ORGULHO!
***
- Estás satisfeita com o que acabaste de fazer? - expressou rudemente Ricardo, numa das poucas vezes em que discordava da sua mulher
- E tu que não ficasses sempre do lado a tua filha - Ana sentia-se incompreendida
- Eu juro que não percebo de onde vem esse teu perconceito, não entendo, tu nunca foste assim... - o pai de Didi acabara por se sentar no sofá, também ele se sentia desiludido, mas sobretudo sentia-se surpreendido, aquela atitude não era digna da mulher que amava incondicionalmente
- Ricardo, eu sei perfeitamente como os jogadores de futebol são. Para eles as mulheres são como os golos, quantos mais melhor. Eles apenas se querem divertir enquanto estão na flor da idade e têm dinheiro e fama. Eles são apenas aqueles que dão uns toques na bola e que depois não sabem mais nada. E as mulheres deles? A tipica mulher fútil, que só se preocupa com a beleza e com a fama. Eu não quero isso para a nossa Didi! - defendia Ana
- Mas Ana, tu melhor que ninguém devias saber que há excepções. A nossa filha já não é nenhuma criança e se há coisa que ela não é, é ingénua. Ela sabe o que faz, ela sabe em quem pode confiar... só depois de conheceres o Sílvio é que podes opinar, agora não. Agora estás apenas a cometer o erro de julgar uma pessoa pelas aparências. Sim todos sabemos a fama que os futebolistas têm. Mas deixa-me contar-te uma coisa. Em toda a minha vida vi futebol, conheço imensos jogadores... sim há uns malucos que só se interessam pela fama, pela noite, por sexo, por dinheiro... tipo o Balloteli. Mas depois há jogadores como o Pablo Aimar...
- Sabes que eu não percebo nada de futebol... - disse Ana, não fazendo a minima ideia de quem era o Balloteli e o Pablo Aimar
- Deixa-me acabar. O Pablo Aimar é uma das melhores pessoas que eu tive o prazer de conhecer, é um autêntico senhor. É humilde, simpático, cordeal, culto, educado... só para teres noção, enquanto todos no autocarro preferiam ouvir música e ver filmes, o Aimar lia, ele queria ser médico e ainda fez os primeiros anos de universidade de medicina, mas depois o futebol falou mais alto. Ele foi um dos melhores jogadores argentinos e não se deslumbrou, não é convencido, nem egocêntrico. Isto para te dizer que há excepções. Que há futebolistas que são uns verdadeiros Homens com H grande. E depois há os outros, que sim, são a maioria, que se perdem no meio da fama e do dinheiro. Eu não conheço o Sílvio pessoalmente, mas uma coisa te digo, ele não faz parte da maioria - Ricardo abandonou a sala, deixando a sua mulher a pensar no assunto
Ana não resistiu. Precisava de saber mais coisas sobre o Sílvio, urgentemente. Para tal, nada melhor que a internet.
"Sílvio Sá Pereira nasceu em Lisboa, na zona dos 7 moinhos. Cresceu no ceio de uma família humilde e ligada ao futebol, pois o seu pai também foi futebolista, tal como ele e o seu irmão mais velho. Aos 6 anos ingressou no Benfica e é lá que passa o pior momento da sua vida, quando em 2000 (tinha Sílvio 12 anos) o seu pai morre com um ataque cardíaco enquanto assistia a um treino seu. O então treinador do Benfica na altura, José Mourinho, ao saber da notícia decide convocar o jovem rapaz para o jogo do Benfica, para o distrair. "Custou-me imenso a mim e à minha família... Ficar sem o Homem da casa não é fácil para ninguém e muito menos para crianças. Vimo-nos obrigados a crescer mais depressa. Fomos buscar forças onde não as havia, mas todos nos unimos e com grande ajuda do meu tio, que foi um segundo pai, conseguimos ultrapassar tudo (...) Todos os dias penso no meu pai e só lhe peço que me dê força para continuar a fazer com que ele se orgulhe de mim", foram as palavras de um menino que rapidamente se teve de fazer homem. Aos 18 anos saí do Benfica, pois decide não assinar o contrato "miserável", segundo ele, que lhe ofereceram. Vai então fazer treinos de captação ao Chelsea e ao Portsmounth, mas não