segunda-feira, 21 de abril de 2014

Capitulo 35 - Hospital

Antes de lerem o capitulo queria só deixar aqui uma imagem juntamente com uma palavra.
ORGULHO!

***


- Estás satisfeita com o que acabaste de fazer? - expressou rudemente Ricardo, numa das poucas vezes em que discordava da sua mulher
- E tu que não ficasses sempre do lado a tua filha - Ana sentia-se incompreendida
- Eu juro que não percebo de onde vem esse teu perconceito, não entendo, tu nunca foste assim... - o pai de Didi acabara por se sentar no sofá, também ele se sentia desiludido, mas sobretudo sentia-se surpreendido, aquela atitude não era digna da mulher que amava incondicionalmente
- Ricardo, eu sei perfeitamente como os jogadores de futebol são. Para eles as mulheres são como os golos, quantos mais melhor. Eles apenas se querem divertir enquanto estão na flor da idade e têm dinheiro e fama. Eles são apenas aqueles que dão uns toques na bola e que depois não sabem mais nada. E as mulheres deles? A tipica mulher fútil, que só se preocupa com a beleza e com a fama. Eu não quero isso para a nossa Didi! - defendia Ana
- Mas Ana, tu melhor que ninguém devias saber que há excepções. A nossa filha já não é nenhuma criança e se há coisa que ela não é, é ingénua. Ela sabe o que faz, ela sabe em quem pode confiar... só depois de conheceres o Sílvio é que podes opinar, agora não. Agora estás apenas a cometer o erro de julgar uma pessoa pelas aparências. Sim todos sabemos a fama que os futebolistas têm. Mas deixa-me contar-te uma coisa. Em toda a minha vida vi futebol, conheço imensos jogadores... sim há uns malucos que só se interessam pela fama, pela noite, por sexo, por dinheiro... tipo o Balloteli. Mas depois há jogadores como o Pablo Aimar...
- Sabes que eu não percebo nada de futebol... - disse Ana, não fazendo a minima ideia de quem era o Balloteli e o Pablo Aimar
- Deixa-me acabar. O Pablo Aimar é uma das melhores pessoas que eu tive o prazer de conhecer, é um autêntico senhor. É humilde, simpático, cordeal, culto, educado... só para teres noção, enquanto todos no autocarro preferiam ouvir música e ver filmes, o Aimar lia, ele queria ser médico e ainda fez os primeiros anos de universidade de medicina, mas depois o futebol falou mais alto. Ele foi um dos melhores jogadores argentinos e não se deslumbrou, não é convencido, nem egocêntrico. Isto para te dizer que há excepções. Que há futebolistas que são uns verdadeiros Homens com H grande. E depois há os outros, que sim, são a maioria, que se perdem no meio da fama e do dinheiro. Eu não conheço o Sílvio pessoalmente, mas uma coisa te digo, ele não faz parte da maioria - Ricardo abandonou a sala, deixando a sua mulher a pensar no assunto
Ana não resistiu. Precisava de saber mais coisas sobre o Sílvio, urgentemente. Para tal, nada melhor que a internet.

"Sílvio Sá Pereira nasceu em Lisboa, na zona dos 7 moinhos. Cresceu no ceio de uma família humilde e ligada ao futebol, pois o seu pai também foi futebolista, tal como ele e o seu irmão mais velho. Aos 6 anos ingressou no Benfica e é lá que passa o pior momento da sua vida, quando em 2000 (tinha Sílvio 12 anos) o seu pai morre com um ataque cardíaco enquanto assistia a um treino seu. O então treinador do Benfica na altura, José Mourinho, ao saber da notícia decide convocar o jovem rapaz para o jogo do Benfica, para o distrair. "Custou-me imenso a mim e à minha família... Ficar sem o Homem da casa não é fácil para ninguém e muito menos para crianças. Vimo-nos obrigados a crescer mais depressa. Fomos buscar forças onde não as havia, mas todos nos unimos e com grande ajuda do meu tio, que foi um segundo pai, conseguimos ultrapassar tudo (...) Todos os dias penso no meu pai e só lhe peço que me dê força para continuar a fazer com que ele se orgulhe de mim", foram as palavras de um menino que rapidamente se teve de fazer homem. Aos 18 anos saí do Benfica, pois decide não assinar o contrato "miserável", segundo ele, que lhe ofereceram. Vai então fazer treinos de captação ao Chelsea e ao Portsmounth, mas não fica. Regressa a Portugal quando todas as equipas já tinham os seus planteis formados, por isso só arranja lugar no Atlético do Cacém, onde esteve apenas na época 2006/2007, que militava na 2º divisão B. E é em momentos como estes que vemos a garra de um campeão: "Não nunca pensei em desistir, sempre tive a sensação que iria dar certo. Passei por momentos muito maus, tive dois meses no banco do Cacém, foram dois meses infernais, e ai sim pensei que tinha batido no fundo. Vinha do Benfica, tinha estado no Chelsea e no Portsmouth e meio ano depois estava no banco do Cacém... Não podia acreditar no que me estava a acontecer. Foram tempos complicados mas não desisti". Na época seguinte, 2007/2008, assinou pelo Odivelas. Num jogo que o Odivelas teve para a taça de Portugal com o Rio Ave, Sílvio faz uma exibição espetacular, levando assim o Rio Ave a contrata-lo na época seguinte. Passou duas temporadas no Rio Ave, onde curiosamente se estreou contra o Benfica na primeira jornada do campeonato, num jogo onde Sílvio foi titular e o Rio Ave conseguira empatar com o clube da Luz. No verão de 2010, vários clubes estavam interessados em Sílvio, mas este acaba por assinar pelo vice-campeão Português da época anterior, Sporting de Braga. Tem a sua estreia na liga dos campeões contra o Sevilha, onde o Braga consegue o apuramento para a fase de grupos da prova. A sua estreia com a camisola de Portugal deu-se a 8 de setembro de 2010, num jogo a contar para o apuramento do Euro 2012, mas que infelizmente Portugal perdeu (Noruega 1 - 0 Portugal). O Braga ia fazendo uma carreira espetacular na Liga Europa, eliminando equipas como o Liverpool ou o Benfica, chegando assim à final da prova contra o Porto. Era a 1º final europeia do Sílvio, mas que infelizmente a sua equipa perde por 1 - 0. Esta época espetacular tanto a nível da equipa como a nível pessoal leva o atlético de Madrid a contrata-lo por 8 milhões de euros. Assina por 4 temporadas, tendo uma cláusula de rescisão de 20 milhões de euros."
- Será que fui injusta? Este rapaz ja passou por tanto e parece tão lutador e humilde... mas ao mesmo tempo não consigo deixar de dúvidar - penvava Ana em voz alta, algum sentimento de culpa começava a invadi-la
- Pois Ana, parece-me que deves um pedido de desculpas à nossa filha... - Ricardo ouvira o que a sua mulher disse enquanto entrara na sala
- Sim, tenho de falar com a nossa filha e conhecer o Sílvio, para ter mesmo certezas... depois de o conhecer logo veremos se lhe devo um pedido de desculpas ou se ela ainda me vai agradecer - Ana era teimosa o suficiente para levar a sua teoria até ao fim, só quando tivesse 100% de certezas que estava errada é que o iria admitir e consequentemente tentar redimir os seus actos

