domingo, 16 de setembro de 2012

Capítulo 19 (I) - "Obrigado por estares aqui!"


Sílvio
Apesar de querer muito ficar acordado a noite toda, estava a ser difícil, o cansaço era muito e aos poucos e poucos ia fechando os olhos. Acabei mesmo por adormecer a pensar na Didi, na minha cabeça, ecoava vezes sem conta o “estou completamente apaixonada pelo Sílvio”, acabei por sonhar com ela, sonhei que ficávamos bem… um sonho que eu gostava que se torna-se realidade!

Diana
A noite serviu para pensar sobre se deveria ir ou não para Portugal. Ainda não tinha certezas, mas estava mais inclinada para ir. Deviam ser umas sete da manhã e precisava de sair destas quarto paredes, de espairecer, de apanhar ar “respirável”, de não pensar, nem que fosse por poucos segundos no Sílvio…
Fui-me vestir. Vesti a primeira coisa que vi, umas leggins, um top simples e vesti uma camisa, que deixei com todos os botões desabotoados.
E agora como é que eu saiu daqui? Será que o Sílvio ainda está acordado? Muito lentamente e cuidadosamente fui abrindo a porta do meu quarto de modo a não fazer barulho. Enterneci-me com a imagem que vi, Sílvio dormia deitado no corredor, totalmente desalinhado. Apesar de tudo esbocei um pequeno sorriso, ele tinha dormido à porta do meu quarto só para conversar comigo! Senti-me feliz, mas ao mesmo tempo culpada, por o ir desiludir e claro por ele ir acordar todo partidinho. Cuidadosamente passei por ele, para depois ir até à cozinha. Peguei numa maça e comecei a come-la. Ainda antes de sair deixei um papel ao meu melhor amigo, também com uma pequena mensagem para o Sílvio. Preocupava-me sempre com ele, era inevitável.

Bom dia, Tomás
Fui dar uma volta, apanhar um pouco de ar fresco, não te preocupes comigo. Preocupa-te antes com o Sílvio que deve estar todo partido de ter dormido no chão, vê se o consegues convencer a ir para casa e lembra-lhe que ele tem um jogo mais logo e tem de estar no seu melhor, como sempre!
Beijinhos, Didi

Colei isto no frigorífico. Deixei o telemóvel em casa, pois queria mesmo estar sossegada, peguei nas chaves e saí.
Levava um rumo incerto, não sabia para onde ia, apenas me deixava levar pelas minhas pernas. Caminhei durante muito tempo e só quando decidi parar é que reparei onde estava. Estava no jardim ao pé ao do rio Manzanares, “o nosso jardim”, automaticamente pequenas lembranças vieram-me à cabeça, por muito que tentasse não conseguia evitar com que Sílvio saísse da minha cabeça, mas acima de tudo do meu coração. Isto inervava-me completamente.
Lembrei-me do nosso primeiro jantar, de ele me ter agarrado ao colo e de já nessa altura o cheiro dele provocar o aceleramento do meu coração, lembrei-me do seu magnifico sorriso e lembrei-me, obviamente dos nossos beijos…
Sentei-me à beira-rio e perdi-me em pensamentos. Como é que em tão pouco tempo e com pequenos gestos o Sílvio se tornou tão importante para mim!? Como e que ele tinha conquistado o meu coração? Porquê? Porquê tem de ser tudo tão difícil? Porquê ele tem de viver em Madrid e eu em Lisboa? Porquê eu não acredito em relações à distância? Porquê?!
Eu tinha de me decidir, ficava aqui e continuava a sofrer e a mentir ao Sílvio. Ou então, ia embora e acabava com isto de uma vez por todos, poderia custar milhões estar longe dele, nos primeiros tempos, mas depois certamente seria mais compensador do que mais tarde, estar de corpo e alma numa relação que teria de acabar, custaria mais sem dúvida. Tinha de acabar com isto o quanto antes. Está decidido vou para Portugal.  Assim que me decidi uma lágrima caprichosa rolou pelo meu rosto.