fica. Regressa a Portugal quando todas as equipas já tinham os seus planteis formados, por isso só arranja lugar no Atlético do Cacém, onde esteve apenas na época 2006/2007, que militava na 2º divisão B. E é em momentos como estes que vemos a garra de um campeão: "Não nunca pensei em desistir, sempre tive a sensação que iria dar certo. Passei por momentos muito maus, tive dois meses no banco do Cacém, foram dois meses infernais, e ai sim pensei que tinha batido no fundo. Vinha do Benfica, tinha estado no Chelsea e no Portsmouth e meio ano depois estava no banco do Cacém... Não podia acreditar no que me estava a acontecer. Foram tempos complicados mas não desisti". Na época seguinte, 2007/2008, assinou pelo Odivelas. Num jogo que o Odivelas teve para a taça de Portugal com o Rio Ave, Sílvio faz uma exibição espetacular, levando assim o Rio Ave a contrata-lo na época seguinte. Passou duas temporadas no Rio Ave, onde curiosamente se estreou contra o Benfica na primeira jornada do campeonato, num jogo onde Sílvio foi titular e o Rio Ave conseguira empatar com o clube da Luz. No verão de 2010, vários clubes estavam interessados em Sílvio, mas este acaba por assinar pelo vice-campeão Português da época anterior, Sporting de Braga. Tem a sua estreia na liga dos campeões contra o Sevilha, onde o Braga consegue o apuramento para a fase de grupos da prova. A sua estreia com a camisola de Portugal deu-se a 8 de setembro de 2010, num jogo a contar para o apuramento do Euro 2012, mas que infelizmente Portugal perdeu (Noruega 1 - 0 Portugal). O Braga ia fazendo uma carreira espetacular na Liga Europa, eliminando equipas como o Liverpool ou o Benfica, chegando assim à final da prova contra o Porto. Era a 1º final europeia do Sílvio, mas que infelizmente a sua equipa perde por 1 - 0. Esta época espetacular tanto a nível da equipa como a nível pessoal leva o atlético de Madrid a contrata-lo por 8 milhões de euros. Assina por 4 temporadas, tendo uma cláusula de rescisão de 20 milhões de euros."
- Será que fui injusta? Este rapaz ja passou por tanto e parece tão lutador e humilde... mas ao mesmo tempo não consigo deixar de dúvidar - penvava Ana em voz alta, algum sentimento de culpa começava a invadi-la
- Pois Ana, parece-me que deves um pedido de desculpas à nossa filha... - Ricardo ouvira o que a sua mulher disse enquanto entrara na sala
- Sim, tenho de falar com a nossa filha e conhecer o Sílvio, para ter mesmo certezas... depois de o conhecer logo veremos se lhe devo um pedido de desculpas ou se ela ainda me vai agradecer - Ana era teimosa o suficiente para levar a sua teoria até ao fim, só quando tivesse 100% de certezas que estava errada é que o iria admitir e consequentemente tentar redimir os seus actos
***
- Deixem passar, deixem passar, abram espaço! - a correria da zona de emergências do hospital tomou conta do momento- Ela tem os pulmões cheios de água e está a perder muito sangue, estamos a perder-lhe o pulso! - gritava um dos assistentes médicos enquanto levavam a Didi numa maca para dentro de uma sala
- O senhor vai ter que ficar aqui à espera - informava uma enfermeira ao Duarte
- Por favor, por favor, deixe-me ir com ela, ela precisa de mim, por favor! - Duarte sentia-se desesperado, queria ajudar a Didi e não sabia como
- Tenha calma por favor, a sua amiga está bem acompanhada pelos médios, eles vão fazer de tudo para que ela fique bem, por favor tenha calma - dizia a enfermeira num tom de voz sereno, tentado acalmar o Duarte
- Ai a culpa é minha, eu não lhe devia ter emprestado a prancha, o mar estava tão agitado! Ai porquê?! Porquê? - desesperantes lágrimas escorriam pelo rosto do Duarte, e um sentimento de culpa invadia o seu coração
- Tenha calma, vai tudo ficar bem - a sábia voz da experiência da enfermeira fez-se ouvir - O senhor esta em condições de informar a familia da paciente ou quer que o hospital o faça?