***
- Deixem passar, deixem passar, abram espaço! - a correria da zona de emergências do hospital tomou conta do momento
- Ela tem os pulmões cheios de água e está a perder muito sangue, estamos a perder-lhe o pulso! - gritava um dos assistentes médicos enquanto levavam a Didi numa maca para dentro de uma sala
- O senhor vai ter que ficar aqui à espera - informava uma enfermeira ao Duarte
- Por favor, por favor, deixe-me ir com ela, ela precisa de mim, por favor! - Duarte sentia-se desesperado, queria ajudar a Didi e não sabia como
- Tenha calma por favor, a sua amiga está bem acompanhada pelos médios, eles vão fazer de tudo para que ela fique bem, por favor tenha calma - dizia a enfermeira num tom de voz sereno, tentado acalmar o Duarte
- Ai a culpa é minha, eu não lhe devia ter emprestado a prancha, o mar estava tão agitado! Ai porquê?! Porquê? - desesperantes lágrimas escorriam pelo rosto do Duarte, e um sentimento de culpa invadia o seu coração
- Tenha calma, vai tudo ficar bem - a sábia voz da experiência da enfermeira fez-se ouvir - O senhor esta em condições de informar a familia da paciente ou quer que o hospital o faça?
- O quê? A familia? - Duarte estava desorientado - Ahh não deixe estar, eu informo... - acabou por dizer
A enfermeira retirou-se e Duarte procurou nas coisas de Didi, que teve tempo de mandar para dentro da ambulância e que inconscientemente tinha traziado para dentro do hospital, o seu telemóvel. Rapidamente procurou o nome "mãe" e sei saber bem o que dizer ligou.
- Diana? - a voz de Ana transmitia o espanto de estar a receber uma chamada da filha
- Desculpe, desculpe, desculpe, eu sei que a culpa é minha eu não a devia ter deixado ir... - o desespero tomava conta do Duarte - Desculpe tia, desculpe! - as lágrimas e o soluçar da voz do Duarte evidenciavam o seu estado de angustia
- Duarte? O que se passou? Onde está a Didi? - Ana bombardeou-o com perguntas
- Tia, estamos no hospital, a Didi teve um acidente no mar... - conseguiu dizer Duarte, antes que o sinal da chamada desligada se ouvisse
Duarte deixou o seu corpo sem forças cair numa das cadeiras da sala de espera. Parecia que horas se tinham passado e nada de novo se sabia, nada de novidades da Didi.
- DUARTE! - gritou Ana assim que o vislumbrou, as suas pernas bambas movidas pela preocupação correram até ao amigo da sua filha, juntamente com o seu marido - O que é que se passou Duarte, onde está a Diana?
- A culpa é minha! - Duarte apenas se abraçou a Ana num choro compulsivo - Desculpe!
- Ai Duarte, por favor diz-me o que se passou - pedia a mãe da Didi, o pai estava completamente atónico a olhar para toda esta situação
- Foi assim eu encontrei a Didi na praia e ela pediu-me a minha prancha emprestada para ir surfar, ela nem se quer estava equipada mas insistiu tanto que eu emprestei-lhe a prancha. A cena é que o mar estava mesmo muito muito agitado, mas acabei por confiar nela. Ela é experiente, eu sei, eu sei, não a devia ter deixado ido - dizia a soluçar
- Mas o que é que aconteceu mesmo no mar? - tomou a palavra o Ricardo
- Eu não vi, mas ela deve ter sido errolada por um onda e depois a prancha bateu-lhe na cabeça e ela ficou inconsciente, quando a fui buscar dentro de água ela estava completamente inconsciente e a escorrer imenso sangue da cabeça, depois foi vir para o hospital e os médicos não me sabem dizer mais nada - contou - desculpem, desculpem eu sei que a culpa é minha, não a devia ter deixado ir - culpava-se
- Calma, puto! - o pai da Didi tentava dar animo ao Duarte, apesar de estar muito preocupado acaba por ser o mais lúcido naquela sala. Ricardo era uma pessoa super calma, e embora estivesse a morrer por dentro, fazia por tudo para parecer forte.
O tempo parecia não passar dentro daquela sala, horas e horas passaram, pareciam dias, torturosos dias, mas ainda nada se sabia da Didi.
- Olhe desculpa, sabe dizer-me alguma coisa da paciente Diana Martins? - pela milésima vez a mãe da Didi foi falar com uma das enfermeiras que passavam no corredor
- Não minha senhora, o médico ainda não disse nada, quando se souber eu irei informá-la - a resposta era sempre a mesma
- Mas tanto tempo! - o desespero começava a instalar-se na mãe de Didi - Por favor, digam-me que a minha menina esta bem, por favor! - a mãe da Didi foi completamente dominada pelas lágrimas, ela estava esgotada, já não suportava a dor de não saber nada da sua filha - Ainda por cima ela saiu de casa chateada comigo... - martirizava-se
- Calma, amor! - os braços de Ricardo apertaram a sua mulher contra o seu peito
- Eu não aguento se lhe acontece alguma coisa!
- Calma, a nossa menina é forte e vai ficar bem, vais ver! - nem o próprio Ricardo acreditava a 100% nas suas palavras mas fazia um esforço para pensar positivo - Pensamentos positivos atraem coisas positivas...
Começava a anoitecer e as noiticias da Didi ainda não tinham chegado.
- Familiares de Diana Martins? - um médico com o cabelo grisalho que devia ter os seus 45 anos, põe um fim na espera dos pais de Didi e do Duarte
- Somos nós! - Ana levanta-se do seu lugar mais depressa do que a velociade da luz - A Diana está bem? O que é que ela tem? - Ana bombardeava o médico de perguntas
- Calma, eu explico-lhes tudo. Não querem vir a
té ao meu gabinete para conversarmos calmamente? - sugeriu o médico
- Isso quer dizer que é grave? - desta vez foi o pai da Didi que perguntou
- Eu não lhe vou mentir, a situação da sua filha não é das melhores, ela
 teve várias mazelas, mas vamos fazer de tudo para que fique bem - assegurou o médico
O caminho até ao gabinete do médico foi feito num silêncio absoluto, apenas se ouvia o burburinho da correrria que era um hospital.
- Explique-me essa mazelas que a minha filha teve... - pediu o pai de Didi, fora o único capaz de pronunciar palavras, tanto a mãe de Didi como Duarte, continuavam calados, nas suas cabeças apenas ecoava "a situação da sua filha não é das melhores, ela teve várias mazelas".
Os corações batiam a mil naquela sala, a ansiedade de ouvir que o que a Didi iria ficar bem contrastava com o pessimismo. Acima de tudo queriam saber como estava Didi, mas tinham medo de não aguentar catrastróficas noticias.
- É assim a Diana sofreu de duas coisas distintas, primeiro foi completamente abalada pela sua prancha, as ondas do mar fizeram com que esta fosse contra ela e dai surgiu vários ematomas fisicos no corpo dela, o pior foi quando a prancha lhe bateu na cabeça e a deixou sem sentidos. O outro problema foi ter engolido muito água, parte dessa água foi vai para o estômago e a restante segue o mesmo caminho do ar: percorre a traquéia e chega aos pulmões, passando por brônquios, bronquíolos e alvéolos. É ai que os pulmões ficam cheios de água, a troca gasosa, entrada de oxigênio e saída de gás carbônico, não funciona mais. A redução da taxa de oxigênio causa danos em todos os tecidos, principalmente nos que precisam de mais ar, como as células nervosas. Mas no entanto, este último problema já nós conseguimos resolver, os pulmões dela já estão a recuperar e os tecidos também estão todos bem, já a analisamos em todos esses aspetos e ai está tudo bem. O problema mais grave neste momento é ela ainda estar incosciente, apesar de já estar salva do maior risco que corria, ainda está inconsciente e só quando acordar é que vamos poder ver se sofreu mazelas no cerebro ou não.
- Ela pode ter mazelas graves no cerebro? - perguntou o pai de Didi
- É assim na pior das hipóteses com a forte pancada que ela sofreu ela pode ter perdido a memória, mas na melhor das hipoteses pode estar perfeitamente bem. Isso só será possivel de saber quando ela acordar - informava o médico
- E quando é que ela vai acordar? - disparou o Duarte
- Isso não sei, pode ser a qualquer momento...
- E porque é que demoraram tanto tempo a dar noticias da minha filha?
- A Diana quando aqui chegou não vinha realmente bem, posso até mesmo dizer que corria um sério risco de vida, porque estávamos a perder-lhe o pulso e ela estava a perder muito sangue. Todo o tempo que a senhora esperou foi o tempo de a reanimar, de fazer uma tranfusão de sangue, de limpar a água dos pulmões e de lhe cozer a cabeça. A Diana levou nove ponto na cabeça. Mais alguma pergunta? - inquiriu atenciosamente o médico
- Doutor, diga-me com toda a sinceridade, a Diana vai ficar bem? - o coração preocupado a mãe de Didi tomou palavra
- Sim, eu tenho quase a certeza que sim, a sua filha é uma menina forte, já está a recuperar de todas as mazelas por isso agora é só mesmo esperar que acorde - o médico fez um ligeiro sorriso
- Se ela perder a memória, nunca mais a recupera ou é temporário?
- Isso já não lhe sei dizer, só mesmo quando ela acordar é que vamos ter um prognostico especifico...
- Posso ir ver a minha filha?
- Sim claro, ela está no quarto 128. Mais alguma dúvida não exitem em falar comigo - disponibilizou-se o médico
- Obrigado Doutor - agradeceu o pai de Didi
No fim desta conversa os corações sairam mais aliviados, ainda restava uma preocupação, mas todos sentiam que o pior já tinha passado, agora restava comprovar com os olhos como estava a Didi.
- Ai a minha pequena - a mãe de Didi ajoelhou-se ao seu agarrando-a na mão
A Didi estava num quarto sozinha, aparentemente estava bem. Na sua cara era possivel ver algumas nódoas negras mas continua linda, pelo menos para as pessoas que a amavam.


Sílvio
Hoje tive folga e aproveitei para desncasar. Soube-me pela vida passar o dia na piscina a apanhar sol, perfeito era este dia ser passado com a minha princesa, mas pronto não se pode ter tudo e amanhã ou depois ela ja voltava para os meus braços.
Já era de noite e eu ia fazer o jantar para mim e para o Tomás.
- Puto, já falaste com a Didi agora à tarde? - perguntei-lhe assim que nos sentámos à mesa
- Não, enviei-lhe uma sms e ela não me respondeu, deve andar ocupada... - desvalorizou o Tomás
- A cena é que já lhe liguei mais de dez vezes e nada, não consigo falar com ela desde manhã - estava a ficar preocupado
- Olha ela já se fartou de ti, temos pena - brincou o Tomás
- Deves pensar que ela é como as tuas namoradas - arremessei
- Chii que golpe baixo - gargalhamos
- Mas podes fazer-me o favor de ligar à Didi a ver se ela te atende se faz favor?
- É para já chefe - e fez-me continência
Tomás pegou no seu telemóvel e amavelmente ligou à minha Didi.
- Não puto ela também não me atende - informou-me
- Começo seriamente a ficar preocupado - tinha um mau pressentimento
- Vou ligar à Laura, talvez estejam juntas...
- Ola Tomás, já com saudades minhas? - dava perfeitamente para eu ouvir a voz da Laura, a sua boa disposição era evidente
- Oh estava a morrer de saudades, nem imaginas - o Tomás riu-se - Agora falando a sério, sabes da Didi?
- Não, por acaso até ficámos de nos encontrar à tarde e ela não apareceu, já fui à casa dela e não está lá ninguém, não sei se foi a algum lado com os pais, pelo menos sei que eles estavam de folga...
- Não a Didi de manhã disse-me que tencionava ir procurar casas em Lisboa contigo à tarde - entervi, algo se passava
- Isso é estranho, ela nem me responde às sms... - comentou a Laura
- Alguma coisa lhe aconteceu! - antevia
- Ok eu ligo aos pais dela a ver se sabem de alguma coisa - disponibilizou-se o Tomás
- Faz isso e se souberes alguma coisa envia-me sms se faz favor - pediu a Laura
- Claro Laurinha, beijinhos, obrigada - terminaram a chamada
- Aconteceu-lhe alguma coisa, tenho a certeza - o meu coração parecia que ia explodir, tal era o estado de nervosismo
- Calma - tentava tranquilizar-me o Tomás
Tomás ia ligar à mãe da Didi, só esperava que ela me tranquilizasse o coração.
- Ela não atende!
- Calma, espera mais um pouco...
- Tomás? - finalmente a voz da Ana fez-se ouvir
- Olá Tia! - cumprimentou simpáticamente - Está tudo bem consigo?
- Não, Tomás, infelizmente não. A Diana teve um acidente no mar e está neste momento inconsciente no hospital - o meu mundo desabou completamente
- Inconsciente!? Como assim ela está bem?! - tive que intervir na conversa
- Quem está ai contigo, Tomás? É o Sílvio? - perguntou a mãe da minha namorada
- Sim senhora Ana, é o Sílvio, um amigo da sua filha - tomei a palavra, menti dizendo que eramos amigos, mas não sabia se a Didi já lhe tinha contado na nossa relação
- Sílvio, a Diana já me contou da vossa relação... mas neste momento estou no hospital, a Diana sofreu um grande golpe na cabeça e engoliu muito água, por isso esta inconsciente e ainda não se sabe quando é que ela vai acordar - informava-me
- Ok, eu vou apanhar o avião já para ai! - precisa de ver a minha princesa, de lhe dar apoio, de estar ao lado dela...
- Desculpe, Sílvio, mas acho que não vale a pena, a Diana mais dia menos dia, mais hora menos hora irá acordar, eu sei que é dificil para si, mas não adianta de nada vir, você tem um trabalho ai, não pode faltar assim, sem mais nem menos e depois a sua vinda não iria fazer com que a Diana ficasse melhor. Acredite que ela está rodeada de pessoas que a amam e está a ser bem tratada - aconselhava num tom sábio
- Mas eu não aguento estar aqui sem saber noticias, sem ter novidades, sem lhe dar apoio, ser a ver com os meus olhos, sem a poder proteger, não aguento - desabafei, esta distância matava-me, mas acima de tudo torturava-me
- Tem de ter calma, Sílvio! Eu sei que é dificil, eu sei que sim, mas tem de ser forte! Eu prometo que quando houver novidades eu lhe ligo e lhe mantenho informado de tudo o que se passar com a Diana, eu prometo-lhe!- Ok, muito obrigada Ana - agradeci-lhe, ela estava a ser espetacular comigo, quase que estava a ser uma mãe para mim
- Tenha calma Sílvio, eu ligo-lhe quando houver novidades. Adeus - Ana desligou
O meu mundo acabava se acontecesse alguma de coisa de mal à Diana. E se ela não acordasse? Ai nem quero pensar, não a posso perder, não a posso perder, ela é a minha vida. Ó meu deus, eu não aguento isto. A minha vontade era apanhar o primeiro avião para Lisboa e ter a minha mais que tudo nos meus braços, mas tinha de ser racional e forte, era tão dificil! Como é que somos racionais e fortes quando alguém que o nosso coração ama está em risco? Não somos... o medo consumia-me, os nervos tomavam conta de mim e a angustia aniquilava-me.

