio. Mas eles perceberam que eu não estava lá muito bem-disposta.
Assim que acabámos de jantar o Simão veio sentar-se ao meu colo. Tinha sentido saudades do meu pequenino.
- Titi, achas que agora que já jantámos, podemos ir jogar à bola? – perguntou carinhosamente
- Hummm não me apetece lá muito!
- Ohhh vá lá! – pediu fazendo beicinho
- Filho a tia está cansada, não sejas chato! – dizia o meu irmão
- Eu queria jogar à bola com ela, queria mostrar a minha nova finta! – dizia o Simão tristinho
- Pronto, eu jogo contigo um bocadinho! Mas só um bocadinho… - acabei por ceder pois dizer que “não” ao Simão era quase impossível, embora não tivesse com a mínima disposição
- Boa!!! – dizia todo contente
Simão salta do meu colo e puxa-me até ao jardim. Pega na bola e começa a mostrar-me a sua finta, todo contente. Mas confesso que nem vi, pois lembrei-me imediatamente do Sílvio, o que é que ele estaria a pensar de mim neste momento? Provavelmente já saberia que eu me tinha vindo embora… umas lágrimas caíram pelo meu rosto e arrojaram-se na relva.
- Estás a chorar? – perguntou-me
- Não pequenino! – tentei disfarçar passando-lhe a minha mão no seu cabelo repleto de pequenos caracóis
- A mamã diz que mentir é feio! E que nunca devemos mentir!
Sorri com a sua observação.
- A titi não estava a chorar! – disse limpando as lágrimas
- Estavas sim que eu vi! Estás triste? Já no jantar também estavas um pouco calada… - reparou com perspicácia
- São coisas complicadas dos adultos! – acabei por lhe explicar
- Sim eu também acho que os adultos são complicados! Deviam brincar mais… - aconselhava parecendo um pequeno sábio
- Oh pequenino e deste quando é que tu tens idade para saber essas coisas? – perguntei-lhe sorrindo e puxando-o para o meu colo, acabando por me sentar na relva do jardim
- Tenho sim, os adultos é que pensam que as crianças não percebem nada, mas eu percebo tudo! – dizia muito autoritário
- Ai é? Então diz-me lá o que é que tu percebes?
- Percebo que tu estás triste desde que voltas-te lá de Madi e que não queres que os vovós percebam! – fiquei chocada, as crianças realmente!
- De Madi, Simão? Isso é o quê? – brinquei com ele
- É o sítio onde o Tomás está! – dizia com cara de óbvio e fazer “daaa”
- O Tomás está em Madrid e não em Madi! – corrigi sorrindo
- Ou isso! Madrid! Mas tu estás triste desde que viste de lá e não queres que os vovós percebam! - insistiu
- Achas que te posso contar um segredo? – perguntei-lhe uns decibéis mais abaixo que o normal
- Sim! Eu sei guardar segredos – prometeu no mesmo tom
- Sim, eu tou triste mas não podes contar a ninguém! Eu não quero que os vovós e o teu papá se preocupem comigo! – confessava-lhe
- Ok eu não conto a ninguém! – prometeu fazendo um “x” com os dedos e dando um beijo nos mesmos – Queres um beijinho para ficares mais feliz? – perguntou super carinhoso
Emocionei-me com o Simão. Realmente as crianças eram o melhor do mundo, davam tudo serem querer nada em troca, não eram interesseiras, eram ingenuas, as suas preocupações eram apenas brincar, não tinham problemas e faziam com que tudo parecesse fácil, sempre com um sorriso. Ás vezes gostava de voltar a ser criança, a não ter responsabilidade, a não desiludir as pessoas e pensar que tudo era super fácil e simples!
- Quero muitos! – Simão abraça-me e dá-me imensos beijinhos na cara. Foi inevitável não sorrir. Fiquei bem mais feliz e depois lá fui eu jogar à bola com ele, ou menos sempre estava destraida e ao pé dele era impossível não ter um sorriso na cara.
Já depois do meu irmão ter ido embora, juntamente com a sua mulher e o Simão, fui até à casa da minha melhor amiga, dizer-lhe que voltei e desabafar um pouco com ela. Mas havia uma coisa que me estava a incomodar imenso, por isso olhava de 5 em 5 segundos para o meu telemóvel. O Sílvio tinha dito que me enviava mensagem e já devia ser perto da meia-noite e ainda não tinha recebido nenhuma mensagem dele. Isto só quereria dizer que ele deveria estar imenso zangado comigo, para nem sequer uma mensagem me enviar.