- O quê? A familia? - Duarte estava desorientado - Ahh não deixe estar, eu informo... - acabou por dizer
A enfermeira retirou-se e Duarte procurou nas coisas de Didi, que teve tempo de mandar para dentro da ambulância e que inconscientemente tinha traziado para dentro do hospital, o seu telemóvel. Rapidamente procurou o nome "mãe" e sei saber bem o que dizer ligou.
- Diana? - a voz de Ana transmitia o espanto de estar a receber uma chamada da filha
- Desculpe, desculpe, desculpe, eu sei que a culpa é minha eu não a devia ter deixado ir... - o desespero tomava conta do Duarte - Desculpe tia, desculpe! - as lágrimas e o soluçar da voz do Duarte evidenciavam o seu estado de angustia
- Duarte? O que se passou? Onde está a Didi? - Ana bombardeou-o com perguntas
- Tia, estamos no hospital, a Didi teve um acidente no mar... - conseguiu dizer Duarte, antes que o sinal da chamada desligada se ouvisse
Duarte deixou o seu corpo sem forças cair numa das cadeiras da sala de espera. Parecia que horas se tinham passado e nada de novo se sabia, nada de novidades da Didi.
- DUARTE! - gritou Ana assim que o vislumbrou, as suas pernas bambas movidas pela preocupação correram até ao amigo da sua filha, juntamente com o seu marido - O que é que se passou Duarte, onde está a Diana?
- A culpa é minha! - Duarte apenas se abraçou a Ana num choro compulsivo - Desculpe!
- Ai Duarte, por favor diz-me o que se passou - pedia a mãe da Didi, o pai estava completamente atónico a olhar para toda esta situação
- Foi assim eu encontrei a Didi na praia e ela pediu-me a minha prancha emprestada para ir surfar, ela nem se quer estava equipada mas insistiu tanto que eu emprestei-lhe a prancha. A cena é que o mar estava mesmo muito muito agitado, mas acabei por confiar nela. Ela é experiente, eu sei, eu sei, não a devia ter deixado ido - dizia a soluçar
- Mas o que é que aconteceu mesmo no mar? - tomou a palavra o Ricardo
- Eu não vi, mas ela deve ter sido errolada por um onda e depois a prancha bateu-lhe na cabeça e ela ficou inconsciente, quando a fui buscar dentro de água ela estava completamente inconsciente e a escorrer imenso sangue da cabeça, depois foi vir para o hospital e os médicos não me sabem dizer mais nada - contou - desculpem, desculpem eu sei que a culpa é minha, não a devia ter deixado ir - culpava-se
- Calma, puto! - o pai da Didi tentava dar animo ao Duarte, apesar de estar muito preocupado acaba por ser o mais lúcido naquela sala. Ricardo era uma pessoa super calma, e embora estivesse a morrer por dentro, fazia por tudo para parecer forte.
O tempo parecia não passar dentro daquela sala, horas e horas passaram, pareciam dias, torturosos dias, mas ainda nada se sabia da Didi.
- Olhe desculpa, sabe dizer-me alguma coisa da paciente Diana Martins? - pela milésima vez a mãe da Didi foi falar com uma das enfermeiras que passavam no corredor
- Não minha senhora, o médico ainda não disse nada, quando se souber eu irei informá-la - a resposta era sempre a mesma
- Mas tanto tempo! - o desespero começava a instalar-se na mãe de Didi - Por favor, digam-me que a minha menina esta bem, por favor! - a mãe da Didi foi completamente dominada pelas lágrimas, ela estava esgotada, já não suportava a dor de não saber nada da sua filha - Ainda por cima ela saiu de casa chateada comigo... - martirizava-se
- Calma, amor! - os braços de Ricardo apertaram a sua mulher contra o seu peito
- Eu não aguento se lhe acontece alguma coisa!
- Calma, a nossa menina é forte e vai ficar bem, vais ver! - nem o próprio Ricardo acreditava a 100% nas suas palavras mas fazia um esforço para pensar positivo - Pensamentos positivos atraem coisas positivas...
