sábado, 7 de dezembro de 2013

Capítulo 32 - A diferença entre fazer sexo e fazer amor


Uma claridade imensa invadiu o quarto e obrigou-me a abrir os olhos. Sentia a minha cabeça pesada, parecia que ia explodir.- Ai expressei meio desengonçada tentando-me levantar
- Bom dia, minha princesa saudou alegremente o meu namorado
- Sílvio, mais baixo por favor pedi, a intensidade com que ele me saudou quase que me explodia a cabeça Dói-me tanto a cabeça…
- É normal, depois da bebedeira que apanhaste ontem…
- O quê? Eu embebedei-me? perguntei num tom quase escandalizado, o Sílvio só se ri
- Sim, não te lembras?
- Não expressei
- Mas devias… - disse baixinho
- Devia?! Olha eu lembro-me de termos todos ir sair, lembro-me de estar na discoteca a curtir e depois não me lembro de mais nada…
- Só não te lembras do caminho para casa e do que fizeste quando chegaste? perguntou-me, notei que ele estava especialmente curioso pela minha resposta
- Não, nada disse receosa O que é que eu fiz? Algo de mal?
- Mais ou menos, conto-te mais tarde, pode ser? Até porque quero falar contigo sobre isso... sorriu-me mas notei-lhe um pouco de nervosismo Tenho lá em baixo um comprimido que te vai curar da ressaca. Mas agora vai tomar um banho de água fria que temos de ir almoçar nem me deu tempo para responder ao primeiro assunto
- Almoçar? Que horas são?
- Sim princesa, tiveste a dormir muito tempo, eu já fui ao treino e voltei e tu sempre a dormir, são uma hora e dezassete minutos sorriu-me Mas tranquilo, que os teus amigos também só devem estar a acordar agora descansou-me
- Menos mal pronunciei Vou tomar um duche rápido, espera por mim, sim? fiz um esforço e sorri-lhe
- Claro, princesa fui para a casa de banho Não te estás a esquecer de nada?
- O quê? voltei a olhar para ele
- O meu beijo de bons dias…
- Não posso, tenho hálito a álcool, não quero correr o risco de não gostares do meu beijo justifiquei-me, o Sílvio apenas se ri, não percebi porquê o que foi?
- É que ontem não te importaste com isso! deixou escapar
- É sobre isso que queres falar comigo, não é?
- Vai lá tomar banho desviou assunto
- Estou a ficar com medo dessa conervsa estava curiosa, mas acima de tu estava a ficar com receio de ter feito alguma coisa de mal.
Fui tomar um banho de água fria e a minha ressaca estava a passar, para isso muito contribui-o o comprimido que o Sílvio me deu. Fomos até à casa do Tomás.
- Bom dia saudei os meus amigos que estavam todos na sala, ainda ensonados Bem eu dormi muito, mas tou a ver que vocês dormiram ainda mais! eles ainda estavam todos de pijama
- Dids, não imaginas o que nos temos divertido com estes! disse-me a Mafalda
- Então? Também estão de ressaca?
- Yap, e estão ainda mais insuportáveis! gargalhou a Mafalda
- Menos, Mafalda, muito menos! Nós estamos ótimos! exclamou o Paulo
- Vocês deviam ter visto as vossas figuras ontem à noite, nem sabem o que eu e o Sílvio nos rimos a Mafalda tinha sido a única que juntamente com o Sílvio não apanhou alta bitola
- Foi hilariante! observou o Sílvio. Eu simplesmente lhe lancei uma olhar, do género "Tas a gozar comigo?" Oh amorzinho, vocês deitaram-se no chão do metro, foram o caminho todo deitados no chão! Não achas hilariante? ele deu-me um beijinho na cara e eu continuo o meu fingido amuo
- A melhor parte foi quando chegaram à brilhante conclusão que as luzes do metro eram estrelas a Mafalda ria-se às gargalhadas
- Chii quem é que é tão burro a esse ponto? exclamou o Paulo
- Tu estás mas é caladinho, porque tu disseste que era a lua a Mafalda mal se aguentava com tanto riso, que acabou por ser geral
- Tou a ver que nos divertimos muito! disse eu
- Só disseram baboseiras!
- Mas isso nós já fazemos sóbrios!
- Agora imagina bêbados, é muito pior! a boa disposição era geral
Acabamos por passar a tarde todos juntos, onde tive oportunidade de na companhia do Sílvio e ajuda do Tomás de lhes dar a conhecer a cidade de Madrid, uma tarde bem passada. Para a noite pensámos em algo mais pacato e ficamos pela casa do Tomás, no jardim a conviver. A noite já ia longa, entre poker, FIFA e conversas, o sono começava-se a apoderar de nós.
- A minha bateria está a chegar ao fim - informou o Paulo
- Isso cheira-me a desculpa para a abada que tens levado - disse o Barbosa que naquela noite estava com uma sorte incrivel ao jogo