Sílvio
Acordei com o som do meu despertador, sim eu tinha posto despertador, quando estava quase a adormecer, decidi que era melhor prevenir… Levantei-me e estava um pouco dorido, mas nada que não valesse a pena se conseguisse falar com a minha princesa.
Fui até à cozinha com a intenção de comer algo e de preparar o melhor pequeno-almoço do mundo para a minha princesa. Quando fui buscar o leite ao frigorífico é que reparei que tinha lá um bilhete. Comecei a lê-lo e apercebi-me que era da Didi. Fogo, ela já tinha saído?!Porquê é que eu não consegui ficar acordado! Culpei-me mas acabei por sorrir um pouco com o bilhete, pois apesar de ela ter saído, não tinha deixado de se preocupar comigo. O que me levava cada vez mais a pensar que o seu motivo para se afastar de mim era realmente muito forte. Mas eu tinha que ir atrás dela. Onde é que ela terá ido? Reli novamente o bilhete. “apanhar um pouco de ar fresco”. Será que ela foi até ao rio Manzanares? Não custa nada tentar. Antes de ir ainda fui a casa trocar de roupa e lavar a cara, muito apressadamente. Pus-me no carro e fui até ao jardim.
Quando lá cheguei encontrei-a sentada à beira do rio. Aproximei-me dela e sentei-me ao seu lado. Estranhamente, ela não fugiu de mim como fez nestes últimos dias. Simplesmente me olhava e deixava cair umas lágrimas. O meu coração ficava bem apertadinho de a ver assim neste estado. O que é que a perturbava tanto?
- Princesa… - eu tinha de falar com ela, eu tinha de perceber o que se passava. Mas ela não me deixou, assim que comecei a falar ela saltou para o meu colo e alinhou-se em mim. Pôs a sua cabeça no meu ombro e os seus braços envolveram fortemente o meu tronco. Não lhe neguei esse abraço, percebia que ela não estava bem e que precisava do conforto de um abraço.
Ainda estivemos um bom bocado assim, abraçados e em silêncio. Mas depois ela quebra esse silêncio, mas nunca sem me largar.
- Desculpa, sei que não agi corretamente contigo e ainda por cima tu foste um querido, dormiste no chão, desconfortável, em dia de jogo só por causa de mim. Eu não merecia que tu fizesses isso. Nos últimos tempos só te tenho magoado por isso desculpa, nunca foi essa a minha intenção – mais uma vez pude confirmar que ela se preocupava comigo. Ela não me olhava, mas sentia pela intermitência da sua voz que devia estar a chorar.
- Não sejas tonta! É claro que essas tuas atitudes me têm magoado, mas já percebi que deves ter uma razão bem forte para as estares a tomar – Didi levanta-se e olha-me nos olhos. Tal como eu previa ela estava a chorar – Princesa, por favor não chores. Não aguento ver-te assim! – pedi-lhe limpando-lhe as lágrimas