Começava a anoitecer e as noiticias da Didi ainda não tinham chegado.
- Familiares de Diana Martins? - um médico com o cabelo grisalho que devia ter os seus 45 anos, põe um fim na espera dos pais de Didi e do Duarte
- Somos nós! - Ana levanta-se do seu lugar mais depressa do que a velociade da luz - A Diana está bem? O que é que ela tem? - Ana bombardeava o médico de perguntas
- Calma, eu explico-lhes tudo. Não querem vir a
té ao meu gabinete para conversarmos calmamente? - sugeriu o médico
- Isso quer dizer que é grave? - desta vez foi o pai da Didi que perguntou
- Eu não lhe vou mentir, a situação da sua filha não é das melhores, ela
teve várias mazelas, mas vamos fazer de tudo para que fique bem - assegurou o médico
O caminho até ao gabinete do médico foi feito num silêncio absoluto, apenas se ouvia o burburinho da correrria que era um hospital.
- Explique-me essa mazelas que a minha filha teve... - pediu o pai de Didi, fora o único capaz de pronunciar palavras, tanto a mãe de Didi como Duarte, continuavam calados, nas suas cabeças apenas ecoava "a situação da sua filha não é das melhores, ela teve várias mazelas".
Os corações batiam a mil naquela sala, a ansiedade de ouvir que o que a Didi iria ficar bem contrastava com o pessimismo. Acima de tudo queriam saber como estava Didi, mas tinham medo de não aguentar catrastróficas noticias.
- É assim a Diana sofreu de duas coisas distintas, primeiro foi completamente abalada pela sua prancha, as ondas do mar fizeram com que esta fosse contra ela e dai surgiu vários ematomas fisicos no corpo dela, o pior foi quando a prancha lhe bateu na cabeça e a deixou sem sentidos. O outro problema foi ter engolido muito água, parte dessa água foi vai para o estômago e a restante segue o mesmo caminho do ar: percorre a traquéia e chega aos pulmões, passando por brônquios, bronquíolos e alvéolos. É ai que os pulmões ficam cheios de água, a troca gasosa, entrada de oxigênio e saída de gás carbônico, não funciona mais. A redução da taxa de oxigênio causa danos em todos os tecidos, principalmente nos que precisam de mais ar, como as células nervosas. Mas no entanto, este último problema já nós conseguimos resolver, os pulmões dela já estão a recuperar e os tecidos também estão todos bem, já a analisamos em todos esses aspetos e ai está tudo bem. O problema mais grave neste momento é ela ainda estar incosciente, apesar de já estar salva do maior risco que corria, ainda está inconsciente e só quando acordar é que vamos poder ver se sofreu mazelas no cerebro ou não.
- Ela pode ter mazelas graves no cerebro? - perguntou o pai de Didi
- É assim na pior das hipóteses com a forte pancada que ela sofreu ela pode ter perdido a memória, mas na melhor das hipoteses pode estar perfeitamente bem. Isso só será possivel de saber quando ela acordar - informava o médico
- E quando é que ela vai acordar? - disparou o Duarte
- Isso não sei, pode ser a qualquer momento...
- E porque é que demoraram tanto tempo a dar noticias da minha filha?
- A Diana quando aqui chegou não vinha realmente bem, posso até mesmo dizer que corria um sério risco de vida, porque estávamos a perder-lhe o pulso e ela estava a perder muito sangue. Todo o tempo que a senhora esperou foi o tempo de a reanimar, de fazer uma tranfusão de sangue, de limpar a água dos pulmões e de lhe cozer a cabeça. A Diana levou nove ponto na cabeça. Mais alguma pergunta? - inquiriu atenciosamente o médico
- Doutor, diga-me com toda a sinceridade, a Diana vai ficar bem? - o coração preocupado a mãe de Didi tomou palavra
- Sim, eu tenho quase a certeza que sim, a sua filha é uma menina forte, já está a recuperar de todas as mazelas por isso agora é só mesmo esperar que acorde - o médico fez um ligeiro sorriso
- Se ela perder a memória, nunca mais a recupera ou é temporário?
- Isso já não lhe sei dizer, só mesmo quando ela acordar é que vamos ter um prognostico especifico...