- Não, mas por acaso eu tenho de ir porque amanhã tenho jogo e também já tenho sono - disse-me Sílvio pousando a sua cabeça no meu ombro visivelmente ensonado - Vocês não querem ir ver o meu jogo?
- Eu por acaso adorava - disse logo a Rita
- Então vão comigo, o jogo também é à tarde, assim no final do jogo comemos qualquer coisa e depois regressamos a Portugal - disse-lhes entusiasmada
- Então está combinado - expressou o Barbosa
Acabamos por nos despedir do pessoal todo, e regressamos à já "nossa" casa.
- Estás a pensar ficar quanto tempo em Portugal?
- Queria mesmo falar contigo sobre isso. É assim eu estava a falar com a Laura e tenho de ir a Portugal tratar das coisas da faculdade, as colocações saem terça-feira e temos de tratar do apartamento - como já tinha conversado com o Sílvio, eu iria viver num apartamento no centro de Lisboa com a minha Laurinha e algumas amigas minhas - por isso estava a pensar aproveitar a boleia do meus amigos e ir com eles para Portugal, eu ainda não sei quanto tempo lá vou ficar, mas não tenciono ficar muito tempo - sorri-lhe - Por isso amanha como vou ter que arrumar algumas coisas para levar, arrumo o resto e mudava-me para cá. Que achas?
- Acho muito bem, princesa - sorriu-me - Espero que não fiques lá muito tempo porque as férias estão a acabar e eu quero aproveitar o máximo de tempo para estar contigo - expressou melancónio
- Não, amor. Não vou lá ficar muito tempo - deu-lhe um beijo enquanto o empurrei para a sua cama, onde acabamos por cair - Agora já me podes dizer qual foram as cenas que eu fiz ontem à noite? - toquei no assunto que suscitou a minha curiosidade ao longo deste dia
- Não te vou dizer, apetece-me exemplificar! - Sílvio beija-me intensamente nos lábios, enquanto as suas mãos viajaram até aos meus quadris e me apertaram contra o seu corpo, por sua vez a sua boca tomou caminho até ao meu pescoço, deixando-me toda arrepiada. Senti as suas mãos dentro da minha camisola, com a intenção de a retirar.
- Pára, amor! - pedi-lhe
- Ok, precisava de ter a certeza - olhei-o - ontem à noite tentas-te que nos envolvesse-mos, disseste que querias fazer amor comigo e provocaste-me milhões... confesso que me foi extremamente difícil dizer-te que não, mas percebi que só o querias porque não estavas em ti... - revelou-me
- Desculpa, amor... - baixei o olhar envergonhada, estava na altura de abrir o jogo com ele e falarmos sobre isso, respirei fundo - ainda não me sinto preparada para fazer amor contigo - expressei o mais direto possível
- Posso fazer-te uma pergunta?
- A resposta é não... - poupei-lhe o trabalho de me fazer a pergunta, sabia bem demais que ele me ia perguntar se eu era virgem
- Era assim tão evidente?
- Era, vi-o no teu olhar...
- É que algumas atitudes tuas faziam-me pensar que sim, mas outras quase que me davam a certeza que não... - explicou
- Ficaste desiludido?
- Achas?! De forma alguma...
- Mas eu vou-te explicar... para mim fazer amor com alguém não é a banalidade que as pessoas hoje em dia passam sobre isso, para eu fazer amor com alguém tenho de a amar de verdade, isto não quer dizer que eu não te ame de verdade, porque tu sabes muito bem que eu te amo, mas é como se tivesse medo de me entregar a ti dessa forma, desculpa... - fiz uma pausa, pensei se devia continuar apesar do assunto delicado, era melhor ser sincera. Continuei - e depois também sabes que na minha vida só fiz amor com o Miguel e era especial... - revelei sem medos, vi a tristeza invadir o rosto do Sílvio
- Tudo com o Miguel era perfeito, tudo com o Miguel era especial, fogo pára de falar nele! Sabes, eu odeio-o! - expressou com uma evidente mágoa nos olhos - Só gostava que ele nunca tivesse existido, que gostasses só de mim, que o teu coração fosse só meu, que fosse só eu especial, não ele, sempre ele, sempre a comparação com ele - disse-me irritado - Ele tem aquilo que eu nunca vou conseguir ter, tu... - expressou já calmo
O que o Sílvio disse fez-me ficar mal comigo mesma, estava a ser tão cruel para ele, tão má e não tinha noção disso.