Diana
Não sabem quanto fiquei feliz de ver o Sílvio. Eu precisava dele neste momento. Assim que ele chegou ao pé de mim envolvi-me no seu colo, precisava do conforto de um abraço, de um abraço não, neste momento precisava do conforto do seu abraço. Pedi-lhe desculpas, era o mais correto a fazer, eu ia embora, não lhe tencionava contar a verdade, mas não queria magoá-lo com as minhas atitudes, por isso tinha de lhe pedir desculpa.
Fiquei com mais certezas que Sílvio era um Homem espetacular quando ele não me recriminava pelas minhas atitudes, mas sim tentava entender que eu deveria ter uma razão muito forte para as ter. Não me consegui conter e chorei ainda mais, eu sentia que ao ir-me embora seria como trai-lo! Mas por outro lado também sentia que era o mais acertado a fazer.
Sílvio limpou-me as lágrimas.
- Desculpa, desculpa, desculpa! – pedi-lhe olhando-o nos olhos, sentia-me tão mal, tão culpada
- Calma, princesa! – pede-me Sílvio dando-me um beijinho na testa 
 Fiz o que ele me pediu. Respirei fundo e limpei as minhas lágrimas. Sílvio esboçou um pequeno sorriso.
- Obrigado por estares aqui! – agradeci-lhe erguendo-me, ficando cara a cara com ele, mas nunca saindo do seu confortável colinho
Sílvio aproxima o seu rosto do meu, percebi claramente a sua intenção de me beijar. Mas a escassos milímetros ele para.
 Percebi que ele queria ter a certeza que eu também o queria beijar de novo. E agora o que é que eu faço? Se vou mesmo embora, mereço pelo mesmo um beijo de despedida, um beijo de recordação… Foi com estes pensamentos que uni os nossos lábios. Um beijo demorado, proveitoso e calmo que seria o último que daria ao Sílvio. Entreguei-me totalmente àquele beijo, prolongando-o até me faltar o ar.
Selamos o beijo e alinhei-me de novo no seu peito, mas tinha uma vontade louca de o beijar outra vez, ergui-me de novo.
- Desculpa! – pedi antes de juntar novamente os nossos lábios
Num beijo mais frenético que o anterior, onde deixei transparecer mais o que sentia. Não me contive e deixei largar algumas lágrimas de saudades e de culpa. Iria ter saudades dele! Culpar-me-ia sempre por o magoar!
Pronto, agora tinha-me de deixar de maluquices e ir fazer o que estava correto, no meu entender.
Fazia pequenas caricias no seu peito, enquanto nenhum de nós tinha coragem para dizer mais nada. E eu desfrutava dos últimos momentos ao pé dele.
- Princesa, achas que depois disto eu não mereço saber uma explicação?
- Estamos tão bem assim, para quê ir falar de problemas agora? Quero desfrutar do momento! – disse-lhe
- Mas sabes que mais tarde ou mais cedo teremos de falar nisso, não sebes!? – perguntou-me. A verdade é que eu não iria falar com ele sobre isso! Mas isso, ele não sabia. Não sei como, com que coragem, menti-lhe.
- Prefiro mais tarde – eu não era pessoa de mentir e nem acreditava no que estava a fazer, estava iludi-lo! Culpava-me vezes sem conta interiormente.
- Não estás a fugir novamente? Diana, eu preciso mesmo de saber o que é que leva a afastares-te de mim! – pediu-me num tom sério
- Não, eu agora não quero! Quero apenas aproveitar o momento! Quero ficar aqui, assim agarradinha a ti, no teu colo, esquecendo que o mundo existe, que os problemas existem. Concentrar-me apenas em nós! – disse-lhe, não era mentira, mas era uma desculpa para não lhe dizer a verdade
- Mas eu preciso de te contar o que eu sinto por t… - não o deixei terminar
- Depois, por favor! – pedi-lhe
Sílvio lá se conformou com a ideia e deu-me vários beijinhos por toda a cara. Era tão bom estar assim com ele, fingir que nada existia. Mas por outro lado era mau, pois seria a última vez eu estaria assim com ele. Enquanto estávamos abraçados, lembrava-me vezes sem conta que o que estava a fazer não era correto, não era correto não lhe dizer a verdade. Queria contar-lhe a verdade, mas não tinha coragem para isso.
Ficámos ainda algum tempo assim, simplesmente nos braços um do outro, sem ninguém dizer nada, apenas aproveitando o momento e fingindo que nada se passava. Mas não imaginam o que sentia estando nos braços dele.
- Didi, eu por mim ficava assim para sempre. Mas como sabes tenho jogo hoje à noite e tenho que ir para estágio – informou-me desanimado
Tinha chegado a hora da despedida, tinha acaba o “sonho” e tinha de regressar à realidade, aos problemas.
Muito a custo lá me levantei do seu colo. Ele também se levantou.
- Compromissos, são compromissos! – foi a única coisa que consegui dizer
- Sim, mas depois do meu jogo ainda podemos estar um bocadinho juntos, ou não? – perguntou, chegando-me para si, através das suas mãos na minha cintura.
- Logo se vê! – tinha uma vontade tão grande de chorar. Mas a muito custo lá me contia. Impulsivamente, abracei-o fortemente, cheirei pela última vez o seu perfume, nunca mais me iria esquecer daquele cheiro. Assim como todos os momentos que vivemos juntos! Separei-me dele e o meu coração estava tão apertadinho que devia estar do tamanho de uma formiga!
- Bem, queres boleia para casa? – perguntou-me amavelmente
- Não deixa estar, ainda quero ficar por aqui mais um bocadinho!
- Tu é que sabes. Mas eu tenho que ir porque se não chego atrasado! – chegou-se ao pé de mim e deu-me um beijinho no rosto. O seu último beijinho… O nosso ultimo momento… a ultima vez que o via fisicamente…
Retribui-lhe o beijinho e gesticulei com os lábios um desculpa, que ele não percebeu.
- Adeus, princesa! – a ultima vez que o ouvia a chamar-me princesa…
- Adeus, campeão! Tem um bom jogo! – desejei. Mas havia uma coisa que eu tinha de lhe dizer - Nunca fiques magoado com quem um dia te fez sorrir, lembra-te apenas dos bons momentos e sorri! – eram as minhas ultimas palavras que tinha para lhe dizer. Tinha de deixar esta espécie de conselho que indiretamente se referia a mim. Queria apenas que ele se lembrasse de mim, com um sorriso na cara e que se lembrasse de todos os momentos únicos que vivi com ele. Sílvio sorri-me.
- Sim! Esse sorriso lindo! – disse-lhe também lhe sorrindo
- Conselhos a esta hora da manhã!? – perguntou-se sorrindo novamente
Que saudades que eu ia ter deste sorriso perfeito, que me contagiava.
- É, a esta hora da manhã o meu cérebro ainda não está a 100%, por isso de vez quem quando devaneia! – desculpei-me sorrindo – Não ligues…
- Tenho que ir, depois envio mensagem! Adeus, Didi!
- Adeus! – e fiquei ali a ver o Sílvio ir embora – Desculpa – disse em sussurro, já não audível para ele, que já entrava no carro.  As lágrimas apareceram quando o vi a arrancar, era o adeus, a despedida, a última vez que tinha estado com ele…

Terá sido mesmo a despedida?
Terá Diana coragem para voltar para Lisboa?

