Sílvio
Apesar de querer muito ficar acordado
a noite toda, estava a ser difícil, o cansaço era muito e aos poucos e poucos
ia fechando os olhos. Acabei mesmo por adormecer a pensar na Didi, na minha
cabeça, ecoava vezes sem conta o “estou completamente apaixonada pelo Sílvio”,
acabei por sonhar com ela, sonhei que ficávamos bem… um sonho que eu gostava
que se torna-se realidade!
Diana
A noite serviu
para pensar sobre se deveria ir ou não para Portugal. Ainda não tinha certezas,
mas estava mais inclinada para ir. Deviam ser umas sete da manhã e precisava de
sair destas quarto paredes, de espairecer, de apanhar ar “respirável”, de não
pensar, nem que fosse por poucos segundos no Sílvio…
Fui-me vestir. Vesti a primeira coisa que vi, umas leggins, um top simples e vesti uma
camisa, que deixei com todos os botões desabotoados.
E agora
como é que eu saiu daqui? Será que o Sílvio ainda está acordado? Muito
lentamente e cuidadosamente fui abrindo a porta do meu quarto de modo a não
fazer barulho. Enterneci-me com a imagem que vi, Sílvio dormia deitado no
corredor, totalmente desalinhado. Apesar de tudo esbocei um pequeno sorriso,
ele tinha dormido à porta do meu quarto só para conversar comigo! Senti-me
feliz, mas ao mesmo tempo culpada, por o ir desiludir e claro por ele ir
acordar todo partidinho. Cuidadosamente passei por ele, para depois ir até à
cozinha. Peguei numa maça e comecei a come-la. Ainda antes de sair deixei um
papel ao meu melhor amigo, também com uma pequena mensagem para o Sílvio.
Preocupava-me sempre com ele, era inevitável.
Bom dia, Tomás
Fui dar uma volta, apanhar um pouco
de ar fresco, não te preocupes comigo. Preocupa-te antes com o Sílvio que deve
estar todo partido de ter dormido no chão, vê se o consegues convencer a ir
para casa e lembra-lhe que ele tem um jogo mais logo e tem de estar no seu
melhor, como sempre!
Beijinhos, Didi
Colei
isto no frigorífico. Deixei o telemóvel em casa, pois queria mesmo estar
sossegada, peguei nas chaves e saí.
Levava
um rumo incerto, não sabia para onde ia, apenas me deixava levar pelas minhas
pernas. Caminhei durante muito tempo e só quando decidi parar é que reparei
onde estava. Estava no jardim ao pé ao do rio Manzanares, “o nosso jardim”,
automaticamente pequenas lembranças vieram-me à cabeça, por muito que tentasse
não conseguia evitar com que Sílvio saísse da minha cabeça, mas acima de tudo
do meu coração. Isto inervava-me completamente.
Lembrei-me
do nosso primeiro jantar, de ele me ter agarrado ao colo e de já nessa altura o
cheiro dele provocar o aceleramento do meu coração, lembrei-me do seu magnifico
sorriso e lembrei-me, obviamente dos nossos beijos…
Sentei-me
à beira-rio e perdi-me em pensamentos. Como é que em tão pouco tempo e com pequenos
gestos o Sílvio se tornou tão importante para mim!? Como e que ele tinha
conquistado o meu coração? Porquê? Porquê tem de ser tudo tão difícil? Porquê
ele tem de viver em Madrid e eu em Lisboa? Porquê eu não acredito em relações à
distância? Porquê?!
Eu tinha
de me decidir, ficava aqui e continuava a sofrer e a mentir ao Sílvio. Ou
então, ia embora e acabava com isto de uma vez por todos, poderia custar
milhões estar longe dele, nos primeiros tempos, mas depois certamente seria
mais compensador do que mais tarde, estar de corpo e alma numa relação que teria
de acabar, custaria mais sem dúvida. Tinha de acabar com isto o quanto antes.
Está decidido vou para Portugal. Assim
que me decidi uma lágrima caprichosa rolou pelo meu rosto.
Sílvio
Acordei com o
som do meu despertador, sim eu tinha posto despertador, quando estava quase a
adormecer, decidi que era melhor prevenir… Levantei-me e estava um pouco
dorido, mas nada que não valesse a pena se conseguisse falar com a minha
princesa.
Fui até à
cozinha com a intenção de comer algo e de preparar o melhor pequeno-almoço do
mundo para a minha princesa. Quando fui buscar o leite ao frigorífico é que
reparei que tinha lá um bilhete. Comecei a lê-lo e apercebi-me que era da Didi.
Fogo, ela já tinha saído?!Porquê é que eu não consegui ficar acordado!
Culpei-me mas acabei por sorrir um pouco com o bilhete, pois apesar de ela ter
saído, não tinha deixado de se preocupar comigo. O que me levava cada vez mais
a pensar que o seu motivo para se afastar de mim era realmente muito forte. Mas
eu tinha que ir atrás dela. Onde é que ela terá ido? Reli novamente o bilhete.
“apanhar um pouco de ar fresco”. Será que
ela foi até ao rio Manzanares? Não custa nada tentar. Antes de ir ainda fui a
casa trocar de roupa e lavar a cara, muito apressadamente. Pus-me no carro e fui
até ao jardim.