- Desculpa, amor - expressei o mais verdadeiramente possível, embora não valesse de grande coisa comparado com o sofrimento dele - Eu amo-te! - reforcei - Mas desculpa se falo muitas vezes dele, ele foi importante para mim, mas pela milésima vez é passado! Não tinha percebido que ele te causava esse sofrimento todo - falei triste - Não há comparação possível entre ti e o Miguel, sabes porquê? Porque eu nunca a fiz, cedo percebi que o que sentia por ti, era tão diferente do que senti pelo Miguel, tu mexes comigo de uma maneira que o Miguel nunca mexeu, de uma maneira louca, sou dependente de ti, sinto que a minha vida és tu, que és o mais importante, com o Miguel senti que ele apenas fazia parte da minha vida. Percebes a diferença?
Sílvio nada me disse, parecia ainda estar a processar, decidi então tomar outra vez a palavra.
- Quanto ao não querer fazer amor contigo agora, não é por não te desejar, aliás é precisamente o contrario - respirei fundo, Sílvio apenas me olhava em profundo silêncio - Conheces a diferença entre fazer sexo e fazer amor? - contra todas as minhas expetativas ele sorri com a minha pergunta
- Sim, conheço - afirmou convicto - A diferença é brutal, na minha opinião mais de metade das pessoas faz apenas sexo. O sexo é rápido, apenas o tempo em que o acto se dá, pode ser violento, não exige dedicação, nem cuidado, é apenas troca de prazer, começa e acaba ali. O amor não, o amor começa muito antes, fazer amor é uma junção de diálogo, de carinho, de convivência, de desejo, ai sim existe dedicação, cuidado, paciência, ai sim existe amor... é talvez por isso que poucas pessoas fazem amor. A verdade é que poucas pessoas estão prontas para fazer isso, apesar disso ser tão comum hoje em dia. Fazer sexo com amor é para poucos, transformar todo aquele sentimento com o prazer, é algo absolutamente indiscritível. Quando fazemos amor, existem aqueles sorrisos parvos, aqueles beijinhos na testa, aqueles carinhos... "Amor, tens fome?", "Precisas de alguma coisa?", "Amo-te"... Fazer amor é juntar tudo o que sentimos, numa noite, e isso já mais se explica, sente-se! - fiquei sem palavras, ele simplesmente me as tirou e disse-as de uma forma tão.. tão intensa
- É exatamente isso, é por isso que eu não quero para já fazer amor contigo. Primeiro porque quero que seja mesmo especial. Segundo porque sinto que apesar de te amar, se o fizesse-mos agora, seria mais sexo do que amor, porque eu acabo por te desejar de uma forma irracional, um desejo físico, um desejo pelo teu corpo, pelo teu toque, pela tua beleza... também podias ser mais feiozinho, não?! - brinquei, ele ri-se - não é que isso seja mau né...
- Eu estou a perceber, eu acabo por sentir exatamente o mesmo, acho que é normal... - revelou, respirei de alivio por estarmos em sincronia - mas acaba por ser mais difícil para mim controlar o desejo quando me provocas da maneira que me provocaste ontem...
- Imagino! - ri-me - Ás vezes penso como é que isto é possível, ainda nem à dois meses nos conhecemos e o que eu sinto por ti já é tão inexplicável que eu até tenho medo de pensar como será daqui a dois anos - revelei em tom de pensamento
- Imaginas-nos juntos daqui a dois anos? - sorriu babado
- Sim, tu não? Já não consigo imaginar a minha vida sem ti!
- Simplesmente, amo-te!
- Também te amo muito muito muito muito - sorri-lhe
- Eu amo mais, bem vamos dormir, estou cansadito - revelou
- Vamos, quero dormir agarradinha a ti - beijei-o
Fomos tratar da nossa higiene e rapidamente nos deitamos.
- Amor, esse chupão fui eu que fiz ontem? - reparei no seu pescoço
- Não, foi a minha amante - gozou com a minha pergunta - Sim, vê bem como me provocaste, devia vingar-me - o Sílvio deita-se em cima de mim e começa a dar-me beijos e caricias no pescoço
- Amor, pára! Amanhã vou estar com os meus pais, imagina só o que diziam se vissem que eu tinha um chupão no pescoço - pensei
- Não iam achar grande piada, então posso fazer um num sitio mais escondido? - provocou
- Não, amor, está lá quieto... fazes depois quando voltar e quando já estiver contado aos meus pais da tu existência
- Vai fazer isso amanhã? - a nossa conversa tomou um tom mais sério
- Sim, não é que os meus pais já não tenham reparado, mas eles merecem que eu lhes conte tudo, não é?
- Claro - sorriu-me - Estás nervosa?
- Não, quer dizer, mais ou menos... olha não sei, amanhã penso nisso - disse descontraidamente, numa maneira de só me preocupar com o assunto quando chegasse a Portugal
- Esta bem, até amanhã princesa - Sílvio dá-me um beijinho na testa
- Dorme bem, amor - dei-lhe um leve beijo nos lábios e tentei adormecer