Olá :)
Desculpem hoje o capitulo estar sempre a mudar de narrador... 
Espero que gostem :)
Beijinhos
Didi Martins

PS: Desculpem o "sofrimento" no capitulo, ainda vai durar mais uns capitulozinhos, mas depois, como já disse vem a bonança! Ás vezes é preciso a tempestade para a bonança ser mais valorizada :) Mas mesmo assim desculpem se os capítulos não forem do vosso agrado!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Capítulo 18 - "Sílvio sai daqui!"


Sílvio
Ouvi a conversa toda entre o Tomás e a Diana. Fiquei estupefacto com o que acabava de ouvir. Cada palavra da Didi fazia-me ficar mais confuso e sem perceber nada. Mas por momentos esqueci-me de tudo e concentrei-me, mas suas palavras Os dias que estive com o Sílvio foram os melhores da minha vida, andava nas nuvens por o ter beijado, mas não só, o simples facto de estar com ele, de o ser sorrir, de ficar embaraçada, envergonhada, corada e de tremer por ele, de ele me chamar princesa, de o meu coração bater a uma velocidade estonteante quando ele estava comigo ou quando pensava nele, de sentir as borboletas no meu estomago, de sentir aquele friozinho a percorrer todo o meu corpo, tudo isto me fazia sentir a mulher mais feliz do mundo! Sim, estou completamente apaixonada pelo Sílvio!”. Isto mais parecia um sonho. Ela tinha acabado de admitir que sentia o mesmo que eu! Eu estava a transbordar de felicidade por dentro. Mas não fui capaz de o demonstrar, pois cada palavra que ela dizia era acompanhada por uma lágrima. O que me fez apenas transparecer o meu estado de choque com esta notícia.
- Princesa, estás completamente apaixonada por mim?! – perguntei, revelando que tinha acabado de ouvir as suas anteriores palavras
Diana assim que me ouve, fica completamente pálida, posso mesmo dizer que em estado de choque. 
 Ainda ficou algum tempo assim. Completamente estática e admirada por me ver ali.
- Então, princesa? – ia entrando na sala - Tu estás completamente apaixonada por mim? – perguntei mas desta vez já com um pequeno sorriso nos lábios, pois a cara que ela fazia era um pouco cómica
Assim que ela me acaba de ouvir, “desperta” e começa a correr escadas a cima, nem tive tempo de pensar em mais nada e corri atrás dela. Infelizmente não cheguei a tempo e só a vi fechar-se no seu quarto.
- DIANA! – chamei-a gritando e batendo na sua porta
- Sílvio sai daqui! – pediu-me dentro do seu quarto
- Didi, abre a porta precisamos de conversar! – pedia-lhe encostado à sua porta
- Não temos nada para conversar! – gritou-me
- Claro que temos ou queres que finja que não te ouvi dizer que estavas completamente apaixonada por mim?
- SÍLVIO SAI DAQUI! – gritou novamente, mas desta vez bem mais alto
- Não saiu daqui enquanto nós não conversarmos! – assegurei-lhe determinado
A Didi não me respondeu e eu sentei-me no chão, em frente ao seu quarto, ficaria ali o tempo que fosse necessário até conseguir falar com a minha princesa.
Eu não percebia nada! Primeiro conheci a Didi, ouve logo uma química e ela tronou-se muito especial para mim, depois havia uma certa amizade colorida entre nós, ai pensei que a Didi gostasse, nem que seja um pouco, de mim. Segundo a Didi afastou-se de mim, pensei que fosse por ela se ter arrependido dos nossos beijos, pois provavelmente não gostava de mim. Terceiro, percebo que não foi isso porque ela envergonhava-se comigo, estremecia ou preocupava-se comigo. Ainda mais confuso fiquei. Quarto, e finalmente, soube que a Diana estava completamente apaixonada por mim, mas confessa-o a chorar, diz que sofre longe de mim, e depois quando quero conversar com ela, ela foge? Mas isto faz algum sentido? Porque é que isto tem de ser tão complicado, porque é que eu não percebo nada, porque é ela se afasta de mim, se gosta de mim?