***

Já era terça-feira. O sol abrasador fazia-se sentir na rua, já no quarto de hospital de Didi continuava tudo na mesma. Ela ainda estava inconsciente, mas sempre acompanhada pela sua familia que não arredava pé do seu lado. Pelo quarto dela já tinham passado vários amigos, desde o Duarte, à Laurinha, à Rita, ao Barbosa... Mas agora era hora de uma visita especial.
- Posso? - uma amável voz surgiu atrás da porta do quarto da Didi
- Sim, pode, mas a senhora não estará enganada? - Ricardo era o único que acompanhava Didi a esta hora, a sua mulher tinha ido a casa tomar banho e descansar um pouco, foi dificil para Ricardo convencê-la a ir, mas conseguiu ser mais teimoso que ela
- Penso que não, este não é o quarto da Diana Martins? - perguntou com uma voz doce
- Sim é - afirmou Ricardo - Desculpe, mas quem é a senhora e como conheçe a minha filha?
- Desculpe eu, não me apresentei - a senhora vai até Ricardo e estende-lhe cordealmente a mão - Eu sou a Lurdes, sou a mãe do Sílvio, o namorado da Diana - identificou-se com um sorriso no rosto
- Prazer, sou o Ricardo, o pai da Diana - trocam um aperto de mão
- O prazer é todo meu. Eu peço desculpa por vir cá visitar a Diana mas eu não me sentiria bem se não o fizesse e depois o meu Sílvio também me pediu... - justificou Lurdes que apesar de ainda não ter tido o prazer de conhecer Diana, sentia já um grande carinho por ela, simplesmente pelo facto de fazer o seu filho tão feliz
- Claro, eu compreendo, esteja à vontade - Ricardo voltou a sentar-se no sofá que havia ao fundo do quarto, assim como voltou a fixar os seus olhos no jornal desportivo que ia desfolheando, na tentativa que o tempo passasse mais rápido
Por sua vez Lurdes sentou-se no banco ao lado de Diana, era inexplicável o sentimento que lhe percorria nas veias, não conhecia esta menina que lhe parecia tão frágil à primeira vista, mas sentia que carinho e uma preocupação de mãe para com ela.
- Pequena, pequena... - pronunciou carinhosamente enquanto lhe agarrou na mão. O corpo de Diana respondeu a este gesto, o seu ritmo cardiaco aumentou, algo visivel para Lurdes - Sei que não me conheces, pequena, mas eu sinto que te conheço à anos e que tenho a obrigação de cuidar de ti! É estranho não é? Enfim o meu Sílvio acha super normal, diz que tu causas este sentimento nas pessoas: gostam de ti mesmo sem te conhecer e que depois de te conhecerem se apaixonam... - Lurdes falava como se Diana a tivesse a ouvir, no fundo tinha a esperança que tivesse a ser ouvida - pelo menos foi isso que lhe aconteceu. Ele é louco por ti, o Sílvio ama-te! - outra vez o ritmo cardiaco de Didi aumentou, chamem-lhe alma, chamem-lhe instinto, chamem-lhe coração, mas algo dentro da Didi ouvia esta conversa - Sabes ele está a sofrer bastante longe de ti, ele até queria apanhar o avião só para poder estar ao teu lado... ele ama-te como eu nunca o vi amar ninguém, e não digas a ninguém - Lurdes aproximou-se de Didi e segredou-lhe ao ouvido - mas eu acho que ele te ama para sempre, eu pelo menos acho isso quando o olho nos olhos e vejo a maneira como a ele fala de ti. É amor puro, é amor na sua maior essencia: a verdadeira! - Lurdes inconscientemente esperava uma reação da Diana, esperou um pouco, pensou, respirou fundo - Mas mesmo longe sabes que ele está contigo e que te está a transmitir a força que precisas, ele estará sempre. Pequena, sei que és forte e que vais acordar, tem que ser, sim eu sei que dormir é mesmo muito bom - Lurdes não perdia o seu lado animado - Mas tens de acordar, tens de vir por um sorriso nos lábios de quem te ama, tens de pôr de novo os olhos deles a brilhar, eles precisam de ti, o Sílvio precisa de ti! - a mãe de Sílvio finalizou o seu discurso com o beijo na testa de Didi, antes de se levantar do seu lugar ainda lhe apertou a mão e rezou, Deus era grande e iria sem dúvida proteger esta menina
- Obrigada pel... - Ricardo foi interrompido por uma voz, algo sumida, mas suficiente audivel para o fazer parar o seu discurso
- Sílvio... Sílvio, amo-te - era Diana, ela mexeu-se, tentava soltar-se - Sílvio, Sílvio - inconscientemente chamava por ele - Sílvio...
- Ela precisa de ouvir a voz dele - falou para si Lurdes, rapidamente pegou no seu telemóvel e ligou ao seu filho - Amor a Didi está inconscientemente a chamar por ti, fala com ela - o pequeno aparelho auditivo já se encontrava ao lado de Didi
- Princesa da minha vida... - Sílvio chamava esperançosamente pela sua amada
- Sílvio, Sílvio, Sílvio! - Didi chamou por ele desesperadamente, como se estivesse a sonhar
Sílvio não aguentou, o seu coração batia a infinitos, podia estar a mais de 600km de distância mas o seu coração continua na mesma ao pé de Didi. Não havia palavras para descrever este momento, apenas o seu coração descompensado e as suas lágrimas, marcavam o momento em que desejava que a sua princesa acordasse.
- Princesa, AMO-TE! Por mim, pela tua familia, por favor acorda! - Sílvio suplicava, interiormente fazia uma força impensável para que Didi o ouvisse, para que Didi acordasse
Acreditam em Deus? Acreditam que há algo superior a nós que faz a vida ter sentido? Acreditam que há algo que comanda a nossa vida? Acreditam que há alguém lá em cima que nos protege e zela por nós? Todos os presentes no quarto acreditaram assim que conseguiram ver o lento movimento de olhos da Didi. Os seus delicados olhos azuis começavam a ficar a descoberto e com ele surgiram movimentos na busca de algo pelo quarto, na busca de alguém no quarto. Olhou para o lado esquerdo e nada, apenas uma porta fechada, olhou em frente, um sofá, uma televisão. Uma última esperança assolou o seu coração, olhou para a direita: duas pessoas. O seu coração acelerou, os seus olhos começaram a tornar a imagem mais nitida, para sua desilusão. O seu rosto fechou-se, expressando o seu desalento.
- Pai, o Sílvio? - perguntou finalmente. Eram as suas primeiras palavras num estado lúcido, ao fim de dois dias inconsciente, Didi acordara e a primeira coisa que perguntara foi por Sílvio.
-Princesa, estou aqui - a sua voz transmitia toda a emoção que percorria no seu corpo
Sílvio era o único a conseguir responder a Didi, tanto Lurdes como Ricardo, estavam presos pelas lágrimas que os dominavam e impossibilitaram de pronunciar uma palavra que fosse. Simplesmente não havia palavras para descrever aquele momento.
- Amo-te! - pronunciou Didi, quebrando o silêncio. Sílvio pronunciara um "eu também te amo muito princesa" baixinho, algo que a Didi não ouviu. Assim como Lurdes pronunciou mentalmente um "obrigada meu Deus". Mais silêncio se seguiu e Didi não entendia porquê.
- Pai, senhora - chamou-os - porque choram? Eu estou bem! - garantia
- Por nada minha filha, por nada - Lurdes tomou a palavra, assim como a iniciativa de chegar ao pé de Didi e lhe dar um beijo na testa
- Desculpe, mas eu conheço-a? Tenho a vaga sensação que sim, mas não sei o seu nome - Didi estava confusa, a voz desta senhora era-lhe familiar, assim como os traços do seu rosto, mas quase que tinha a certeza que nunca a tinha visto antes
- Fala com o teu pai e quando poderes liga ao Sílvio - sorri-lhe - Eu sou a Lurdes, uma senhora - dizia a palavra que Diana usou para lhe chamar - que gosta muito de ti! - a mãe de Sílvio dá-lhe um último beijo na mão e sai do quarto, não sem antes trocar um olhar de força para Ricardo e gesticular um "obrigada"
- O pai vai chamar o médico... - disse Ricardo ainda meio atardoado de todas as emoções
O médico veio e levou Diana para fazer todos os exames que eram precisos para confirmar que estava tudo bem. Aparentemente sim estava tudo bem, apenas Diana sentia algumas dores mas nada que não passesse com uns cumprimidos e nada que o tempo não curasse.
Os dias passaram assim como as pessoas passavam no quarto 128 para visitar Didi. Hoje a Didi tinha alta, era dia de voltar a casa.
- Ó Laura, não sabias ter-me escolhido uma roupa mais curtinha para eu mostrar ainda mais os meus negrões - Didi reclamava na brincadeira com Laura que a ajudava a vestir
- Não! Esta roupa está perfeita! Ficas linda de qualquer maneira, não te preocupes! Mas fogo tu olhas para esta roupa e até sorris, ena, tenho mesmo bom gosto - gabava-se Laura. Diana apenas gargalhou
- És tão parva! - expressou antes de sair pelo seu próprio pé e sem qualquer ajuda pela porta do seu quarto, sentia-se bem, sentia-se livre, estava farta daquela cama, de estar ali quieta o dia todo, de ter de obedecer aos médicos. Para ela parar era morrer, e isso foi o mais dificil de suportar nestes dias que passou no hospital. Mas agora isso era passado, Diana ia para casa, ia estar rodeada de familiares, de amigos, de todos aqueles que amava e tencionava ir rapidamente para Madrid, afinal as férias estavam a acabar e ela tinha de aproveitar os últimos dias ao lado de Sílvio, assim como tinha de matar as saudades que lhe invadiam o coração sem pedir autorização.
 