Quando lá
cheguei encontrei-a sentada à beira do rio. Aproximei-me dela e sentei-me ao
seu lado. Estranhamente, ela não fugiu de mim como fez nestes últimos dias.
Simplesmente me olhava e deixava cair umas lágrimas. O meu coração ficava bem
apertadinho de a ver assim neste estado. O que é que a perturbava tanto?
- Princesa… - eu tinha de falar com ela,
eu tinha de perceber o que se passava. Mas ela não me deixou, assim que comecei
a falar ela saltou para o meu colo e alinhou-se em mim. Pôs a sua cabeça no meu
ombro e os seus braços envolveram fortemente o meu tronco. Não lhe neguei esse
abraço, percebia que ela não estava bem e que precisava do conforto de um
abraço.
Ainda estivemos
um bom bocado assim, abraçados e em silêncio. Mas depois ela quebra esse
silêncio, mas nunca sem me largar.
- Desculpa, sei que não agi corretamente
contigo e ainda por cima tu foste um querido, dormiste no chão, desconfortável,
em dia de jogo só por causa de mim. Eu não merecia que tu fizesses isso. Nos
últimos tempos só te tenho magoado por isso desculpa, nunca foi essa a minha
intenção – mais uma vez pude confirmar que ela se preocupava comigo. Ela
não me olhava, mas sentia pela intermitência da sua voz que devia estar a
chorar.
- Não sejas tonta! É claro que essas tuas
atitudes me têm magoado, mas já percebi que deves ter uma razão bem forte para
as estares a tomar – Didi levanta-se e olha-me nos olhos. Tal como eu
previa ela estava a chorar – Princesa,
por favor não chores. Não aguento ver-te assim! – pedi-lhe limpando-lhe as
lágrimas
Diana
Não sabem
quanto fiquei feliz de ver o Sílvio. Eu precisava dele neste momento. Assim que ele chegou ao pé de mim
envolvi-me no seu colo, precisava do conforto de um abraço, de um abraço não,
neste momento precisava do conforto do seu abraço. Pedi-lhe desculpas, era o
mais correto a fazer, eu ia embora, não lhe tencionava contar a verdade, mas
não queria magoá-lo com as minhas atitudes, por isso tinha de lhe pedir
desculpa.
Fiquei com mais
certezas que Sílvio era um Homem espetacular quando ele não me recriminava
pelas minhas atitudes, mas sim tentava entender que eu deveria ter uma razão
muito forte para as ter. Não me consegui conter e chorei ainda mais, eu sentia
que ao ir-me embora seria como trai-lo! Mas por outro lado também sentia que
era o mais acertado a fazer.
Sílvio
limpou-me as lágrimas.
- Desculpa, desculpa, desculpa! –
pedi-lhe olhando-o nos olhos, sentia-me tão mal, tão culpada
- Calma, princesa! – pede-me Sílvio
dando-me um beijinho na testa
Fiz o que ele
me pediu. Respirei fundo e limpei as minhas lágrimas. Sílvio esboçou um pequeno
sorriso.
- Obrigado por estares aqui! –
agradeci-lhe erguendo-me, ficando cara a cara com ele, mas nunca saindo do seu
confortável colinho
Sílvio aproxima
o seu rosto do meu, percebi claramente a sua intenção de me beijar. Mas a
escassos milímetros ele para.
Percebi que ele
queria ter a certeza que eu também o queria beijar de novo. E agora o que é que
eu faço? Se vou mesmo embora, mereço pelo mesmo um beijo de despedida, um beijo
de recordação… Foi com estes pensamentos que uni os nossos lábios. Um beijo
demorado, proveitoso e calmo que seria o último que daria ao Sílvio.
Entreguei-me totalmente àquele beijo, prolongando-o até me faltar o ar.
Selamos o beijo
e alinhei-me de novo no seu peito, mas tinha uma vontade louca de o beijar
outra vez, ergui-me de novo.
- Desculpa! – pedi antes de juntar
novamente os nossos lábios
Num beijo mais
frenético que o anterior, onde deixei transparecer mais o que sentia. Não me
contive e deixei largar algumas lágrimas de saudades e de culpa. Iria ter
saudades dele! Culpar-me-ia sempre por o magoar!
Pronto, agora
tinha-me de deixar de maluquices e ir fazer o que estava correto, no meu
entender.
Fazia pequenas
caricias no seu peito, enquanto nenhum de nós tinha coragem para dizer mais
nada. E eu desfrutava dos últimos momentos ao pé dele.
- Princesa, achas que depois disto eu não
mereço saber uma explicação?
- Estamos tão bem assim, para quê ir falar de
problemas agora? Quero desfrutar do momento! – disse-lhe
- Mas sabes que mais tarde ou mais cedo
teremos de falar nisso, não sebes!? – perguntou-me. A verdade é que eu não
iria falar com ele sobre isso! Mas isso, ele não sabia. Não sei como, com que
coragem, menti-lhe.