Diana
Confrontada pelo meu melhor amigo acabei-lhe por confessar tudo o que ia no meu coração. Mas, rapidamente, arrependi-me quando vi que o Sílvio também tinha ouvido a minha confissão. Fiquei completamente sem reação assim que ouvi a sua voz e o ouvi perguntar se eu estava apaixonada por ele. E agora? O que é que eu lhe dizia? Estava completamente sem reação e só acordei quando o Sílvio me perguntou outra vez. Sem saber o que dizer ou até mesmo fazer, a quente, decidi fugir dali. Corri como se não houvesse amanhã até ao meu quarto e reparei que o Sílvio corria também atrás de mim. Quando cheguei ao meu quarto, tranquei a porta e encostei-me à parede e deixei-me cair, acabando por me sentar no chão. Ouvi o Sílvio bater à minha porta e chamar-me, dizendo que queria falar comigo, mas eu apenas lhe disse, com o meu rosto todo molhado das lágrimas e a gritar, que não tinha nada para falar com ele. Sentia-me tão mal por lhe estar a fazer isto, estava a custar-me tanto, estava-me a doer tanto. Sou tão estupida, martirizava-me. Estava completamente desesperada no chão a chorar, mas tentava acalmar a minha respiração ofegante e as minhas lágrimas constantes. Sílvio tinha acabado de saber que eu gostava dele, como é que eu iria conversar com ele? Contar a verdade estava totalmente fora de questão! Até porque, ele não deve sentir o mesmo que eu! Era impossível desmentir, pois ela nunca acreditaria. O que é que eu vou fazer? Passado algum tempo lá me recompus e levantei-me, fui até à casa de banho e lavei a cara, aproveitei e lavei os dentes para depois ir vestir o meu pijama. O meu quarto estava muito silencioso, será que o Sílvio ainda continua à porta? Não aguentei e tive de ir lá espreitar, pé ante pé, para não fazer barulho. Consegui perceber que o Sílvio estava sentando no chão, mesmo em frente à porta do meu quarto, pois através da ranhura da porta conseguia ver a sua sombra. Ele não ia ficar ali a noite toda, pois não? Diana, para de pensar nele! Esquece-o, esquece-o, esquece-o! Tentava impor a mim mesma. Apaguei a luz do meu quarto e fui-me deitar na minha cama.
- Princesa, até podes ir dormir, mas quando acordares estarei aqui à tua espera para conversarmos! – avisou-me o Sílvio
Ignorei-o e tentei dormir, mas não conseguia. A minha cabeça não conseguia desligar e o meu coração não conseguia aclamar, pois o Sílvio era a única coisa em que eu conseguia pensar. (Que poético, até rima mas não foi de propósito! Ahah) Amanhã era Domingo, ele tinha jogo e não podia passar ali a noite toda, pois acordaria cheio de dores! Fogo, que raiva Diana, porquê é que tu não consegues, não te preocupar com ele, não pensar nele, não gostar dele, PORQUÊ? Perguntava mentalmente revoltada comigo mesma! Mas não resisti e fui avisar o Sílvio.
- Ei, Sílvio! – chamei-o junto à porta do quarto, mas nunca a abri
- Didi? Que foi? Já queres conversar comigo?
- Amanhã tens jogo? – ignorei as suas perguntas e concentrei-me no que realmente queria
- Sim, porquê?
- Porque se vais passar ai a noite não vais estar propriamente mas melhores condições para o jogo! – tentei faze-lo ver que não seria bom para ele dormir ali
- Isso é fácil de resolver! Falamos agora e não tenho que passar aqui a noite! – atirou
Respirei fundo e respondi-lhe.
- Sílvio, percebe que eu não quero falar contigo e respeita a minha vontade! – pedi-lhe esforçando-me para não me exaltar
 -Princesa eu só quero saber a explicação para isto tudo! Dizes que estás apaixonada por mim, mas dizes-mo em lágrimas, dizes que sofres longe de mim, mas afastas-te e foges. Achas que isto faz sentido? Não achas que eu mereço saber uma explicação? – inquiria-me
Encostei a minha cabeça à parede e respirei fundo.
 - Didi! Anda lá dá-me uma explicação! – pediu-me
- Não há nada para explicar! E amanhã se estiveres todo dorido, não me venhas culpar! – avisei-o encerrando a conversa
Levantei-me e andei a passear pelo meu quarto a ver se o sono vinha ou se conseguia parar de pensar no Sílvio. Enquanto andava de um lado para o outro ouvi o meu telemóvel a dar sinal de nova mensagem. Ainda pensei que fosse o Sílvio, mas não era a minha Laura.

De: Laura
Para: Diana
Boa noite Linda!
Então como estão as coisas por ai? Nunca mais destes notícias… Segunda-feira sempre vens me visitar???

Com a agitação destes dias tinha-me esquecido completamente disto. Era a desculpa ideal para eu me escapar daqui e ir para Lisboa! Comecei a maturar nisto e até fazia alguma sentido, mas teria eu coragem para abandonar a pessoa que mais gosto? É que se eu fosse não fazia intenções de voltar! Escusado será dizer que passei a noite toda em claro a pensar no que ira fazer.