Será que a mãe de Didi vai pôr entraves à sua viagem para Madrid?
Agora que as férias estão a acabar como serão os próximos dias da relação deste casal?

Boa tarde, princesas!
Aqui fica o capitulo 35, um dos mais difíceis para mim de escrever, por isso mesmo hoje é ainda mais importante que deixem a vossa opinião. Espero que gostem e quero agradecer a todas as que acompanham a fic e que tem uma amizade comigo, vocês são incansáveis. OBRIGADA!
Beijinhos
Didi Martins

domingo, 13 de abril de 2014

Assuntos importantes

Boa tarde princesas!

sei que não venho aqui há muito tempo mesmo, mas o tempo é-me escasso. Peço imensas desculpas mas foi mesmo impossível vir cá, ou mesmo escrever um capitulo inteiro. Sei que nestas semanas estão quase todas de férias, e o tempo já abunda, mas eu fui de férias nesta primeira semana, pelo que só me será possível publicar na semana que vêm, se tudo correr bem, nesta semana publico o capitulo 35.

várias leitoras me tem perguntado se agora que o Sílvio joga no Benfica e que consequentemente vive em Portugal se isso não era um bom pretexto para a Didi e ele poderem ficar juntos em Portugal... era bom não era? Talvez mais tarde, neste momento tenho outros planos para a história, não se esqueçam que o blog chama-se "A distância não impede que eu te ame". E que piada tem as coisas demasiado fáceis?

  como já disse anteriormente, cheguei ontem de férias, tive noutro pais e isso impossibilitou-me de ver o nosso Benfica, impossibilitou-me nomeadamente de assistir à lesão do Sílvio em direto. Quando me telefonaram a dizer, desvalorizei, também porque para não me assustarem disseram que não era grave, mas chegar a Portugal e ligar-me à net a ver todas as noticias, foi um autentico pesadelo... ver o vídeo da lesão dele então, foi uma tortura! Só queria deixar aqui as minhas palavras de apoio, de toda a força para ele e para a família dele, que ele recupere bem rápido e que volte a vestir a camisola do Benfica o quanto antes, assim como a da seleção, QUERO VER-TE NO MARQUÊS A FESTAR COM A FAMIDJA! Tenho muito orgulho em ti! Força!

 Prometo que trago o próximo capitulo muito muito breve, fiquem bem e não deixem de acompanhar a história.
Muitos beijinhos,
Didi Martins

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano Novo

Oláááá :)
Passei por aqui para vos desejar um excelente 2014, que os melhores momentos de 2013 sejam os piores de 2014!
Para mim pessoalmente 2013 foi dos melhores anos da minha vida, e para vocês? Que balanço fazem de 2013?
O balanço que faço da fic em 2013 é que apesar de não ter postado tantos capítulos como em 2012, foi um bom ano ao vosso lada, recheado de emoções e muito amor, não acham? Para vocês qual foi o momento mais marcante da fic neste ano? Que esperam que aconteça na fic no próximo ano?
Espero pelas vossas respostas, deem ideias, pode ser que as utilize.
FELIZ 2014 
Beijinhos
Didi Martins
 

sábado, 28 de dezembro de 2013

Capítulo 34 - Sonhos e Desilusões

Acordei numa ancisa total. Estava com uns nervos. Dentro de momentos iria saber se o secundário tinha valido a pena, se todo o meu esforço iria ser recompensado, se todas as horas, dias e noites que estudei tinham valido a pena, se o meu sonho de criança se iria realizar...
Apetecia-me ligar ao Sílvio, precisa de ouvir a sua voz, precisava do seu apoio, que ele me agarra-se na mão e me desse um beijo na testa. Não sei o que ele andava a fazer agora, às tantas ainda estava a dormir, como teve jogo ontem deve estar cansado. Decidi então apenas lhe enviar uma mensagem, ainda fui a tempo de não cometer o erro de enviar sms pois era demasiado caro enviar sms's para outro pais, como tal liguei o wi-fi do meu telemóvel e enviei-lhe uma mensagem no facebook.

Para: Sílvio Sá Pereira
Bom dia, amor <3
Tenho saudades tuas, sinto a tua falta, precisava de ti agora... Desculpa-me estar a mandar mensagem a esta hora, sei que deves estar cansado ou talvez ainda estejes a dormir, mas era só para te dizer que te amo e sinto a tua falta :c
Beijooooooo*


Peguei no meu PC e fui até à sala de jantar onde o deixei em cima da mesa, a mesma onde os meus pais já tomavam o pequeno-almoço.
- Bom dia filhota! Então dormiste bem? - perguntou o meu pai
- Bom dia! Não pai, estou tão nervosa... - revelei
- Calma, filha - a minha mãe tentava acalmar-me
- Eu quero muito isto... - respirei fundo - Mas pronto se não conseguir, não é o fim do mundo - tentava preparar-me para o caso de não entrar. Mentalmente pensei que se não entrasse teria caminho aberto para aprofundar a pesquisa das universidades em Madrid. Ai Didi para de pensar nessas coisas agora, exigi a mim mesma - Mas eu vou entrar - disse convicta
- Esta sim é a minha filha! Sabes o pai quer dizer-te umas coisas - notei que o meu pai estava um pouco nervoso - Independentemente de entrares ou não em economia na Universidade Nova de Lisboa para mim já é um orgulho imenso tu teres tentado e teres dado tudo o que tens por isso, o pai está muito orgulhoso de ti e tenho a certeza que os meus olhos estão diante da melhor futura economista que este país já teve - vi uma lágrima no canto do olho do meu pai, a minha reação foi dar-lhe um forte abraço


*** Lembrança ***
 
- Então e a sua menina já sabe o que quer fazer na vida? - perguntava-me uma colega de trabalho do meu pai, num daqueles almoços secantes que as empresas fazem com os seus trabalhadores e respetivas famílias
- A minha filha vai ser economista, tal e qual como eu - disse o meu pai, notava-se o orgulho nos seus olhos. Eu escutava atentamente a conversa ao lado do meu pai.
- Sabe isso não é nada bom, eu nunca deixaria um filho meu ter a mesma profissão que eu, seria obrigá-lo a escolher essa profissão, os miudos devem ter liberdade para fazerem aquilo que gostam - comentou num tom despresável a tal senhora
- E quem lhe disse que eu fui obrigada a escolher economia? - entervi na conversa num tom de menina de nariz empinado, mas era o que a senhora merecia - Eu nunca na vida seguiria uma coisa que não gostasse, que não sentisse vocação... Eu vou seguir economia porque eu quero! O meu gosto pela economia ultrapassa o facto do meu pai ser economista, é claro que isso também tem a sua influência. É natural todos os filhos acabam por ter admiração pelos pais, mas sabe uma coisa minha senhora? Eu até acho que o meu pai preferia que eu fosse jogadora profissional de futebol, é muito mais o sonho dele do que eu ser economista... mas o meu pai ficará orgulhoso de mim independentemente daquilo que eu siga - o meu pai estava petrificado a olhar para mim, mas no fim lá soltou um sorriso, enquanto a senhora, no seu ar arrogante apenas se virou para outro lado.
***

Sorri com a minha pequena lembrança. Isto era realmente muito importante para mim. De uma coisa eu tinha a certeza, o meu pai orgulhava-se de quem eu era, e isso deixava-me completamente babada e satisfeita.
- Mas sabes filha, também aposto que se quissesses ter seguido futebol, te tornavas numa grande jogadora - expressou o meu pai num tom mais brincalhão. Este sempre foi um sonho do meu pai, ele adoraria que eu tivesse dado continuidade à minha carreira desportiva, mas infelizmente, tinha abdicado dela na altura em que decidi por a escola em primeiro e único plano, não tinha tempo para tudo... no entanto ele não reprovou a minha desistencia, eu sei que no fundo ele ficou triste, mas ele sempre aceitou e apoiou a minha decisão.
- Pai, já está na hora, vou ligar o PC... - informei, ao mesmo tempo que os meus dedos termiam ao escrever a palavra passe
A minha mãe e o meu pai deram-me a mão, arranjei forças no seu olhar, respiei fundo e olhei para o ecrã.
 
- Entrei! EU ENTREI NA NOVA! - disse aos pulos, radiava de felicidade
- Parabéns filha, eu sabia que conseguias - falou a minha mãe
- Obrigada, mãe! Ai ainda nem acredito! - olhei novamente para o meu portátil para confirmar. Não, não me tinha enganado, eu tinha mesmo realizado o meu sonho
No meio da minha felicidade oiço o meu telemóvel a dar sinal de notificação. Fui ver quem era, enquanto os meus pais retomaram a sua refeição.

De: Sílvio Sá Pereira
Bom dia minha princesa <3
Desculpa, mas só acordei agora :s Eu tambem estou a morrer de saudades tuas... Tu estás bem? Amor, sabes que podes mandar mensagem a qualquer hora...
Já sabes se entraste?


Para: Sílvio Sá Pereira
Consegues ir agora ao skype?

De: Sílvio Sá Pereira
Claro, em 5min estou la ;)

- Vou arranjar-me, já venho - peguei no meu PC e segui até ao meu quarto
Antes de sair do meu e-mail, vi em que dia começavam as aulas, começavam dia daqui a vinte dias, faltavam vinte dias para a minha vida mudar, vinte dias para começar a viver na grande capital, vinte dias para ter mais de 600km a separar-me do meu amor...