- Posso ir ver a minha filha?
- Sim claro, ela está no quarto 128. Mais alguma dúvida não exitem em falar comigo - disponibilizou-se o médico
- Obrigado Doutor - agradeceu o pai de Didi
No fim desta conversa os corações sairam mais aliviados, ainda restava uma preocupação, mas todos sentiam que o pior já tinha passado, agora restava comprovar com os olhos como estava a Didi.
- Ai a minha pequena - a mãe de Didi ajoelhou-se ao seu agarrando-a na mão
A Didi estava num quarto sozinha, aparentemente estava bem. Na sua cara era possivel ver algumas nódoas negras mas continua linda, pelo menos para as pessoas que a amavam.
SílvioHoje tive folga e aproveitei para desncasar. Soube-me pela vida passar o dia na piscina a apanhar sol, perfeito era este dia ser passado com a minha princesa, mas pronto não se pode ter tudo e amanhã ou depois ela ja voltava para os meus braços.
Já era de noite e eu ia fazer o jantar para mim e para o Tomás.
- Puto, já falaste com a Didi agora à tarde? - perguntei-lhe assim que nos sentámos à mesa
- Não, enviei-lhe uma sms e ela não me respondeu, deve andar ocupada... - desvalorizou o Tomás
- A cena é que já lhe liguei mais de dez vezes e nada, não consigo falar com ela desde manhã - estava a ficar preocupado
- Olha ela já se fartou de ti, temos pena - brincou o Tomás
- Deves pensar que ela é como as tuas namoradas - arremessei
- Chii que golpe baixo - gargalhamos
- Mas podes fazer-me o favor de ligar à Didi a ver se ela te atende se faz favor?
- É para já chefe - e fez-me continência
Tomás pegou no seu telemóvel e amavelmente ligou à minha Didi.
- Não puto ela também não me atende - informou-me
- Começo seriamente a ficar preocupado - tinha um mau pressentimento
- Vou ligar à Laura, talvez estejam juntas...
- Ola Tomás, já com saudades minhas? - dava perfeitamente para eu ouvir a voz da Laura, a sua boa disposição era evidente
- Oh estava a morrer de saudades, nem imaginas - o Tomás riu-se - Agora falando a sério, sabes da Didi?
- Não, por acaso até ficámos de nos encontrar à tarde e ela não apareceu, já fui à casa dela e não está lá ninguém, não sei se foi a algum lado com os pais, pelo menos sei que eles estavam de folga...
- Não a Didi de manhã disse-me que tencionava ir procurar casas em Lisboa contigo à tarde - entervi, algo se passava
- Isso é estranho, ela nem me responde às sms... - comentou a Laura
- Alguma coisa lhe aconteceu! - antevia
- Ok eu ligo aos pais dela a ver se sabem de alguma coisa - disponibilizou-se o Tomás
- Faz isso e se souberes alguma coisa envia-me sms se faz favor - pediu a Laura
- Claro Laurinha, beijinhos, obrigada - terminaram a chamada
- Aconteceu-lhe alguma coisa, tenho a certeza - o meu coração parecia que ia explodir, tal era o estado de nervosismo
- Calma - tentava tranquilizar-me o Tomás
Tomás ia ligar à mãe da Didi, só esperava que ela me tranquilizasse o coração.
- Ela não atende!
- Calma, espera mais um pouco...- Tomás? - finalmente a voz da Ana fez-se ouvir
- Olá Tia! - cumprimentou simpáticamente - Está tudo bem consigo?
- Não, Tomás, infelizmente não. A Diana teve um acidente no mar e está neste momento inconsciente no hospital - o meu mundo desabou completamente
- Inconsciente!? Como assim ela está bem?! - tive que intervir na conversa
- Quem está ai contigo, Tomás? É o Sílvio? - perguntou a mãe da minha namorada
- Sim senhora Ana, é o Sílvio, um amigo da sua filha - tomei a palavra, menti dizendo que eramos amigos, mas não sabia se a Didi já lhe tinha contado na nossa relação
- Sílvio, a Diana já me contou da vossa relação... mas neste momento estou no hospital, a Diana sofreu um grande golpe na cabeça e engoliu muito água, por isso esta inconsciente e ainda não se sabe quando é que ela vai acordar - informava-me
- Ok, eu vou apanhar o avião já para ai! - precisa de ver a minha princesa, de lhe dar apoio, de estar ao lado dela...