Sílvio
Como hoje tinha folga de manhã, fiquei a molengar na cama. Mas depois lá decidi ir tomar banho, para em seguida ir falar com a Didi.
Fui até à casa do Tomás e bati à porta, não demorou muito até ele me abrir a porta.
- Bom dia! – saudei bem-disposto
- Ah… Sílvio – disse um pouco atrapalhado – Bom dia! – retribui de uma forma seca
- Bem tu estás estranho! – comentei ao mesmo tempo que me dirigia para a sala – Está tudo bem contigo?
- Sim comigo pode dizer-se que sim! Mas agora com a Didi… – dizia um pouco a medo da minha reação
- O que é que se passou com ela? Ela está bem? – perguntei aflito
- Calma, eu explico-te tudo! – comprometeu-se – Mas senta-te – sugeriu
- Estou bem em pé! Mas conta lá o que é se passa com a Didi, estas-me a deixar preocupado – dizia impaciente
- A Didi voltou para Portugal! – contou-me
Neste preciso momento o meu mundo desabou! Sentei-me no sofá incrédulo! Baixei a minha cabeça, amparei-a com as mãos, uma vez que os meus cotovelos estavam apoiadas nos meus joelhos. Ela tinha ido embora… sem se despedir de mim… deixei escapar umas lágrimas de desespero. Porquê é que ela se foi embora!? Porque não se despediu de mim ou disse que se ia embora!?
- Porquê? – foi a única coisa que consegui dizer
- Por vários motivos, mas o mais forte foi mesmo por causa de ti!
- Esta súbita fuga tem as mesmas razões de quando ela se afastou de mim? - associei
- Sim! - admitiu
- Mas que raio é que a faz a afastar de mim? – perguntei revoltado e levantando-me – Que raio é que a faz fugir se ela admitiu que gosta de mim, se quando estávamos juntos era tudo tão magnifico, se ela me beija, se eu gosto dela… Porquê é ela se afasta de mim?! Porquê!?– perguntei a gritar
- Calma my friend!
- Clama o quê! Tu não percebes que a mulher que eu amo foge de mim e eu nem sei porquê! Tu não percebes que isso me faz sofrer? Fogo! Eu gosto dela a sério! – confessava revoltado e com lágrimas no rosto
Percebi pela cara do Tomás que tinha mesmo de me acalmar. Foi difícil e ainda demorei algum tempo, estava mesmo revoltado, zangado, desiludido, magoado, mas o pior de tudo era pensar que ela nem se quer se tinha despedido de mim ou simplesmente dito: eu vou-me embora! Porquê? Não entendia nada!
- Tu sabes porquê é que ela se tem afastado de mim e agora foi embora? – perguntei já mais calmo
- Sei mas não te posso contar isso tem de ser mesmo ela a dizer-te!
- Se ela foi embora sem me dizer nada achas mesmo que ela me via dizer porquê? Mas eu não percebo, ela não gosta de mim? – Tomás confirma abanando a cabeça de cima para baixo – Então porque se afasta?
- Ela tem uma razão muito forte! Mas não duvides que ela gosta mesmo de ti! Gosta muito! Mas há certas coisas que a impedem de viver aquilo que sente por ti!
- E quando ela foi embora, como é que ia? Disse alguma coisa sobre mim? – perguntei ao Tomás, pois queria pelo menos saber se ela se tinha preocupado comigo quando eu soubesse que ela se tinha ido embora
- Disse! Ela estava mesmo muito mal, ela abraçou-se a mim a chorar e disse algo como “sinto que é como se estivesse a trair o Sílvio, a abandona-lo, sei que o vou desiludir, e fazê-lo sofrer, mas não era isso que eu queria. Achas que depois disto o Sílvio nunca mais vai querer olhar para a minha cara? E vai odiar-me?” perguntava-me assustada – disse-me. Foi inevitável não me virem novamente as lágrimas aos olhos. A minha princesa devia estar a sofrer tanto quanto eu, e isso ainda me fazia ficar mais desesperado, pois não sabia mesmo a causa de todo este sofrimento. Apesar de estar mesmo muito desiludido com a Diana e de não a perceber, não deixava de gostar dela e muito menos a conseguia odiar! Aliás, por gostar mesmo muito dela é que me sinto assim. Sinto-me magoado e desiludido porque acho que mereço uma explicação para isto tudo, porque merecia pelo menos saber porque é que ela se foi embora, porque as suas ações também me afetam, e muito! Isto tudo fazia-me pensar e repensar sobre o porquê dela se afastar de mim, mas não chegava a conclusão nenhuma, aliás eu nem tinha nenhuma suspeita. O meu coração estava tão mirrado de tanta dor.
Sabem o que é sentir que a pessoa que mais amamos foi embora e não nos disse nada, sentir que essa pessoa nos ama mas que se afasta de nós? Pois, eu gostava de não sentir isso…
- Não sei mesmo o que fazer! Custa-me tanto ela ter estas atitudes enquanto ela também sofre com elas! – confessei. Se havia coisa que me ainda deixava pior e com o coração mais apertadinho era saber que a minha princesa também está a sofrer.
- Pois mas tens de ter calma! Eu percebo que seja difícil tudo isto. Mas até pode ser bom ela estar uns tempos longe porque a Didi precisa de tempo para pensar, precisa de pôr as ideias em ordem, precisa de perceber aquilo que sente – tentava explicar-me
- Eu não preciso de me afastar dela para saber que a amo!
Ainda tive mais um bocado a falar com o Tomás sobre a Didi, a tentar perceber o porquê dela se ter ido embora, mas era uma tarefa em vão. Já muito mais calmo e consciente da situação, queria ligar à Didi.
- Achas que se ligar à Didi, ela atende? – perguntei ao Tomás
- Não sei é uma questão de tentares. Mas não sejas bruto e não a julgues, por favor! – pediu-me preocupando-se com a amiga
- Claro!
Peguei no telemóvel e procurei o nome da Didi na lista de contatos, sentia o meu coração a mil quando carreguei no verde e comecei a ouvir chamar.
Chamou, chamou, chamou, chamou e ela não atendeu. Insisti e decidi ligar outra vez, desta vez ela rejeitou a chamada. Não insisti mais. Mas fiquei desiludido por ela nem se quer se dignar a anteder a chamada.
Já era de tarde e tinha que ir para o treino, não podia faltar às minhas responsabilidades. Fui até casa buscar as coisas e depois meti-me no meu caro até ao centro de treinos. Pelo caminho ia, obviamente, a pensar na Didi, quando uma música que passou no rádio me chamou a atenção. Era um dos meus cantores preferidos, o vocalista da minha banda predileta. Aquela música arrepiou-me, não só pela voz do Eddie Vedder que era simplesmente única mas essencialmente porque esta música se encaixava com o que eu estava a sentir. (Oiçam a música, vale mesmo a pena! http://www.youtube.com/watch?v=X_Ykbu0alAw). Aumentei o volume do rádio e ouvia atentamente a música.