Sílvio

Dormir sem a minha princesa era estranho, sentia a sua falta. No entanto fiquei na cama a molengar, só mesmo porque os lençois ainda tinham o seu doce cheiro.
Mas estava na hora de me levantar, tinha de ir saber as novidades. Rapidamente, vi a sua mensagem e fui ligar o meu portátil.
- Deseja restaurar a última seção? - li a notificação que aparecia - Estranho, não me lembro de ter deixado a net ligada da última vez que cá vim - pensava em voz alta - Ahh mas vamos la ver o que é isto - cliquei no botão "sim" e fiquei petrificado - O quê?! - a Didi estava disposta a abdicar do seu sonho só para ficar perto de mim?! Esta era a maior prova de amor que alguém alguma vez me tinha prestado. Ainda nem acreditava, um tremendo sorriso de orgulho surgiu em mim. Todos os meus pensamentos foram interrompidos pela som de uma mensagem.

De: Diana Martins
Amor, estou à tua espera no skype... despacha-te!

Rapidamente liguei o Skype e vislumbrei a minha bela namorada a mais de 600km de distância.
- Precisamos de falar - foi a primeira coisa que lhe disse
- Precisamos de falar - disse em unissono a Didi - Tu primeiro - deu-me permissão. Se o assunto não fosse tão importate insistia para ser ela a falar primeiro, mas tinha coisas demasiado importantes para lhe dizer
- Vi o que andaste a pesquisar no meu computador... - atirei, à espera de uma reação tua
- Ahhh... - gaguejava atrapalhada - Era sobre isso que eu queria falar contigo, eu não sei o que fazer... 
- Princesa, antes de mais quero saibas que só o facto de teres posto a hipótese de vires estudar para Madrid para mim significa muito... sabes era um sonho, poder estar contigo todos os dias, poder beijar-te todos os dias, poder ter o teu cheiro sempre comigo, poder dormir agarradinho a ti sempre, poder fazer-te sorrir, poder abraçar-te, o teu rosto ser a primeira coisa que eu visse todos os dias de manhã... era um sonho e digo era porque vai continuar a ser, porque eu sei que um dia se vai realizar e que esse dia não vai ser em breve - a Didi escutava-me atentamente - Eu não te posso deixar abdicares do teu sonho de estudares na Nova só para vires morar comigo, não posso, seria uma atitude egoista da minha parte mas acima de tudo seria imprudente. Tu conheces bem a vida de futebolista, sabes que na minha profissão, hoje posso estar a representar o Atlético como amanhã já posso ser transferido para Inglaterra... sabes bem que um jogador nunca tem a certeza de quanto tempo vai ficar num certo país, um jogador não tem essa estabilidade... e eu não te posso arrastar para essa instabilidade. Um dia talvez, depois de teres acabado a faculdade, mas agora não, não podes fazer um ano de economia em Madrid, outro em Inglaterra ou outro em Itália. Não! Eu não deixo, não quero isso para ti, quero que faças todas as cadeiras em Portugal, quero que tires as melhores notas, quero que te esforçes, quero que te empenhes, quero que dês o melhor de ti e que acabes a universidade. Depois de acabares, ai sim, dou-te toda a liberdade para escolheres se queres morar comigo, se te queres sujeitar à minha instabilidade, agora não... quem sabe até se eu não volto a jogar em Portugal e podemos ficar juntos a ai. O que eu te quero dizer é que o futuro é incerto mas eu sei que por mais quilómetros que nos serparem fisicamente nada vai separar o nosso amor porque a distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno e inflama o grande! - já estava, tinha dito à Didi tudo o que sentia, tudo o que me ia no coração, respirei fundo, a Didi continuava calada - Entras-te na Nova, não entras-te?
- Amo-te tanto - os seus lábios deixam escapar, ao mesmo tempo que dos seus olhos escapavam lágrimas. Não a conseguia ver assim, só me apetecia estar ao pé dela, para a proteger com os meus braços - Ter o teu apoio foi decisivo na desição que tomei... Sim eu entrei na Nova, sim o meu sonho vai realizar-se... mas para poder realizar este sonho tive de abdicar de outro...
A minha Didi já chorva complusivamente - tu... - as lágrimas também invadiram os meus olhos sem qualquer tipo de permissão, baixei o meu olhar
- Mas só tive forças para tomar esta decisão porque sei que mais tarde vou poder realizar esse sonho, vou poder ter-te a tempo inteiro, vou poder desfrutar do nosso amor a 100%, só espero que nessa altura não seja tarde demais, que nessa altura a distância já não nos tenha separado... - respirou fundo, sentia cada palavra sua de uma forma tão intensa
- Eu acredito! - expressei determinado, elevando o meu tom de voz e limpado as pequenas gotas de sal que se tinha instalado na cima cara - Por amor somos capazes de tudo e iremos ser capazes de ultrapassar a distância, o nosso amor é demasiado importante, forte, carinhoso, intenso, determinado, consistente, seguro, lindo, afortunado, sincero, amado... a distância pode impedir que eu te veja, que eu sinta o teu cheiro, que eu te toque… mas não impede que eu te Ame! - as lágimas no delicado rosto a Didi começavam a cessar e um sorrir começava a nascer
- Pode não dar certo, mas de uma coisa podes ter a certeza, eu vou tentar tudo mas tudo para que dê certo! - assegurou-me com o seu mais belo sorriso - Obrigada!

Diana

Ainda tive mais uns minutos a falar com o Sílvio, para em seguida me vestir e ir até à sala, Já recomposta de tantas emoções, mas algo me dizia que as emoções de hoje não ficavam por aqui.
- Os pais hoje não vão trabalhar? - sentei-me ao pé deles no sofá
- Não, hoje tiramos o dia de folga para poder estar contigo - contou-me a minha mãe
- Ainda bem! - expressei contente - Sabem, eu tenho uma coisa para vos contar... - introduzi o assunto
- Finalmente! - comentou o meu pai com um sorriso
- Como assim?
- Nós já sabemos que tens namorado - esclareceu o meu pai
- Como? - perguntei espantada
- Diana, nós somos teus pais, há algum tempo que já tinhamos percebido... mas esperamos até ao momento em que nos quisesses contar - disse o meu pai num tom de voz calmo, como sempre
- Anda filha, conta lá como ele se chama - pedia-me a minha mãe curiosa
- Ele chama-se Sílvio e é o homem que mudou a minha vida para muito melhor, ele faz-me acreditar no amor, no amor verdadeiro, sabem como o vosso amor, algo que eu nunca pensei encontrar na vida... - suspirei - enfim, estou perdidamente apaixonada por ele - contava-lhes
- Ele é espanhol? Conta-nos mais coisas sobre ele... quando o conhecemos? - perguntava a minha mãe
- Calma mãe, eu quero ir com calma. Não, ele é português mas vive em Madrid, uma vez que joga no Atlético de Madrid... - olhei para o meu pai, era como se se tivesse feito um click na sua cabeça
- Sílvio?! Sílvio Sá Pereira? O jogador que nunca joga mal? - juntava as peças do puzzle. O meu pai via futebol comigo e iamos várias vezes ao estádio, inclusive assistimos aos jogos do Sílvio contra o Benfica, o meu pai até lhe chamava "o jogador que nunca joga mal"
- Exatamente!
- O quê?! O teu namorado é um jogador de futebol? - perguntou-me a minha mãe surpreendida
- E dos bons! - acrescentou o meu pai, sorri-lhe
- Sim mãe, connheci-o atravez do Tomás, eles são vizinhos, ele é uma pessoa espetecular, tenho a certeza que a mãe vai gostar dele... - asegurava-lhe tranquila
- A minha filha namora com um jogadorzeco de futebol? - expressou num tom algo rude
- Mãe!!! Não fale assim! - elevei o meu tom de voz, algo irritada
- A minha filha namora com um pobrezeco qualquer, que nasceu no nada, a única coisa que sabia fazer era dar toques na bola e mal deve saber falar porque no máximo tem o 9º ano?! - estava escandalizada, as lágrimas voltaram a rolar pelo meu rosto, lágrimas de desilsão
- A mãe está a desiludir-me tanto, nunca pensei que fosse tão preconceituosa! Mas fique sabendo que eu tenho muito orgulho no Sílvio, não sei se ele tem o 9º ano nem quero saber, sei sim que ele pode não ter nascido num berço de ouro mas tudo o que ele tem atualmente é porque se esforçou, porque merece! Foi com o seu esforço e não porque alguem tinha muito dinheiro! Ele não é um burro qualquer, fique sabendo que ele fala perfeitamente português, e que se não fosse futebolista, sabe o que é que ele teria sido, sabe?! Sabe?! - gritei - PROFESSOR DE PORTUGUÊS! Por isso não fale antes de saber as coisas mas acima de tudo não seja perconceituosa! - atirei
- Se para ti ser perconceituosa é preocupar-me com a minha filha, então sim, sou muito mas muito preconceituosa. Tu não estás a perceber que eu só quero o teu bem? Tu não estás a perceber que os jogadores de futebol só se interessam pela beleza e pela imagem? Agora é tudo muito bonito, ele tem fama e protagonisto e daqui a 20 anos quando ele for um zé ninguém como todos os outros? Que futuro pode ele dar-te? O dinheiro não dura para sempre - cada palavra que a minha mãe dizia magoáva-me ainda mais
- Acha mesmo que o que me interessa é o dinheiro e a fama? Acha que me interessa para alguma coisa o seu estatuto social? Estou-me a lixar para isso tudo! Para mim interessa o que eu sinto por ele e ele por mim - esclareci
- Bem, Diana, certamente a mãe não quis dizer aquilo com aquela intenção, ela apenas, como o pai, se preocupa contigo e quer o teu bem - o meu pai tentava acalmar os ânimos
- Não, Ricardo, sabes muito bem o que eu quis dizer! - repôs a minha mãe
- Ana, por favor, já chega! O importante é que a nossa filha esteja feliz - dizia o meu pai
- Mãe, por favor, tu não conhces o Sílvio, por isso não o julgues - disse calma, nem sei como fui capaz, só me apetecia gritar e dizer asneiras
- Mas filha, ele é... - nem deixei a minha mãe acabar
- Mãe! - gritei - Sabe como me está a fazer sofrer?! Sabe?! Eu amo o Sílvio e ouvir essas baboseiras da mulher que eu amo incondicionalmente, dói e não é pouco! Têm a noção como estou desiludida consigo? Tem?! Tem no minimo a consciencia das coisas que me disse? Sabe o quanto foi preconceituosa? Não foi essa a educação que me deu... - as lágrimas eram uma constante - Estou tão magoada, pense nisso por favor... - precisava de sair dali, não aguentava mais, sai a correr
- Filha onde vais? - o meu pai ainda gritou para mim
- Não sei! - respondi-lhe já na rua
Ar freco, cheiro a maresia, sabia tão bem! Corri até à praia, precisava de descontrair, precisava da tranquilidade que o mar me dava.
- Didi, Didi! - uma voz familiar chama-me
- Duarte! - o meu companheiro de surf estava mesmo à minha frente - Ainda bem que estás aqui!
- Olá também para ti Dids! - brincou - Tu estás bem? - reparou no meu ar entristecido e nos meus olhos vermelhos
- Estou, não é nada que umas boas ondas não curem! - menti, mas tinha uma vontade tremenda de surfar - Emprestas-me a tua prancha?
- Tens a certeza? - perguntou-me receoso
- Sim! - tentei sorrir
- Mas tem cuidado, as ondas hoje não estão para brincadeiras! - avisou-me
- Não te preocupes! - despi-me e peguei na prancha do Duarte
- Dids, tu nem tens o Bikini... - reparou, que eu não vinha preparada para surfar
- A vontade de surfar é assim, aparece quando menos esperamos - desculpei-me e virei costas entrando no mar antes que o Duarte mudasse de ideias
- Tem cuidado! - gritou-me
Agora era só eu e o mar.