- Desculpe, Sílvio, mas acho que não vale a pena, a Diana mais dia menos dia, mais hora menos hora irá acordar, eu sei que é dificil para si, mas não adianta de nada vir, você tem um trabalho ai, não pode faltar assim, sem mais nem menos e depois a sua vinda não iria fazer com que a Diana ficasse melhor. Acredite que ela está rodeada de pessoas que a amam e está a ser bem tratada - aconselhava num tom sábio
- Mas eu não aguento estar aqui sem saber noticias, sem ter novidades, sem lhe dar apoio, ser a ver com os meus olhos, sem a poder proteger, não aguento - desabafei, esta distância matava-me, mas acima de tudo torturava-me
- Tem de ter calma, Sílvio! Eu sei que é dificil, eu sei que sim, mas tem de ser forte! Eu prometo que quando houver novidades eu lhe ligo e lhe mantenho informado de tudo o que se passar com a Diana, eu prometo-lhe!- Ok, muito obrigada Ana - agradeci-lhe, ela estava a ser espetacular comigo, quase que estava a ser uma mãe para mim
- Tenha calma Sílvio, eu ligo-lhe quando houver novidades. Adeus - Ana desligou
O meu mundo acabava se acontecesse alguma de coisa de mal à Diana. E se ela não acordasse? Ai nem quero pensar, não a posso perder, não a posso perder, ela é a minha vida. Ó meu deus, eu não aguento isto. A minha vontade era apanhar o primeiro avião para Lisboa e ter a minha mais que tudo nos meus braços, mas tinha de ser racional e forte, era tão dificil! Como é que somos racionais e fortes quando alguém que o nosso coração ama está em risco? Não somos... o medo consumia-me, os nervos tomavam conta de mim e a angustia aniquilava-me.
***
Já era terça-feira. O sol abrasador fazia-se sentir na rua, já no quarto de hospital de Didi continuava tudo na mesma. Ela ainda estava inconsciente, mas sempre acompanhada pela sua familia que não arredava pé do seu lado. Pelo quarto dela já tinham passado vários amigos, desde o Duarte, à Laurinha, à Rita, ao Barbosa... Mas agora era hora de uma visita especial.
- Posso? - uma amável voz surgiu atrás da porta do quarto da Didi
- Sim, pode, mas a senhora não estará enganada? - Ricardo era o único que acompanhava Didi a esta hora, a sua mulher tinha ido a casa tomar banho e descansar um pouco, foi dificil para Ricardo convencê-la a ir, mas conseguiu ser mais teimoso que ela
- Penso que não, este não é o quarto da Diana Martins? - perguntou com uma voz doce
- Sim é - afirmou Ricardo - Desculpe, mas quem é a senhora e como conheçe a minha filha?
- Desculpe eu, não me apresentei - a senhora vai até Ricardo e estende-lhe cordealmente a mão - Eu sou a Lurdes, sou a mãe do Sílvio, o namorado da Diana - identificou-se com um sorriso no rosto
- Prazer, sou o Ricardo, o pai da Diana - trocam um aperto de mão
- O prazer é todo meu. Eu peço desculpa por vir cá visitar a Diana mas eu não me sentiria bem se não o fizesse e depois o meu Sílvio também me pediu... - justificou Lurdes que apesar de ainda não ter tido o prazer de conhecer Diana, sentia já um grande carinho por ela, simplesmente pelo facto de fazer o seu filho tão feliz
- Claro, eu compreendo, esteja à vontade - Ricardo voltou a sentar-se no sofá que havia ao fundo do quarto, assim como voltou a fixar os seus olhos no jornal desportivo que ia desfolheando, na tentativa que o tempo passasse mais rápido
Por sua vez Lurdes sentou-se no banco ao lado de Diana, era inexplicável o sentimento que lhe percorria nas veias, não conhecia esta menina que lhe parecia tão frágil à primeira vista, mas sentia que carinho e uma preocupação de mãe para com ela.