I'll grow when you grow (Crescerei quando tu cresceres)
Let me loosen up the blindfold (Deixa-me desamarrar a venda)

Eu precisava de saber a verdade.

I'll fly when you cry (Voarei quando tu chorares)
Lift us out of this landslide (Nos levantar para fora deste desmoronamento)
Wherever you go (Onde quer que tu vás)
Whenever we part (Sempre que nos separarmos)

I'll keep on healing all the scars (Eu continuarei curando todas as cicatrizes)
That we've collected from the start (Que nós ganhamos desde o inicío)
I'd rather this than live without you (Eu prefiro isso a viver sem ti)
For every wish upon a star (Para todo pedido em uma estrela)
That goes unanswered in the dark (Que continua sem resposta no escuro)

Tomaria conta dela para sempre, apoiaria sempre que precisa-se, protegeria… só precisava que ela deixa-se.
Por muito que quisesse ela não me contava a verdade, por muito que insistisse. Mas preferia tê-la ao pé de mim, vê-la todos os dias, mesmo que não me falasse do que ela estar longe.

There is a dream I've dreamt about you (Há um sonho que sonhei sobre ti)
And from afar I lie awake (E de longe eu deito acordado)
Close my eyes to find (Fecho meus olhos para encontrar)
I wouldn't be the same... (Que eu não seria o mesmo...)

I'll shine when you shine (Brilharei quando você brilhar)
Painted pictures on a my mind (Pinturas pintadas em minha mente)
Sunsets on this ocean (O sol se põe sobre este oceano)
Never once on my devotion (Nunca antes em minha devoção)
However you are (Entretanto, tu és)
Or far that you fall (Ou longe disso, tu cais)
Without you (Sem ti)
Without you (Sem ti)

Não conseguia viver sem ela! Esta música deixou-me mesmo todo arrepiado. E fez-me ter uma ideia. Como esta música expressava aquilo que sentia, enviar-lhe-ia partes da letra. Era também uma maneira dela perceber que eu podia estar desiludido mas que não iria desistir dela, que neste momento não a odiava e que queria acima de tudo esclarecer as coisas. Escrevi partes da música e enviei-lhe por mensagem.

De: Sílvio
Para: Diana
Let me loosen up the blindfold, I'll fly when you cry, Lift us out of this landslide, Wherever you go, Whenever we part, I'll keep on healing all the scars, That we've collected from the start, I'd rather this than live without you, For every wish upon a star, That goes unanswered in the dark (…) I'll shine when you shine
Beijo

Irá Didi responder a esta mensagem?
Aguentaram eles longe um do outro?
Emoções e revelações fortes no próximo capítulo!

Boa Noite!
Apeteceu-me escrever e aqui fica um grande capitulo para as minhas leitoras! Até porque amanhã é um dia especial! Mas depois logo dou noticias :)
Espero que tenham gostado e que comentem, infelizmente os comentários tem vindo a ser menos :(
Beijinhos
Didi Martins