 
Deitei-me em cima da minha prancha e fiquei a ouvir o som das ondas a rebentar. O Mar estava agitado, tal como a minha alma. O mar parecia estar sempre em sincronia comigo, era impressionante. Talvez fosse por isso que este me transmiti-se uma tranquilidade inacreditável e inesplicável. A praia era sem dúvida o meu refúgio. Era aqui que pensava ns meus problemas e tentava chegar a conclusões para os resolver. Estava decepcionada e muito irritada. Como é que a minha mãe podia julgar uma pessoa sem a conhecer?! Decidi canalizar a minha raiva para as ondas. Vinha ai uma bem grande, tal como eu gostava. Dei umas tantas braçadas e consegui apanhá-la. Consegui pôr-me de pé, mas não sei como desiquilibrei-me e cai, fiquei enrolada no tubo da onda. Só via água e mais água, queria respirar mas não conseguia vir à surperficie. Até que senti uma pancada bem forte na minha cabeça. A imagem da minha mãe foi a última coisa que me passou na cabeça, antes de não sentir mais nada.


Aqui está o prometido capitulo! Espero que gostem :)
Agradeço muito a quem comentou o capitulo anterior, nem sabem como fico feliz! OBRIGADA!
Será que agora consigo 8 comentários?
Beijinhos
Didi Martins

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Capítulo 33 - Mudanças


Uma inquitação invadia a minha alma e não me deixva dormir. Por muio que eu fechasse os olhos o cérebro não respondia à minha intenção de adormecer. Sentia a respiração do Sílvio contra o meu pescoço, ele dormia que nem um anjo. Levemente, tirei o braço do meu namorado da minha cintura e levantei-me da cama. Pé ante pé fui atraida até ao portátil do Sílvio, tentando fazer o minimo barulho os meus dedos levaram-me a procurar universidades de economia em Madrid.
- Amor, amor... - a voz do Sílvio assustou-me e só tive tempo de baixar o ecrã do pc - que estás a fazer? - perguntou sonolento
- Nada, vou só beber água, volto já - menti-lhe enquanto sai do quarto, rapidamente fui à cozinha e voltei
- Anda princesa, sinto a tua falta - voltei-me a deitar ao seu lado
- Desculpa, ter-te acordado, mas não estava a conseguir dormir - contei-lhe enquanto me voltava a aninhar ao seu corpo
- Queres carinhos para adormecer? - disse com voz fofinha
- Querooooooo - disse arrastando a voz
Senti os seus lábios na minha cara e a sua mão a acariciar o meu cabelo, pouco tempo bastou até eu adormecer...
Despertei com a pouca claridade que já fazia no quarto. Fiquei a vislumbrar o Sílvio, ele ainda dormia e os raios de sol iluminavam a sua cara, fazendo-o ainda mais lindo.
- Amo-te tanto - sussurei-lhe mesmo sabendo que ele não ouvia
Decidi acordá-lo com miminhos, dei-lhe beijinhos por todo o seu rosto e beijei-lhe bem lentamente os lábios.
- Bom dia, meu principe - falei assim que ele abriu os seus belos olhos esverdeados
- Buenos días, princesita - rebribuiu com um beijo - conseguiste dormir bem?
- Sim, graças a ti! Agora acordei foi com uma fome danada - expressei
- Queres ir já tomar o pequeno-almoço? - perguntou retóricamente - Ainda temos tempo, por isso, por mim ficavamos aqui mais um bocadinho a namorar... - propôs
- Humm o meu amor quer miminhos e muitos beijinhos, é?! - perguntei enquando o meu corpo se deitou em cima do seu
- Parece que sim - os seus lábios não tardaram a encontrar os meus num beijo fugoso, e as suas mãos não tardaram em encontrar a minha cintura e fazer chegar o meu corpo mais para o seu
- Amo-te milhões - sussurrei-lhe, tendo agora a certeza que ele me ouvia
- Eu amo-te infinitos - simplesmente suspirei e deixei que o meu corpo caísse na cama
Sílvio voltou a juntar os nossos corpos, assim como os nossos olhares. Não havia palavras para descrever estes momentos. Suspirei uma última vez e levantei-me.
- A que horas tens de ir para estágio?
- Às 11 horas, amor - informou-me
- Boa - expressei contente - Ainda temos duas horas, o que quer dizer que vou fazer agora a mudança para a tua casa com a tua ajuda - sorri-lhe
- Achas que dá tempo?
- Sim, eu sou uma pessoa arrumada e também não tenho de arrumar tudo direitinho na mala, por isso dá, perfeitamente. Quero tanto mudar-me para cá - expressei entusiasmada
- Também eu quero muito que te mudes - beijou-me
- Vá, anda tomar o pequeno-almoço
- Assim?! - evidenciou que eu ainda estava de pijama e ele de bóxeres
- Sim, porquê? Costumas primeiro tomar banho e só depois tomar o pequeno-almoço?
- Normalmente, sim, só as vezes ao fim-de-semana é que não - contou-me da sua rotina
- A sério amor? Eu ando sempre em pijama até à hora de almoço e só depois tomo banho - agora era a minha vez de lhe explicar a minha rotina - E é bem mais sexy eu poder ver os teus abdominais até à hora de almoço - atirei
- Ai é?!
- É! - sorri-lhe safada
- Então anda tomar o pequeno-almoço com os meus abdominais - Sílvio pega-me ao colo tipo saco de batatas
- Ohhh amor, eu podia ir perfeitamente pelo meu pé - barafustei
- Era só para eu ter oportunidade de te poder agarrar pela cintura e pelo teu jeitoso rabo - respondeu-me no mesmo tom de safado, eu simplesmente lhe dou uma palmada no rabo, ao qual o Sílvio se ri.
Acabámos por comer no nosso clima de 50% picanço e 50% mel. A seguir o Sílvio seguiu a sua routina e foi tomar banho, enquanto eu, apenas vesti um casaco e fui até à casa do Tomás fazer a minha mala. Eu tinha trazido duas malas para madrid, uma grande e um pequeno nécessaire. Para a casa do Sílvio apenas iria levar a mala grande, ou seja, era apenas a minha roupa, uma vez que iria precisar do nécessaire para a viagem a Portugal. Enquanto, ainda toda os meus amigos dormiam, passei toda a roupa do meu armário para a mala e voltei à minha nova casa.
- Podes tratar de arranjar espaço no teu armário - brinquei - Ah e na mesa de cabeçeira também!
- Muito exigente a menina - respondeu no mesmo tom - Queres uma gaveta?
- Tanto faz, se te der mais jeito partilhar a mesma gaveta, pode ser - sorri-lhe
Passámos o tempo que faltava até às 11 da manhã a arrumar as minhas coisas, conseguimos arrumar tudo, apesar da quantidade de pausas que fizemos para namorar ou porque o Sílvio se lembrava de embirrar com a minha roupa. Despedi-me dele e fui tomar o meu banho. Para depois me vestir.

Em seguida, fui até à casa do Tomás, onde o pessoal já tinha acordado. Fui até ao meu quarto acabar de preparar as coisas para a viagem, contei com a ajuda das meninas, que acabaram por quer saber cusquices.
- Mas oh Didi, conta lá como é que é o Sílvio na cama? - perguntou a Barbara a rir-se às gargalhadas depois de já me ter perguntado 1001 coisas sobre mim e o Sílvio
- Hummm dorme! - respondi numa clara alusão ao sono que ele tinha
- Chii vais dizer que não lhe consegues dar pica suficiente para ele se manter acordado? Andas a falhar... - nem eu resisiti e desmachei-me a rir
- Não, Bá! Eu e o Sílvio ainda não fizemos amor, temos tempo.... - acabei por lhe revelar
- Ohh que pena, adorava saber como são os jogadores de futebol na cama, dizem que são grandes máquinas! - continuava a disparatar
- Ohh Bá, cala-te, já chega - interviu a Rita - Didi, tu não amas o Sílvio?
- Sabes bem que sim...
- Então porquê esperar? De que tens medo? - a Rita conhecia-me bem demais
- Não tenho medo de nada, simplesmente acho que não faz mal ir com calma, pelo menos uma vez na vida - disse
- Não tens medo que ele se canse de esperar? Afinal ele é um homem e os homens não aguentam muito tempo sem sexo, verdade seja dita... - expressou novamente a Rita
- Ai não sei, eu sei que os homens tem essa necessidade e eu vejo o desejo no seu olhar, mas confio o suficiente para saber que ele vai esperar até quando eu quiser - declarei calmamente
- Esperemos que sim - falou a Bá
- Mas oh parva, conta-me lá tu as tuas aventuras que o verão esta a acabar e algo me diz que tens muito para contar - expressei bem animada, esperando as hilariantes histórias que a Barbara me iria contar, ou não fosse ele uma autêntica personagem
Mais hora, menos hora, mais conversa, menos conversa, mais brincadeira, menos brincadeira, tinhamos passado a tarde e já estava mais do que na altura de ir até ao estádio ver o jogo do Sílvio.
O Atlético de Madrid jogava hoje contra o Valência. Não tardou em que o jogo começa-se.
 