Boa noite Meninas :)
Aqui fica o capítulo, espero sinceramente que gostem e é muito importante para mim que deixem a vossa opinião, se faz favor. Vou ser breve a publicar o próximo capitulo.
Beijinhos,
Didi Martins

5 comentários:

  1. Gostei imenso, fico à espera do próximo!

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  2. Olá!
    Ja tinha saudades!
    Ui e depois de uma bebedeira, vem as recordaçoes! E as conversas...profundas! Hum que estes dois quando a coisa se der... (desculpa tinha de fazer este comentario xD)
    Agora quero o proximo!!

    beso
    Ana Santos

    P.S. Adoooooooro All Of Me, nem vale a pena dizer quem me viciou nela porque e a mesma sujeita de sempre!

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  3. Olá :)
    Ja tinhas TANTAS saudades disto :D
    Coisas boas eles os dois *.*
    Têm o lado brincalhão, têm o sério que também tem quer ser tocado.
    Adorei muito muito, quero mais :D
    Beijinhos,
    Rita*

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  4. Já não lia nada disto há muito tempo e depois de me voltar a situar, percebi que realmente não perdeu qualidade, só ganhou!
    Vou tentar não voltar a perdar de vista a tua fic.
    Beijinhos.

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  5. Olá!
    O que dizer disto? Bem, que é lindo, especial, magnifico!
    A admiração que tens pelo Sílvio é demasiado especial para passar ao lado de seja quem for, mereces que toda a gente leia esta preciosidade que escreves e que te digam as melhores coisas que se podem dizer.
    Desde o inicio que esta fic é simplesmente arrebatadora, amo amo amo <3
    Espero que nunca tenha fim, ahah (sei que há-de ter mas talvez no cap 300 pode ser?).
    Em relação a este cap, bem esta conversa foi assim a melhor coisa de sempre, são um casal tão lindo meu deus, quero eles juntos até ao fim do mundo ouviste?!

    Beijinhos e quero muito o próximo <3

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