Sílvio
Mas porquê é que a Didi não me dava uma explicação! Pensava e repensava mas na minha cabeça não surgia nenhuma hipótese.
- Então Sílvio, ainda não conseguiste falar com ela? – perguntou o Tomás que tinha acabado de chegar ao pé de mim
- Nepia, ela recusa-se a falar comigo e trancou-se no quarto! Tomás tu sabes alguma coisa? – se eles eram os melhores amigos talvez ele soubesse o que se passava
- Sei mais ou menos!
 -Então, estás à espera do quê?
- Desculpa mas eu não te posso contar! Isso são coisas da Didi, tens mesmo de falar com ela, não seria correto eu contar-te!
- Mas ò Tomás ela recusa-se a falar comigo, e eu assim vou dar em doido. Isto não faz sentido nenhum – pronunciei
- Tu também estás completamente caidinho por ela, não estás? – perguntou sorrindo
- Estou! – confessei-lhe – Por isso é que isto me está a custar tanto, não sabes quanto foi “bom” ouvi-la admitir que está apaixonada por mim, mas ela estava a chorar, há alguma coisa que a faz sofrer e eu não sei o que é. É como se num segundo recebesse a melhor notícia do mundo e depois um grande banho de água fria – comparei – Eu preciso mesmo de falar com ela, de lhe dizer que também gosto dela e de tentar perceber porque é que se ela gosta de mim ela foge e sofre com isso!
- Gostava muito de te ajudar, mas não posso, vais ter mesmo de falar com ela!
- Eu compreendo – conformei-me
- Mas olha fazes intenções de dormir ai? – perguntou-me olhando para o chão do corredor onde eu estava
- Claro! Ela ainda foge durante a noite! Amanhã quando ela sair do quarto, vai ter de obrigatoriamente de falar comigo!
- Mas sabes que isso não é lá muito confortável!
- Não faz mal, eu por a Didi aguento!
- Mesmo assim vou-te buscar umas almofadas e um cobertor ou assim – ofereceu-se
- Obrigada!
Tomás voltou e sentei-me, já muito mais confortável, à porta do quarto da Didi, iria ficar ali de plantão a noite inteira!

Didi terá coragem de ir para Lisboa?
Conseguirá ela fugir da conversa e do Sílvio?

Boa noite!
Delirei, sim esta a palavra, DELIREI, com os 8 comentários! 8? 8! Obrigada o todas as que comentaram, sabe tão bem ler os vossos comentários.
Desculpem, sei que o capitulo hoje não está grande coisa, e que provavelmente não era isto que vocês queriam ler, mas os próximos capítulos também vão ser um pouco atribulados, mas depois vem a bonança!
Quero dedicar este capítulo à Ana Laranjeira como forma de agradecimento! OBRIGADA!
Desejar, as minhas queridas leitoras, um óptimo regresso às aulas, sei que algumas já foram hoje, mas eu só vou na segunda-feira :) Espero que tenham um bom ano!
Beijinhos
Didi Martins

PS: O blog encontrasse sem música, mas em breve resolverei esse problema!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Capítulo 17 - "Princesa, estás completamente apaixonada por mim!?"