 
 
O meu amor fez mais uma boa exibição, cada vez tinha mais orgulho nele. Esperavamos na garagem juntamente com algumas mulheres dos jogadores. Um grupo de vozes fez-se ouvir, uma mistura de Português, com Brasileiro e Espanhol. Era o Sílvio, o Tiago, o Diego, o Filipe Luis, o Falcão, o Salvio e Mario Suarez.
- Ai meu deus, olhem-me só para o Diego, que pedaço! - comentou a Barbara - E o Falcão? Ai vai-me dar uma coisinha má - respirava aceleradamente
- Bá, acalma as hormonas que eles são comprometidos e as mulheres deles estão mesmo aqui ao nosso lado - ri-me
- A sério? Achas que elas ouviram?
- Deixe lá moça, nós já estavamos habituadas - respondeu calmamente a Carolina, mulher do Diego
- Ai, peço desculpa na mesma - a Bá estava super envergonha, já nós não
- Didi, achas que podemos tirar fotos com os jogadores? - perguntou o Paulo
- Acho que sim, fala com o Sílvio - os rapazes foram até ao encontro dos jogadores
- Sílvocas, achas que podemos tirar uma foto com o Tiago e com o Falcão? - pediu o Tomás
- Acho que sim, mas eu se fosse a ti tirava a foto só com o Tiago, porque ele sim sabe o que é bom e vestiu a camisola do glorioso, agora aquele Falcão, tem cá um mau gosto - brincou o Sílvio
- Mal gusto que ganó y no era un poco - atirou o Falcão, numa alusão às vitórias do grande rival do Benfica
- Com ajudinhas - deixou escapar o Tiago
- Enfim, a eterna discussão - disse o Sílvio - Tirem mas é a foto...
Os rapazes lá conseguiram tirar as fotos, como ainda conseguiram ir jantar com eles, acabámos por ir todos, tantos os meus amigos, como quase todos os jogadores e as respetivas mulheres ou namoradas. Não estivemos muito tempo a conviver, uma vez que tinhamos avião às 23h. Foi jantar, despedir do pessoal, ir a casa buscar as malas e ir direitinhos ao aeroporto.
Última chamada para o voo com destino a Lisboa. Apenas restava eu, o Silvio e o Tomás, que se encontrava um pouco mais distante de nós, todos os meus amigos já tinham entrado no avião. Eu tentava estar todos os segundinhos restantes com o Sílvio.
- Amor, tens de ir... - Sílvio arratou a voz - Vá princesa, não vais lá estar tempo nenhum, isto não é nenhuma despedida, é um até já - beijou-me
- Sabes que te amo muito, não sabes? - apoiei as minha pequenas mãos nos seu ombros
- Sei! - Beijou-me - Eu também de amo infinitos!
- Amor, nada de te esqueceres de mim, quero que me mandes mensagens e me ligues, sim?
- Ahh isso sou eu que te tenho de dizer! Vá tens mesmo de ir... - ja estava mesmo a ficar em cima da hora
- Adeus! - Beijei-o uma última vez e virei costas rapidamente para não ter a tentação de voltar atrás e beijá-lo e beijá-lo e beijá-lo e ainda beijá-lo mais. Só de pensar que daqui a uns tempos irria novamente ver a bela cidade de madrid pelo virdo do avião e ai não saberia quando regressava, dava-me calafrios. Uma lágrima caprichosa rolou pelo meu rosto como um miúdo rola duna a baixo. Só tive tempo de a enxugar e afastar estes pensamentos da minha cabeça, afastar esta dor do meu coração.

Aterrámos em Portugal por volta das 23h, hora portuguesa. Os meus pais fizeram-me uma surpresa e esperavam-me no aeroporto. Corri para os seus braços. Voltar a sentir o conforto, o carinho e o amor dos seus braços preenchia-me o coração. Não há nada como o amor de pai e mãe.
- Estava a morrer de saudades vossas! - expressei com as lágrimas a evidenciar a minha saudade
- Também nós filha, também nós... - deixou escapar o meu pai. Por mais anos que passassem eu acho que eu seria sempre menina do papá
- Parabéns atrasados filhota! - disse a minha mãe
- Obrigada, mãe!
-Já estás uma mulher... - obvervou a minha mãe
- Uma mulher linda... - acrescentou o meu pai
- Quero ir para casa, vamos?
Nem foi preciso os meus pais responderem, apenas seguimos caminho para o carro. Alguns familiares dos meus amigos também os tinham vindo buscar ao aéroporto, apenas me restou a Laura, mas como era obvio a minha Laurinha iria à boleia comigo, uma vez que iamos para o mesmo sitio.
Passámos todo o caminho de Lisboa a Santa Cruz a contar aos meus pais como foi o fim-de-semana em Madrid, como foi a minha festa, as surpresas que eles me prepararam, como era a vida em Madrid... mas ainda nem se quer tinha referido o nome do Sílvio, preferia fazê-lo noutra ocasião com mais tempo e mais circunstância.
Chegámos a Santa Cruz estafados, despedi-me da Laura e entrei em casa.
Sabem aquele cheiro que só a nossa casa tem? Aquele cheiro inesplicável, o cheiro da nossa vida, o cheiro que nos trás memórias da infância, o cheiro que por mais anos que passe e coisas que aconteçam, nunca mudará e irei reconhecer sempre. Estava em casa, na minha casa, não havia melhor lugar para se estar, a minha casa era o meu porto abrigo. As minha últimas forças deste dia foram gastas numa corrida até ao meu quarto. Estava tudo igual. Respirei fundo e sentei-me na minha cama. Em breve tudo isto iria mudar, se tudo corresse bem, iria ter três casas. Esta, o reconforto de toda a minha vida, a casa do Sílvio, que já começava a ser a minha segunda casa, a casa dos meus sonhos na companhia do homem dos meus sonhos e o apartamento em Lisboa, que ainda era incógnita na minha vida. Ainda se avizinhavam mais mudanças na minha vida.

 
Boa noite leitoras :)
Aqui está o meu presente de Natal atrasado, como forma de recompensa, se tiver no mínimo 5 comentários publico o capítulo 34 ainda hoje ou amanhã. Quero recompensar-vos pela minha demora. Espero que gostem e comentem!
Antes de ir, queria só dedicar este capitulo à Filipa Gonçalves por todo o apoio e disponibilidade, és incansável! MUITO OBRIGADA!
Beijinhos
Didi Martins

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Feliz Natal

BOA NOITE!
Queria desejar-vos um excelente, feliz e santo natal, com muita saúde, paz, felicidade, muito, mas muito amor e tudo de bom, ao lado de quem mais gostam.
Que em tempos difíceis o que nos mantenha felizes seja a união do natal <3
 
 

Muitos beijinhos e muitas prendinhas
Didi Martins

PS: Estou a tratar da vossa prenda!