- Pequena, pequena... - pronunciou carinhosamente enquanto lhe agarrou na mão. O corpo de Diana respondeu a este gesto, o seu ritmo cardiaco aumentou, algo visivel para Lurdes - Sei que não me conheces, pequena, mas eu sinto que te conheço à anos e que tenho a obrigação de cuidar de ti! É estranho não é? Enfim o meu Sílvio acha super normal, diz que tu causas este sentimento nas pessoas: gostam de ti mesmo sem te conhecer e que depois de te conhecerem se apaixonam... - Lurdes falava como se Diana a tivesse a ouvir, no fundo tinha a esperança que tivesse a ser ouvida - pelo menos foi isso que lhe aconteceu. Ele é louco por ti, o Sílvio ama-te! - outra vez o ritmo cardiaco de Didi aumentou, chamem-lhe alma, chamem-lhe instinto, chamem-lhe coração, mas algo dentro da Didi ouvia esta conversa - Sabes ele está a sofrer bastante longe de ti, ele até queria apanhar o avião só para poder estar ao teu lado... ele ama-te como eu nunca o vi amar ninguém, e não digas a ninguém - Lurdes aproximou-se de Didi e segredou-lhe ao ouvido - mas eu acho que ele te ama para sempre, eu pelo menos acho isso quando o olho nos olhos e vejo a maneira como a ele fala de ti. É amor puro, é amor na sua maior essencia: a verdadeira! - Lurdes inconscientemente esperava uma reação da Diana, esperou um pouco, pensou, respirou fundo - Mas mesmo longe sabes que ele está contigo e que te está a transmitir a força que precisas, ele estará sempre. Pequena, sei que és forte e que vais acordar, tem que ser, sim eu sei que dormir é mesmo muito bom - Lurdes não perdia o seu lado animado - Mas tens de acordar, tens de vir por um sorriso nos lábios de quem te ama, tens de pôr de novo os olhos deles a brilhar, eles precisam de ti, o Sílvio precisa de ti! - a mãe de Sílvio finalizou o seu discurso com o beijo na testa de Didi, antes de se levantar do seu lugar ainda lhe apertou a mão e rezou, Deus era grande e iria sem dúvida proteger esta menina
- Obrigada pel... - Ricardo foi interrompido por uma voz, algo sumida, mas suficiente audivel para o fazer parar o seu discurso
- Sílvio... Sílvio, amo-te - era Diana, ela mexeu-se, tentava soltar-se - Sílvio, Sílvio - inconscientemente chamava por ele - Sílvio...
- Ela precisa de ouvir a voz dele - falou para si Lurdes, rapidamente pegou no seu telemóvel e ligou ao seu filho - Amor a Didi está inconscientemente a chamar por ti, fala com ela - o pequeno aparelho auditivo já se encontrava ao lado de Didi
- Princesa da minha vida... - Sílvio chamava esperançosamente pela sua amada
- Sílvio, Sílvio, Sílvio! - Didi chamou por ele desesperadamente, como se estivesse a sonhar
Sílvio não aguentou, o seu coração batia a infinitos, podia estar a mais de 600km de distância mas o seu coração continua na mesma ao pé de Didi. Não havia palavras para descrever este momento, apenas o seu coração descompensado e as suas lágrimas, marcavam o momento em que desejava que a sua princesa acordasse.
- Princesa, AMO-TE! Por mim, pela tua familia, por favor acorda! - Sílvio suplicava, interiormente fazia uma força impensável para que Didi o ouvisse, para que Didi acordasse
Acreditam em Deus? Acreditam que há algo superior a nós que faz a vida ter sentido? Acreditam que há algo que comanda a nossa vida? Acreditam que há alguém lá em cima que nos protege e zela por nós? Todos os presentes no quarto acreditaram assim que conseguiram ver o lento movimento de olhos da Didi. Os seus delicados olhos azuis começavam a ficar a descoberto e com ele surgiram movimentos na busca de algo pelo quarto, na busca de alguém no quarto. Olhou para o lado esquerdo e nada, apenas uma porta fechada, olhou em frente, um sofá, uma televisão. Uma última esperança assolou o seu coração, olhou para a direita: duas pessoas. O seu coração acelerou, os seus olhos começaram a tornar a imagem mais nitida, para sua desilusão. O seu rosto fechou-se, expressando o seu desalento.