- Sílvio… - chamei-o mas ele nem mexeu um único músculo, ignorando-me completamente. Sentei-me ao seu lado e comecei com o meu discurso – Sabes as crianças são o melhor do mundo, então quando são rapazinhos de quarto aninhos, são adoráveis, por isso tratamo-los por nomes queridos, tipo um diminutivo, ou pequenino, campeão ou meu amor… é isso que eu faço quando falo com o meu sobrinho Simão… - esclareci o mal entendido mas mesmo assim o Sílvio continuava impávido e sereno a olhar o horizonte completamente alheio do que eu lhe dizia - ouviste o que eu te disse? – ele continuou sem me responder, ignorava-me completamente – Ok, já percebi – disse já um pouco irritada face à sua falta de resposta – Desculpa se te magoei, não era essa a minha intenção – Sílvio continuou sem me responder, fartei-me de estar ali a falar para as flores e fui embora
- Não me magoaste mais do que tens magoado estando longe mim! – ouvi-o dizer não muito alto. Virei-me para ele, ele continuava olhando o horizonte – Conta-me a verdade, Didi! – pediu não tirando o olhar do horizonte
- Importas-te de olhar para mim quando falas comigo!? – pedi elevando um pouco o meu tom de voz pois a sua atitude estava a inervar-me
- Quando me contares a verdade! – atirou, novamente não me olhando
- Mas eu contei-te a verdade, eu estava a falar com o meu sobrinho Simão ao telefone! – contei-lhe, mas eu sabia perfeitamente que não era a “esta verdade” que ele se referia.
- Sabes perfeitamente que não é isso! – acusou-me – anda cá – pediu-me finalmente olhando para mim. Sorriu-me e cedeu um espaço entre as pernas deles para eu me sentar. Mas eu mantive-me no meu lugar – Vês era disto que eu me referia!
Acabei por ceder e sentei-me entre as suas pernas, Sílvio acabou por abraçar-me.
Neste momento não pensava em nada, desfrutava apenas do momento, de estar de novo no quentinho dos seus braças, de sentir de novo o cheiro do seu perfume, de sentir a sua respiração embater no meu pescoço…
Porque é que não podemos ficar assim, simplesmente assim, juntinhos e sem problemas? – perguntou meloso bem junto da minha orelha direita
E pronto! Tinha de vir a realidade estragar o momento!
- Porque não! – evidenciei o obvio para mim,  mas que para ele era desconhecido
- Não te percebo! Didi, por favor explica-me o porquê de te teres afastado de mim, é que eu sinceramente já dei mil voltas à cabeça e ainda não percebi. Ah e não me venhas com aquelas tretas de queres espaço para pensar que eu não sou estupido e burro, sei perfeitamente que não foi por causa disso que te afastaste de mim – implorou-me
Tive vai, não vai, para lhe contar a verdade, mas algo me fez recuar e continuar com a minha mentira.
- Se não acreditas isso é lá contigo! – disse friamente saindo do seu colo e indo em direção à casa do Tomás. Havia uma lasanha à minha espera. Oh Didi, não me venhas com tretas! Qual lasanha qual quê, quem é que prefere uma lasanha ao colo do Sílvio, ao abraço confortante? Sou tão estupida. Porque é que eu não podia ficar no seu colo para sempre, como ele disse!? Porque se calhar as nossas vidas estão separadas por 600 km de distância!? Porque é que eu gosto dele!? Porque é que eu não o consigo esquecer!? Ai, que raiva! Sou tão otária! Martirizava-me mentalmente quando reparei que já tinha chegado à sala de jantar do meu melhor amigo.
- Bem com essa cara já percebi que não correu lá muito bem a conversa… - comentou o Tomás enquanto eu me sentava de novo no meu lugar
- Sim, não correu! – confirmei agressivamente sem paciência para conversas

Sílvio
Se uma parte de mim tinha ficado aliviado por a Didi não ter um namorado, a outra parte já nem se lembrava disso, pois estava mais preocupada em pensar porque é que a Didi fugia de mim e não me contava a verdade.
Toda esta situação me deixava revoltado. Será que ela não percebe que assim me faz sofrer?! Será que ela ainda não percebeu que eu gosto dela!? Será que ela não gosta minimamente de mim!? Então porque me beijou!? Porque treme ou cora quando estou ao pé dela!?
Por mais que pensasse e repensasse nada fazia sentido, por voltas e voltas que desse à cabeça não chegava a conclusão nenhuma. Aliás quanto mais pensava mais perguntas sem resposta encontrava.
Os meus pensamentos foram interrompidos pela chegada do meu mano mais velho.
- Puto, está tudo bem?
- Não, não está tudo bem! Aquela miúda está a deixar-me doido!
- Queres desabafar? – perguntou sentando-se ao pé de mim
- Não deixa lá, teria de estar aqui até amanhã!
- Então queres ir acabar de jantar? Eles estão à nossa espera…
- A Didi está lá?
- Sim, mas está claramente chateada – informou-me Mauro
- Definitivamente eu não a percebo! Quer dizer nós estávamos assim por culpa dela e ela depois ainda fica chateada!? Mas isto fazia sentido!?
- Mulheres! – concordou comigo Mauro suspirando – Bem, mas bora lá?
- Sinceramente não me apetece muito… mas bora lá… - acabei por me conformar, era o mais sensato a fazer.
O jantar foi passado num silêncio profundo entre mim a Didi, não nos falamos mais o resto da noite, não nos olhávamos, fazíamos de tudo para que não nos tivéssemos de encarar.
Ela evitava qualquer tipo de contacto entre nós e eu sinceramente, neste momento agradecia, porque depois do que aconteceu não estava com cabeça para mais discussões e problemas. Decidi distrair-me a jogar um pouco de playstation com os rapazes e até ai a Didi fugiu de mim, primeiro sentou-se no lado oposto do meu, no sofá, segundo fizemos um mini campeonato entre nós, ao qual ela se recusou a jogar. O ambiente estava claramente tenso por isso ainda perto das 11 da noite decidimos dar a noite por terminada e voltar para casa.
Os meus irmãos ainda tentaram saber o que aconteceu entre mim e a Didi, mas não estava com cabeça para lhes contar, por isso decidi ir direto para o meu quarto. Já estava no meu quarto quando reparo que não tinha o telemóvel. Provavelmente deveria ter ficado na casa do Tomás. Desci de novo até à sala e encontrei os meus irmãos a ver televisão.
Ainda os tentei convencer para ser um deles a ir lá me buscar o telemóvel, mas nenhum deles me quis fazer esse favor. Tive mesmo de ir lá eu. Como a porta do jardim ainda estava aberta entrei e fui até à sala buscar o meu telemóvel que provavelmente me teria caído do bolso das calças enquanto estava no sofá. Mas antes de chegar lá, fui obrigado a parar pois ouvi sem querer, uma conversa da Didi e do Tomás, confesso que fiquei depois um pouco atrás da porta a ouvir a conversa, sei que não é correto, mas o tema interessava-me, e muito!