sábado, 7 de dezembro de 2013

Capítulo 32 - A diferença entre fazer sexo e fazer amor


Uma claridade imensa invadiu o quarto e obrigou-me a abrir os olhos. Sentia a minha cabeça pesada, parecia que ia explodir.- Ai expressei meio desengonçada tentando-me levantar
- Bom dia, minha princesa saudou alegremente o meu namorado
- Sílvio, mais baixo por favor pedi, a intensidade com que ele me saudou quase que me explodia a cabeça Dói-me tanto a cabeça…
- É normal, depois da bebedeira que apanhaste ontem…
- O quê? Eu embebedei-me? perguntei num tom quase escandalizado, o Sílvio só se ri
- Sim, não te lembras?
- Não expressei
- Mas devias… - disse baixinho
- Devia?! Olha eu lembro-me de termos todos ir sair, lembro-me de estar na discoteca a curtir e depois não me lembro de mais nada…
- Só não te lembras do caminho para casa e do que fizeste quando chegaste? perguntou-me, notei que ele estava especialmente curioso pela minha resposta
- Não, nada disse receosa O que é que eu fiz? Algo de mal?
- Mais ou menos, conto-te mais tarde, pode ser? Até porque quero falar contigo sobre isso... sorriu-me mas notei-lhe um pouco de nervosismo Tenho lá em baixo um comprimido que te vai curar da ressaca. Mas agora vai tomar um banho de água fria que temos de ir almoçar nem me deu tempo para responder ao primeiro assunto
- Almoçar? Que horas são?
- Sim princesa, tiveste a dormir muito tempo, eu já fui ao treino e voltei e tu sempre a dormir, são uma hora e dezassete minutos sorriu-me Mas tranquilo, que os teus amigos também só devem estar a acordar agora descansou-me
- Menos mal pronunciei Vou tomar um duche rápido, espera por mim, sim? fiz um esforço e sorri-lhe
- Claro, princesa fui para a casa de banho Não te estás a esquecer de nada?
- O quê? voltei a olhar para ele
- O meu beijo de bons dias…
- Não posso, tenho hálito a álcool, não quero correr o risco de não gostares do meu beijo justifiquei-me, o Sílvio apenas se ri, não percebi porquê o que foi?
- É que ontem não te importaste com isso! deixou escapar
- É sobre isso que queres falar comigo, não é?
- Vai lá tomar banho desviou assunto
- Estou a ficar com medo dessa conervsa estava curiosa, mas acima de tu estava a ficar com receio de ter feito alguma coisa de mal.
Fui tomar um banho de água fria e a minha ressaca estava a passar, para isso muito contribui-o o comprimido que o Sílvio me deu. Fomos até à casa do Tomás.
- Bom dia saudei os meus amigos que estavam todos na sala, ainda ensonados Bem eu dormi muito, mas tou a ver que vocês dormiram ainda mais! eles ainda estavam todos de pijama
- Dids, não imaginas o que nos temos divertido com estes! disse-me a Mafalda
- Então? Também estão de ressaca?
- Yap, e estão ainda mais insuportáveis! gargalhou a Mafalda
- Menos, Mafalda, muito menos! Nós estamos ótimos! exclamou o Paulo
- Vocês deviam ter visto as vossas figuras ontem à noite, nem sabem o que eu e o Sílvio nos rimos a Mafalda tinha sido a única que juntamente com o Sílvio não apanhou alta bitola
- Foi hilariante! observou o Sílvio. Eu simplesmente lhe lancei uma olhar, do género "Tas a gozar comigo?" Oh amorzinho, vocês deitaram-se no chão do metro, foram o caminho todo deitados no chão! Não achas hilariante? ele deu-me um beijinho na cara e eu continuo o meu fingido amuo
- A melhor parte foi quando chegaram à brilhante conclusão que as luzes do metro eram estrelas a Mafalda ria-se às gargalhadas
- Chii quem é que é tão burro a esse ponto? exclamou o Paulo
- Tu estás mas é caladinho, porque tu disseste que era a lua a Mafalda mal se aguentava com tanto riso, que acabou por ser geral
- Tou a ver que nos divertimos muito! disse eu
- Só disseram baboseiras!
- Mas isso nós já fazemos sóbrios!
- Agora imagina bêbados, é muito pior! a boa disposição era geral
Acabamos por passar a tarde todos juntos, onde tive oportunidade de na companhia do Sílvio e ajuda do Tomás de lhes dar a conhecer a cidade de Madrid, uma tarde bem passada. Para a noite pensámos em algo mais pacato e ficamos pela casa do Tomás, no jardim a conviver. A noite já ia longa, entre poker, FIFA e conversas, o sono começava-se a apoderar de nós.
- A minha bateria está a chegar ao fim - informou o Paulo
- Isso cheira-me a desculpa para a abada que tens levado - disse o Barbosa que naquela noite estava com uma sorte incrivel ao jogo
- Não, mas por acaso eu tenho de ir porque amanhã tenho jogo e também já tenho sono - disse-me Sílvio pousando a sua cabeça no meu ombro visivelmente ensonado - Vocês não querem ir ver o meu jogo?
- Eu por acaso adorava - disse logo a Rita
- Então vão comigo, o jogo também é à tarde, assim no final do jogo comemos qualquer coisa e depois regressamos a Portugal - disse-lhes entusiasmada
- Então está combinado - expressou o Barbosa
Acabamos por nos despedir do pessoal todo, e regressamos à já "nossa" casa.
- Estás a pensar ficar quanto tempo em Portugal?
- Queria mesmo falar contigo sobre isso. É assim eu estava a falar com a Laura e tenho de ir a Portugal tratar das coisas da faculdade, as colocações saem terça-feira e temos de tratar do apartamento - como já tinha conversado com o Sílvio, eu iria viver num apartamento no centro de Lisboa com a minha Laurinha e algumas amigas minhas - por isso estava a pensar aproveitar a boleia do meus amigos e ir com eles para Portugal, eu ainda não sei quanto tempo lá vou ficar, mas não tenciono ficar muito tempo - sorri-lhe - Por isso amanha como vou ter que arrumar algumas coisas para levar, arrumo o resto e mudava-me para cá. Que achas?
- Acho muito bem, princesa - sorriu-me - Espero que não fiques lá muito tempo porque as férias estão a acabar e eu quero aproveitar o máximo de tempo para estar contigo - expressou melancónio
- Não, amor. Não vou lá ficar muito tempo - deu-lhe um beijo enquanto o empurrei para a sua cama, onde acabamos por cair - Agora já me podes dizer qual foram as cenas que eu fiz ontem à noite? - toquei no assunto que suscitou a minha curiosidade ao longo deste dia
- Não te vou dizer, apetece-me exemplificar! - Sílvio beija-me intensamente nos lábios, enquanto as suas mãos viajaram até aos meus quadris e me apertaram contra o seu corpo, por sua vez a sua boca tomou caminho até ao meu pescoço, deixando-me toda arrepiada. Senti as suas mãos dentro da minha camisola, com a intenção de a retirar.
- Pára, amor! - pedi-lhe
- Ok, precisava de ter a certeza - olhei-o - ontem à noite tentas-te que nos envolvesse-mos, disseste que querias fazer amor comigo e provocaste-me milhões... confesso que me foi extremamente difícil dizer-te que não, mas percebi que só o querias porque não estavas em ti... - revelou-me
- Desculpa, amor... - baixei o olhar envergonhada, estava na altura de abrir o jogo com ele e falarmos sobre isso, respirei fundo - ainda não me sinto preparada para fazer amor contigo - expressei o mais direto possível
- Posso fazer-te uma pergunta?
- A resposta é não... - poupei-lhe o trabalho de me fazer a pergunta, sabia bem demais que ele me ia perguntar se eu era virgem
- Era assim tão evidente?
- Era, vi-o no teu olhar...
- É que algumas atitudes tuas faziam-me pensar que sim, mas outras quase que me davam a certeza que não... - explicou
- Ficaste desiludido?
- Achas?! De forma alguma...
- Mas eu vou-te explicar... para mim fazer amor com alguém não é a banalidade que as pessoas hoje em dia passam sobre isso, para eu fazer amor com alguém tenho de a amar de verdade, isto não quer dizer que eu não te ame de verdade, porque tu sabes muito bem que eu te amo, mas é como se tivesse medo de me entregar a ti dessa forma, desculpa... - fiz uma pausa, pensei se devia continuar apesar do assunto delicado, era melhor ser sincera. Continuei - e depois também sabes que na minha vida só fiz amor com o Miguel e era especial... - revelei sem medos, vi a tristeza invadir o rosto do Sílvio
- Tudo com o Miguel era perfeito, tudo com o Miguel era especial, fogo pára de falar nele! Sabes, eu odeio-o! - expressou com uma evidente mágoa nos olhos - Só gostava que ele nunca tivesse existido, que gostasses só de mim, que o teu coração fosse só meu, que fosse só eu especial, não ele, sempre ele, sempre a comparação com ele - disse-me irritado - Ele tem aquilo que eu nunca vou conseguir ter, tu... - expressou já calmo
O que o Sílvio disse fez-me ficar mal comigo mesma, estava a ser tão cruel para ele, tão má e não tinha noção disso.
- Desculpa, amor - expressei o mais verdadeiramente possível, embora não valesse de grande coisa comparado com o sofrimento dele - Eu amo-te! - reforcei - Mas desculpa se falo muitas vezes dele, ele foi importante para mim, mas pela milésima vez é passado! Não tinha percebido que ele te causava esse sofrimento todo - falei triste - Não há comparação possível entre ti e o Miguel, sabes porquê? Porque eu nunca a fiz, cedo percebi que o que sentia por ti, era tão diferente do que senti pelo Miguel, tu mexes comigo de uma maneira que o Miguel nunca mexeu, de uma maneira louca, sou dependente de ti, sinto que a minha vida és tu, que és o mais importante, com o Miguel senti que ele apenas fazia parte da minha vida. Percebes a diferença?
Sílvio nada me disse, parecia ainda estar a processar, decidi então tomar outra vez a palavra.
- Quanto ao não querer fazer amor contigo agora, não é por não te desejar, aliás é precisamente o contrario - respirei fundo, Sílvio apenas me olhava em profundo silêncio - Conheces a diferença entre fazer sexo e fazer amor? - contra todas as minhas expetativas ele sorri com a minha pergunta
- Sim, conheço - afirmou convicto - A diferença é brutal, na minha opinião mais de metade das pessoas faz apenas sexo. O sexo é rápido, apenas o tempo em que o acto se dá, pode ser violento, não exige dedicação, nem cuidado, é apenas troca de prazer, começa e acaba ali. O amor não, o amor começa muito antes, fazer amor é uma junção de diálogo, de carinho, de convivência, de desejo, ai sim existe dedicação, cuidado, paciência, ai sim existe amor... é talvez por isso que poucas pessoas fazem amor. A verdade é que poucas pessoas estão prontas para fazer isso, apesar disso ser tão comum hoje em dia. Fazer sexo com amor é para poucos, transformar todo aquele sentimento com o prazer, é algo absolutamente indiscritível. Quando fazemos amor, existem aqueles sorrisos parvos, aqueles beijinhos na testa, aqueles carinhos... "Amor, tens fome?", "Precisas de alguma coisa?", "Amo-te"... Fazer amor é juntar tudo o que sentimos, numa noite, e isso já mais se explica, sente-se! - fiquei sem palavras, ele simplesmente me as tirou e disse-as de uma forma tão.. tão intensa
- É exatamente isso, é por isso que eu não quero para já fazer amor contigo. Primeiro porque quero que seja mesmo especial. Segundo porque sinto que apesar de te amar, se o fizesse-mos agora, seria mais sexo do que amor, porque eu acabo por te desejar de uma forma irracional, um desejo físico, um desejo pelo teu corpo, pelo teu toque, pela tua beleza... também podias ser mais feiozinho, não?! - brinquei, ele ri-se - não é que isso seja mau né...
- Eu estou a perceber, eu acabo por sentir exatamente o mesmo, acho que é normal... - revelou, respirei de alivio por estarmos em sincronia - mas acaba por ser mais difícil para mim controlar o desejo quando me provocas da maneira que me provocaste ontem...
- Imagino! - ri-me - Ás vezes penso como é que isto é possível, ainda nem à dois meses nos conhecemos e o que eu sinto por ti já é tão inexplicável que eu até tenho medo de pensar como será daqui a dois anos - revelei em tom de pensamento
- Imaginas-nos juntos daqui a dois anos? - sorriu babado
- Sim, tu não? Já não consigo imaginar a minha vida sem ti!
- Simplesmente, amo-te!
- Também te amo muito muito muito muito - sorri-lhe
- Eu amo mais, bem vamos dormir, estou cansadito - revelou
- Vamos, quero dormir agarradinha a ti - beijei-o
Fomos tratar da nossa higiene e rapidamente nos deitamos.
- Amor, esse chupão fui eu que fiz ontem? - reparei no seu pescoço
- Não, foi a minha amante - gozou com a minha pergunta - Sim, vê bem como me provocaste, devia vingar-me - o Sílvio deita-se em cima de mim e começa a dar-me beijos e caricias no pescoço
- Amor, pára! Amanhã vou estar com os meus pais, imagina só o que diziam se vissem que eu tinha um chupão no pescoço - pensei
- Não iam achar grande piada, então posso fazer um num sitio mais escondido? - provocou
- Não, amor, está lá quieto... fazes depois quando voltar e quando já estiver contado aos meus pais da tu existência
- Vai fazer isso amanhã? - a nossa conversa tomou um tom mais sério
- Sim, não é que os meus pais já não tenham reparado, mas eles merecem que eu lhes conte tudo, não é?
- Claro - sorriu-me - Estás nervosa?
- Não, quer dizer, mais ou menos... olha não sei, amanhã penso nisso - disse descontraidamente, numa maneira de só me preocupar com o assunto quando chegasse a Portugal
- Esta bem, até amanhã princesa - Sílvio dá-me um beijinho na testa
- Dorme bem, amor - dei-lhe um leve beijo nos lábios e tentei adormecer

Boa noite Meninas :)
Aqui fica o capítulo, espero sinceramente que gostem e é muito importante para mim que deixem a vossa opinião, se faz favor. Vou ser breve a publicar o próximo capitulo.
Beijinhos,
Didi Martins