- Prefiro mais tarde – eu não era pessoa
de mentir e nem acreditava no que estava a fazer, estava iludi-lo! Culpava-me
vezes sem conta interiormente.
- Não estás a fugir novamente? Diana, eu
preciso mesmo de saber o que é que leva a afastares-te de mim! – pediu-me
num tom sério
- Não, eu agora não quero! Quero apenas
aproveitar o momento! Quero ficar aqui, assim agarradinha a ti, no teu colo,
esquecendo que o mundo existe, que os problemas existem. Concentrar-me apenas
em nós! – disse-lhe, não era mentira, mas era uma desculpa para não lhe
dizer a verdade
- Mas eu preciso de te contar o que eu sinto
por t… - não o deixei terminar
- Depois, por favor! – pedi-lhe
Sílvio lá se
conformou com a ideia e deu-me vários beijinhos por toda a cara. Era tão bom
estar assim com ele, fingir que nada existia. Mas por outro lado era mau, pois
seria a última vez eu estaria assim com ele. Enquanto estávamos abraçados,
lembrava-me vezes sem conta que o que estava a fazer não era correto, não era
correto não lhe dizer a verdade. Queria contar-lhe a verdade, mas não tinha
coragem para isso.
Ficámos ainda
algum tempo assim, simplesmente nos braços um do outro, sem ninguém dizer nada,
apenas aproveitando o momento e fingindo que nada se passava. Mas não imaginam
o que sentia estando nos braços dele.
- Didi, eu por mim ficava assim para sempre.
Mas como sabes tenho jogo hoje à noite e tenho que ir para estágio –
informou-me desanimado
Tinha chegado a
hora da despedida, tinha acaba o “sonho” e tinha de regressar à realidade, aos
problemas.
Muito a custo
lá me levantei do seu colo. Ele também se levantou.
- Compromissos, são compromissos! – foi a
única coisa que consegui dizer
- Sim, mas depois do meu jogo ainda podemos
estar um bocadinho juntos, ou não? – perguntou, chegando-me para si,
através das suas mãos na minha cintura.
- Logo se vê! – tinha uma vontade tão
grande de chorar. Mas a muito custo lá me contia. Impulsivamente, abracei-o
fortemente, cheirei pela última vez o seu perfume, nunca mais me iria esquecer
daquele cheiro. Assim como todos os momentos que vivemos juntos! Separei-me
dele e o meu coração estava tão apertadinho que devia estar do tamanho de uma
formiga!
- Bem, queres boleia para casa? –
perguntou-me amavelmente
- Não deixa estar, ainda quero ficar por aqui
mais um bocadinho!
- Tu é que sabes. Mas eu tenho que ir porque
se não chego atrasado! – chegou-se ao pé de mim e deu-me um beijinho no
rosto. O seu último beijinho… O nosso ultimo momento… a ultima vez que o via
fisicamente…
Retribui-lhe o
beijinho e gesticulei com os lábios um desculpa, que ele não percebeu.
- Adeus, princesa! – a ultima vez que o
ouvia a chamar-me princesa…
- Adeus, campeão! Tem um bom jogo! –
desejei. Mas havia uma coisa que eu tinha de lhe dizer - Nunca fiques magoado com quem um dia te fez sorrir, lembra-te apenas
dos bons momentos e sorri! – eram as minhas ultimas palavras que tinha para
lhe dizer. Tinha de deixar esta espécie de conselho que indiretamente se
referia a mim. Queria apenas que ele se lembrasse de mim, com um sorriso na
cara e que se lembrasse de todos os momentos únicos que vivi com ele. Sílvio
sorri-me.
- Sim! Esse sorriso lindo! – disse-lhe
também lhe sorrindo
- Conselhos a esta hora da manhã!? –
perguntou-se sorrindo novamente
Que saudades
que eu ia ter deste sorriso perfeito, que me contagiava.
- É, a esta hora da manhã o meu cérebro ainda
não está a 100%, por isso de vez quem quando devaneia! – desculpei-me
sorrindo – Não ligues…
- Tenho que ir, depois envio mensagem! Adeus,
Didi!
- Adeus! – e fiquei ali a ver o Sílvio ir
embora – Desculpa – disse em sussurro,
já não audível para ele, que já entrava no carro. As lágrimas apareceram quando o vi a arrancar,
era o adeus, a despedida, a última vez que tinha estado com ele…
Terá sido mesmo a despedida?
Terá Diana coragem para voltar para Lisboa?
Olá :)
Desculpem hoje o capitulo estar sempre a mudar de narrador...
Espero que gostem :)
Beijinhos
Didi Martins
PS: Desculpem o "sofrimento" no capitulo, ainda vai durar mais uns capitulozinhos, mas depois, como já disse vem a bonança! Ás vezes é preciso a tempestade para a bonança ser mais valorizada :) Mas mesmo assim desculpem se os capítulos não forem do vosso agrado!
PS: Desculpem o "sofrimento" no capitulo, ainda vai durar mais uns capitulozinhos, mas depois, como já disse vem a bonança! Ás vezes é preciso a tempestade para a bonança ser mais valorizada :) Mas mesmo assim desculpem se os capítulos não forem do vosso agrado!