Diana
Assim que os convidados do jantar foram embora o Tomás caiu logo em cima de mim.
- Mas afinal, Diana, o que é que se passou quando foste falar com o Sílvio à rua? Não conseguiste resolver o mal–entendido?
- Sim a parte do telefonema resolvi, mas ele começou logo com a conversa do porquê é que eu me tinha afastado dele… - esclareci-lhe
- Ai estava a oportunidade perfeita, porque é que não lhe contaste toda a verdade?
- Tomás, pára de me moer o juízo e mete-te na tua vida – disse já caminhado para fora dali
- Isso foge da conversa como foges do Sílvio! – acusou-me, voltei-me para ele e respondi-lhe
- Mas o que é que tu tens a ver com isso? – perguntei-lhe rudemente
- O que é que eu tenho a ver com isso? – perguntou-me indignado - Tu viste como é que estava o ambiente no jantar? – perguntou elevando o seu tom de voz – Tu viste como tu e o Sílvio estão infelizes só por causa de tu não lhe contares a verdade?
- Se eu lhe contasse a verdade continuávamos de novo tristes, a verdade não resolveria o nosso estado de espirito – defendi-me. Se eu lhe contasse que era por causa dos 600 km que nos separam, isso não iria resolver nada, pois os 600 km continuavam a estar lá, pelo menos era assim que eu pensava
- Isso não é verdade! Porque se tu lhe contasses a verdade, isso implicaria que, finalmente, terias de admitir que estar completamente apaixonada por ele! - contrapôs
- Ohohoh espera ai, e desde quando é que eu estou completamente apaixonada por ele!?
- Diana pára de fingir e de querer esquecer aquilo que tu sentes pelo Sílvio! Por muito que queiras não vais conseguir, só o teu estado de espirito denuncia-te. Tu estás a sofrer por estares longe dele, por discutes com ele, achas que isso acontece, porquê? Achas que deste tanta importância a ires esclarecer o “meu amor” à bocado, porquê? Achas que quando estavas com ele, ficavas toda feliz, cantavas músicas brasileiras depois de se terem beijado, tu estavas nas nuvens e andavas para ia a suspirar, porquê? Custa-te assim tanto admitir? – este seu discurso fez-me as lágrimas virem aos olhos. Eu tinha a plena noção que o meu melhor amigo tinha razão
- Mas tu queres o quê? – questionei a gritar, e limpado algumas lágrimas
- Eu quero que tu admitas de uma vez por todas aquilo que sentes pelo Sílvio! – respondeu-me a gritar também
- Sim eu admito, tou completamente apaixonada! – confessei com as lágrimas a descerem pelo meu rosto a uma velocidade vertiginosa – Era isto que querias ouvir? Sim eu estou a sofrer por estar longe do Sílvio, por discutir com ele, por o ver triste, por o magoar. Sim também admito que os dias que estive com o Sílvio foram os melhores da minha vida, que andava nas nuvens por o ter beijado, mas não só, o simples facto de estar com ele, de o ser sorrir, de ficar embaraçada, envergonhada, corada e de tremer por ele, de ele me chamar princesa, de o meu coração bater a uma velocidade estonteante quando ele estava comigo ou quando pensava nele, de sentir as borboletas no meu estomago, de sentir aquele friozinho a percorrer todo o meu corpo, tudo isto me fazia sentir a mulher mais feliz do mundo! – contei-lhe, transparecendo tudo o que me ia no coração - Sim estou completamente apaixonada pelo Sílvio! – finalizei, ainda com as lágrimas nos olhos, pois era por culpa desta paixão que eu estava a sofrer
- Princesa, estás completamente apaixonada por mim!? – perguntou-me o Sílvio estupefacto, encostado á ombreira da porta da sala

Boa noite meninas :)
Como sempre espero que tenham gostado e que comentem :D
Beijinhos
Didi Martins