- Pai, o Sílvio? - perguntou finalmente. Eram as suas primeiras palavras num estado lúcido, ao fim de dois dias inconsciente, Didi acordara e a primeira coisa que perguntara foi por Sílvio.
-Princesa, estou aqui - a sua voz transmitia toda a emoção que percorria no seu corpo
Sílvio era o único a conseguir responder a Didi, tanto Lurdes como Ricardo, estavam presos pelas lágrimas que os dominavam e impossibilitaram de pronunciar uma palavra que fosse. Simplesmente não havia palavras para descrever aquele momento.
- Amo-te! - pronunciou Didi, quebrando o silêncio. Sílvio pronunciara um "eu também te amo muito princesa" baixinho, algo que a Didi não ouviu. Assim como Lurdes pronunciou mentalmente um "obrigada meu Deus". Mais silêncio se seguiu e Didi não entendia porquê.
- Pai, senhora - chamou-os - porque choram? Eu estou bem! - garantia
- Por nada minha filha, por nada - Lurdes tomou a palavra, assim como a iniciativa de chegar ao pé de Didi e lhe dar um beijo na testa
- Desculpe, mas eu conheço-a? Tenho a vaga sensação que sim, mas não sei o seu nome - Didi estava confusa, a voz desta senhora era-lhe familiar, assim como os traços do seu rosto, mas quase que tinha a certeza que nunca a tinha visto antes
- Fala com o teu pai e quando poderes liga ao Sílvio - sorri-lhe - Eu sou a Lurdes, uma senhora - dizia a palavra que Diana usou para lhe chamar - que gosta muito de ti! - a mãe de Sílvio dá-lhe um último beijo na mão e sai do quarto, não sem antes trocar um olhar de força para Ricardo e gesticular um "obrigada"
- O pai vai chamar o médico... - disse Ricardo ainda meio atardoado de todas as emoções
O médico veio e levou Diana para fazer todos os exames que eram precisos para confirmar que estava tudo bem. Aparentemente sim estava tudo bem, apenas Diana sentia algumas dores mas nada que não passesse com uns cumprimidos e nada que o tempo não curasse.
Os dias passaram assim como as pessoas passavam no quarto 128 para visitar Didi. Hoje a Didi tinha alta, era dia de voltar a casa.
- Ó Laura, não sabias ter-me escolhido uma roupa mais curtinha para eu mostrar ainda mais os meus negrões - Didi reclamava na brincadeira com Laura que a ajudava a vestir
- Não! Esta roupa está perfeita! Ficas linda de qualquer maneira, não te preocupes! Mas fogo tu olhas para esta roupa e até sorris, ena, tenho mesmo bom gosto - gabava-se Laura. Diana apenas gargalhou
- És tão parva! - expressou antes de sair pelo seu próprio pé e sem qualquer ajuda pela porta do seu quarto, sentia-se bem, sentia-se livre, estava farta daquela cama, de estar ali quieta o dia todo, de ter de obedecer aos médicos. Para ela parar era morrer, e isso foi o mais dificil de suportar nestes dias que passou no hospital. Mas agora isso era passado, Diana ia para casa, ia estar rodeada de familiares, de amigos, de todos aqueles que amava e tencionava ir rapidamente para Madrid, afinal as férias estavam a acabar e ela tinha de aproveitar os últimos dias ao lado de Sílvio, assim como tinha de matar as saudades que lhe invadiam o coração sem pedir autorização.
Será que a mãe de Didi vai pôr entraves à sua viagem para Madrid?
Agora que as férias estão a acabar como serão os próximos dias da relação deste casal?
Boa tarde, princesas!
Aqui fica o capitulo 35, um dos mais difíceis para mim de escrever, por isso mesmo hoje é ainda mais importante que deixem a vossa opinião. Espero que gostem e quero agradecer a todas as que acompanham a fic e que tem uma amizade comigo, vocês são incansáveis. OBRIGADA!
Beijinhos
Didi Martins










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